Fecundidade, identificação racial e desigualdade

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: França, Michael Tulio Ramos de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12138/tde-24062020-194331/
Resumo: A mudança climática representa um dos maiores desafios contemporâneos da humanidade. Nesse sentido, diversas pesquisas têm indicado que haverá um aumento considerável na incidência de eventos climáticos extremos tais como as ondas de calor. Desta forma, compreender os canais pelos quais o clima pode afetar a sociedade tornou-se em uma agenda de pesquisa de expressiva importância. Nesse contexto, pesquisadores têm encontrado evidências em países desenvolvidos de que a temperatura afeta negativamente o número de nascimentos. Visto que diversos países do mundo apresentam uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional e, dado às projeções climáticas, a temperatura pode se tornar uma variável relevante no que se refere às questões populacionais. Consequentemente, com o intuito de verificar se existe alguma influência da temperatura nos nascimentos em um país em vias de desenvolvimento, o primeiro capítulo procura realizar esta análise usando dados para o Brasil. Para isso, usou-se uma abordagem econométrica em que o objetivo é testar se a exposição a choques de alta temperatura tem algum efeito na quantidade de nascimentos meses depois. Assim, os resultados da metodologia proposta sugerem que uma alta temperatura tem um efeito negativo de aproximadamente 2% nos nascimentos de 8 a 10 meses depois da exposição ao choque. No que se refere ao desenvolvimento socioeconômico, talvez os maiores desafios estejam na superação das discriminações e da exclusão social. No caso brasileiro, que representa o último país do continente americano a abolir a escravidão e a segunda maior nação negra do mundo, a televisão é majoritariamente branca. Além do viés racial na representatividade, também há um viés na forma em que os grupos raciais são retratados. Enquanto os negros costumam ser representados com estereótipos negativos, os brancos aparecem com traços positivos. Assim, a recorrente propaganda televisiva da fisionomia branca tem o potencial de afetar a percepção que as pessoas têm em relação aos tons de pele e, consequentemente, a narrativa difundida por meio deste veículo de comunicação pode moldar o comportamento da sociedade em relação a raça e apresenta um significativo potencial de afetar negativamente a exclusão social da população negra. Por sua vez, este processo tende a normalizar implicitamente a desvalorização da imagem das pessoas de pele escura, criando no imaginário coletivo o ideal de que a pele branca está associada com um maior status social e que as características da aparência branca apresentam um maior valor intrínseco. Em consequência, uma frequente estratégia adotada por uma parte dos afrodescendentes brasileiros é tentar se integrar à identidade branca. Entretanto, esta tentativa de apagar as origens e a cor da pele se torna em uma força adicional de valorização da imagem branca e degradação da negra. Essa dinâmica apresenta o potencial reforçar a estratificação racial existente na consciência social. Com o intuito de testar a hipótese de que a televisão afeta a percepção racial, o segundo capítulo procura verificar se existe alguma influência na autodeclaração racial brasileira. A proposta deste capítulo é usar a variação no tempo em que a principal emissora comercial do país, chamada Rede Globo, entrou em cada município para estimar se houve algum efeito na identificação racial da população. Desta forma, os resultados da abordagem proposta sugerem que a televisão impactou a autodeclaração no sentindo em que os pais \"embranqueceram\" seus filhos e, adicionalmente, os resultados indicam que o efeito é maior para as mulheres. Em relação a distribuição de renda, sabe-se que o Brasil é um país marcado pela alta desigualdade e baixa mobilidade social. Nesse âmbito, pouca atenção tem sido dada no debate brasileiro para os possíveis efeitos da distribuição da fecundidade entre os grupos sociais sobre a desigualdade de longo prazo. Com esta perspectiva, o terceiro capítulo procura revisar a literatura teórica e empírica que analisaram tal relação. Em determinados contextos, o diferencial de fecundidade entre mulheres pobres e ricas pode se tornar em um relevante mecanismo em que o status socioeconômico é reproduzido entre as gerações e, assim, possui o potencial de se tornar em um importante vetor de propagação de desigualdades sociais. Embora o diferencial de fecundidade entre as mulheres pobres e as ricas tenha caído ao longo do tempo, ele continua expressivo. Além disso, a significativa diferença dos tamanhos das famílias brasileiras entre as classes sociais verificada no passado pode ter efeito na desigualdade muitos anos depois. Assim, a proposta do último capítulo é verificar se a fecundidade das mulheres de baixa escolaridade entre 1970 a 1991 afetou a desigualdade de 20 anos no futuro. Como resultado, encontrou-se que a fecundidade deste subgrupo populacional tem poder preditivo para a desigualdade de longo prazo. Em seguida, propõe-se uma abordagem metodológica para lidar com a questão de endogeneidade e os resultados encontrados sugerem que a fecundidade aumentou à desigualdade de 20 anos no futuro.
