Hegel e Espinosa: um debate indireto sobre teleologia
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-18032025-090353/ |
Resumo: | O objetivo geral desta dissertação é fazer uma comparação entre as diferentes formas como ambos, Hegel e Espinosa, lidam com o conceito de \"teleologia\", ou seja, com a noção de causalidade finalista. Este esforço se insere numa longa tradição que opõe as filosofias de hegeliana e espinosana num debate indireto, construído desde a Alemanha do século XVII, a partir das críticas do próprio Hegel à filosofia de Espinosa. Primeiramente, compreenderemos como, na filosofia espinosana, não há lugar para causas finais, e qualquer noção de teleologia seria vista como inadequada. Depois, veremos como, na lógica hegeliana, a teleologia é um momento crucial da construção racional da natureza. Enquanto, para um, a natureza imanente não comporta causas finais, para o outro, a teleologia é fundamental para a concepção de natureza e dos seres naturais. Tendo explicitado as duas perspectivas, poderemos confrontá-las partindo das críticas hegelianas à filosofia de Espinosa: aos olhos de Hegel, o grande furo da filosofia espinosana está na incompreensão da dimensão produtiva da negatividade. Espinosa, segundo Hegel, já possuía uma noção de negatividade que, se levada às suas últimas consequências, teria a negação determinada como resultado, uma vez que \"toda determinação é uma negação\". O tipo de negatividade que Hegel tem em mente é aquele constitutivo do movimento dialético. Numa perspectiva hegeliana, a filosofia de Espinosa é um sistema bem encaminhado mas incompleto. A falta de uma causalidade finalista, nesse sentido, poderia ser considerada como uma consequência da insuficiência da filosofia espinosana. Contudo, partindo da obra de Mariana de Gainza, Espinosa: uma filosofia materialista do infinito positivo, podemos considerar uma resposta à crítica hegeliana, uma vez que a noção de negatividade usada por Espinosa é fundamentalmente distinta daquela que Hegel projetou em seu sistema: enquanto para Hegel a negatividade é, necessariamente, a força motriz do movimento dialético, para Espinosa, ela é o elemento materialista que nega quaisquer tentativas de reduzir a multiplicidade da natureza a um conjunto finito de um princípios. A necessária multiplicidade infinita da natureza impede que o movimento dialético, na perspectiva espinosana, seja o único caminho possível para o filosofar. Dessa forma, podemos retornar à diferença de como ambos lidam com a questão das causas finais e considerar que a falta de uma teleologia espinosana não seria um sintoma de insuficiência filosófica, mas uma evidência de que Espinosa não precisou de uma causalidade finalista para lidar com questões semelhantes às de Hegel |
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Hegel e Espinosa: um debate indireto sobre teleologiaHegel and Spinoza: an indirect debate on teleologyEspinosaFinalidadeFinalityHegelHegelNegatividadeNegativitySpinozaTeleologiaTeleologyO objetivo geral desta dissertação é fazer uma comparação entre as diferentes formas como ambos, Hegel e Espinosa, lidam com o conceito de \"teleologia\", ou seja, com a noção de causalidade finalista. Este esforço se insere numa longa tradição que opõe as filosofias de hegeliana e espinosana num debate indireto, construído desde a Alemanha do século XVII, a partir das críticas do próprio Hegel à filosofia de Espinosa. Primeiramente, compreenderemos como, na filosofia espinosana, não há lugar para causas finais, e qualquer noção de teleologia seria vista como inadequada. Depois, veremos como, na lógica hegeliana, a teleologia é um momento crucial da construção racional da natureza. Enquanto, para um, a natureza imanente não comporta causas finais, para o outro, a teleologia é fundamental para a concepção de natureza e dos seres naturais. Tendo explicitado as duas perspectivas, poderemos confrontá-las partindo das críticas hegelianas à filosofia de Espinosa: aos olhos de Hegel, o grande furo da filosofia espinosana está na incompreensão da dimensão produtiva da negatividade. Espinosa, segundo Hegel, já possuía uma noção de negatividade que, se levada às suas últimas consequências, teria a negação determinada como resultado, uma vez que \"toda determinação é uma negação\". O tipo de negatividade que Hegel tem em mente