Evolução microestrutural de concretos refratários ligados com sílica coloidal durante secagem e sinterização
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18158/tde-27032026-083849/ |
Resumo: | Cerâmicas refratárias são insumos fundamentais para a maioria dos processos industriais que trabalham com altas temperaturas e estão presentes na siderurgia, petroquímica e outras indústrias de base. Existem dois tipos de refratários que geralmente são utilizados para essas finalidades: os pré-formados e os monolíticos. Alguns pré-formados necessitam de pré-sinterização e, consequentemente, apresentam custos adicionais de tempo e energia, os monolíticos têm ganhado espaço por sua rapidez de instalação e maior liberdade de projeto. Os refratários monolíticos são compostos por partículas grossas de óxidos, ou agregados, (Dp = 10000 – 100 μm) e partículas finas (ou matriz, Dp ≤ 100 μm), água e ligantes que conferem resistência mecânica antes da secagem e sinterização. Dentre os ligantes mais utilizados, destacam-se os hidráulicos, cimento de aluminato de cálcio (CAC) e alumina hidratável (AH). Apesar de muito difundidos, eles apresentam dificuldades na etapa de secagem e sofrem redução significativa de resistência mecânica durante o aquecimento inicial. Os ligantes coloidais foram desenvolvidos principalmente para minimizar esses problemas e, dentre eles, evidencia-se a sílica coloidal (SC). Esse ligante consiste em uma dispersão aquosa de nanopartículas de SiO2 estabilizadas com aditivos e pH adequado e gelificadas com algum tipo de aditivo. A adição de SC em concretos refratários tem o potencial de facilitar a secagem, pois promove a formação de estruturas mais permeáveis, além de antecipar a densificação. No entanto, as modificações microestruturais que ocorrem ao longo do aquecimento inicial ainda foram pouco exploradas, o que dificulta o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas de melhor desempenho. O trabalho desenvolvido teve como objetivo avaliar a evolução microestrutural e das propriedades físicas para concretos ligados com CAC (C-CAC) e ligados com SC (C-SC) tratados termicamente entre 120 °C e 1600 °C. Composições equivalentes contendo dois tipos de alumina calcinada, alumina fina (AF) e alumina grossa (AG), foram utilizadas como matéria-prima no desenvolvimento das matrizes e foram testadas nas mesmas condições como referência. De modo geral, as amostras ligadas a SC permitiram a obtenção de estruturas mais rígidas e resistentes após secagem apesar de serem mais porosas em comparação com CAC. Esse fator contribuiu para a manutenção da resistência mecânica nas temperaturas iniciais (300 – 700 °C) e intermediárias (700 – 1100 °C). Os concretos com SC apresentaram secagem mais fácil e rápida, devido à alta permeabilidade da microestrutura que facilita a saída da água livre. Nos sistemas com CAC, a secagem foi mais lenta, pois a desidratação dos hidratos gerou defeitos, alta porosidade e baixa resistência. Nas matrizes, a tendência foi distinta: CAC demonstrou maior taxa de perda de massa e permeabilidade, enquanto SC exibiu a menor permeabilidade, mas sem comprometer as propriedades. Essa diferença de permeabilidade entre matriz e concreto ocorreu devido à presença das microtrincas que se formam nas interfaces dos agregados a partir da secagem, aumentando a permeabilidade dos concretos. Nas matrizes com SC, os melhores resultados foram obtidos até 1300 °C, com microestruturas homogêneas e boa resistência mecânica e química, enquanto o desempenho máximo das composições com CAC ocorreu apenas em 1500 °C. Além disso, foi verificado que a granulometria da alumina influenciou fortemente as propriedades; partículas mais finas aumentaram a reatividade e a formação de trincas durante a secagem do gel, reduzindo a resistência. Isso aconteceu, provavelmente por conta do empacotamento ineficiente da alumina fina, porque apresenta uma distribuição de tamanho de grão estreita em comparação à alumina grossa. |
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Evolução microestrutural de concretos refratários ligados com sílica coloidal durante secagem e sinterizaçãoMicrostructural evolution of refractory concretes bonded with colloidal silica during drying and sinteringbinderscolloidal silicaconcretos refratáriosligantesmatrixmatrizmicroestruturamicrostructurerefractory castablessílica coloidalCerâmicas refratárias são insumos fundamentais para a maioria dos processos industriais que trabalham com altas temperaturas e estão presentes na siderurgia, petroquímica e outras indústrias de base. Existem dois tipos de refratários que geralmente são utilizados para essas finalidades: os pré-formados e os monolíticos. Alguns pré-formados necessitam de pré-sinterização e, consequentemente, apresentam custos adicionais de tempo e energia, os monolíticos têm ganhado espaço por sua rapidez de instalação e maior liberdade de projeto. Os refratários monolíticos são compostos por partículas grossas de óxidos, ou agregados, (Dp = 10000 – 100 μm) e partículas finas (ou matriz, Dp ≤ 100 μm), água e ligantes que conferem resistência mecânica antes da secagem e sinterização. Dentre os ligantes mais utilizados, destacam-se os hidráulicos, cimento de aluminato de cálcio (CAC) e alumina hidratável (AH). Apesar de muito