Disparidades raciais da mortalidade durante a pandemia de COVID-19, no município de São Paulo
| Ano de defesa: | 2025 |
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Resumo: | Introdução: A pandemia de COVID-19 expôs e agravou desigualdades estruturais em saúde, com impactos desproporcionais entre grupos raciais e de gênero. O excesso de mortalidade emergiu como ferramenta analítica crucial para compreender os efeitos diretos e indiretos da pandemia, considerando não apenas os óbitos atribuídos ao vírus, mas também aqueles decorrentes da sobrecarga e interrupção dos serviços de saúde. Pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado que a população negra e de baixa renda enfrentam maior percentual de óbitos, reflexo de determinantes sociais históricos e do racismo estrutural. Tais evidências reforçam a necessidade de investigações aprofundadas sobre os padrões de mortalidade durante a pandemia, com ênfase na equidade racial e de gênero. Objetivo: Analisar o excesso da mortalidade associados a disparidade racial no contexto da pandemia por COVID-19, considerando os determinantes sociais da saúde entre o ano de 2020 a 2022, no município de São Paulo. Método: Trata-se de um estudo ecológico com dados de óbitos de residentes no Município de São Paulo - MSP ocorridos entre março de 2020 e dezembro de 2022, baseado em dados secundários extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram estudadas as variáveis: sexo (masculino e feminino); raça/cor (branca, negra, preta, parda); faixa etária (0-29, 30-59, 60-79, ≥ 80); causas de óbitos, de acordo com a codificação da CID-10, relacionadas com a COVID-19 (B34.2) e demais causas mais frequentes. Foram incluídos todos os óbitos de residentes do município de São Paulo com informação preenchida na variável raça/cor da Declaração de Óbito. Foi calculado o excesso de mortalidade para cada categoria de raça, a partir da diferença percentual entre a média de óbitos dos períodos de 2015-2019, que se refere à estimativa esperada de número de mortes, e o número de óbitos ocorridos (observados) durante a pandemia (2020 a 2022). Resultados: A pandemia de COVID-19 impactou significativamente a população pertencente às faixas etárias mais elevadas, entre os anos de 2020-2022, especialmente nos anos iniciais. Em 2020 e 2021, o excesso de mortalidade foi mais expressivo entre homens negros, com óbitos acima dos esperados elevados entre os idosos na faixa etária de 60-79 anos. Em 2020, as faixas de 70-79 e 80-89 anos concentraram as maiores proporções de óbitos, destacando-se os homens brancos e os homens pretos. Os homens pretos e os pardos apresentaram maior proporção de óbitos nas faixas etárias de 50-59 e 60-69 anos. Em 2021, a mortalidade por COVID-19 aumentou nas faixas (50-59 anos) em todas as raças, porém mais intensamente entre homens pardos e pretos. Apesar disso, as faixas de 70-79 anos continuaram com alta proporção dos óbitos em todas as raças, principalmente entre homens brancos. Em termos de excesso de mortalidade, em 2021, os homens pretos foram mais afetados nas faixas etárias de 60-79 anos. Em 2022, com o avanço da vacinação, observou-se uma redução na mortalidade. As faixas etárias de 60 anos e mais continuaram sendo as mais afetadas com excesso de mortalidade. Observou-se a evolução dos excessos de óbitos das mulheres negras nas faixas etárias de 0-29 anos em 2022, em relação aos anos de 2020 e 2021. Em relação ao excesso de óbitos por causa de morte, em 2020, o excesso de óbitos foi mais acentuado na população negra, com destaque para mortes por diabetes e outras causas, enquanto entre brancos observaram-se reduções em doenças cerebrovasculares, hipertensivas e neoplasias. Em 2021, o padrão desigual persistiu, com maior impacto entre pretos e pardos, especialmente por diabetes, doenças hipertensivas e respiratórias. Em 2022, houve aumento generalizado do excesso de mortalidade, com destaque para a população preta e parda. Conclusão: Este estudo identificou um excesso de mortalidade desproporcional entre homens negros no município de São Paulo durante a pandemia de COVID-19, especialmente em 2020 e 2021. Apesar da redução de óbitos com o avanço da vacinação em 2022, as desigualdades raciais persistiram, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade na saúde. |
