Avaliação do efeito combinado de diferentes condições climáticas sobre o envelhecimento natural de tintas em fachadas de edifícios

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Couto, Lorena Santos Bezerra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102131/tde-09042025-095116/
Resumo: O envelhecimento das superfícies ao serem expostas às intempéries e seu processo de degradação natural, têm impacto nas propriedades termofísicas dos materiais que compõem o envelope construtivo. Contudo, diferentes agentes de degradação podem interferir na forma como este envelhecimento impacta na superfície dos revestimentos. Diante disto, esta pesquisa buscou analisar a hipótese de que as características climáticas e locais do sítio em que uma edificação se encontra, assim como a orientação solar de suas superfícies, têm influência direta nos processos de envelhecimento, de degradação e, consequentemente, de alteração de suas propriedades termofísicas. Para realizar esta análise, foram selecionadas seis tintas presentes no mercado brasileiro, sendo três de cores claras semelhantes ao branco (Branco Neve, Vento Sul e Urso Polar), uma tinta preta (Patativa), uma azul (Martim Pescador) e uma vermelha (Nectarina), que foram expostas às intempéries em três cidades brasileiras (Teresina PI, São Carlos SP e Florianópolis SC) e uma na Itália (Perugia). Para todas as cores foram posicionadas amostras voltadas para as quatro orientações solares e a caracterização de suas propriedades foi feita enquanto limpas, e após o processo de envelhecimento. Foram medidas a refletância solar com um espectrofotômetro com esfera integradora, para posterior cálculo da absortância solar, os parâmetros de cor, com um colorímetro, a emitância térmica com um emissômetro portátil, a rugosidade da superfície, com um perfilômetro óptico, e ainda observado o crescimento de microrganismos nas superfícies a parir de culturas em laboratório. De posse de todos os dados, além da comparação entre os valores obtidos em cada momento de medição, foi realizada simulação computacional para entender os impactos do envelhecimento na temperatura interna das superfícies. Foi observado que, para as tintas analisadas e expostas em um ângulo de 90° com o solo nas cidades brasileiras, o impacto na absortância solar é pequeno, com diferenças em sua maioria abaixo de 0,05 absoluto, sendo a máxima de 0,08. Gerou diferenças muito pequenas de temperatura interna no modelo simulado, não chegando a 0,20°C quando comparadas às edificações com mesma cor antes e após o envelhecimento, para cada cidade escolhida. A variação de cor, por sua vez, foi mais presente. Percebeu-se que para as cores mais claras a deposição de material particulado teve maior impacto na variação dessas duas propriedades, enquanto para as coloridas, os efeitos mais presentes foram causados pela degradação devido à radiação UV e a presença de calcinação na superfície. Notou-se ainda que para as cidades brasileiras, mesmo com variações entre si, o impacto nestas propriedades foi significativamente maior que em Perugia, onde as variações de absortância não chegaram a ultrapassar 0,02. A análise microbiológica foi realizada somente para as amostras expostas no Brasil e a partir dela percebeu-se que o clima tem grande influência não só na tipologia de microrganismos que se desenvolvem na superfície, mas também na quantidade. As demais propriedades foram medidas apenas para Perugia, entretanto, as alterações foram pequenas para a emitância térmica, e na rugosidade notou-se que os vazios foram preenchidos pelo material particulado depositado. Não foi percebida, para nenhuma situação, uma prevalência de alguma orientação solar que causasse maior ou menor impacto que as demais, ao longo do período analisado. Portanto, a partir dos resultados alcançados com esta pesquisa, pode-se afirmar que apesar da variação de orientação solar não exercer impacto específico sobre o envelhecimento natural das tintas, as características climáticas e do entorno têm grande impacto nos efeitos sobre as propriedades termofísicas dos revestimentos analisados para o período de 2 anos.