difundidos, eles apresentam dificuldades na etapa de secagem e sofrem redução significativa de resistência mecânica durante o aquecimento inicial. Os ligantes coloidais foram desenvolvidos principalmente para minimizar esses problemas e, dentre eles, evidencia-se a sílica coloidal (SC). Esse ligante consiste em uma dispersão aquosa de nanopartículas de SiO2 estabilizadas com aditivos e pH adequado e gelificadas com algum tipo de aditivo. A adição de SC em concretos refratários tem o potencial de facilitar a secagem, pois promove a formação de estruturas mais permeáveis, além de antecipar a densificação. No entanto, as modificações microestruturais que ocorrem ao longo do aquecimento inicial ainda foram pouco exploradas, o que dificulta o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas de melhor desempenho. O trabalho desenvolvido teve como objetivo avaliar a evolução microestrutural e das propriedades físicas para concretos ligados com CAC (C-CAC) e ligados com SC (C-SC) tratados termicamente entre 120 °C e 1600 °C. Composições equivalentes contendo dois tipos de alumina calcinada, alumina fina (AF) e alumina grossa (AG), foram utilizadas como matéria-prima no desenvolvimento das matrizes e foram testadas nas mesmas condições como referência. De modo geral, as amostras ligadas a SC permitiram a obtenção de estruturas mais rígidas e resistentes após secagem apesar de serem mais porosas em comparação com CAC. Esse fator contribuiu para a manutenção da resistência mecânica nas temperaturas iniciais (300 – 700 °C) e intermediárias (700 – 1100 °C). Os concretos com SC apresentaram secagem mais fácil e rápida, devido à alta permeabilidade da microestrutura que facilita a saída da água livre. Nos sistemas com CAC, a secagem foi mais lenta, pois a desidratação dos hidratos gerou defeitos, alta porosidade e baixa resistência. Nas matrizes, a tendência foi distinta: CAC demonstrou maior taxa de perda de massa e permeabilidade, enquanto SC exibiu a menor permeabilidade, mas sem comprometer as propriedades. Essa diferença de permeabilidade entre matriz e concreto ocorreu devido à presença das microtrincas que se formam nas interfaces dos agregados a partir da secagem, aumentando a permeabilidade dos concretos. Nas matrizes com SC, os melhores resultados foram obtidos até 1300 °C, com microestruturas homogêneas e boa resistência mecânica e química, enquanto o desempenho máximo das composições com CAC ocorreu apenas em 1500 °C. Além disso, foi verificado que a granulometria da alumina influenciou fortemente as propriedades; partículas mais finas aumentaram a reatividade e a formação de trincas durante a secagem do gel, reduzindo a resistência. Isso aconteceu, provavelmente por conta do empacotamento ineficiente da alumina fina, porque apresenta uma distribuição de tamanho de grão estreita em comparação à alumina grossa.Refractory ceramics are fundamental inputs for most industrial processes that operate at high temperatures and are used in steel, petrochemical, and other base industries. There are two types of refractories commonly used for these purposes: preformed and monolithic. Since preforms require pre-sintering and therefore incur additional time and energy costs, monoliths have gained ground for their rapid installation and greater design freedom. Monolithic refractories are composed of coarse particles of oxides (aggregates, Dp = 10000 – 100 μm) and fine particles (matrix, Dp ≤ 100 μm), water, and binders that give mechanical strength before drying and sintering. Among the most widely used binders, we highlight the hydraulic ones, calcium aluminate cement (CAC), and hydratable alumina (HA). Although very widespread, they present difficulties in the drying step and suffer a significant reduction of mechanical resistance during initial heating. The colloidal binders were developed mainly to minimize these problems, and among them, colloidal silica (CS) is highlighted. This binder consists of an aqueous dispersion of SiO2 nanoparticles, stabilized with suitable additives and at an appropriate pH, and gelled with MgO sinter. The addition of CS to refractory concretes has the potential to facilitate drying by promoting the formation of more permeable structures and anticipating densification. However, the microstructural changes that occur during initial heating have not yet been fully explored, hindering the development of new technological solutions with better performance. The objective of this work was to evaluate the microstructural evolution and physical properties of CAC-bonded (C-CAC) and CS-bonded (C-CS) concrete treated at temperatures between 120 °C and 1600 °C. Equivalent compositions containing two types of calcined alumina, fine alumina (FA) and coarse alumina (CA), were used as raw material in the development of the matrices and were tested under the same conditions as a reference. In general, the CS-bound samples yielded more rigid and more resistant structures after drying, and were more porous than CAC. This factor contributed to maintaining mechanical strength at initial (300 – 700 °C) and intermediate (700 – 1100 °C) temperatures. The concretes with CS showed faster, easier drying due to the microstructure’s high permeability, which facilitated the withdrawal of free water. In the CAC-containing