O estilo em Matemática: pessoalidade, criação e ensino

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Cruz, Márcia de Oliveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-29062012-161636/
Resumo: Este trabalho consiste numa investigação teórica sobre o estatuto do estilo em Matemática e seus desdobramentos sobre o ensino da disciplina. De início, o problema com o qual nos deparamos foi a própria pertinência do tema, a viabilidade do seu estudo. Assumindo a hipótese de que o estilo é uma manifestação da pessoalidade, como tratar dele no âmbito de uma disciplina cuja linguagem não comporta os elementos expressivos que transformam um texto numa mensagem pessoal? Como apreender um estilo se conteúdos matemáticos são despojados das perspectivas pessoais daqueles que os vislumbram? Com tais perguntas no horizonte, buscamos reunir argumentos que mostrassem a coerência e a relevância do estudo do estilo em Matemática. Para isso, as reflexões de Granger, Lorenzo e Moisés foram essenciais. Dedicamo-nos também a ressaltar o núcleo existente entre o estilo, a pessoalidade, o trabalho e a criação. No plano da pessoalidade, com Marías e Ortega y Gasset, discorremos sobre o estilo vital, um modo de ser singular que rege tacitamente nossas ações e decisões. Mostramos que trabalhar criativamente e utilizar as técnicas com consciência concedem ao homem a oportunidade de dar sentido a sua existência. Para fazê-lo é preciso, sem dúvida, recorrer à palavra, pois, como vimos com Ricoeur, nela reside o poder de superar os impasses de ordem técnica ou de resgatar o sentido de um trabalho que se tornou maquinal. Quanto à criação, compreendemo-la como realização das potencialidades individuais; além disso, mostramos que ações como imitar, repetir e copiar são meios para se alcançar a autonomia nos processos criativos, inclusive na sala de aula. Partindo do princípio de George Steiner de que criar é iniciar algo novo e de que o professor é responsável pela iniciação intelectual e espiritual de seus alunos, pretendemos que o trabalho docente seja um exercício de criação, um espaço para a emergência de um estilo. Baseando-nos na dualidade existente entre o estilo e a cosmovisão, mostramos que as concepções de conhecimento, de ensino-aprendizagem e de Matemática se articulam de maneira única em cada professor, delineando os contornos dos significados que ele articula em sala de aula e, consequentemente, a singularidade de seu estilo. Em função da crescente presença das tecnologias informáticas na escola e das mudanças que têm acarretado na RESUMO função do professor, com a consequente perda de nitidez de seu papel, propomos que ele atue como um artífice contemporâneo e que a aula de Matemática transcorra nos moldes de uma oficina. A valorização das diferenças pessoais implica, naturalmente, a não existência de um estilo correto, o que não significa ausência de parâmetros para balizar a ação docente. Pelo contrário, sob as diferenças existem traços que são invariantes, e que caracterizam o estilo do bom professor. Entre eles, podemos apontar: ter iniciativa, ter interesse pelos mais diversos assuntos, estar comprometido com a verdade e inspirar os estudantes. Acreditamos que o autêntico mestre é aquele cujo estilo contribui para o crescimento não só do conhecimento, mas também da pessoalidade do aluno.
