Experiência escolar em tempos de pandemia: as mães e a disputa pelos sentidos de uma escola pública da cidade de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Manganotte, Marina Braguini
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-13052025-081419/
Resumo: Em março de 2020 as escolas da Rede Municipal de Educação da cidade de São Paulo substituíram o ensino presencial pelo remoto durante um ano inteiro por conta da pandemia da COVID-19. Essa substituição foi intensamente sentida pelas mães de estudantes, que passaram a assumir em casa diversas funções educativas e reconheceram nesse movimento, um processo de precarização do ensino. Às escolas paulistanas também foram delegadas fartas responsabilidades para administração dessa crise sanitária sem precedentes, tais como campanhas de segurança alimentar, distribuição de cestas básicas, produtos de higiene e limpeza, e o repasse de verbas, fortalecendo o lugar social que lhe tem sido atribuído pelas recentes reformas do ensino: de gestão de problemas sociais. O exercício de análise desta pesquisa foi organizado com vistas a identificar as diversas e contraditórias leituras acerca dos lugares e sentidos da escola para as mulheres-mães que, durante a pandemia da COVID-19 nos anos de 2020 e 2021, romperam com os estigmas racistas, de pobreza e ignorância que lhes foram imputados historicamente, e disputaram o espaço escolar como lugar de direito, dignidade humana, e formação de sujeitos sociais que perseguem sua humanização. A fim de examinar a hipótese de que a escola assumiu práticas assistencialistas em detrimento de seu lugar educativo como direito, esta pesquisa fundamenta-se no referencial teórico da psicologia da educação em uma perspectiva crítica, e na realização de entrevistas semi-estruturadas com as mães de estudantes de uma escola da cidade de São Paulo, que têm disputado seus sentidos da desresponsabilização de um Estado que provê. As análises feitas a partir da investigação sinalizam que as mulheres-mães identificaram problemas durante a pandemia, tais como as práticas autoritárias e assistencialistas que inviabilizam o trabalho pedagógico da escola, a dificuldade de comunicação entre escolas e famílias, o esvaziamento do sentido da formação escolar de seu caráter humanista. Sobretudo, elas também reconheceram a escola como aliada que pode enxergar e validar suas demandas e necessidades, e fazem para ela uma exigência política: o confronto diante dessas relações de poder que tenha como horizonte uma educação produtora de consciência que questiona o real e constrói coletivamente sujeitos sociais no mundo e com o mundo.
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Às escolas paulistanas também foram delegadas fartas responsabilidades para administração dessa crise sanitária sem precedentes, tais como campanhas de segurança alimentar, distribuição de cestas básicas, produtos de higiene e limpeza, e o repasse de verbas, fortalecendo o lugar social que lhe tem sido atribuído pelas recentes reformas do ensino: de gestão de problemas sociais. O exercício de análise desta pesquisa foi organizado com vistas a identificar as diversas e contraditórias leituras acerca dos lugares e sentidos da escola para as mulheres-mães que, durante a pandemia da COVID-19 nos anos de 2020 e 2021, romperam com os estigmas racistas, de pobreza e ignorância que lhes foram imputados historicamente, e disputaram o espaço escolar como lugar de direito, dignidade humana, e formação de sujeitos sociais que perseguem sua humanização. A fim de examinar a hipótese de que a escola assumiu práticas assistencialistas em detrimento de seu lugar educativo como direito, esta pesquisa fundamenta-se no referencial teórico da psicologia da educação em uma perspectiva crítica, e na realização de entrevistas semi-estruturadas com as mães de estudantes de uma escola da cidade de São Paulo, que têm disputado seus sentidos da desresponsabilização de um Estado que provê. As análises feitas a partir da investigação sinalizam que as mulheres-mães identificaram problemas durante a pandemia, tais como as práticas autoritárias e assistencialistas que inviabilizam o trabalho pedagógico da escola, a dificuldade de comunicação entre escolas e famílias, o esvaziamento do sentido da formação escolar de seu caráter humanista. Sobretudo, elas também reconheceram a escola como aliada que pode enxergar e validar suas demandas e necessidades, e fazem para ela uma exigência política: o confronto diante dessas relações de poder que tenha como horizonte uma educação produtora de consciência que questiona o real e constrói coletivamente sujeitos sociais no mundo e com o mundo.In March 2020, elementary schools in the Municipal Education Network of the city of São Paulo replaced in-person with remote teaching for an entire year due to the COVID-19 pandemic. This change was intensely felt by mothers of students, who began to take on several educational tasks at home and recognized this movement as a process of education precariousness. São Paulo schools were also given extensive responsibilities for managing this unprecedented health crisis, such as food security campaigns, distribution of basic food baskets, hygiene and cleaning products, and the transfer of public funds, strengthening the social role that has been attributed to them by recent education reforms: managing social problems. This research investigates in which aspects these school seems to have failed to assume its educational role, and how mothers of students broke with the racist stigmas of poverty and ignorance that have been historically attributed to them, to dispute the meanings of the school space as a place of rights, human dignity, and formation of social subjects who seek their humanization. In order to examine the hypothesis that schools have adopted assistentialism oriented practices instead of their educational role as a right, this research is based on the theoretical framework of educational psychology from a critical perspective and on semi-structured interviews with mothers of students at an elementary school in the city of São Paulo, who have been struggling with the meaning of education in the absence of a providing State. The analyses indicate that mothers have identified problems during the pandemic, such as authoritarian and assistentialism oriented practices that make the school\'s pedagogical work unfeasible, the difficulty of communication between schools and families, and the emptying of the meaning of education within a humanistic character. Above all, they also recognized the school as an ally that sees and validates their demands and needs, and they make a political demand for it: confrontation with these power relations that have as its horizon an education that produces consciousness that questions reality and collectively builds social subjects in the world and with the world.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSawaya, Sandra MariaManganotte, Marina Braguini2025-03-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-13052025-081419/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-18T13:32:02Zoai:teses.usp.br:tde-13052025-081419Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-18T13:32:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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