Educação inclusiva em perspectiva: um estudo sobre capacitismo e práticas anticapacitistas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Caetano, Ubirajara da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48137/tde-26112025-154531/
Resumo: A pesquisa analisou manifestações capacitistas e o anticapacitismo nos anos iniciais do Ensino Fundamental, com foco nas interações entre crianças, professoras, profissional de apoio inclusivo e inspetoras e inspetores no ambiente escolar. Parte-se do entendimento de que a compreensão dessas relações é essencial para avançar na luta anticapacitista. O objetivo central do estudo é problematizar e analisar possíveis manifestações capacitistas e anticapacitistas, nos anos iniciais do Ensino Fundamental, em relação a crianças com deficiência em uma escola pública municipal de Santos, e suas implicações na construção de uma cultura escolar inclusiva. Como objetivos específicos: i) identificar possíveis manifestações de capacitismo e anticapacitismo no ambiente escolar; ii) verificar as interações entre crianças com e sem deficiência, professora da classe comum, professor de educação física, profissional de apoio escolar inclusivo (PAEI) e inspetoras e inspetores nas dinâmicas escolares; iii) examinar possíveis barreiras atitudinais, pedagógicas e institucionais que influenciam a experiência escolar das crianças com deficiência; e iv) analisar os papéis dos professores e das professoras, da PAEI, das inspetoras e dos inspetores e das próprias crianças na construção ou desconstrução de barreiras à inclusão. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, desenvolvida por meio de um estudo de caso realizado na Unidade Municipal de Ensino Débora Seabra, localizada no município de Santos. As informações foram coletadas utilizando observação sistemática, registrada em diário de campo, e análise de conteúdo de fontes documentais, incluindo o Plano Municipal de Educação, as Diretrizes para Educação Inclusiva do município e o Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. Participaram do estudo uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental composta por vinte e uma crianças, sendo duas classificadas com transtorno do espectro autista, a professora de Educação Básica, a profissional de apoio escolar inclusivo, o professor de Educação Física e as inspetoras e o inspetor. Os resultados revelaram um cenário complexo e contraditório. Por um lado, o estudo identificou práticas alinhadas a uma perspectiva anticapacitista, como a utilização de atividades em Libras tanto na sala de aula quanto em eventos escolares, além de mediações pontuais que favoreceram a participação de crianças com deficiência. Por outro lado, observou-se que não foram identificadas abordagens pedagógicas estruturadas nas atuações das professoras e dos professores, da profissional de apoio escolar inclusivo e de inspetoras e inspetores que considerassem a diversificação de estratégias, materiais e dinâmicas que estimulassem e favorecessem a participação de todas as crianças, com a eliminação de barreiras. Adicionalmente, a análise das fontes documentais revelou contradições nos documentos orientadores do município, entre os discursos oficiais inclusivos e as práticas ainda arraigadas em lógicas excludentes. Concluiu-se que a unidade municipal de ensino se encontra em processo de constituição de uma cultura inclusiva, embora ainda enfrente desafios em sua organização interna, tais como: a falta de planejamento coletivo na organização de atividades lúdicas inclusivas durante o intervalo e barreiras atitudinais, que se manifestam em normas de comportamento. Destaca-se também a necessidade de refletir sobre o papel de profissionais que atuam no atendimento a estudantes com deficiência, bem como organizar práticas de planejamento participativo.
