Ver, segurar, mover, ler: letreiramento e suporte em quadrinhos experimentais - explorações semióticas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Monteiro, Clarissa Ferreira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-10102024-153018/
Resumo: objeto de estudo desta tese são as histórias em quadrinhos experimentais. Dentro desta definição, exploramos os textos que fazem parte do hipergênero das histórias em quadrinhos, mas focamos em produções que fogem às suas estruturas canônicas, ou, usando um termo mais recorrente, que desafiam os limites da sua linguagem e formato. As produções que trazemos aqui são contemporâneas ao momento de publicação desta tese, sendo elas fruto dos movimentos alternativos dos quadrinhos que se iniciaram nos anos 1980 e perduram até hoje. Os quadrinhos alternativos partiram da ruptura dos underground comix (surgidos na década de 1960) em relação à produção mainstream das grandes editoras (como Marvel e DC Comics), com foco na produção autoral e mudança de perspectiva sobre o seu público alvo. Com a desidratação do movimento underground, surgiram outras vertentes, entre elas, o movimento alternativo: com foco na produção de histórias mais pessoais, na experimentação formal e extrapolação dos limites estéticos dos quadrinhos, inclusive buscando a sua legitimação cultural. Com o avanço das tecnologias contemporâneas, o experimentalismo tornou-se mais acessível para autores e autoras de quadrinhos, algo também facilitado pela contínua efervescência do cenário independente. Dentro desse contexto, buscamos verificar o que tornam as obras deste corpus experimentais, a partir de duas abordagens: (1) no nível do texto-enunciado, como as obras fogem das convencionalidades do letreiramento e trazem novas possibilidades de leitura do texto verbovisual e (2) no nível dos objetos-suportes, como a materialidade do quadrinho é colocada em evidência e isso desvela novas camadas de sentido na prática de leitura. Nosso corpus é composto pelas obras Ar Condicionado, de Gustavo Piqueira (2018), Building Stories, de Chris Ware (2012), The Great War, de Joe Sacco (2018) e Smoking Mata, de Kash Fyre (2019). Nossas análises são orientadas pela perspectiva teórica da semiótica de linha francesa a partir de Greimas e seus desdobramentos na semiótica plástica de Floch, nos níveis de pertinência de Fontanille, nas relações entre o grafemático e o pictórico e suas poéticas, a partir de Pietroforte e Pondian. Fazemos também interface com conceitos extra-semióticos, como os paratextos em Genette, as affordances em Gibson, Norman e Ghosal, os elementos linguageiros dos quadrinhos por Ramos e Cagnin e as funções do elemento verbal segundo Groensteen e McCloud, permitindo demonstrar as proximidades da teoria semiótica francesa com conceitos que passam pelos estudos da comunicação e do design. Nosso objetivo é verificar o que qualifica o experimentalismo dessas obras como tal, os graus em que esse experimentalismo se manifesta, como a leitura dessas obras demonstra a presença de outros sincretismos dos quadrinhos que vão além da articulação das semióticas verbal e visual, problematizando a definição de história em quadrinhos
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Os quadrinhos alternativos partiram da ruptura dos underground comix (surgidos na década de 1960) em relação à produção mainstream das grandes editoras (como Marvel e DC Comics), com foco na produção autoral e mudança de perspectiva sobre o seu público alvo. Com a desidratação do movimento underground, surgiram outras vertentes, entre elas, o movimento alternativo: com foco na produção de histórias mais pessoais, na experimentação formal e extrapolação dos limites estéticos dos quadrinhos, inclusive buscando a sua legitimação cultural. Com o avanço das tecnologias contemporâneas, o experimentalismo tornou-se mais acessível para autores e autoras de quadrinhos, algo também facilitado pela contínua efervescência do cenário independente. Dentro desse contexto, buscamos verificar o que tornam as obras deste corpus experimentais, a partir de duas abordagens: (1) no nível do texto-enunciado, como as obras fogem das convencionalidades do letreiramento e trazem novas possibilidades de leitura do texto verbovisual e (2) no nível dos objetos-suportes, como a materialidade do quadrinho é colocada em evidência e isso desvela novas camadas de sentido na prática de leitura. Nosso corpus é composto pelas obras Ar Condicionado, de Gustavo Piqueira (2018), Building Stories, de Chris Ware (2012), The Great War, de Joe Sacco (2018) e Smoking Mata, de