Pânico moral e direitos humanos: a experiência das políticas de humanização em São Paulo
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11092024-124658/ |
Resumo: | A década de 1980 foi um momento de transformações no sistema político brasileiro, pois estava em curso negociações para o processo de transição. A ditadura paulatinamente deixava a cenário político e a Democracia retornava lentamente em meio a intensas disputas e negociações. Na época, foram empreendidas uma série de reformas institucionais com o objetivo de desmontar a tradição de arbitrariedades e a ausência de garantia de direitos, especialmente no âmbito das prisões e das polícias. Foi nesse contexto que se buscou efetivar as Políticas de Humanização, uma agenda política que pretendia consolidar o respeito aos Direitos Humanos e pavimentar os caminhos para a chegada da Nova República. Tal posicionamento e prática sofreram muitas resistências, tanto de parlamentares quanto da assim chamada opinião pública. Esta pesquisa pretende analisar o percurso dos discursos sobre Humanização e Direitos Humanos ao longo da transição, especialmente a formação dos discursos contrários a tal concepção de direitos, que foi, em grande medida, deslegitimada em meio a disputa na corrida pela democratização. No período, houve um movimento que propagou discursos contrários aos Direitos Humanos. Para tanto, a principal estrutura argumentativa era relativizar a humanidade dos \"bandidos\", responsabilizar a redemocratização pela crise no sistema de segurança pública e, mais importante, considerar as Políticas de Humanização como uma inversão dos valores morais, pois alegavam que tal agenda trataria com demasiada benevolência aqueles que deveriam sofrer uma forma idealizada de rigor penal. A noção de pânico moral nos ajuda a compreender esse processo de deslegitimação da agenda de Direitos Humanos. Veremos, por um lado, que o discurso a favor dos Direitos Humanos sofreu muitas resistências; em contrapartida, o discurso contrário aos Direitos Humanos se intensificou e ganhou espaço na imprensa e na política partidária. Esta pesquisa se insere no tema da Sociologia da Violência e Punição, tendo como ferramenta de análise uma Sociologia dos Pânicos Morais, dos rumores e das práticas discursivas. As principais referências são os trabalhos de Michel Foucault e Stanley Cohen. A experiência aqui analisada constitui um valioso material empírico cujo estudo pode elucidar questões contemporâneas, como os obstáculos, ainda presentes, quando se pretende efetivar políticas de Direitos Humanos, de democratização nas relações estabelecidas dentro das prisões e na forma como o discurso da insegurança é concebido e explorado, ainda hoje. |
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Pânico moral e direitos humanos: a experiência das políticas de humanização em São PauloMoral Panic and Human Rights: The Experience of Humanization Policies in São PauloAuthoritarianismAutoritarismoDireitos HumanosDiscourseDiscursoHuman RightsHumanizaçãoHumanizationMoral PanicPânico MoralA década de 1980 foi um momento de transformações no sistema político brasileiro, pois estava em curso negociações para o processo de transição. A ditadura paulatinamente deixava a cenário político e a Democracia retornava lentamente em meio a intensas disputas e negociações. Na época, foram empreendidas uma série de reformas institucionais com o objetivo de desmontar a tradição de arbitrariedades e a ausência de garantia de direitos, especialmente no âmbito das prisões e das polícias. Foi nesse contexto que se buscou efetivar as Políticas de Humanização, uma agenda política que pretendia consolidar o respeito aos Direitos Humanos e pavimentar os caminhos para a chegada da Nova República. Tal posicionamento e prática sofreram muitas resistências, tanto de parlamentares quanto da assim chamada opinião pública. Esta pesquisa pretende analisar o percurso dos discursos sobre Humanização e Direitos Humanos ao longo da transição, especialmente a formação dos discursos contrários a tal concepção de direitos, que foi, em grande medida, deslegitimada em meio a disputa na corrida pela democratização. No período, houve um movimento que propagou discursos contrários aos Direitos Humanos. Para tanto, a principal estrutura argumentativa era relativizar a humanidade dos \"bandidos\", responsabilizar a redemocratização pela crise no sistema de segurança pública e, mais importante, considerar as Políticas de Humanização como uma inversão dos valores morais, pois alegavam que tal agenda trataria com demasiada benevolência aqueles que deveriam sofrer uma forma idealizada de rigor penal. A noção de pânico moral nos ajuda a compreender esse processo de deslegitimação da agenda de Direitos Humanos. Veremos, por um lado, que o discurso a favor dos Direitos Humanos sofreu muitas resistências; em contrapartida, o discurso contrário aos Direitos Humanos se intensificou e ganhou espaço na imprensa e na política partidária. Esta pesquisa se insere no tema da Sociologia da Violência e Punição, tendo como ferramenta de análise uma Sociologia dos Pânicos Morais, dos rumores e das práticas discursivas. As principais referências são os trabalhos de Michel Foucault e Stanley Cohen. A experiência aqui analisada constitui um valioso material empírico cujo estudo pode elucidar questões contemporâneas, como os obstáculos, ainda presentes, quando se pretende efetivar políticas de Direitos Humanos, de democratização nas relações estabelecidas dentro das prisões e na forma como o discurso da insegurança é concebido e explorado, ainda hoje.The 1980s was a period of transformations in the Brazilian political system, as negotiations for the transition process were underway. The dictatorship was gradually fading away, and democracy was slowly returning amid intense disputes and negotiations. During that time, a series of institutional reforms were undertaken with the aim of dismantling the tradition of arbitrariness and the lack of rights guarantees, especially within prisons and law enforcement agencies. It was in this context that efforts were made to implement Humanization Policies, a political agenda aimed at consolidating respect for human rights and paving the way for the arrival of the New Republic. This position and practice faced many resistances, both from lawmakers and the so-called public opinion. This research aims to analyze the course of discourses on Humanization and Human Rights during the transition, especially the formation of discourses opposing such a conception of rights, which was largely delegitimized amidst the race for democratization. We will argue that the notion of Moral Panic helps us understand this process of delegitimization of Human Rights. There was a kind of movement that used discourses against these rights, whose main argumentative structure was to relativize the humanity of \"criminals,\" blame redemocratization for the crisis in the public security system, and, most importantly, consider Humanization Policies as an inversion of moral values, arguing that such an agenda treated those who should undergo an idealized form of penal rigor with excessive leniency. We will see, on the one hand, that the pro-Human Rights discourse lost space and support; on the other hand, the discourse against Human Rights intensified and gained support in the following years. This research falls within the theme of Sociology of Violence and Punishment, using a Sociology of Moral Panics, Rumors, and discursive practices as analytical tools. For this purpose, the main references are the works of Michel Foucault and Stanley Cohen. This experience constitutes valuable empirical material whose study can elucidate contemporary issues, such as the obstacles still present when implementing Human Rights policies, democratizing relationships within prisons, and how the discourse of insecurity is conceived and exploited even today.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlvarez, Marcos CesarHiga, Gustavo Lucas2024-03-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-11092024-124658/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-09-11T15:57:02Zoai:teses.usp.br:tde-11092024-124658Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-09-11T15:57:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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