Avaliação microbiológica de telefones celulares como fonte de bactérias multirresistentes e SARS-CoV-2 em duas unidades de terapia intensiva do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Espinoza, Evelyn Patricia Sanchez
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5134/tde-07112025-162301/
Resumo: Este estudo avaliou a presença de bactérias e SARSCoV2 em telefones celulares e nas mãos de profissionais de saúde de duas unidades de terapia intensiva do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, que apresentavam diferentes níveis de adesão à higienização à higiene de mãos. O objetivo foi identificar e analisar a susceptibilidade dos microrganismos isolados, sua relação com o ambiente hospitalar e as percepções dos profissionais acerca do risco de transmissão. A amostra incluiu profissionais de diversas categorias (estudantes, assistentes, equipe de enfermagem, técnicos, funcionários de limpeza e profissionais de diagnóstico por imagem), garantindo a confidencialidade dos dados. Foram realizadas duas coletas de dados, uma em 2018 e outra em 2020. Em cada fase, amostras de cultura das mãos e dos telefones celulares foram obtidas, acompanhadas de um inquérito eletrônico que investigou hábitos de higienização e percepções de risco de infecção cruzada. Durante o período do estudo, a pandemia pelo SARSCoV2 emergiu, permitindo a avaliação de eventuais mudanças comportamentais. Duas intervenções foram implementadas: a primeira consistiu em fornecer feedback individualizado sobre os microrganismos identificados, e a segunda, em uma campanha com panfletos que ressaltavam os resultados gerais e a importância da limpeza dos telefones celulares. Os resultados demonstraram crescimento de bactérias Gram-positivas e Gramnegativas, incluindo patógenos associados a infecções relacionadas à assistência à saúde. O SARSCoV2 foi identificado, mediante PCR, em três telefones celulares, entretanto o cultivo viral não foi positivo em nenhuma amostra. Entre os isolados bacterianos, nas mãos, Acinetobacter spp. foi a espécie mais frequente na primeira coleta, enquanto na segunda coleta Acinetobacter spp. e Klebsiella spp. se destacaram. Nos telefones celulares, Staphylococcus aureus foi a bactéria mais comum em ambas as coletas. A persistência de uma linhagem de Staphylococcus aureus em uma das unidades, mesmo após mudança física por mais de 24 meses, reforça a necessidade de intervenções mais eficazes para mitigar a transmissão de patógenos. Esses achados são significativos, embora o perfil de resistência observado não tenha sido tão amplo quanto o inicialmente antecipado. Na primeira coleta, a análise univariada demonstrou que profissionais que limpavam o telefone celular apresentaram uma redução de aproximadamente 85,5% na probabilidade de apresentar bactérias nos seus telefones (R = 0,145; p = 0,02, IC95%: 0,02860,7398), sendo confirmada essa associação pela análise multivariada (OR = 0,1818; p = 0,0468). O total de bactérias no telefone celular não apresentou associação significativa com a presença de bactérias hospitalares (p = 0,0517). Na segunda coleta, a crença de que bactérias hospitalares podem persistir no telefone celular aumentou em aproximadamente quatro vezes a probabilidade de detecção (OR = 4,17; p = 0,022). Esses achados evidenciam a presença significativa de microrganismos, incluindo SARSCoV2, em telefones celulares e nas mãos de profissionais de saúde, reforçando o potencial desses dispositivos como vetores de transmissão no ambiente hospitalar. Os resultados podem subsidiar a implementação de protocolos de limpeza dos telefones celulares, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão de patógenos.