Kash Fyre (2019). Nossas análises são orientadas pela perspectiva teórica da semiótica de linha francesa a partir de Greimas e seus desdobramentos na semiótica plástica de Floch, nos níveis de pertinência de Fontanille, nas relações entre o grafemático e o pictórico e suas poéticas, a partir de Pietroforte e Pondian. Fazemos também interface com conceitos extra-semióticos, como os paratextos em Genette, as affordances em Gibson, Norman e Ghosal, os elementos linguageiros dos quadrinhos por Ramos e Cagnin e as funções do elemento verbal segundo Groensteen e McCloud, permitindo demonstrar as proximidades da teoria semiótica francesa com conceitos que passam pelos estudos da comunicação e do design. Nosso objetivo é verificar o que qualifica o experimentalismo dessas obras como tal, os graus em que esse experimentalismo se manifesta, como a leitura dessas obras demonstra a presença de outros sincretismos dos quadrinhos que vão além da articulação das semióticas verbal e visual, problematizando a definição de história em quadrinhosThe object of study of this thesis is experimental comics. Within the scope of this definition, we explore texts that are part of the comics hypergenre but drive our focus into productions that escape its canonic structures or, to use a more current term, which challenge the limits of its language and format. The productions presented here are contemporary to the moment when this research was being developed and are the result of alternative comics movement that started during the 1980s lasting until now. Alternative comics emerged from the disruption of underground comix (that came out during the 1960s) in relation to the mainstream production of big publishers (such as Marvel and DC Comics). It was more focused in authorial productions and in a change of perspective about its target audience. As the underground movement lost its track other branches developed, among them, the alternative movement: with a focus in the production of more personal stories, in formal experimentation and in going beyond the aesthetic limits of comics, pursuing, amongst other things, to be culturally legitimated. Considering the advances of contemporary technologies, experimentalism became more accessible for comic authors, something also facilitated by the continuing booming of the independent scenario. In this context, we aim to verify what makes the productions that are part of our corpora experimental, and in the process of doing so we take two different kinds of approach: (1) at the level of text-enunciation, like the works that escape from the conventions of lettering and bring new reading possibilities of the verbo-visual texts and (2) at the level of support-objects, how the material basis of comics is put in evidence and how this unveils new layers of meaning in the reading practice. Our corpus is composed by works like Ar Condicionado, by Gustavo Piqueira (2018), Building Stories, by Chris Ware (2012), The Great War, by Joe Sacco (2018) and Smoking Mata, by Kash Fyre (2019). Our analysis is oriented by the theoretical perspective of French semiotics which began with Greimas studies and developed further under Floch and its plastic semiotics studies, with Fontanille and his levels of pertinence, and by the graphic and pictorial relations and its poetics, like in the studies by Pietroforte and Pondian. We also establish an interface with extra-semiotic concepts, like the paratexts from Genette, the affordances in Gibson, Norman and Ghosal, the linguistic elements in comics by Ramos and Cagnin and the functions of the verbal elements according to Groensteen and McCloud, which allowed us to demonstrate the approximation of French semiotic theory to concepts pertaining the areas of Communication and Design. Our goal is to verify what qualifies the works analyzed as experimental, the levels where this experimentalism manifests, how the reading of these productions show the presence of other syncretism in comics which go beyond the combination of verbal as well as visual semiotics, by analyzing the problems with the definition of what comics isBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPietroforte, Antonio Vicente SeraphimMonteiro, Clarissa Ferreira2024-04-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-10102024-153018/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-10T18:35:02Zoai:teses.usp.br:tde-10102024-153018Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-10T18:35:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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