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Visto que diversos países do mundo apresentam uma taxa de fecundidade abaixo do nível de reposição populacional e, dado às projeções climáticas, a temperatura pode se tornar uma variável relevante no que se refere às questões populacionais. Consequentemente, com o intuito de verificar se existe alguma influência da temperatura nos nascimentos em um país em vias de desenvolvimento, o primeiro capítulo procura realizar esta análise usando dados para o Brasil. Para isso, usou-se uma abordagem econométrica em que o objetivo é testar se a exposição a choques de alta temperatura tem algum efeito na quantidade de nascimentos meses depois. Assim, os resultados da metodologia proposta sugerem que uma alta temperatura tem um efeito negativo de aproximadamente 2% nos nascimentos de 8 a 10 meses depois da exposição ao choque. No que se refere ao desenvolvimento socioeconômico, talvez os maiores desafios estejam na superação das discriminações e da exclusão social. No caso brasileiro, que representa o último país do continente americano a abolir a escravidão e a segunda maior nação negra do mundo, a televisão é majoritariamente branca. Além do viés racial na representatividade, também há um viés na forma em que os grupos raciais são retratados. Enquanto os negros costumam ser representados com estereótipos negativos, os brancos aparecem com traços positivos. Assim, a recorrente propaganda televisiva da fisionomia branca tem o potencial de afetar a percepção que as pessoas têm em relação aos tons de pele e, consequentemente, a narrativa difundida por meio deste veículo de comunicação pode moldar o comportamento da sociedade em relação a raça e apresenta um significativo potencial de afetar negativamente a exclusão social da população negra. Por sua vez, este processo tende a normalizar implicitamente a desvalorização da imagem das pessoas de pele escura, criando no imaginário coletivo o ideal de que a pele branca está associada com um maior status social e que as características da aparência branca apresentam um maior valor intrínseco. Em consequência, uma frequente estratégia adotada por uma parte dos afrodescendentes brasileiros é tentar se integrar à identidade branca. Entretanto, esta tentativa de apagar as origens e a cor da pele se torna em uma força adicional de valorização da imagem branca e degradação da negra. Essa dinâmica apresenta o potencial reforçar a estratificação racial existente na consciência social. Com o intuito de testar a hipótese de que a televisão afeta a percepção racial, o segundo capítulo procura verificar se existe alguma influência na autodeclaração racial brasileira. A proposta deste capítulo é usar a variação no tempo em que a principal emissora comercial do país, chamada Rede Globo, entrou em cada município para estimar se houve algum efeito na identificação racial da população. Desta forma, os resultados da abordagem proposta sugerem que a televisão impactou a autodeclaração no sentindo em que os pais \"embranqueceram\" seus filhos e, adicionalmente, os resultados indicam que o efeito é maior para as mulheres. Em relação a distribuição de renda, sabe-se que o Brasil é um país marcado pela alta desigualdade e baixa mobilidade social. Nesse âmbito, pouca atenção tem sido dada no debate brasileiro para os possíveis efeitos da distribuição da fecundidade entre os grupos sociais sobre a desigualdade de longo prazo. Com esta perspectiva, o terceiro capítulo procura revisar a literatura teórica e empírica que analisaram tal relação. Em determinados contextos, o diferencial de fecundidade entre mulheres pobres e ricas pode se tornar em um relevante mecanismo em que o status socioeconômico é reproduzido entre as gerações e, assim, possui o potencial de se tornar em um importante vetor de propagação de desigualdades sociais. Embora o diferencial de fecundidade entre as mulheres pobres e as ricas tenha caído ao longo do tempo, ele continua expressivo. Além disso, a significativa diferença dos tamanhos das famílias brasileiras entre as classes sociais verificada no passado pode ter efeito na desigualdade muitos anos depois. Assim, a proposta do último capítulo é verificar se a fecundidade das mulheres de baixa escolaridade entre 1970 a 1991 afetou a desigualdade de 20 anos no futuro. Como resultado, encontrou-se que a fecundidade deste subgrupo populacional tem poder preditivo para a desigualdade de longo prazo. Em seguida, propõe-se uma abordagem metodológica para lidar com a questão de endogeneidade e os resultados encontrados sugerem que a fecundidade aumentou à desigualdade de 20 anos no futuro.Climate change is one of humanity\'s greatest contemporary challenges. In this regard, several studies have indicated that there will be a considerable increase in the incidence of extreme weather events such as heat waves. Understanding the channels through which climate can affect society has thus become a research agenda of significant importance. In this context, researchers have found evidence in developed countries that temperature negatively affects the number of births. Since several countries in the world have a fertility rate below the level of population replacement and, given climate projections, temperature can become a relevant variable in population issues. Consequently, in order to verify whether there is any influence of temperature on births in a developing country, the first chapter seeks to perform this analysis using data from Brazil. For this, an econometric approach was used in which the objective is to test whether exposure to high temperature shocks has any effect on the number of births months later. Thus, the proposed methodology suggests that a high temperature has a negative effect of approximately 2% on births 8 to 10 months after