Detecções não-individualizadas para a estimativa da densidade e ecologia populacional de tamanduás-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) em paisagens silviculturais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Gouvea, Jessica Abonizio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/91/91131/tde-05032026-172929/
Resumo: O tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) é uma espécie vulnerável à extinção em diferentes escalas e com registros em paisagens silviculturais. São animais de difícil individualização visual e captura, o que dificulta estudos populacionais com as metodologias tradicionalmente utilizadas, como captura-marcação-recaptura e suas adaptações para registros visuais/fotográficos. Assim, objetivamos com esta pesquisa compreender o estado populacional (abundância, densidade e padrão de uso do tempo e do espaço) de uma população de tamanduás-bandeira em uma paisagem silvicultural, na qual os plantios de eucalipto constituem a matriz e Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais compõem manchas de habitat nativo no mosaico da paisagem, além de desenvolver metodologias que facilitem o levantamento populacional desta espécie. Inicialmente desenvolvemos uma Introdução Geral sobre ecologia e métodos para estudos populacionais de tamanduás-bandeiras. No primeiro capítulo, buscamos entender como essa espécie utiliza paisagens silviculturais, a partir da avaliação do uso do espaço e do tempo pela espécie, por meio das análises de ocupação e padrão de atividade. No segundo capítulo, caracterizamos mais detalhadamente a população estimando a abundância e a densidade e desenvolvendo duas metodologias inovadoras que possibilitam realizar essas estimativas com dados de detecção da espécie, o modelo REMU (que em inglês significa Random Encounter with Model of Uncertainty) e o método HOME (do inglês Home-range and Overlap Method). A espécie apresentou um padrão de atividade crepuscular-noturno e não houve deslocamento no período de atividade em função da temperatura ou das fitofisionomias, contudo a probabilidade de detecção aumentou em função do aumento de temperatura. O nível de atividade diário de aproximadamente 6,7 horas diárias. Além disso, o uso do espaço pelo tamanduá-bandeira foi ligeiramente influenciado positivamente pela heterogeneidade da paisagem, sugerindo que a estrutura mais complexa do mosaico pode favorecer o uso da paisagem pela espécie. Estimamos uma população local média de 6 indivíduos (aproximadamente 0,21 indivíduos/km2) com o método REMU e uma faixa entre 4 e 16 indivíduos com o método HOME (entre 0,14 e 0,56 indivíduos/km2). Os resultados sugerem que APPs e Reservas Legais contribuem para a manutenção da heterogeneidade da paisagem, com implicações relevantes para a persistência de populações em paisagens silviculturais. Este estudo forneceu novos dados sobre a ecologia espacial e populacional de tamanduás-bandeiras em paisagens alteradas, realidade que caracteriza o estado de São Paulo e diversos biomas brasileiros. As alternativas metodológicas desenvolvidas nesta pesquisa podem facilitar a incorporação de dados populacionais em pesquisas futuras e ampliar as bases para estratégias de conservação. Além disso, os resultados dessa pesquisa devem contribuir para as estratégias de manejo de eucaliptais.
