Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie
| Ano de defesa: | 2024 |
|---|---|
| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
|
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
|
| Departamento: |
Não Informado pela instituição
|
| País: |
Não Informado pela instituição
|
| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10134/tde-26092024-121918/ |
Resumo: | A presente pesquisa realizou uma etnografia multiespécie colaborativa sobre a vida das aves e o confinamento que eles e humanos vivenciam na favela São Remo do município de São Paulo. Privilegiou-se a colaboração de crianças e adolescentes da comunidade, vinculadas a ONGs e coletivos culturais atuantes no território. Mediante rodas de conversa, gravações de áudio e desenhos, os menores de idade compartilharam experiências, reflexões, imaginários e achados de pesquisas realizadas por eles mesmos. Dessa forma, trouxeram aves com emoções complexas, capazes de cuidar, cuidar-se, exercer a maternidade e construir suas próprias casas. Aves com histórias de vida próprias, entrelaçadas às de humanos e outros viventes, mobilizando afetos, alianças e conflitos. Em alguns casos, o convívio domiciliar com aves é um costume de familiares que vivem ou viveram no interior e com a migração para São Paulo se manteve na São Remo. Isso fez com que os menores tenham acumulado várias experiências com as aves, mas não se traduz na intenção deles manterem o costume. Pelo contrário, foi marcada a reprovação de práticas de aquisição como a caça e do próprio confinamento, colocado como uma fonte de sofrimento que prejudica a saúde física e mental das aves, humanos e outros animais. Embora tenha se ponderado a conveniência do confinamento para fornecer abrigo e proteção contra os perigos externos que as aves habituados a gaiolas e domicílios não conseguem enfrentar, predominaram os posicionamentos normativos contrários ao aprisionamento e favoráveis a modos de vida biodiversos, nos quais as aves interagem com seus semelhantes, semeiam, coproduzem paisagens e ambientes e, especialmente, voam. A empatia multiespécie foi demonstrada e reivindicada. O confinamento, no lugar de aparecer como uma situação genérica, foi apresentado de várias maneiras. Não só como enclausuramento forçado por barreiras físicas, mas também como o avesso do acesso a oportunidades que quanto menor, mais confina a uma dada situação, algo que acontece nas favelas, onde racismo, pobreza e outros dispositivos de marginalização são, em certo sentido, gaiolas. Para promover a saúde das periferias tem que se trabalhar para e com quem mora nelas e esta pesquisa enfatiza que esses moradores não são só adultos humanos. Crianças, adolescentes, pintinhos e aves maiores têm muito a dizer e fazer quando não são impedidos. |
| id |
USP_1230e26043a03a00e0317aca5d0ef6ff |
|---|---|
| oai_identifier_str |
oai:teses.usp.br:tde-26092024-121918 |
| network_acronym_str |
USP |
| network_name_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository_id_str |
|
| spelling |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécieHumans, birds and confinement in favelas: a multispecies ethnographyAvesBirdsCageComunidadeConfinamentoConfinementGaiolasMultiespeciesMultiespéciesSlumA presente pesquisa realizou uma etnografia multiespécie colaborativa sobre a vida das aves e o confinamento que eles e humanos vivenciam na favela São Remo do município de São Paulo. Privilegiou-se a colaboração de crianças e adolescentes da comunidade, vinculadas a ONGs e coletivos culturais atuantes no território. Mediante rodas de conversa, gravações de áudio e desenhos, os menores de idade compartilharam experiências, reflexões, imaginários e achados de pesquisas realizadas por eles mesmos. Dessa forma, trouxeram aves com emoções complexas, capazes de cuidar, cuidar-se, exercer a maternidade e construir suas próprias casas. Aves com histórias de vida próprias, entrelaçadas às de humanos e outros viventes, mobilizando afetos, alianças e conflitos. Em alguns casos, o convívio domiciliar com aves é um costume de familiares que vivem ou viveram no interior e com a migração para São Paulo se manteve na São Remo. Isso fez com que os menores tenham acumulado várias experiências com as aves, mas não se traduz na intenção deles manterem o costume. Pelo contrário, foi marcada a reprovação de práticas de aquisição como a caça e do próprio confinamento, colocado como uma fonte de sofrimento que prejudica a saúde física e mental das aves, humanos e outros animais. Embora tenha se ponderado a conveniência