Perfil socioeconômico e clínico das doenças cerebrovasculares isquêmicas agudas - análise do Registro de Acidente Vascular Cerebral de Ribeirão Preto (REAVER)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Alves, Frederico Fernandes Alessio
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-27032025-102646/
Resumo: INTRODUÇÃO: As doenças cerebrovasculares são a segunda causa de morte no mundo e no Brasil, sendo que os tratamentos disponíveis atualmente permitem uma janela estreita de 4,5 horas para a abordagem do acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) e ataque isquêmico transitório (AIT). Inúmeros fatores de risco como sexo, idade, e comorbidades são descritos associados ao AVC, no entanto há escassez de dados sobre o impacto do estado socioeconômico individual e coletivo na doença. Ambas essas características, que impactam no atraso a admissão hospitalar, no desfecho funcional e nas chances de óbito, necessitam de análises para ampliar e aperfeiçoar as políticas de assistência ao AVC. A Unidade de Emergência (UE) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFRMP-USP) é referência para 26 cidades no tratamento ao AVC e concentra 38% dessas internações. Sendo assim, para que o atendimento na região seja organizado e os dados analisados, registros clínicos são necessários seguindo padrões que homogeneízem as interpretações e facilitem a aplicabilidade dos achados. Esse estudo objetiva analisar as características clínicas e socioeconômicas dos pacientes admitidos na UE com suspeita de AVCI ou AIT. MÉTODOS: Avaliaram-se os pacientes com AVCI ou AIT diagnosticados entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016, incluídos no REAVER. Foram obtidos dados préadmissionais, admissionais e em reavaliação pós 3 meses. Aplicou-se análise descritiva, univariada e multivariada para identificação dos fatores preditores independentes do tempo entre início dos sintomas e admissão hospitalar, boa capacidade funcional em 3 meses (considerada escala modificada de Rankin - mRS < 2), e óbito em 3 meses, bem como análise por sistema de informação geográfica. RESULTADOS: 494 pacientes, 449 AVCI e 45 AIT foram analisados. Mulheres compreenderam 43,52% e idade média foi 66,43 anos, com mediana de 4 anos de estudo (29,6% &ge; 8 anos). 32% exerciam atividade economicamente ativa, com R$ 375,00 mediana de renda per capita no domicílio - correspondente aos estratos socioeconômicos C, D, e E em 95,9% dos casos, sendo 50,6% socialmente vulneráveis - vivem em absoluta pobreza. 58,3% procedentes de Ribeirão Preto. Foram admitidos 46,2% em < 4,5 horas do início dos sintomas, dos quais 19,4% receberam alteplase endovenosa (rtPA EV) sob uma mediana do NIHSS de admissão de 8 pontos. A mortalidade dos AVCI foi de 15,8% intrahospitalar e 25,9% em 3 meses. Somente 35,1% recebeu alguma terapia de reabilitação, sendo 21,15% dos casos de AVCI com bom desfecho funcional - mRS < 2. Procedência de Ribeirão Preto (p<0,001), mRS prévio < 3 (p=0,021), história de arritmia cardíaca (p=0,012) e gravidade dos défices (p=0,019) foram fatores preditores de admissão hospitalar em < 4,5 horas do início dos sintomas. No subgrupo procedente Ribeirão Preto, história de diabetes mellitus (p=0,019) se associou ao atraso no tempo de admissão. No subgrupo procedente de demais cidades da região, renda per capita no domicílio (p=0,043) e PAM de admissão (p=0,027) foram preditores de menor tempo sintomas-admissão. Exercício de atividade economicamente ativa prévio (p=0,004) e trombólise endovenosa com rtPA (p=0,025) foram fatores preditores independentes de bom desfecho funcional - mRS < 2, após 3 meses; enquanto que história de dislipidemia (p=0,015) e gravidade dos défices (p<0,001) de pior desfecho. Idade (p=0,005), insuficiência cardíaca (p=0,018), gravidade dos défices (p<0,001), menor escolaridade - < 8 anos de estudo (p=0,043), e dependência funcional prévia - mRS < 3 (p<0,001), foram fatores preditores independentes de óbito em 3 meses. CONCLUSÕES: Características socioeconômicas além das comorbidades estão associadas a tempo de admissão e comprometimento funcional em 3 meses, incluindo óbito. São necessários estudos para ampliar uma análise populacional e permitir modificar a história da doença.