systems, drying was slower because dehydration of the hydrates generated defects, increased porosity, and reduced resistance. In the matrices, the trend was distinct: CAC showed a higher rate of mass loss and permeability, while CS exhibited lower permeability, but without compromising properties. This permeability difference between the matrix and the concrete occurred due to microcracks formed at the aggregate interfaces from drying, increasing the concrete’s permeability. In matrices with CS, the best results were obtained up to 1300 °C, with homogeneous microstructures and good mechanical and chemical resistance, whereas the maximum performance of compositions with CAC was observed only at 1500 °C. In addition, it was verified that the alumina granulometry strongly influenced the properties; finer particles increased reactivity and crack formation during gel drying, reducing resistance. This effect was probably due to the inefficient packaging of fine alumina, which has a narrower grain-size distribution than coarse alumina.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSalomão, RafaelPrado, Ana Carolina Figueiredo2025-12-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18158/tde-27032026-083849/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-27T12:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-27032026-083849Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-27T12:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Cerâmicas refratárias são insumos fundamentais para a maioria dos processos industriais que trabalham com altas temperaturas e estão presentes na siderurgia, petroquímica e outras indústrias de base. Existem dois tipos de refratários que geralmente são utilizados para essas finalidades: os pré-formados e os monolíticos. Alguns pré-formados necessitam de pré-sinterização e, consequentemente, apresentam custos adicionais de tempo e energia, os monolíticos têm ganhado espaço por sua rapidez de instalação e maior liberdade de projeto. Os refratários monolíticos são compostos por partículas grossas de óxidos, ou agregados, (Dp = 10000 – 100 μm) e partículas finas (ou matriz, Dp ≤ 100 μm), água e ligantes que conferem resistência mecânica antes da secagem e sinterização. Dentre os ligantes mais utilizados, destacam-se os hidráulicos, cimento de aluminato de cálcio (CAC) e alumina hidratável (AH). Apesar de muito difundidos, eles apresentam dificuldades na etapa de secagem e sofrem redução significativa de resistência mecânica durante o aquecimento inicial. Os ligantes coloidais foram desenvolvidos principalmente para minimizar esses problemas e, dentre eles, evidencia-se a sílica coloidal (SC). Esse ligante consiste em uma dispersão aquosa de nanopartículas de SiO2 estabilizadas com aditivos e pH adequado e gelificadas com algum tipo de aditivo. A adição de SC em concretos refratários tem o potencial de facilitar a secagem, pois promove a formação de estruturas mais permeáveis, além de antecipar a densificação. No entanto, as modificações microestruturais que ocorrem ao longo do aquecimento inicial ainda foram pouco exploradas, o que dificulta o desenvolvimento de novas soluções tecnológicas de melhor desempenho. O trabalho desenvolvido teve como objetivo avaliar a evolução microestrutural e das propriedades físicas para concretos ligados com CAC (C-CAC) e ligados com SC (C-SC) tratados termicamente entre 120 °C e 1600 °C. Composições equivalentes contendo dois tipos de alumina calcinada, alumina fina (AF) e alumina grossa (AG), foram utilizadas como matéria-prima no desenvolvimento das matrizes e foram testadas nas mesmas condições como referência. De modo geral, as amostras ligadas a SC permitiram a obtenção de estruturas mais rígidas e resistentes após secagem apesar de serem mais porosas em comparação com CAC. Esse fator contribuiu para a manutenção da resistência mecânica nas temperaturas iniciais (300 – 700 °C) e intermediárias (700 – 1100 °C). Os concretos com SC apresentaram secagem mais fácil e rápida, devido à alta permeabilidade da microestrutura que facilita a saída da água livre. Nos sistemas com CAC, a secagem foi mais lenta, pois a desidratação dos hidratos gerou defeitos, alta porosidade e baixa resistência. Nas matrizes, a tendência foi distinta: CAC demonstrou maior taxa de perda de massa e permeabilidade, enquanto SC exibiu a menor permeabilidade, mas sem comprometer as propriedades. Essa diferença de permeabilidade entre matriz e concreto ocorreu devido à presença das microtrincas que se formam nas interfaces dos agregados a partir da secagem, aumentando a permeabilidade dos concretos. Nas matrizes com SC, os melhores resultados foram obtidos até 1300 °C, com microestruturas homogêneas e boa resistência mecânica e química, enquanto o desempenho máximo das composições com CAC ocorreu apenas em 1500 °C. Além disso, foi verificado que a granulometria da alumina influenciou fortemente as propriedades; partículas mais finas aumentaram a reatividade e a formação de trincas durante a secagem do gel, reduzindo a resistência. Isso aconteceu, provavelmente por conta do empacotamento ineficiente da alumina fina, porque apresenta uma distribuição de tamanho de grão estreita em comparação à alumina grossa. |
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