Impacto da pandemia de COVID-19 no rastreamento e mortalidade associados ao câncer de mama: estudo de bancos de dados públicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Moterani Junior, Nino José Wilson
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-04042025-162631/
Resumo: Introdução: O câncer de mama é a neoplasia maligna mais diagnosticada em mulheres no mundo, e, no Brasil, é o de maior mortalidade em mulheres. Estratégias para o controle do câncer de mama, como o rastreamento mamográfico, são traçadas, dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), entretanto, diversas barreiras impedem a acessibilidade. Mulheres, após o tratamento do câncer de mama, apresentam risco de desenvolverem doenças cardiovasculares, com complicações e óbito. A pandemia de COVID-19 pode tornar as iniquidades e barreiras para o acesso ao tratamento mais evidentes. Objetivos: avaliar o impacto da pandemia de COVID-19 nas seguintes variáveis: taxa de mamografias de rastreamento, e aquelas com achados suspeitos, no estado de São Paulo; avaliar astaxas de mortalidade contributiva, específica, e não relacionada ao câncer de mama, ajustadas por idade, no Brasil. Métodos: Estudo de bancos de dados públicos, através de sistemas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS). O número de mamografias de rastreamento foi obtido através do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN). A população alvo de rastreamento, usuária do SUS, foi obtida através de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As taxas de mamografias de rastreamento e de achados suspeitos foram calculadas, mensalmente, no estado de São Paulo, e em seus Departamentos Regionais de Saúde (DRS), de 2017 a 2020. O número de óbitos por câncer de mama foi obtido através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A população feminina foi obtida com dados do IBGE. Foram calculadas as taxas de mortalidade, por trimestre, de 2017 a 2022, no Brasil, contributiva, específica, e não relacionada ao câncer de mama. Para o ajuste por idade, foi utilizada a população padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados foram manipulados e integrados com o software R. Para análise e visualização das variáveis, utilizamos análise de séries temporais e regressão por joinpoint, com o software Joinpoint Trend Analysis. Resultados: durante a pandemia, houve diminuição das taxas de mamografias de rastreamento, de 14,8/1.000 em 2019, para 9,25/1.000 em 2020, e das com achados suspeitos, de 12,8/100.000 em 2019, para 9,1/100.000 em 2020, sendo isso mais acentuado nos meses de abril e maio. A taxa de mortalidade contributiva por câncer de mama aumentou 16,57% por trimestre, do quarto trimestre de 2019 ao terceiro de 2020, sendo esse aumento maior que a mortalidade não relacionada à doença. (Mudança percentual por quartil 16,57%, 2019Q4 - 2020Q3; 95% IC, 4,79% - 22,96%, p = 0,008). Não houve aumento da taxa de mortalidade específica. Conclusão: durante a pandemia, ocorreu diminuição das taxas de mamografias de rastreamento, e das com achados suspeitos. Houve aumento da mortalidade contributiva por câncer de mama, superior à da mortalidade não relacionada à doença. A mobilização da sociedade e a organização de políticas públicas são necessárias para o controle da mortalidade pela patologia.