do confinamento para fornecer abrigo e proteção contra os perigos externos que as aves habituados a gaiolas e domicílios não conseguem enfrentar, predominaram os posicionamentos normativos contrários ao aprisionamento e favoráveis a modos de vida biodiversos, nos quais as aves interagem com seus semelhantes, semeiam, coproduzem paisagens e ambientes e, especialmente, voam. A empatia multiespécie foi demonstrada e reivindicada. O confinamento, no lugar de aparecer como uma situação genérica, foi apresentado de várias maneiras. Não só como enclausuramento forçado por barreiras físicas, mas também como o avesso do acesso a oportunidades que quanto menor, mais confina a uma dada situação, algo que acontece nas favelas, onde racismo, pobreza e outros dispositivos de marginalização são, em certo sentido, gaiolas. Para promover a saúde das periferias tem que se trabalhar para e com quem mora nelas e esta pesquisa enfatiza que esses moradores não são só adultos humanos. Crianças, adolescentes, pintinhos e aves maiores têm muito a dizer e fazer quando não são impedidos.This research carried out a collaborative multispecies ethnography about the lives of birds and the confinement that they and humans experience in the São Remo favela in the city of São Paulo. The collaboration of children and adolescents from the community, linked to NGOs and cultural collectives operating in the territory, was privileged. Through conversation circles, audio recordings and drawings, minors shared experiences, reflections, imaginaries and findings from research carried out by themselves. In this way, they brought birds with complex emotions, capable of caring, mothering and building their own homes. Birds with their own life stories, intertwined with those of humans and other living beings, mobilizing affections, alliances and conflicts. In some cases, living with birds at home is a custom of family members who live or have lived in the interior and, with the migration to São Paulo, it remained in São Remo. This has meant that the minors have accumulated several experiences with birds, but it does not translate into their intention to maintain the custom. On the contrary, there was a disapproval of acquisition practices such as hunting and confinement itself, seen as a source of suffering that harms the physical and mental health of birds, humans and other animals. Although the convenience of confinement to provide shelter and protection against external dangers that birds accustomed to cages and homes are unable to face was considered, normative positions against imprisonment and in favor of biodiverse ways of life, in which birds interact with their peers, sow, co-produce landscapes and environments and, especially, fly. Multispecies empathy has been demonstrated and vindicated. Confinement, instead of appearing as a generic situation, was presented in several ways. Not only as forced enclosure by physical barriers, but also as the opposite of access to opportunities that the smaller they are, the more confined they are to a given situation, something that happens in favelas, where racism, poverty and other mechanisms of marginalization are, in a certain sense, cages. To promote the health of peripheral areas, we have to work for and with those who live there and this research emphasizes that these residents are not just human adults. Children, teenagers, chicks and bigger birds have a lot to say and do when they are not impeded.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBaquero, Oswaldo SantosMarques, Luciana Lima2024-05-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10134/tde-26092024-121918/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-25T19:53:02Zoai:teses.usp.br:tde-26092024-121918Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-25T19:53:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
| dc.title.none.fl_str_mv |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie Humans, birds and confinement in favelas: a multispecies ethnography |
| title |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| spellingShingle |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie Marques, Luciana Lima Aves Birds Cage Comunidade Confinamento Confinement Gaiolas Multiespecies Multiespécies Slum |
| title_short |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| title_full |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| title_fullStr |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| title_full_unstemmed |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| title_sort |
