Vale a pena vozear? Um estudo sobre a percepção de efetividade dos mecanismos de voz no setor bancário brasileiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Kassem, Michele Ruzon
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-12042024-170638/
Resumo: Esta tese tem por objetivo compreender a percepção de atores diversos sobre a efetividade de mecanismos de voz em uma economia de mercado hierárquica, adotando o paradigma construtivista e utilizando-se de metodologia qualitativa. A voz é a expressão de uma insatisfação, uma alternativa para mudar a situação, em vez de sair ou manter-se em silêncio. Ao longo da história das relações de emprego, observam-se muitas lutas, avanços e retrocessos na criação de mecanismos seguros e efetivos para o exercício de voz dos empregados, mas a literatura ainda aponta para a prevalência do silêncio nas organizações. Muitos estudos concentram-se na dimensão da segurança psicológica para compreender esse fenômeno. Todavia, explorando outra linha de pesquisa, esta tese focou o debate sobre a percepção de efetividade vale a pena utilizar os mecanismos disponíveis? Considerando um ambiente institucional específico, o setor bancário brasileiro, foi possível analisar e debater a efetividade dos mecanismos de voz disponíveis em uma economia de mercado hierárquico pela percepção de empregados, gestores e representantes sindicais de dois bancos públicos, de um banco multinacional e de um banco de origem brasileira com atuação diversificada. Tal setor apresenta especificidades em relação ao mercado de trabalho brasileiro, como o alto nível de qualificação dos empregados, o alto índice de sindicalização e as baixas taxas de rotatividade. No entanto, é possível observar nele os reflexos das relações hierárquicas do país. Notam-se um predomínio da concepção de voz como um exercício individual, em vez de coletivo, e um baixo envolvimento na construção de mecanismos de voz, muitas vezes percebido como uma responsabilidade exclusiva da alta administração de cada banco. As relações atomísticas aparecem no discurso dos empregados de bancos privados que se mostram preocupados com sua empregabilidade e são reforçadas pelo modelo de gestão dos bancos que individualizam a relação de emprego, adotando metas individuais e agindo como se o seu atingimento dependesse unicamente da competência do profissional. Nos bancos públicos, nos quais a estabilidade no emprego é tida como garantida, tal atomicidade é atenuada e percebe-se entre seus empregados e gestores uma compreensão distinta sobre a mobilização coletiva, entendendo-a como algo natural nas relações de emprego e um respaldo aos direitos dos empregados. Grande destaque é dado aos mecanismos individuais internos e, consequentemente, às políticas e práticas de gestão de pessoas, que orientam o comportamento dos gestores e devem explicitar o jeito de trabalhar estabelecido pelo banco. Todo esse debate consolida a relevância de pesquisar a percepção de efetividade dos mecanismos de voz, avançando além da preocupação com segurança psicológica. Influências individuais sempre existirão, com aqueles mais propícios a vozear e com outros que preferem mudar de emprego. Porém, quanto maior a diversidade dos mecanismos disponíveis e a percepção de sua efetividade, maior será também a oportunidade para que todos exerçam suas vozes.