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Disparidades raciais da mortalidade durante a pandemia de COVID-19, no município de São PauloRacial disparities in mortality during the COVID-19 pandemic in the municipality of São PauloBlack PopulationCOVID-19COVID-19Excess MortalityExcesso de MortalidadeMorbidadeMorbidityMortalidadeMortalityPopulação NegraIntrodução: A pandemia de COVID-19 expôs e agravou desigualdades estruturais em saúde, com impactos desproporcionais entre grupos raciais e de gênero. O excesso de mortalidade emergiu como ferramenta analítica crucial para compreender os efeitos diretos e indiretos da pandemia, considerando não apenas os óbitos atribuídos ao vírus, mas também aqueles decorrentes da sobrecarga e interrupção dos serviços de saúde. Pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado que a população negra e de baixa renda enfrentam maior percentual de óbitos, reflexo de determinantes sociais históricos e do racismo estrutural. Tais evidências reforçam a necessidade de investigações aprofundadas sobre os padrões de mortalidade durante a pandemia, com ênfase na equidade racial e de gênero. Objetivo: Analisar o excesso da mortalidade associados a disparidade racial no contexto da pandemia por COVID-19, considerando os determinantes sociais da saúde entre o ano de 2020 a 2022, no município de São Paulo. Método: Trata-se de um estudo ecológico com dados de óbitos de residentes no Município de São Paulo - MSP ocorridos entre março de 2020 e dezembro de 2022, baseado em dados secundários extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram estudadas as variáveis: sexo (masculino e feminino); raça/cor (branca, negra, preta, parda); faixa etária (0-29, 30-59, 60-79, ≥ 80); causas de óbitos, de acordo com a codificação da CID-10, relacionadas com a COVID-19 (B34.2) e demais causas mais frequentes. Foram incluídos todos os óbitos de residentes do município de São Paulo com informação preenchida na variável raça/cor da Declaração de Óbito. Foi calculado o excesso de mortalidade para cada categoria de raça, a partir da diferença percentual entre a média de óbitos dos períodos de 2015-2019, que se refere à estimativa esperada de número de mortes, e o número de óbitos ocorridos (observados) durante a pandemia (2020 a 2022). Resultados: A pandemia de COVID-19 impactou significativamente a população pertencente às faixas etárias mais elevadas, entre os anos de 2020-2022, especialmente nos anos iniciais. Em 2020 e 2021, o excesso de mortalidade foi mais expressivo entre homens negros, com óbitos acima dos esperados elevados entre os idosos na faixa etária de 60-79 anos. Em 2020, as faixas de 70-79 e 80-89 anos concentraram as maiores proporções de óbitos, destacando-se os homens brancos e os homens pretos. Os homens pretos e os pardos apresentaram maior proporção de óbitos nas faixas etárias de 50-59 e 60-69 anos. Em 2021, a mortalidade por COVID-19 aumentou nas faixas (50-59 anos) em todas as raças, porém mais intensamente entre homens pardos e pretos. Apesar disso, as faixas de 70-79 anos continuaram com alta proporção dos óbitos em todas as raças, principalmente entre homens brancos. Em termos de excesso de mortalidade, em 2021, os homens pretos foram mais afetados nas faixas etárias de 60-79 anos. Em 2022, com o avanço da vacinação, observou-se uma redução na mortalidade. As faixas etárias de 60 anos e mais continuaram sendo as mais afetadas com excesso de mortalidade. Observou-se a evolução dos excessos de óbitos das mulheres negras nas faixas etárias de 0-29 anos em 2022, em relação aos anos de 2020 e 2021. Em relação ao excesso de óbitos por causa de morte, em 2020, o excesso de óbitos foi mais acentuado na população negra, com destaque para mortes por diabetes e outras causas, enquanto entre brancos observaram-se reduções em doenças cerebrovasculares, hipertensivas e neoplasias. Em 2021, o padrão desigual persistiu, com maior impacto entre pretos e pardos, especialmente por diabetes, doenças hipertensivas e respiratórias. Em 2022, houve aumento generalizado do excesso de mortalidade, com destaque para a população preta e parda. Conclusão: Este estudo identificou um excesso de mortalidade desproporcional entre homens negros no município de São Paulo