Conflito e cooperação por água transfronteiriça: o caso de Brasil e Uruguai para a produção de arroz

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Brito, Ágata Graziele dos Santos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-24092025-213511/
Resumo: O principal uso dos recursos hídricos bacia hidrográfica transfronteiriça do rio Quaraí se destina para irrigar a lavoura orizícola. A produção de arroz é a principal atividade econômica da região. A lavoura orizícola é hidro intensiva quando utiliza o método de irrigação por inundação. Um hectare chega a consumir um volume total de água de 1.210 mm, dependendo das condições do solo. Uma vez que recursos hídricos são finitos e a bacia do rio Quaraí tem características específicas, a expressiva produção de arroz na região exerce uma enorme pressão sobre os recursos hídricos da bacia, que são recursos compartilhados entre Brasil e Uruguai. Primeiro a sazonalidade hidrológica da bacia, que consiste na alternância entre cheias e secas intensas do rio, é um fator causa instabilidade na agenda de produção local. A estrutura física do rio, por sua vez, dificulta a vazão de água no leito do rio, durante períodos de escassez extrema o rio seca e nos períodos de cheia (que provocam enchentes) as águas escoam rapidamente para o rio Uruguai, impedindo que os irrigantes locais possam captar quantidade suficiente para abastecer suas lavouras. A retirada excessiva dos recursos hídricos da bacia hidrográfica transfronteiriça do rio Quaraí, especialmente para irrigação de arroz, sobretudo nos períodos de escassez, começou a se tornar um desafio de gestão local, o qual exigiu uma intervenção dos governos nacionais de Brasil e Uruguai para desenvolverem ferramentas de governança compartilhada e solucionar o conflito instalado na região da fronteira. Neste contexto, articulam-se três níveis de análise: o internacional, o nacional e o local. Sob a ótica das relações internacionais (nível internacional), os países buscam articular suas burocracias para gerir os recursos hídricos em busca de cooperação hídrica internacional. No nível nacional identificamos as capacidades de cada Estado para diferenciá-los relativo ao poder que possuem. No nível local, ou seja, da bacia hidrográfica nosso recorte, é onde os desafios se intensificam e se manifestam de forma mais aguda. Constatamos que os usuários das águas do Quaraí, tanto brasileiros quanto uruguaios, trabalham e se articulam para juntos enfrentarem os desafios físicos e políticos que é a bacia hidrográfica do rio Quaraí/Cuareim. Afinal, a lavoura não segue necessariamente os arranjos burocráticos que regem as interações hídricas entre os dois países.
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spelling Conflito e cooperação por água transfronteiriça: o caso de Brasil e Uruguai para a produção de arrozTransboundary Water conflict and cooperation: Brazil and Uruguay for rice production.Águas Transfronteiriças. Lavoura Orizícola. Irrigantes. Brasil. Uruguai.Rice. Water users. Transboundary waters. Brazil. Uruguai.O principal uso dos recursos hídricos bacia hidrográfica transfronteiriça do rio Quaraí se destina para irrigar a lavoura orizícola. A produção de arroz é a principal atividade econômica da região. A lavoura orizícola é hidro intensiva quando utiliza o método de irrigação por inundação. Um hectare chega a consumir um volume total de água de 1.210 mm, dependendo das condições do solo. Uma vez que recursos hídricos são finitos e a bacia do rio Quaraí tem características específicas, a expressiva produção de arroz na região exerce uma enorme pressão sobre os recursos hídricos da bacia, que são recursos compartilhados entre Brasil e Uruguai. Primeiro a sazonalidade hidrológica da bacia, que consiste na alternância entre cheias e secas intensas do rio, é um fator causa instabilidade na agenda de produção local. A estrutura física do rio, por sua vez, dificulta a vazão de água no leito do rio, durante períodos de escassez extrema o rio seca e nos períodos de cheia (que provocam enchentes) as águas escoam rapidamente para o rio Uruguai, impedindo que os irrigantes locais possam captar quantidade suficiente para abastecer suas lavouras. A retirada excessiva dos recursos hídricos da bacia hidrográfica transfronteiriça do rio Quaraí, especialmente para irrigação de arroz, sobretudo nos períodos de escassez, começou a se tornar um desafio de gestão local, o qual exigiu uma intervenção dos governos nacionais de Brasil e Uruguai para desenvolverem ferramentas de governança compartilhada e solucionar o conflito instalado na região da fronteira. Neste contexto, articulam-se três níveis de análise: o internacional, o nacional e o local. Sob a ótica das relações internacionais (nível internacional), os países buscam articular suas burocracias para gerir os recursos hídricos em busca de cooperação hídrica internacional. No nível nacional identificamos as capacidades de cada Estado para diferenciá-los relativo ao poder que possuem. No nível local, ou seja, da bacia hidrográfica nosso recorte, é onde os desafios se intensificam e se manifestam de forma mais aguda. Constatamos que os usuários das águas do Quaraí, tanto brasileiros quanto uruguaios, trabalham e se articulam para juntos enfrentarem os desafios físicos e políticos que é a bacia hidrográfica do rio Quaraí/Cuareim. Afinal, a lavoura não segue necessariamente os arranjos burocráticos que regem as interações hídricas entre os dois países.The main use of water resources in the transboundary hydrographic basin of the Quaraí River is intended to irrigate rice crops. Rice production is the main economic activity in the region. The rice crop is hydro-intensive when it uses the flood irrigation method. One hectare consumes a total volume of water of 1,210 mm, depending on soil conditions. Since water resources are finite and the Quaraí River basin has specific characteristics, the significant rice production in the region exerts enormous pressure on the basin\'s water resources, which are resources shared between Brazil and Uruguay. First, the hydrological seasonality of the basin, which consists of the alternation between floods and intense droughts of the river, is a factor that causes instability in the local production agenda. The physical structure of the river, in turn, \"hinders\" the flow of water in the riverbed, during periods of extreme scarcity the river dries up and in periods of flooding (which cause floods) the waters drain quickly into the Uruguay River, preventing local irrigators from being able to capture enough quantity to supply their crops. The excessive withdrawal of water resources from the transboundary hydrographic basin of the Quaraí River, especially for rice irrigation, especially in periods of scarcity, began to become a local management challenge, which required intervention by the national governments of Brazil and Uruguay to develop shared governance tools and solve the conflict in the border region. In this context, three levels of analysis are articulated: the international, the national and the local. From the perspective of international relations (international level), countries seek to articulate their bureaucracies to manage water resources in search of international water cooperation. At the national level, we identify the capacities of each state to differentiate them in relation to the power they have. At the local level, that is, the hydrographic basin, our cut, is where the challenges intensify and manifest themselves more acutely. We found that the users of the waters of the Quaraí, both Brazilians and Uruguayans, work and articulate to face the physical and political challenges that is the hydrographic basin of the Quaraí/Cuareim river. After all, farming does not necessarily follow the bureaucratic arrangements that govern water interactions between the two countries.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRibeiro, Wagner CostaBrito, Ágata Graziele dos Santos2025-07-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-24092025-213511/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-13T17:49:02Zoai:teses.usp.br:tde-24092025-213511Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-13T17:49:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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