Pôr algo de si? Sobre o lugar e o laço no ensino e na transmissão da psicanálise
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-05112025-101633/ |
Resumo: | A presente dissertação propõe uma reflexão sobre o ensino da psicanálise elucidado pela Orientação Lacaniana orientação, porque esse ensino não é um dogmatismo , mediante o laço que esse ensino conserva com a experiência analítica, ressaltando, assim, sua distinção em relação à pedagogia. A partir da constatação de que Lacan sempre preferiu a expressão meu ensino à minha teoria, evidencia-se que seu ensino não foi sistematizado sob forma de um tratado, mas construído em fragmentos, conduzido por uma lógica própria à experiência analítica. A psicanálise, enquanto discurso, não visa à formação pedagógica nem à transmissão de um saber preestabelecido, mas à produção de um saber-fazer que emerge da experiência subjetiva. Nesse contexto, o ensino da psicanálise convoca o ensinante à posição de analisante, implicando-o como sujeito de enunciação e de desejo, mais ainda, do dizer. A transmissão não se pauta por modelos universais, porque não há transmissão que não passe pelo sintoma, pelo ridículo cada um, pela contingência do material e pela formalização sustentada no lugar e no laço. Tal ensino não oferece garantias, pois se orienta pelos não-há da psicanálise, na falta-como-saber, marcando a impossibilidade lógica que atravessa os ofícios do educar e do psicanalisar. Nesse sentido, a transmissão da psicanálise consiste na possibilidade de fazer laço com o real do gozo em sua ex-sistência, sustentando-se no gosto pelo trabalho e na decisão de implicação subjetiva que esse percurso exige, isto é, no ato de coragem de pôr algo de si. |
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Pôr algo de si? Sobre o lugar e o laço no ensino e na transmissão da psicanáliseTo put something of oneself? On the place and the tie in the teaching and transmission of psychoanalysisEnsinoLaçoLugarPlacePsicanálisePsychoanalysisRealSubjectSujeitoTeachingThe realTieTransmissãoTransmissionA presente dissertação propõe uma reflexão sobre o ensino da psicanálise elucidado pela Orientação Lacaniana orientação, porque esse ensino não é um dogmatismo , mediante o laço que esse ensino conserva com a experiência analítica, ressaltando, assim, sua distinção em relação à pedagogia. A partir da constatação de que Lacan sempre preferiu a expressão meu ensino à minha teoria, evidencia-se que seu ensino não foi sistematizado sob forma de um tratado, mas construído em fragmentos, conduzido por uma lógica própria à experiência analítica. A psicanálise, enquanto discurso, não visa à formação pedagógica nem à transmissão de um saber preestabelecido, mas à produção de um saber-fazer que emerge da experiência subjetiva. Nesse contexto, o ensino da psicanálise convoca o ensinante à posição de analisante, implicando-o como sujeito de enunciação e de desejo, mais ainda, do dizer. A transmissão não se pauta por modelos universais, porque não há transmissão que não passe pelo sintoma, pelo ridículo cada um, pela contingência do material e pela formalização sustentada no lugar e no laço. Tal ensino não oferece garantias, pois se orienta pelos não-há da psicanálise, na falta-como-saber, marcando a impossibilidade lógica que atravessa os ofícios do educar e do psicanalisar. Nesse sentido, a transmissão da psicanálise consiste na possibilidade de fazer laço com o real do gozo em sua ex-sistência, sustentando-se no gosto pelo trabalho e na decisão de implicação subjetiva que esse percurso exige, isto é, no ato de coragem de pôr algo de si.This dissertation proposes a reflection on the teaching of psychoanalysis as elucidated by the Lacanian Orientation orientation, insofar as such teaching is not a dogmatism by means of the tie it maintains with the analytic experience, thereby highlighting its distinction from pedagogy. From the observation that Lacan consistently preferred the expression my teaching over my theory, it becomes clear that his teaching was not systematized as a treatise, but composed in fragments, guided by a logic intrinsic to the analytic experience. Psychoanalysis, as discourse, does not aim at pedagogical formation nor at the transmission of pre-established knowledge, but at the production of a savoir-faire that emerges from subjective experience. In this context, the teaching of psychoanalysis summons the one who teaches to the position of analysand, implicating them as a speaking being, as subject of enunciation and of desire more precisely, of saying. Transmission is not grounded in universal models, as no transmission occurs without passing through the symptom, through each ones ridiculous, through the contingency of the material, and through formalization sustained by the place and the tie. Such teaching offers no guarantees, as it is oriented by the non-having of psychoanalysis, by the lack-as-knowledge, marking the logical impossibility that traverses both the act of educating and of psychoanalyzing. In this sense, the transmission of psychoanalysis lies in the possibility of making a tie with the real of jouissance in its ex-sistence, grounded in the taste for the work and in the decision for subjective implication that this path demands namely, in the act of courage of putting something of oneself.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMrech, Leny MagalhaesSantos, Francisco Junior Lemes2025-08-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-05112025-101633/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-30T16:42:02Zoai:teses.usp.br:tde-05112025-101633Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-30T16:42:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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