Esterilização cirúrgica em capivaras (Hydochoerus hydochaeris) fêmea de vida livre: comparação entre salpingectomia parcial e ligadura de cornos uterinos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Jorge, Fabiana Morse Gosson
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10137/tde-26022025-101341/
Resumo: A capivara, maior roedor extante, habita atualmente áreas ocupadas por humanos devido à redução de seu habitat natural. Por apresentarem alta fecundidade e a possibilidade de amplificar doenças de potencial zoonótico, seu manejo reprodutivo vem sendo recomendado pelos órgãos ambientais fiscalizadores em áreas de risco de transmissão de febre maculosa brasileira (FMB). Neste contexto, o manejo dos animais in situ (no local) deve priorizar o impedimento do nascimento de filhotes, suscetíveis a amplificar a bactéria causadora da FMB. Para esterilização de fêmeas de capivaras preconiza-se a realização de técnicas cirúrgicas que preservem as gônadas e consequentemente o comportamento hormônio-dependente, sendo preconizada a ligadura das tubas uterinas. No entanto, considerando a necessidade de impedir o nascimento de novos filhotes, deve-se considerar a facilidade de visualização e exposição dos cornos uterinos na abordagem cirúrgica escolhida, que permita a palpação de vesículas fetais em estágio inicial de desenvolvimento, dificilmente visualizadas em exame ultrassonográfico. Neste contexto, o presente trabalho propõe a comparação da técnica de salpingectomia parcial, com abordagem pelo flanco (10 animals) e a ligadura de cornos uterinos, com abordagem pela linha média pós-umbilical (11 animais). Os aspectos observados contemplaram o tempo transoperatório e o tamanho da incisão, avaliados através de um teste t de amostras independentes (variância igual), assim como a facilidade de identificação e exposição dos órgãos reprodutivos (tuba e cornos uterinos) e necessidade de manipulação das vísceras abdominais em cada abordagem cirúrgica (pelo flanco ou linha média). Com a finalidade de auxiliar no planejamento cirúrgico, foi realizada previamente a dissecção de 8 cadáveres para descrição anatômica do acesso cirúrgico. A anatomia da parede abdominal foi semelhante à descrita para os mamíferos domésticos. Os ovários e tubas uterinas apresentam localização dorsal e cranial, sendo difícil sua exposição através do acesso pós-umbilical ou mesmo através de um único acesso por minilaparotomia pelo flanco. A técnica de ligadura de cornos foi mais rápida em relação à salpingectomia parcial, com diferença média de 16 min (95% CI, 11m06s to 21m06s), porém o cirurgião apresentava maior experiência na realização da técnica de ligadura de cornos. O tamanho da incisão entre as duas técnicas não foi estatisticamente significativo com o número amostral utilizado. A salpingectomia parcial demandou acesso bilateral, considerando a topografia dorsal dos ovários e o grande volume cecal. Esta abordagem não permitiu a exposição suficiente do útero para avaliação de possível prenhez. Em contrapartida a ligadura de cornos uterinos com acesso pela linha média demandou apenas uma incisão e permitiu ampla visualização dos cornos uterinos. Ambas as técnicas permitiram mínima manipulação das vísceras abdominais. Sendo assim, em um contexto onde a histerotomia para remoção de filhotes se faz necessária como medida adicional de prevenção à transmissão da FBM, a técnica de ligadura de cornos se mostrou uma alternativa mais adequada, devendo ser recomendada em áreas de risco de transmissão de FMB onde os recursos financeiros sejam limitados.