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spelling Perfil socioeconômico e clínico das doenças cerebrovasculares isquêmicas agudas - análise do Registro de Acidente Vascular Cerebral de Ribeirão Preto (REAVER)Socioeconomic and clinical profile of acute ischemic cerebrovascular diseases - analysis of the Ribeirão Preto Stroke Registry (REAVER)Acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI)Ataque isquêmico transitório (AIT)EpidemiologiaEpidemiologyEstado socioeconômicoIschemic stroke (IS)Socioeconomic status (SES)Transient ischemic attack (TIA)INTRODUÇÃO: As doenças cerebrovasculares são a segunda causa de morte no mundo e no Brasil, sendo que os tratamentos disponíveis atualmente permitem uma janela estreita de 4,5 horas para a abordagem do acidente vascular cerebral isquêmico (AVCI) e ataque isquêmico transitório (AIT). Inúmeros fatores de risco como sexo, idade, e comorbidades são descritos associados ao AVC, no entanto há escassez de dados sobre o impacto do estado socioeconômico individual e coletivo na doença. Ambas essas características, que impactam no atraso a admissão hospitalar, no desfecho funcional e nas chances de óbito, necessitam de análises para ampliar e aperfeiçoar as políticas de assistência ao AVC. A Unidade de Emergência (UE) do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (HCFRMP-USP) é referência para 26 cidades no tratamento ao AVC e concentra 38% dessas internações. Sendo assim, para que o atendimento na região seja organizado e os dados analisados, registros clínicos são necessários seguindo padrões que homogeneízem as interpretações e facilitem a aplicabilidade dos achados. Esse estudo objetiva analisar as características clínicas e socioeconômicas dos pacientes admitidos na UE com suspeita de AVCI ou AIT. MÉTODOS: Avaliaram-se os pacientes com AVCI ou AIT diagnosticados entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016, incluídos no REAVER. Foram obtidos dados préadmissionais, admissionais e em reavaliação pós 3 meses. Aplicou-se análise descritiva, univariada e multivariada para identificação dos fatores preditores independentes do tempo entre início dos sintomas e admissão hospitalar, boa capacidade funcional em 3 meses (considerada escala modificada de Rankin - mRS < 2), e óbito em 3 meses, bem como análise por sistema de informação geográfica. RESULTADOS: 494 pacientes, 449 AVCI e 45 AIT foram analisados. Mulheres compreenderam 43,52% e idade média foi 66,43 anos, com mediana de 4 anos de estudo (29,6% &ge; 8 anos). 32% exerciam atividade economicamente ativa, com R$ 375,00 mediana de renda per capita no domicílio - correspondente aos estratos socioeconômicos C, D, e E em 95,9% dos casos, sendo 50,6% socialmente vulneráveis - vivem em absoluta pobreza. 58,3% procedentes de Ribeirão Preto. Foram admitidos 46,2% em < 4,5 horas do início dos sintomas, dos quais 19,4% receberam alteplase endovenosa (rtPA EV) sob uma mediana do NIHSS de admissão de 8 pontos. A mortalidade dos AVCI foi de 15,8% intrahospitalar e 25,9% em 3 meses. Somente 35,1% recebeu alguma terapia de reabilitação, sendo 21,15% dos casos de AVCI com bom desfecho funcional - mRS < 2. Procedência de Ribeirão Preto (p<0,001), mRS prévio < 3 (p=0,021), história de arritmia cardíaca (p=0,012) e gravidade dos défices (p=0,019) foram fatores preditores de admissão hospitalar em < 4,5 horas do início dos sintomas. No subgrupo procedente Ribeirão Preto, história de diabetes mellitus (p=0,019) se associou ao atraso no tempo de admissão. No subgrupo procedente de demais cidades da região, renda per capita no domicílio (p=0,043) e PAM de admissão (p=0,027) foram preditores de menor tempo sintomas-admissão. Exercício de atividade economicamente ativa prévio (p=0,004) e trombólise endovenosa com rtPA (p=0,025) foram fatores preditores independentes de bom desfecho funcional - mRS < 2, após 3 meses; enquanto que história de dislipidemia (p=0,015) e gravidade dos défices (p<0,001) de pior desfecho. Idade (p=0,005), insuficiência cardíaca (p=0,018), gravidade dos défices (p<0,001), menor escolaridade - < 8 anos de estudo (p=0,043), e dependência funcional prévia - mRS < 3 (p<0,001), foram fatores preditores independentes de óbito em 3 meses. CONCLUSÕES: Características socioeconômicas além das comorbidades estão