Militares, diplomatas e ambientalistas: do pensamento ecológico-ambiental à construção da política externa ambiental brasileira, 1972-1985

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ferraz, I. L. B.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-29052025-151340/
Resumo: Esta tese tem como objetivo geral analisar os anos iniciais da política externa ambiental brasileira: de 1972 a 1985. Além disso, pretende captar a dinâmica e interação entre diversos atores: militares, diplomatas e ambientalistas nesse período. A partir da análise de um corpus elaborado com documentos e fontes primárias nacionais e estrangeiras, conclui-se que o Itamaraty atuou alinhado à racionalidade dos militares limitando a internalização de normas ambientais internacionais, preconizadas na Conferência de Estocolmo de 1972, e reforçando políticas domésticas com foco no crescimento econômico e na soberania sobre seus recursos naturais em detrimento da preservação ambiental. No plano internacional, o Brasil participou ativamente da construção do regime ambiental global, porém levantou ressalvas em assumir compromissos e normas ambientais internacionais que pudessem ser percebidos como obstáculos ao crescimento econômico e ao controle estatal brasileiro sobre seus recursos naturais. Sabendo-se que é impossível dissociar a política externa da interna, no plano doméstico, após o fim do Milagre Econômico (1968-1973), observou-se o pior cenário: queda do crescimento econômico com aceleração da degradação ambiental. Ativistas e ambientalistas (dentro e fora do Estado) tiveram papel importante em criticar a atuação dos militares e dos diplomatas. Contudo, obtiveram resultados limitados dado o ambiente repressor e de baixo enforcement das leis para a aplicação de multas por crimes ambientais. Nesse período houve uma série de contradições entre instituições governamentais que ampliaram o desmatamento, como a Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), e outras que tentavam controlar o desmatamento e a poluição como a Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e a CETESB, porém com poder de atuação limitado para punir danos ambientais. Outra característica marcante do período foi a atração de financiamentos com capitais estrangeiros para projetos de infraestrutura que aceleravam o desmatamento e a degradação ambiental.
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A partir da análise de um corpus elaborado com documentos e fontes primárias nacionais e estrangeiras, conclui-se que o Itamaraty atuou alinhado à racionalidade dos militares limitando a internalização de normas ambientais internacionais, preconizadas na Conferência de Estocolmo de 1972, e reforçando políticas domésticas com foco no crescimento econômico e na soberania sobre seus recursos naturais em detrimento da preservação ambiental. No plano internacional, o Brasil participou ativamente da construção do regime ambiental global, porém levantou ressalvas em assumir compromissos e normas ambientais internacionais que pudessem ser percebidos como obstáculos ao crescimento econômico e ao controle estatal brasileiro sobre seus recursos naturais. Sabendo-se que é impossível dissociar a política externa da interna, no plano doméstico, após o fim do Milagre Econômico (1968-1973), observou-se o pior cenário: queda do crescimento econômico com aceleração da degradação ambiental. Ativistas e ambientalistas (dentro e fora do Estado) tiveram papel importante em criticar a atuação dos militares e dos diplomatas. Contudo, obtiveram resultados limitados dado o ambiente repressor e de baixo enforcement das leis para a aplicação de multas por crimes ambientais. Nesse período houve uma série de contradições entre instituições governamentais que ampliaram o desmatamento, como a Superintendência para o Desenvolvimento da Amazônia (SUDAM), e outras que tentavam controlar o desmatamento e a poluição como a Secretaria do Meio Ambiente (SEMA) e a CETESB, porém com poder de atuação limitado para punir danos ambientais. Outra característica marcante do período foi a atração de financiamentos com capitais estrangeiros para projetos de infraestrutura que aceleravam o desmatamento e a degradação ambiental.The general aim of this thesis is to analyze the initial years of Brazils environmental foreign policy: from 1972 to 1985. In addition, it aims to capture the dynamics and interaction between various actors: military, diplomats and environmentalists during this period. Based on the analysis of a corpus of national and foreign documents and primary sources, it concludes that Itamaraty (Brazils Ministry of Foreign Affairs) acted in line with the rationality of the military, limiting the internalization of international environmental norms, advocated at the 1972 Stockholm Conference, and reinforcing domestic policies focused on economic growth and sovereignty over its natural resources to the detriment of environmental preservation. At the international level, Brazil actively participated in the construction of the global environmental regime, but had reservations about taking on international environmental commitments and standards that could be perceived as obstacles to economic growth and Brazilian state control over its natural resources. Knowing that it is impossible to dissociate foreign policy from domestic policy, after the end of the Brazilian Economic Miracle (1968-1973), the worst-case scenario was observed: falling economic growth with accelerating environmental degradation. Activists and environmentalists (both inside and outside the state) played an important role in criticizing the actions of the military and diplomats. However, they achieved limited results given the repressive environment and the low enforcement of laws to impose fines for environmental crimes. During this period, there was a series of contradictions between government institutions that increased deforestation, such as the Superintendence for the Development of the Amazon (SUDAM), and others that tried to control deforestation and pollution, such as the Secretariat for the Environment (SEMA) and São Paulo State Environmental Agency (CETESB), but with limited power to punish environmental damage. Another striking feature of the period was the attraction of foreign capital funding for infrastructure projects that accelerated deforestation and environmental degradation.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLoureiro, Felipe PereiraFerraz, I. L. B.2025-04-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/101/101131/tde-29052025-151340/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-18T14:55:01Zoai:teses.usp.br:tde-29052025-151340Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-18T14:55:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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