Humanos, aves e confinamento em favelas: uma etnografia multiespécie |
| author |
Marques, Luciana Lima |
| author_facet |
Marques, Luciana Lima |
| author_role |
author |
| dc.contributor.none.fl_str_mv |
Baquero, Oswaldo Santos |
| dc.contributor.author.fl_str_mv |
Marques, Luciana Lima |
| dc.subject.por.fl_str_mv |
Aves Birds Cage Comunidade Confinamento Confinement Gaiolas Multiespecies Multiespécies Slum |
| topic |
Aves Birds Cage Comunidade Confinamento Confinement Gaiolas Multiespecies Multiespécies Slum |
| description |
A presente pesquisa realizou uma etnografia multiespécie colaborativa sobre a vida das aves e o confinamento que eles e humanos vivenciam na favela São Remo do município de São Paulo. Privilegiou-se a colaboração de crianças e adolescentes da comunidade, vinculadas a ONGs e coletivos culturais atuantes no território. Mediante rodas de conversa, gravações de áudio e desenhos, os menores de idade compartilharam experiências, reflexões, imaginários e achados de pesquisas realizadas por eles mesmos. Dessa forma, trouxeram aves com emoções complexas, capazes de cuidar, cuidar-se, exercer a maternidade e construir suas próprias casas. Aves com histórias de vida próprias, entrelaçadas às de humanos e outros viventes, mobilizando afetos, alianças e conflitos. Em alguns casos, o convívio domiciliar com aves é um costume de familiares que vivem ou viveram no interior e com a migração para São Paulo se manteve na São Remo. Isso fez com que os menores tenham acumulado várias experiências com as aves, mas não se traduz na intenção deles manterem o costume. Pelo contrário, foi marcada a reprovação de práticas de aquisição como a caça e do próprio confinamento, colocado como uma fonte de sofrimento que prejudica a saúde física e mental das aves, humanos e outros animais. Embora tenha se ponderado a conveniência do confinamento para fornecer abrigo e proteção contra os perigos externos que as aves habituados a gaiolas e domicílios não conseguem enfrentar, predominaram os posicionamentos normativos contrários ao aprisionamento e favoráveis a modos de vida biodiversos, nos quais as aves interagem com seus semelhantes, semeiam, coproduzem paisagens e ambientes e, especialmente, voam. A empatia multiespécie foi demonstrada e reivindicada. O confinamento, no lugar de aparecer como uma situação genérica, foi apresentado de várias maneiras. Não só como enclausuramento forçado por barreiras físicas, mas também como o avesso do acesso a oportunidades que quanto menor, mais confina a uma dada situação, algo que acontece nas favelas, onde racismo, pobreza e outros dispositivos de marginalização são, em certo sentido, gaiolas. Para promover a saúde das periferias tem que se trabalhar para e com quem mora nelas e esta pesquisa enfatiza que esses moradores não são só adultos humanos. Crianças, adolescentes, pintinhos e aves maiores têm muito a dizer e fazer quando não são impedidos. |
| publishDate |
2024 |
| dc.date.none.fl_str_mv |
2024-05-13 |
| dc.type.status.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/publishedVersion |
| dc.type.driver.fl_str_mv |
info:eu-repo/semantics/masterThesis |
| format |
masterThesis |
| status_str |
publishedVersion |
| dc.identifier.uri.fl_str_mv |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10134/tde-26092024-121918/ |
| url |
https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/10/10134/tde-26092024-121918/ |
| dc.language.iso.fl_str_mv |
por |
| language |
por |
| dc.relation.none.fl_str_mv |
|
| dc.rights.driver.fl_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. info:eu-repo/semantics/openAccess |
| rights_invalid_str_mv |
Liberar o conteúdo para acesso público. |
| eu_rights_str_mv |
openAccess |
| dc.format.none.fl_str_mv |
application/pdf |
| dc.coverage.none.fl_str_mv |
|
| dc.publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| publisher.none.fl_str_mv |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP |
| dc.source.none.fl_str_mv |
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP instname:Universidade de São Paulo (USP) instacron:USP |
| instname_str |
Universidade de São Paulo (USP) |
| instacron_str |
USP |
| institution |
USP |
| reponame_str |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| collection |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| repository.name.fl_str_mv |
Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP) |
| repository.mail.fl_str_mv |
virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br |
| _version_ |
1839839158765355008 |