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spelling Esterilização cirúrgica em capivaras (Hydochoerus hydochaeris) fêmea de vida livre: comparação entre salpingectomia parcial e ligadura de cornos uterinosSurgical sterilization of free-ranging female capybaras (Hydochoerus hydochaeris): comparison between salpingectomy and uterine horn ligatureAbdominal anatomyAnatomia abdominalEsterilização cirúrgicaManejo reprodutivoMinilaparotomiaMinilaparotomyReproductive managementRodentRoedorSurgical sterilizationA capivara, maior roedor extante, habita atualmente áreas ocupadas por humanos devido à redução de seu habitat natural. Por apresentarem alta fecundidade e a possibilidade de amplificar doenças de potencial zoonótico, seu manejo reprodutivo vem sendo recomendado pelos órgãos ambientais fiscalizadores em áreas de risco de transmissão de febre maculosa brasileira (FMB). Neste contexto, o manejo dos animais in situ (no local) deve priorizar o impedimento do nascimento de filhotes, suscetíveis a amplificar a bactéria causadora da FMB. Para esterilização de fêmeas de capivaras preconiza-se a realização de técnicas cirúrgicas que preservem as gônadas e consequentemente o comportamento hormônio-dependente, sendo preconizada a ligadura das tubas uterinas. No entanto, considerando a necessidade de impedir o nascimento de novos filhotes, deve-se considerar a facilidade de visualização e exposição dos cornos uterinos na abordagem cirúrgica escolhida, que permita a palpação de vesículas fetais em estágio inicial de desenvolvimento, dificilmente visualizadas em exame ultrassonográfico. Neste contexto, o presente trabalho propõe a comparação da técnica de salpingectomia parcial, com abordagem pelo flanco (10 animals) e a ligadura de cornos uterinos, com abordagem pela linha média pós-umbilical (11 animais). Os aspectos observados contemplaram o tempo transoperatório e o tamanho da incisão, avaliados através de um teste t de amostras independentes (variância igual), assim como a facilidade de identificação e exposição dos órgãos reprodutivos (tuba e cornos uterinos) e necessidade de manipulação das vísceras abdominais em cada abordagem cirúrgica (pelo flanco ou linha média). Com a finalidade de auxiliar no planejamento cirúrgico, foi realizada previamente a dissecção de 8 cadáveres para descrição anatômica do acesso cirúrgico. A anatomia da parede abdominal foi semelhante à descrita para os mamíferos domésticos. Os ovários e tubas uterinas apresentam localização dorsal e cranial, sendo difícil sua exposição através do acesso pós-umbilical ou mesmo através de um único acesso por minilaparotomia pelo flanco. A técnica de ligadura de cornos foi mais rápida em relação à salpingectomia parcial, com diferença média de 16 min (95% CI, 11m06s to 21m06s), porém o cirurgião apresentava maior experiência na realização da técnica de ligadura de cornos. O tamanho da incisão entre as duas técnicas não foi estatisticamente significativo com o número amostral utilizado. A salpingectomia parcial demandou acesso bilateral, considerando a topografia dorsal dos ovários e o grande volume cecal. Esta abordagem não permitiu a exposição suficiente do útero para avaliação de possível prenhez. Em contrapartida a ligadura de cornos uterinos com acesso pela linha média demandou apenas uma incisão e permitiu ampla visualização dos cornos uterinos. Ambas as técnicas permitiram mínima manipulação das vísceras abdominais. Sendo assim, em um contexto onde a histerotomia para remoção de filhotes se faz necessária como medida adicional de prevenção à transmissão da FBM, a técnica de ligadura de cornos se mostrou uma alternativa mais adequada, devendo ser recomendada em áreas de risco de transmissão de FMB onde os recursos financeiros sejam limitados.The capybara, the largest existing rodent, currently inhabits areas occupied by humans due to the reduction of its natural habitat. Due to their high fecundity and the possibility of amplifying diseases with zoonotic potential, their reproductive management has been recommended by environmental regulatory agencies in areas at risk of transmission of Brazilian spotted fever (BSF). In this context, the management of animals in situ (on-site) should prioritize preventing the birth of offspring, susceptible to amplifying the bacteria causing BSF. For the sterilization of female capybaras, the performance of surgical techniques that preserve the gonads and consequently the hormone-dependent behavior is advocated, with the ligation of the uterine tubes being recommended. However, considering the need to prevent the birth of new offspring, the ease of visualization and exposure of the uterine horns in the chosen surgical approach should be considered, allowing the palpation of fetal vesicles in the early stages of development, which are difficult to visualize in ultrasonographic examination. In this context, this work proposes the comparison of the partial salpingectomy technique, with a flank approach (10 animals) and the uterine horns ligature, with a post-umbilical midline approach (11 animals). The aspects observed included the transoperative time and the size of the incision, evaluated through a t-test of independent samples (equal variance), as well as the easiness of identification and exposure of the reproductive organs (tube and uterine horns) and the need for manipulation of the abdominal viscera in each surgical approach (flank or midline). To assist in surgical planning, the dissection of 8 cadavers was previously performed for the anatomical description of the surgical accesses. The anatomy of the abdominal wall was similar to that described for domestic mammals. The ovaries and uterine tubes have a dorsal and cranial location, making their exposure difficult through post-umbilical access or even through a single access by minilaparotomy through the flank. The technique of uterine horn ligature was faster compared to partial salpingectomy, with an average difference of 16 min (95% CI, 11m06s to 21m06s), although the surgeon had more experience in performing the uterine horn ligation technique. The size of the incision between the two techniques was not statistically significant with the sample size used. Partial salpingectomy required bilateral flank access, considering the dorsal topography of the ovaries and the large cecal volume. This approach did not allow sufficient exposure of the uterus for possible pregnancy evaluation. In contrast, the ligation of uterine horns with a midline approach required only one incision and allowed a wide visualization of the uterine horns. Both techniques allowed minimal manipulation of the abdominal viscera. Thus, in a context where hysterotomy for the removal of offspring is necessary as an additional measure to prevent the transmission of BSF, the technique of uterine horn ligature proved to be a more suitable alternative, and should be recommended in areas at risk of BSF transmission where financial resources are limited.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAssís Neto, Antônio Chaves deJorge, Fabiana Morse Gosson2024-11-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10137/tde-26022025-101341/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-16T20:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-26022025-101341Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-16T20:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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