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Ao longo da história das relações de emprego, observam-se muitas lutas, avanços e retrocessos na criação de mecanismos seguros e efetivos para o exercício de voz dos empregados, mas a literatura ainda aponta para a prevalência do silêncio nas organizações. Muitos estudos concentram-se na dimensão da segurança psicológica para compreender esse fenômeno. Todavia, explorando outra linha de pesquisa, esta tese focou o debate sobre a percepção de efetividade vale a pena utilizar os mecanismos disponíveis? Considerando um ambiente institucional específico, o setor bancário brasileiro, foi possível analisar e debater a efetividade dos mecanismos de voz disponíveis em uma economia de mercado hierárquico pela percepção de empregados, gestores e representantes sindicais de dois bancos públicos, de um banco multinacional e de um banco de origem brasileira com atuação diversificada. Tal setor apresenta especificidades em relação ao mercado de trabalho brasileiro, como o alto nível de qualificação dos empregados, o alto índice de sindicalização e as baixas taxas de rotatividade. No entanto, é possível observar nele os reflexos das relações hierárquicas do país. Notam-se um predomínio da concepção de voz como um exercício individual, em vez de coletivo, e um baixo envolvimento na construção de mecanismos de voz, muitas vezes percebido como uma responsabilidade exclusiva da alta administração de cada banco. As relações atomísticas aparecem no discurso dos empregados de bancos privados que se mostram preocupados com sua empregabilidade e são reforçadas pelo modelo de gestão dos bancos que individualizam a relação de emprego, adotando metas individuais e agindo como se o seu atingimento dependesse unicamente da competência do profissional. Nos bancos públicos, nos quais a estabilidade no emprego é tida como garantida, tal atomicidade é atenuada e percebe-se entre seus empregados e gestores uma compreensão distinta sobre a mobilização coletiva, entendendo-a como algo natural nas relações de emprego e um respaldo aos direitos dos empregados. Grande destaque é dado aos mecanismos individuais internos e, consequentemente, às políticas e práticas de gestão de pessoas, que orientam o comportamento dos gestores e devem explicitar o jeito de trabalhar estabelecido pelo banco. Todo esse debate consolida a relevância de pesquisar a percepção de efetividade dos mecanismos de voz, avançando além da preocupação com segurança psicológica. Influências individuais sempre existirão, com aqueles mais propícios a vozear e com outros que preferem mudar de emprego. Porém, quanto maior a diversidade dos mecanismos disponíveis e a percepção de sua efetividade, maior será também a oportunidade para que todos exerçam suas vozes.This thesis aims to understand the perception of different actors about the effectiveness of voice mechanisms in a hierarchical market economy, adopting the constructivist paradigm and using a qualitative methodology. Voice is the expression of dissatisfaction, an alternative to change the situation instead of leaving or remaining silent. Throughout the history of employment relations, many struggles, advances, and setbacks have been observed in the creation of safe and effective mechanisms for exercising the voice of employees, but the literature still points to the prevalence of silence in organizations. Many studies focus on the dimension of psychological safety to understand this phenomenon, however, exploring another line of research, this thesis focused on the perception of effectiveness is it worth using the available mechanisms? Considering a specific institutional environment, the Brazilian banking sector, it was possible to analyze and discuss the effectiveness of the voice mechanisms available in a hierarchical market economy through the perception of employees, managers, and union representatives of two public banks, a multinational bank, and a Brazilian private bank from a diversified group. This sector has specificities in relation to the Brazilian labor market, such as the high level of qualification of employees, the high rate of unionization and low turnover rates, however, it is possible to observe in it the reflections of the country\'s hierarchical relations. There is a predominance of the conception of voice as an individual exercise, rather than a collective one, and a low level of involvement in the construction of voice mechanisms, often perceived as an exclusive responsibility of the Senior Management of each bank. Atomistic relationships appear in the discourse of private bank employees who are concerned about their employability and are reinforced by the management model of banks that individualize the employment relationship, adopting individual goals and acting as if their achievement depended solely on the professional\'s competence. In public banks, where job stability is taken for granted, such atomicity is attenuated and a different understanding of collective mobilization is perceived among employees and managers, something natural in employment relations and a support for employees\' rights. Great emphasis is given to internal individual mechanisms and, consequently, to human resources policies and practices, which guide the behavior of managers and must explain the way of working established by the bank. This entire debate consolidates the relevance of researching the perception of effectiveness of voice mechanisms, moving beyond concerns about psychological safety. Individual influences will always exist, with those more inclined to voice and others who prefer to change jobs, however, the greater the diversity of available mechanisms and the perception of their effectiveness, the greater the opportunity for everyone to exercise their voices.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAmorim, Wilson Aparecido Costa deKassem, Michele Ruzon2023-11-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/12/12139/tde-12042024-170638/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-05-03T19:08:02Zoai:teses.usp.br:tde-12042024-170638Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-05-03T19:08:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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