é aquele constitutivo do movimento dialético. Numa perspectiva hegeliana, a filosofia de Espinosa é um sistema bem encaminhado mas incompleto. A falta de uma causalidade finalista, nesse sentido, poderia ser considerada como uma consequência da insuficiência da filosofia espinosana. Contudo, partindo da obra de Mariana de Gainza, Espinosa: uma filosofia materialista do infinito positivo, podemos considerar uma resposta à crítica hegeliana, uma vez que a noção de negatividade usada por Espinosa é fundamentalmente distinta daquela que Hegel projetou em seu sistema: enquanto para Hegel a negatividade é, necessariamente, a força motriz do movimento dialético, para Espinosa, ela é o elemento materialista que nega quaisquer tentativas de reduzir a multiplicidade da natureza a um conjunto finito de um princípios. A necessária multiplicidade infinita da natureza impede que o movimento dialético, na perspectiva espinosana, seja o único caminho possível para o filosofar. Dessa forma, podemos retornar à diferença de como ambos lidam com a questão das causas finais e considerar que a falta de uma teleologia espinosana não seria um sintoma de insuficiência filosófica, mas uma evidência de que Espinosa não precisou de uma causalidade finalista para lidar com questões semelhantes às de HegelThe general objective of this dissertation is to compare the different ways in which both Hegel and Spinoza deal with the concept of \"teleology\", that is, with the notion of final causality. This effort is part of a long tradition that opposes Hegelian and Spinozist philosophies in an indirect debate, built since 17th century Germany, based on Hegel\'s own criticisms of Spinoza\'s philosophy. First, we will understand how, in Spinoza\'s philosophy, there is no place for final causes, and any notion of teleology would be seen as inadequate. Then, we will see how, in Hegelian logic, teleology is a crucial moment in the rational construction of nature. While, for one, immanent nature does not include final causes, for the other, teleology is fundamental to the conception of nature and natural beings. Having explained the two perspectives, we can confront them based on Hegel\'s criticisms of Spinoza\'s philosophy: in Hegel\'s eyes, the great flaw in Spinoza\'s philosophy lies in the misunderstanding of the productive dimension of negativity. Spinoza, according to Hegel, already had a notion of negativity that, if taken to its ultimate consequences, would have negation determined as its result, since \"every determination is a negation\". The type of negativity that Hegel has in mind is that which constitutes the dialectical movement. From a Hegelian perspective, Spinoza\'s philosophy is a well-advanced but incomplete system. The lack of a final causality, in this sense, could be considered as a consequence of the insufficiency of Spinoza\'s philosophy. However, based on Mariana de Gainza\'s work, Spinoza: a materialist philosophy of positive infinity, we can consider a response to the Hegelian critique, since the notion of negativity used by Spinoza is fundamentally different from that which Hegel projected into his system: while for Hegel negativity is necessarily the driving force of the dialectical movement, for Spinoza it is the materialist element that denies any attempts to reduce the multiplicity of nature to a finite set of principles. The necessary infinite multiplicity of nature prevents the dialectical movement, in the Spinozist perspective, from being the only possible path to philosophizing. In this way, we can return to the difference in how both deal with the question of final causes and consider that the lack of a Spinozan teleology would not be a symptom of philosophical insufficiency, but evidence that Spinoza did not need a finalist causality to deal with questions similar to Hegel\'sBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCacciola, Maria Lucia Mello e OliveiraCardoso, Artur Ribeiro de Mendonça2024-12-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8133/tde-18032025-090353/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-18T16:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-18032025-090353Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-18T16:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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