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Diante disto, esta pesquisa buscou analisar a hipótese de que as características climáticas e locais do sítio em que uma edificação se encontra, assim como a orientação solar de suas superfícies, têm influência direta nos processos de envelhecimento, de degradação e, consequentemente, de alteração de suas propriedades termofísicas. Para realizar esta análise, foram selecionadas seis tintas presentes no mercado brasileiro, sendo três de cores claras semelhantes ao branco (Branco Neve, Vento Sul e Urso Polar), uma tinta preta (Patativa), uma azul (Martim Pescador) e uma vermelha (Nectarina), que foram expostas às intempéries em três cidades brasileiras (Teresina PI, São Carlos SP e Florianópolis SC) e uma na Itália (Perugia). Para todas as cores foram posicionadas amostras voltadas para as quatro orientações solares e a caracterização de suas propriedades foi feita enquanto limpas, e após o processo de envelhecimento. Foram medidas a refletância solar com um espectrofotômetro com esfera integradora, para posterior cálculo da absortância solar, os parâmetros de cor, com um colorímetro, a emitância térmica com um emissômetro portátil, a rugosidade da superfície, com um perfilômetro óptico, e ainda observado o crescimento de microrganismos nas superfícies a parir de culturas em laboratório. De posse de todos os dados, além da comparação entre os valores obtidos em cada momento de medição, foi realizada simulação computacional para entender os impactos do envelhecimento na temperatura interna das superfícies. Foi observado que, para as tintas analisadas e expostas em um ângulo de 90° com o solo nas cidades brasileiras, o impacto na absortância solar é pequeno, com diferenças em sua maioria abaixo de 0,05 absoluto, sendo a máxima de 0,08. Gerou diferenças muito pequenas de temperatura interna no modelo simulado, não chegando a 0,20°C quando comparadas às edificações com mesma cor antes e após o envelhecimento, para cada cidade escolhida. A variação de cor, por sua vez, foi mais presente. Percebeu-se que para as cores mais claras a deposição de material particulado teve maior impacto na variação dessas duas propriedades, enquanto para as coloridas, os efeitos mais presentes foram causados pela degradação devido à radiação UV e a presença de calcinação na superfície. Notou-se ainda que para as cidades brasileiras, mesmo com variações entre si, o impacto nestas propriedades foi significativamente maior que em Perugia, onde as variações de absortância não chegaram a ultrapassar 0,02. A análise microbiológica foi realizada somente para as amostras expostas no Brasil e a partir dela percebeu-se que o clima tem grande influência não só na tipologia de microrganismos que se desenvolvem na superfície, mas também na quantidade. As demais propriedades foram medidas apenas para Perugia, entretanto, as alterações foram pequenas para a emitância térmica, e na rugosidade notou-se que os vazios foram preenchidos pelo material particulado depositado. Não foi percebida, para nenhuma situação, uma prevalência de alguma orientação solar que causasse maior ou menor impacto que as demais, ao longo do período analisado. Portanto, a partir dos resultados alcançados com esta pesquisa, pode-se afirmar que apesar da variação de orientação solar não exercer impacto específico sobre o envelhecimento natural das tintas, as características climáticas e do entorno têm grande impacto nos efeitos sobre as propriedades termofísicas dos revestimentos analisados para o período de 2 anos.The aging of surfaces when exposed to the elements and their natural degradation process impact the thermophysical properties of the materials that constitute the building envelope. However, different degradation agents can interfere with how this aging affects the surface of the materials within the building envelope. In light of this, the present research aimed to analyze the hypothesis that the climatic and local characteristics of the site where a building is located, as well as the solar orientation of its surfaces, directly influence the processes of aging, degradation, and, consequently, the alteration of their thermophysical properties. To conduct this analysis, six paints available in the Brazilian market were selected: three light colors resembling white (Branco Neve, Vento Sul e Urso Polar), one black paint (Patativa), one blue (Martim Pescador), and one red (Nectarina). These paints were exposed to the weathering in three Brazilian cities (Teresina PI, São Carlos SP, and Florianópolis SC) and one city in Italy (Perugia). For all colors, samples were oriented towards the four cardinal solar directions, and a characterization of their properties was conducted both when clean and after the aging process. Solar reflectance was measured using a spectrophotometer with an integrating sphere, enabling the calculation of solar absorptance. Color parameters were assessed with a colorimeter, thermal emissivity was measured with a portable emissomiter, surface roughness was analyzed using an optical profilometer, and also observed the growth of microorganisms on surfaces from laboratory cultures. With all data measured a computational simulation was performed to understand the impacts of aging on the internal temperature of the surfaces, in addition to comparing the values obtained at each measurement stage. It was observed that, for the analyzed paints exposed at a 90° angle to the ground in the Brazilian cities, the observed impact on solar absorptance was minimal, with most differences below 0.05 and a maximum of 0.08. This resulted in very small internal temperature differences in the simulated model, not exceeding 0.20°C when comparing buildings of the same color before and after aging, for each chosen city. The variation in color was more pronounced. It was noted that for lighter colors, the deposition of dirt had a greater impact on the variation of these two properties, while for more colorful paints, the predominant effects were caused by degradation due to UV radiation and the presence of calcination on the surface. Moreover, it was observed that, for the Brazilian cities, despite variations among them, the impact on these properties was significantly greater than in Perugia, where absorptance variations did not exceed 0.02. The microbiological analysis was conducted only for the samples exposed in Brazil, revealing that the climate significantly influences not only the types of microorganisms that develop on a surface but also their quantity. Other properties were measured solely for Perugia, however, changes in thermal emissivity were minor, and regarding roughness, it was noted that voids were filled by deposited dirt particles. No specific solar orientation was observed to have a greater or lesser impact than the others in any situation. Therefore, based on the results obtained from this research, it can be asserted that although the variation in solar orientation does not exert a specific impact on the natural aging of the paints, the climatic characteristics and surrounding environment have a significant effect on the impacts caused to the thermophysical properties of the selected paints after two years of aging.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDornelles, Kelen AlmeidaCouto, Lorena Santos Bezerra2024-11-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/102/102131/tde-09042025-095116/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-19T13:56:01Zoai:teses.usp.br:tde-09042025-095116Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-19T13:56:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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