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O objetivo foi identificar e analisar a susceptibilidade dos microrganismos isolados, sua relação com o ambiente hospitalar e as percepções dos profissionais acerca do risco de transmissão. A amostra incluiu profissionais de diversas categorias (estudantes, assistentes, equipe de enfermagem, técnicos, funcionários de limpeza e profissionais de diagnóstico por imagem), garantindo a confidencialidade dos dados. Foram realizadas duas coletas de dados, uma em 2018 e outra em 2020. Em cada fase, amostras de cultura das mãos e dos telefones celulares foram obtidas, acompanhadas de um inquérito eletrônico que investigou hábitos de higienização e percepções de risco de infecção cruzada. Durante o período do estudo, a pandemia pelo SARSCoV2 emergiu, permitindo a avaliação de eventuais mudanças comportamentais. Duas intervenções foram implementadas: a primeira consistiu em fornecer feedback individualizado sobre os microrganismos identificados, e a segunda, em uma campanha com panfletos que ressaltavam os resultados gerais e a importância da limpeza dos telefones celulares. Os resultados demonstraram crescimento de bactérias Gram-positivas e Gramnegativas, incluindo patógenos associados a infecções relacionadas à assistência à saúde. O SARSCoV2 foi identificado, mediante PCR, em três telefones celulares, entretanto o cultivo viral não foi positivo em nenhuma amostra. Entre os isolados bacterianos, nas mãos, Acinetobacter spp. foi a espécie mais frequente na primeira coleta, enquanto na segunda coleta Acinetobacter spp. e Klebsiella spp. se destacaram. Nos telefones celulares, Staphylococcus aureus foi a bactéria mais comum em ambas as coletas. A persistência de uma linhagem de Staphylococcus aureus em uma das unidades, mesmo após mudança física por mais de 24 meses, reforça a necessidade de intervenções mais eficazes para mitigar a transmissão de patógenos. Esses achados são significativos, embora o perfil de resistência observado não tenha sido tão amplo quanto o inicialmente antecipado. Na primeira coleta, a análise univariada demonstrou que profissionais que limpavam o telefone celular apresentaram uma redução de aproximadamente 85,5% na probabilidade de apresentar bactérias nos seus telefones (R = 0,145; p = 0,02, IC95%: 0,02860,7398), sendo confirmada essa associação pela análise multivariada (OR = 0,1818; p = 0,0468). O total de bactérias no telefone celular não apresentou associação significativa com a presença de bactérias hospitalares (p = 0,0517). Na segunda coleta, a crença de que bactérias hospitalares podem persistir no telefone celular aumentou em aproximadamente quatro vezes a probabilidade de detecção (OR = 4,17; p = 0,022). Esses achados evidenciam a presença significativa de microrganismos, incluindo SARSCoV2, em telefones celulares e nas mãos de profissionais de saúde, reforçando o potencial desses dispositivos como vetores de transmissão no ambiente hospitalar. Os resultados podem subsidiar a implementação de protocolos de limpeza dos telefones celulares, contribuindo para a interrupção da cadeia de transmissão de patógenos.This study evaluated the presence of bacteria and SARSCoV2 on mobile phones and the hands of healthcare professionals in two intensive care units at the Hospital das Clínicas of the University of São Paulo, which exhibited different levels of adherence to hand hygiene. The objective was to identify and analyze the susceptibility of the isolated microorganisms, their relationship with the hospital environment, and the professionals perceptions regarding transmission risk. The sample included professionals from various categories (students, assistants, nursing staff, technicians, cleaning personnel, and diagnostic imaging professionals), ensuring data confidentiality. Two rounds of data collection were conducted, one in 2018 and another in 2020. In each phase, cultures were obtained from both hands and mobile phones, accompanied by an electronic survey investigating hygiene practices and perceptions of cross-infection risk. During the study period, the SARSCoV2 pandemic emerged, allowing for an evaluation of potential behavioral changes. Two interventions were implemented: the first provided individualized feedback on the identified microorganisms, and the second involved a flyer campaign that highlighted the overall results and emphasized the importance of mobile phone cleaning. The results demonstrated the growth of both gram-positive and gram-negative bacteria, including pathogens associated with healthcare-associated infections. SARSCoV2 was identified by PCR on three mobile phones, even though they did not grow on viral culture. Among the bacterial isolates from the hands, Acinetobacter spp. was the most frequent species in the first collection, while in the second collection Acinetobacter spp. and Klebsiella spp. predominated. On mobile phones, Staphylococcus aureus was the most common bacterium in both rounds. The persistence of a Staphylococcus aureus lineage in one unit, even after physical relocation for over 24 months, reinforces the need for more effective interventions to mitigate pathogen transmission. These findings are significant, although the observed resistance profile was less extensive than initially anticipated In the first collection, univariate analysis demonstrated that professionals who cleaned their mobile phones exhibited an approximately 85.5% reduction in the likelihood of bacterial presence (R = 0.145; p = 0.02, 95% CI: 0.02860.7398), an association confirmed by multivariate analysis (OR = 0.1818; p = 0.0468). The total bacterial count on mobile phones was not significantly associated with the presence of hospital-associated bacteria (p = 0.0517). In the second collection, the belief that hospital-associated bacteria can reside on mobile phones increased the probability of detection approximately fourfold (OR = 4.17; p = 0.022). These findings highlight the significant presence of microorganisms, including SARSCoV2, on mobile phones and the hands of healthcare professionals, reinforcing the potential of these devices as vectors of transmission within the hospital environment. The results may inform the implementation of mobile phone cleaning protocols, thereby contributing to the interruption of pathogen transmission chains.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCosta, Silvia FigueiredoPerdigão Neto, Lauro VieiraEspinoza, Evelyn Patricia Sanchez2025-07-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5134/tde-07112025-162301/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-07T19:43:02Zoai:teses.usp.br:tde-07112025-162301Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-07T19:43:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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