exposure to shock. Regarding socioeconomic development, perhaps the biggest challenges are overcoming discrimination and social exclusion. In the Brazilian case, which represents the last country on the American continent to abolish slavery and the second largest black nation in the world, television is mostly white. In addition to the racial bias in representativeness, there is also a bias in the way groups are portrayed. While blacks are often depicted with negative stereotypes, whites appear with positive traits. Thus, the recurring white-skinned television advertising has the potential to affect people\'s perceptions of skin tones and, consequently, the narrative spread through this medium of communication can shape society\'s behavior toward race and it has a significant potential to negatively affect the social exclusion of the black population. In turn, this process implicitly normalizes the devaluation of the image of dark-skinned people and creates in the collective imagination the ideal that white skin is associated with higher social status and that white appearance features have a higher intrinsic value. As a result, a frequent strategy adopted by Brazilian African descendants is to try to integrate white identity. However, this attempt to erase the origins and color of the skin becomes an additional force for enhancing the white image and degrading black. This dynamic has the potential to create racial stratification in social consciousness. In order to test the hypothesis that television affects racial perception, the second chapter seeks to determine whether there is any influence on Brazilian racial self-declaration. The purpose of this chapter is to use the variation in the time when the country\'s main commercial broadcaster, called Rede Globo, entered each municipality to estimate whether there was any effect on racial identification of the population. Thus, the results of the proposed approach suggest that television impacted self-declaration in the sense that parents whitened their children and, additionally, the results indicate that the effect is greater for women. Finally, it is known that Brazil is a country marked by high inequality and low social mobility. In this context, little attention has been given in the Brazilian debate to the possible effects of the distribution of fertility among social groups on long-term inequality. With this perspective, the third chapter seeks to review the theoretical and empirical literature that is addressed to analyze such a relationship. In certain contexts, the fertility differential between poor and rich women can become a relevant mechanism in which socioeconomic status is reproduced between generations and thus has the potential to become an important vector for the spread of social inequalities. Although the fertility differential between poor and rich women has fallen over time, it remains significant. In addition, the significant difference in Brazilian family size between social classes in the past may influence inequality many years later. Thus, the purpose of the last chapter is to verify whether the fertility of low-educated women between 1970 and 1991 affected the 20-year inequality in the future. As a result, the fertility of this population subgroup has been found to have considerable predictive power for long-term inequality. Then, a methodological approach is proposed to deal with the issue of endogeneity and the results suggest that fertility increased inequality of 20 years in the future.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHaddad, Eduardo AmaralFrança, Michael Tulio Ramos de2020-03-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12138/tde-24062020-194331/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2020-07-06T20:27:01Zoai:teses.usp.br:tde-24062020-194331Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212020-07-06T20:27:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Consequentemente, com o intuito de verificar se existe alguma influência da temperatura nos nascimentos em um país em vias de desenvolvimento, o primeiro capítulo procura realizar esta análise usando dados para o Brasil. Para isso, usou-se uma abordagem econométrica em que o objetivo é testar se a exposição a choques de alta temperatura tem algum efeito na quantidade de nascimentos meses depois. Assim, os resultados da metodologia proposta sugerem que uma alta temperatura tem um efeito negativo de aproximadamente 2% nos nascimentos de 8 a 10 meses depois da exposição ao choque. No que se refere ao desenvolvimento socioeconômico, talvez os maiores desafios estejam na superação das discriminações e da exclusão social. No caso brasileiro, que representa o último país do continente americano a abolir a escravidão e a segunda maior nação negra do mundo, a televisão é majoritariamente branca. Além do viés racial na representatividade, também há um viés na forma em que os grupos raciais são retratados. Enquanto os negros costumam ser representados com estereótipos negativos, os brancos aparecem com traços positivos. Assim, a recorrente propaganda televisiva da fisionomia branca tem o potencial de afetar a percepção que as pessoas têm em relação aos tons de pele e, consequentemente, a narrativa difundida por meio deste veículo de comunicação pode moldar o comportamento da sociedade em relação a raça e apresenta um significativo potencial de afetar negativamente a exclusão social da população negra. Por sua vez, este processo tende a normalizar implicitamente a desvalorização da imagem das pessoas de pele escura, criando no imaginário coletivo o ideal de que a pele branca está associada com um maior status social e que as características da aparência branca apresentam um maior valor intrínseco. 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