durante a pandemia de COVID-19, especialmente em 2020 e 2021. Apesar da redução de óbitos com o avanço da vacinação em 2022, as desigualdades raciais persistiram, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade na saúde.Introduction: The COVID-19 pandemic exposed and exacerbated structural health inequalities, disproportionately affecting racial and gender groups. Excess mortality emerged as a crucial analytical tool to understand both the direct and indirect effects of the pandemic, encompassing not only deaths attributed to the virus but also those resulting from the overload and interruption of healthcare services. National and international research has shown that Black and low-income populations have experienced higher mortality rates, reflecting historical social determinants and structural racism. These findings underscore the importance of further investigation into mortality patterns during the pandemic, with an emphasis on racial and gender equity. Objective: To analyze excess mortality associated with racial disparities in the context of the COVID-19 pandemic, considering the social determinants of health between 2020 and 2022 in the municipality of São Paulo. Methods: This ecological study analyzed death records of residents in the municipality of São Paulo who died between March 2020 and December 2022, based on secondary data from the Mortality Information System (SIM). The following variables were studied: sex (male and female); race/color (white, Black, brown); age group (0-29, 30-59, 6-079, ≥80 years); and causes of death, according to ICD-10 coding, related to COVID-19 (B34.2) and other most frequent causes. All deaths with information on race/color recorded on the death certificate were included. Excess mortality was calculated for each racial group based on the percentage difference between the average number of deaths from 2015 to 2019 (expected) and the number of deaths observed during the pandemic (2020 to 2022). Results: The COVID-19 pandemic significantly impacted older age groups between 2020 and 2022, especially in its initial years. In 2020 and 2021, excess mortality was more pronounced among Black men, particularly among those aged 6079 years. In 2020, the highest proportions of deaths were observed in the 7079 and 8089 age groups, especially among white and Black men. Black and brown men also presented higher proportions of deaths in the 5059 and 6069 age groups. In 2021, COVID-19 mortality increased in the 5059 age group across all racial groups, with greater intensity among Black and brown men. Nevertheless, the 7079 age group continued to show a high proportion of deaths, particularly among white men. Regarding excess mortality in 2021, Black men were most affected in the 6079 age range. In 2022, following the progress of vaccination, a reduction in overall mortality was observed; however, individuals aged 60 and over remained the most affected in terms of excess mortality. An increase in excess mortality was also observed among Black women aged 029 years in 2022, compared to 2020 and 2021. Regarding excess mortality by cause of death, in 2020, it was more pronounced among the Black population, particularly due to diabetes and other causes, while among whites there were reductions in deaths from cerebrovascular diseases, hypertensive diseases, and neoplasms. In 2021, this unequal pattern persisted, with a greater impact among Black and brown individuals, especially in deaths from diabetes, hypertensive, and respiratory diseases. In 2022, a generalized increase in excess mortality was observed, with the highest rates among Black and brown populations. Conclusion: This study identified disproportionate excess mortality among Black men in the municipality of São Paulo during the COVID-19 pandemic, especially in 2020 and 2021. Despite a reduction in deaths following vaccination advances in 2022, racial disparities persisted, reinforcing the need for public policies that promote health equity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Zilda Pereira daCirino, Camila Fernanda2025-07-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-01102025-143231/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-01T17:40:02Zoai:teses.usp.br:tde-01102025-143231Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-01T17:40:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A