associadas a tempo de admissão e comprometimento funcional em 3 meses, incluindo óbito. São necessários estudos para ampliar uma análise populacional e permitir modificar a história da doença.BACKGROUND: Stroke is the second leading cause of death worldwide and in Brazil, and treatment for ischemic stroke (IS) and transient ischemic attack (TIA) available are indicated only until 4,5 hours from symptom onset. Various risk factors like age, gender, and prior medical history are associated with stroke, but there is a lack of data on socioeconomic status (SES) impact on the history of IS. Both risk factors and SES association with time from symptom onset-admission, functional impairment and casefatality must be analyzed in order to improve and expand public policies on stroke care. The Emergency Unit (UE) of the University of Hospital of the Ribeirão Preto Medical School - University of São Paulo (HCFMRP-USP) is the only comprehensive stroke center (CSC) available for 26 cities and concentrates 38% of stroke hospital admissions at the respective region. Therefore, clinical registries following established patterns and analysis are critical to identify needs and apply the findings on clinical protocols. This study aims to analyze the clinical and socioeconomical profiles of IS and TIA patients admitted at the UE. METHODS: We evaluated patients diagnosed with IS or TIA between January/2015 and January/2016, included at the REAVER. Data included information on past medical history, hospital admission, and 3-month evaluation. Statistical analysis included descriptive, univariate and multivariate to identify independent predictors of time of symptom onset-admission, functional outcome at 3 months (modified Rankin Scale - mRS < 2), and case-fatality. An analysis through geographical information system (GIS) was also performed. RESULTS: 494 patients, 449 IS and 45 TIA were analyzed. 43,52% were women, mean age 66,43 years-old, median 4 years of schooling (29,6% &ge; 8 years). 32% were economicalyy active, median household wage R$ 375,00 per capita - socioeconomical strata C, D, e E in 95,9% cases, among which 50,6% were socially vulnerable (absolute poverty). 58,3% came from Ribeirão Preto. 46,2% arrived under 4,5 hours from symptom onset, intravenous alteplase (IV rtPA) was administered on 19,4% of - 8 points median NIHSS. Inhospital case-fatality was 15,8% and 25,9% at 3 months. Only 35,1% patients went to rehabilitation, and 21,15% IS at 3 months had a mRS < 2. Patients who came from Ribeirão Preto (p<0,001), had a previous mRS < 3 (p=0,021), cardiac arrhythmia (p=0,012) and severe symptoms (p=0,019) were independent predictors of < 4,5 hours between symptom onset-admission. Within patients from Ribeirão Preto only, previous diabetes mellitus (p=0,019) was associated with a delay on time of arrrival. Within patients from the other cities of the region, household wage per capita (p=0,043) and blood pressure upon admission (p=0,027) were independent predictors of shorter time between symptom onset-admission. Previously economically active (p=0,004) and IV rtPA (p=0,025) were independent predictors of good functional outcome at 3 months - mRS < 2; while lipid disorder (p=0,015) and severe symptoms (p<0,001) were associated with worse outcome. Age (p=0,005), cardiac failure (p=0,018), severe symptoms (p<0,001), < 8 years of schooling (p=0,043), and previous functional dependence - mRS < 3 (p<0,001) were independently associated with case-fatality at 3 months. CONCLUSIONS: SES is associated, as well as previous medical history and risk factors, with time between symptom onset and hospital admission, and functional outcome at 3 months, including case-fatality. More studies are needed for a population analysis and enable changes on the natural course and intervention on the disease.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPontes Neto, Octávio MarquesAlves, Frederico Fernandes Alessio2017-06-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-27032025-102646/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-27T13:39:01Zoai:teses.usp.br:tde-27032025-102646Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-27T13:39:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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