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As informações foram coletadas utilizando observação sistemática, registrada em diário de campo, e análise de conteúdo de fontes documentais, incluindo o Plano Municipal de Educação, as Diretrizes para Educação Inclusiva do município e o Projeto Político Pedagógico da unidade escolar. Participaram do estudo uma turma dos anos iniciais do Ensino Fundamental composta por vinte e uma crianças, sendo duas classificadas com transtorno do espectro autista, a professora de Educação Básica, a profissional de apoio escolar inclusivo, o professor de Educação Física e as inspetoras e o inspetor. Os resultados revelaram um cenário complexo e contraditório. Por um lado, o estudo identificou práticas alinhadas a uma perspectiva anticapacitista, como a utilização de atividades em Libras tanto na sala de aula quanto em eventos escolares, além de mediações pontuais que favoreceram a participação de crianças com deficiência. Por outro lado, observou-se que não foram identificadas abordagens pedagógicas estruturadas nas atuações das professoras e dos professores, da profissional de apoio escolar inclusivo e de inspetoras e inspetores que considerassem a diversificação de estratégias, materiais e dinâmicas que estimulassem e favorecessem a participação de todas as crianças, com a eliminação de barreiras. Adicionalmente, a análise das fontes documentais revelou contradições nos documentos orientadores do município, entre os discursos oficiais inclusivos e as práticas ainda arraigadas em lógicas excludentes. Concluiu-se que a unidade municipal de ensino se encontra em processo de constituição de uma cultura inclusiva, embora ainda enfrente desafios em sua organização interna, tais como: a falta de planejamento coletivo na organização de atividades lúdicas inclusivas durante o intervalo e barreiras atitudinais, que se manifestam em normas de comportamento. Destaca-se também a necessidade de refletir sobre o papel de profissionais que atuam no atendimento a estudantes com deficiência, bem como organizar práticas de planejamento participativo.The research analyzed ableist manifestations and anti-ableism in the early years of elementary school, focusing on the interactions among children, teachers, inclusive support professionals, and school inspectors within the school environment. It is assumed that understanding these relationships is essential to advance the anti-ableist struggle.The main objective of the study is to problematize and analyze possible ableist and anti-ableist manifestations in the early years of elementary education concerning children with disabilities in a public municipal school in Santos, as well as their implications for building an inclusive school culture. Specific objectives: i) to identify possible manifestations of ableism and anti-ableism in the school environment; ii) to examine the interactions among children with and without disabilities, the regular classroom teacher, the physical education teacher, the inclusive school support professional (PAEI), and school inspectors in everyday school dynamics; iii) to investigate possible attitudinal, pedagogical, and institutional barriers that influence the school experience of children with disabilities; and iv) to analyze the roles of teachers, the PAEI, school inspectors, and the children themselves in the construction or deconstruction of barriers to inclusion. This is a qualitative study, developed through a case study conducted at the Débora Seabra Municipal School Unit, located in the municipality of Santos. Data were collected using systematic observation, recorded in a field diary, and content analysis of documentary sources, including the Municipal Education Plan, the city\'s Guidelines for Inclusive Education, and the school\'s Political-Pedagogical Project. Participants in the study included one class from the early years of elementary school consisting of twenty-one children, two of whom were classified as having autism spectrum disorder, the classroom teacher, the inclusive school support professional, the physical education teacher, and the school inspectors (female and male). The results revealed a complex and contradictory scenario. On the one hand, the study identified practices aligned with an anti-ableist perspective, such as the use of Brazilian Sign Language (Libras) activities in both classroom settings and school events, along with specific interventions that supported the participation of children with disabilities. On the other hand, no structured pedagogical approaches were identified in the practices of teachers, the inclusive school support professional, or the school inspectors that considered the diversification of strategies, materials, and dynamics to stimulate and facilitate the participation of all children through the removal of barriers. Additionally, the analysis of documentary sources revealed contradictions in the municipality\'s guiding documents, exposing discrepancies between official inclusive discourse and practices still rooted in exclusionary logic. It was concluded that the municipal school unit is in the process of building an inclusive culture, although it still faces challenges in its internal organization, such as the lack of collective planning for inclusive play activities during recess and attitudinal barriers manifested through behavior norms. The study also highlights the need to reflect on the roles of professionals who work with students with disabilities, as well as to organize participatory planning practices.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPrieto, Rosangela GavioliCaetano, Ubirajara da Silva2025-09-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48137/tde-26112025-154531/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-01T17:45:02Zoai:teses.usp.br:tde-26112025-154531Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-01T17:45:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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