pandemia de COVID-19 expôs e agravou desigualdades estruturais em saúde, com impactos desproporcionais entre grupos raciais e de gênero. O excesso de mortalidade emergiu como ferramenta analítica crucial para compreender os efeitos diretos e indiretos da pandemia, considerando não apenas os óbitos atribuídos ao vírus, mas também aqueles decorrentes da sobrecarga e interrupção dos serviços de saúde. Pesquisas nacionais e internacionais têm demonstrado que a população negra e de baixa renda enfrentam maior percentual de óbitos, reflexo de determinantes sociais históricos e do racismo estrutural. Tais evidências reforçam a necessidade de investigações aprofundadas sobre os padrões de mortalidade durante a pandemia, com ênfase na equidade racial e de gênero. Objetivo: Analisar o excesso da mortalidade associados a disparidade racial no contexto da pandemia por COVID-19, considerando os determinantes sociais da saúde entre o ano de 2020 a 2022, no município de São Paulo. Método: Trata-se de um estudo ecológico com dados de óbitos de residentes no Município de São Paulo - MSP ocorridos entre março de 2020 e dezembro de 2022, baseado em dados secundários extraídos do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM). Foram estudadas as variáveis: sexo (masculino e feminino); raça/cor (branca, negra, preta, parda); faixa etária (0-29, 30-59, 60-79, ≥ 80); causas de óbitos, de acordo com a codificação da CID-10, relacionadas com a COVID-19 (B34.2) e demais causas mais frequentes. Foram incluídos todos os óbitos de residentes do município de São Paulo com informação preenchida na variável raça/cor da Declaração de Óbito. Foi calculado o excesso de mortalidade para cada categoria de raça, a partir da diferença percentual entre a média de óbitos dos períodos de 2015-2019, que se refere à estimativa esperada de número de mortes, e o número de óbitos ocorridos (observados) durante a pandemia (2020 a 2022). Resultados: A pandemia de COVID-19 impactou significativamente a população pertencente às faixas etárias mais elevadas, entre os anos de 2020-2022, especialmente nos anos iniciais. Em 2020 e 2021, o excesso de mortalidade foi mais expressivo entre homens negros, com óbitos acima dos esperados elevados entre os idosos na faixa etária de 60-79 anos. Em 2020, as faixas de 70-79 e 80-89 anos concentraram as maiores proporções de óbitos, destacando-se os homens brancos e os homens pretos. Os homens pretos e os pardos apresentaram maior proporção de óbitos nas faixas etárias de 50-59 e 60-69 anos. Em 2021, a mortalidade por COVID-19 aumentou nas faixas (50-59 anos) em todas as raças, porém mais intensamente entre homens pardos e pretos. Apesar disso, as faixas de 70-79 anos continuaram com alta proporção dos óbitos em todas as raças, principalmente entre homens brancos. Em termos de excesso de mortalidade, em 2021, os homens pretos foram mais afetados nas faixas etárias de 60-79 anos. Em 2022, com o avanço da vacinação, observou-se uma redução na mortalidade. As faixas etárias de 60 anos e mais continuaram sendo as mais afetadas com excesso de mortalidade. Observou-se a evolução dos excessos de óbitos das mulheres negras nas faixas etárias de 0-29 anos em 2022, em relação aos anos de 2020 e 2021. Em relação ao excesso de óbitos por causa de morte, em 2020, o excesso de óbitos foi mais acentuado na população negra, com destaque para mortes por diabetes e outras causas, enquanto entre brancos observaram-se reduções em doenças cerebrovasculares, hipertensivas e neoplasias. Em 2021, o padrão desigual persistiu, com maior impacto entre pretos e pardos, especialmente por diabetes, doenças hipertensivas e respiratórias. Em 2022, houve aumento generalizado do excesso de mortalidade, com destaque para a população preta e parda. Conclusão: Este estudo identificou um excesso de mortalidade desproporcional entre homens negros no município de São Paulo durante a pandemia de COVID-19, especialmente em 2020 e 2021. Apesar da redução de óbitos com o avanço da vacinação em 2022, as desigualdades raciais persistiram, reforçando a necessidade de políticas públicas que promovam a equidade na saúde. |
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