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Assim, objetivamos com esta pesquisa compreender o estado populacional (abundância, densidade e padrão de uso do tempo e do espaço) de uma população de tamanduás-bandeira em uma paisagem silvicultural, na qual os plantios de eucalipto constituem a matriz e Áreas de Proteção Permanente e Reservas Legais compõem manchas de habitat nativo no mosaico da paisagem, além de desenvolver metodologias que facilitem o levantamento populacional desta espécie. Inicialmente desenvolvemos uma Introdução Geral sobre ecologia e métodos para estudos populacionais de tamanduás-bandeiras. No primeiro capítulo, buscamos entender como essa espécie utiliza paisagens silviculturais, a partir da avaliação do uso do espaço e do tempo pela espécie, por meio das análises de ocupação e padrão de atividade. No segundo capítulo, caracterizamos mais detalhadamente a população estimando a abundância e a densidade e desenvolvendo duas metodologias inovadoras que possibilitam realizar essas estimativas com dados de detecção da espécie, o modelo REMU (que em inglês significa Random Encounter with Model of Uncertainty) e o método HOME (do inglês Home-range and Overlap Method). A espécie apresentou um padrão de atividade crepuscular-noturno e não houve deslocamento no período de atividade em função da temperatura ou das fitofisionomias, contudo a probabilidade de detecção aumentou em função do aumento de temperatura. O nível de atividade diário de aproximadamente 6,7 horas diárias. Além disso, o uso do espaço pelo tamanduá-bandeira foi ligeiramente influenciado positivamente pela heterogeneidade da paisagem, sugerindo que a estrutura mais complexa do mosaico pode favorecer o uso da paisagem pela espécie. Estimamos uma população local média de 6 indivíduos (aproximadamente 0,21 indivíduos/km2) com o método REMU e uma faixa entre 4 e 16 indivíduos com o método HOME (entre 0,14 e 0,56 indivíduos/km2). Os resultados sugerem que APPs e Reservas Legais contribuem para a manutenção da heterogeneidade da paisagem, com implicações relevantes para a persistência de populações em paisagens silviculturais. Este estudo forneceu novos dados sobre a ecologia espacial e populacional de tamanduás-bandeiras em paisagens alteradas, realidade que caracteriza o estado de São Paulo e diversos biomas brasileiros. As alternativas metodológicas desenvolvidas nesta pesquisa podem facilitar a incorporação de dados populacionais em pesquisas futuras e ampliar as bases para estratégias de conservação. Além disso, os resultados dessa pesquisa devem contribuir para as estratégias de manejo de eucaliptais.The giant anteater (Myrmecophaga tridactyla is a species vulnerable to extinction at different scales and has been recorded in silvicultural landscapes. Individuals are difficult to visually identify and capture, which hampers population studies using traditionally applied methodologies, such as capturemarkrecapture and its adaptations for visual/photographic records. Therefore, the objective of this research was to understand the population status (abundance, density, and patterns of space and time use) of a giant anteater population in a silvicultural landscape, in which eucalyptus plantations constitute the matrix and Permanent Preservation Areas and Legal Reserves form native habitat patches within the landscape mosaic, as well as to develop methodologies that facilitate population surveys for this species. We initially developed a General Introduction on the ecology of the species and methods for population studies of giant anteaters. In the first chapter, we sought to understand how this species uses silvicultural landscapes by evaluating patterns of space and time use through occupancy analyses and activity pattern analyses. In the second chapter, we characterized the population in greater detail by estimating abundance and density and by developing two innovative methodologies that enable these estimates using detection data: the REMU model (Random Encounter with Model of Uncertainty) and the HOME method (Home-range and Overlap Method). The species exhibited a crepuscularnocturnal activity pattern, and no shift in the timing of activity was detected in response to temperature or vegetation types; however, detection probability increased with increasing temperature. The daily activity level was approximately 6.7 hours per day. In addition, space use by giant anteaters was slightly positively influenced by landscape heterogeneity, suggesting that a more complex mosaic structure may favor landscape use by the species. We estimated a mean local population of six individuals (approximately 0.21 individuals/km2) using the REMU method and a range between four and sixteen individuals (0.140.56 individuals/km2) using the HOME method. The results suggest that Permanent Preservation Areas and Legal Reserves contribute to maintaining landscape heterogeneity, with relevant implications for the persistence of populations in silvicultural landscapes. This study provides new data on the spatial and population ecology of giant anteaters in altered landscapes, a reality that characterizes the state of São Paulo and several Brazilian biomes. The methodological alternatives developed in this research may facilitate the incorporation of population data in future studies and broaden the basis for conservation strategies. In addition, the results of this research should contribute to management strategies for eucalyptus plantations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFerraz, Katia Maria Paschoaletto Micchi de BarrosGouvea, Jessica Abonizio2025-12-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/91/91131/tde-05032026-172929/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-06T20:18:02Zoai:teses.usp.br:tde-05032026-172929Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-06T20:18:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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