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Objetivos: avaliar o impacto da pandemia de COVID-19 nas seguintes variáveis: taxa de mamografias de rastreamento, e aquelas com achados suspeitos, no estado de São Paulo; avaliar astaxas de mortalidade contributiva, específica, e não relacionada ao câncer de mama, ajustadas por idade, no Brasil. Métodos: Estudo de bancos de dados públicos, através de sistemas do Departamento de Informática do Sistema Único de Saúde do Brasil (DATASUS). O número de mamografias de rastreamento foi obtido através do Sistema de Informação do Câncer (SISCAN). A população alvo de rastreamento, usuária do SUS, foi obtida através de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). As taxas de mamografias de rastreamento e de achados suspeitos foram calculadas, mensalmente, no estado de São Paulo, e em seus Departamentos Regionais de Saúde (DRS), de 2017 a 2020. O número de óbitos por câncer de mama foi obtido através do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM). A população feminina foi obtida com dados do IBGE. Foram calculadas as taxas de mortalidade, por trimestre, de 2017 a 2022, no Brasil, contributiva, específica, e não relacionada ao câncer de mama. Para o ajuste por idade, foi utilizada a população padrão da Organização Mundial de Saúde (OMS). Os dados foram manipulados e integrados com o software R. Para análise e visualização das variáveis, utilizamos análise de séries temporais e regressão por joinpoint, com o software Joinpoint Trend Analysis. Resultados: durante a pandemia, houve diminuição das taxas de mamografias de rastreamento, de 14,8/1.000 em 2019, para 9,25/1.000 em 2020, e das com achados suspeitos, de 12,8/100.000 em 2019, para 9,1/100.000 em 2020, sendo isso mais acentuado nos meses de abril e maio. A taxa de mortalidade contributiva por câncer de mama aumentou 16,57% por trimestre, do quarto trimestre de 2019 ao terceiro de 2020, sendo esse aumento maior que a mortalidade não relacionada à doença. (Mudança percentual por quartil 16,57%, 2019Q4 - 2020Q3; 95% IC, 4,79% - 22,96%, p = 0,008). Não houve aumento da taxa de mortalidade específica. Conclusão: durante a pandemia, ocorreu diminuição das taxas de mamografias de rastreamento, e das com achados suspeitos. Houve aumento da mortalidade contributiva por câncer de mama, superior à da mortalidade não relacionada à doença. A mobilização da sociedade e a organização de políticas públicas são necessárias para o controle da mortalidade pela patologia.Introduction: Breast cancer is the most common diagnosed neoplasm in the world. In Brazil, it is the highest mortality cancer among women. Strategies to control breast cancer, such as mammographic screening, are designed in the Brazilian Universal Health System (SUS), however, many barriers difficult access. Women, after breast cancer treatment, present a higher risk of developing cardiovascular diseases, with complications and death. The COVID-19 pandemic may make the inequalities and barriers more evident. Objectives: to analyze the impact of COVID-19 pandemic on the following variables: rate of screening mammograms, and those with suspicious findings, in the state of Sao Paulo; age-adjusted breast cancer-contributory, specific, and nonbreast cancer mortality rates, in Brazil. Methods: A public datasets study, using systems of the Department of Informatics of the Brazilian Universal Health System (DATASUS). The number of screening mammograms was obtained from the Cancer Information System (SISCAN). The target screening population in the SUS was obtained with data from the Brazilian Institute of Geography and Statistics (IBGE) and the Brazilian National Agency of Supplementary Health (ANS). The screening and suspicious mammogram rates were calculated, monthly, in the state of Sao Paulo, and its regional health departments, from 2017 to 2020. The number of deaths due to breast cancer was obtained from the Mortality Information System (SIM). The female population was obtained with data from the IBGE. We calculated the breast cancer-contributory, specific, and non-breast cancer mortality rates, per trimester, from 2017 to 2022, in Brazil. For age-adjustment, we used the World Health Organization (WHO) standard population. Data was manipulated and integrated using the software R. For analysis and visualization of the variables we used time series analysis and joinpoint regression, using the software Joinpoint Trend Analysis. Results: During the pandemic there was a decrease in the screening mammograms rate, of 14.8/1,000 in 2019, to 9.25/1,000 in 2020, and in the suspicious findings mammograms rate, of 12.8/100,000 in 2019, to 9.1/100,000 in 2020, with a higher decrease in April and May. The breast cancer-contributory mortality rate increased 16,57% per trimester, from the fourth trimester of 2019 to the third of 2020, and this increase was higher than what was observed in the non-breast cancer mortality rate. (Quartile percentile change 16.57%, 2019Q4 - 2020Q3; 95% CI, 4.79% - 22.96%, p = 0.008). There was no increase in the breast cancer-specific mortality rate. Conclusion: during the pandemic, there was a decrease in the screening and suspicious findings mammograms rates. There was an increase in the breast cancer-contributory mortality rate, higher than the non-breast cancer mortality rate. The mobilization of society and the organization of public politics are necessary to control the mortality due to the disease.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPReis, Francisco José Cândido dosMoterani Junior, Nino José Wilson2024-12-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-04042025-162631/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-31T18:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-04042025-162631Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-31T18:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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