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Para isso, as reflexões de Granger, Lorenzo e Moisés foram essenciais. Dedicamo-nos também a ressaltar o núcleo existente entre o estilo, a pessoalidade, o trabalho e a criação. No plano da pessoalidade, com Marías e Ortega y Gasset, discorremos sobre o estilo vital, um modo de ser singular que rege tacitamente nossas ações e decisões. Mostramos que trabalhar criativamente e utilizar as técnicas com consciência concedem ao homem a oportunidade de dar sentido a sua existência. Para fazê-lo é preciso, sem dúvida, recorrer à palavra, pois, como vimos com Ricoeur, nela reside o poder de superar os impasses de ordem técnica ou de resgatar o sentido de um trabalho que se tornou maquinal. Quanto à criação, compreendemo-la como realização das potencialidades individuais; além disso, mostramos que ações como imitar, repetir e copiar são meios para se alcançar a autonomia nos processos criativos, inclusive na sala de aula. Partindo do princípio de George Steiner de que criar é iniciar algo novo e de que o professor é responsável pela iniciação intelectual e espiritual de seus alunos, pretendemos que o trabalho docente seja um exercício de criação, um espaço para a emergência de um estilo. Baseando-nos na dualidade existente entre o estilo e a cosmovisão, mostramos que as concepções de conhecimento, de ensino-aprendizagem e de Matemática se articulam de maneira única em cada professor, delineando os contornos dos significados que ele articula em sala de aula e, consequentemente, a singularidade de seu estilo. Em função da crescente presença das tecnologias informáticas na escola e das mudanças que têm acarretado na RESUMO função do professor, com a consequente perda de nitidez de seu papel, propomos que ele atue como um artífice contemporâneo e que a aula de Matemática transcorra nos moldes de uma oficina. A valorização das diferenças pessoais implica, naturalmente, a não existência de um estilo correto, o que não significa ausência de parâmetros para balizar a ação docente. Pelo contrário, sob as diferenças existem traços que são invariantes, e que caracterizam o estilo do bom professor. Entre eles, podemos apontar: ter iniciativa, ter interesse pelos mais diversos assuntos, estar comprometido com a verdade e inspirar os estudantes. Acreditamos que o autêntico mestre é aquele cujo estilo contribui para o crescimento não só do conhecimento, mas também da pessoalidade do aluno.Here we try a theoretical investigation on the statute of style in Mathematics and its unfoldings in the teaching of this subject. At first, we faced the issue of its relevancy and the possibility of succeeding in studying it. Taking for granted the hypothesis that the style is a manifestation of the selfhood, how could we deal with style in the field of Mathematics if its language is far from being able to change able to change a text into a personal message? How could we apprehend any style if the mathematical contents do not allow the coming personal features of those who look into them? With these questions in mind, we have looked for arguments which could demonstrate the coherence and the importance of studying the style in Mathematics. The reflections of Granger, Lorenzo and Moisés were essential to do so. We have pointed out that there is a nucleus consisted of style, selfhood, work and creation. Based on Marías and Ortega y Gassets writings, we discoursed on a vital style, a manner of being unique with implicitly rules our behavior. We tried to demonstrate that working creatively and utilizing techniques with criteria allow one to have the opportunity of giving their existence a meaning. In so doing, it is necessary to make use of words for, according to Ricoeur, they are indispensable for overcoming technical impasses or for rescuing the meaning in a work that has become mechanical. We think of creation as a fulfillment of personal potentialities, besides, we have demonstrate that acts such imitating, repeating and copying are means to reach autonomy in creative processes, including classrooms situations. According to George Steiner, creating is beginning a new something and the teacher is responsible for the intellectual and spiritual initiation of their students. We also believe that the teaching process is an exercise of creation, a space which allows the emergency of a style. Based on the duality consisted of style and cosmovision, we have demonstrated that the concepts of knowledge, teaching-learning and Mathematics are all articulated in a unique way in each and every teacher, and the teacher delineates the outlines of the meaningful concepts that are presented before the students, and thus a personal style. The growing role that technology plays inside the school and the consequent changes that it causes to a teachers function has made them less distinct and therefore, we ABSTRACT propose that they act as a contemporary artisan and that mathematics class functions as a workshop. The valuing of personal differences implies, naturally, the inexistence of a correct style. Nevertheless, it does not imply the inexistence of parameters for judging the teachers actions. On the contrary, there are invariable traces underneath the differences that characterize the style of a good teacher. Among those, we can include having initiative, interest in various subjects, commitment to the truth and inspiring the students. We believe that the authentic master is the one whose style can contribute to increase not only a students knowledge, but also their selfhood.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMachado, Nilson JoseCruz, Márcia de Oliveira2012-05-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48134/tde-29062012-161636/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:31Zoai:teses.usp.br:tde-29062012-161636Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:31Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description Este trabalho consiste numa investigação teórica sobre o estatuto do estilo em Matemática e seus desdobramentos sobre o ensino da disciplina. De início, o problema com o qual nos deparamos foi a própria pertinência do tema, a viabilidade do seu estudo. Assumindo a hipótese de que o estilo é uma manifestação da pessoalidade, como tratar dele no âmbito de uma disciplina cuja linguagem não comporta os elementos expressivos que transformam um texto numa mensagem pessoal? Como apreender um estilo se conteúdos matemáticos são despojados das perspectivas pessoais daqueles que os vislumbram? Com tais perguntas no horizonte, buscamos reunir argumentos que mostrassem a coerência e a relevância do estudo do estilo em Matemática. Para isso, as reflexões de Granger, Lorenzo e Moisés foram essenciais. Dedicamo-nos também a ressaltar o núcleo existente entre o estilo, a pessoalidade, o trabalho e a criação. No plano da pessoalidade, com Marías e Ortega y Gasset, discorremos sobre o estilo vital, um modo de ser singular que rege tacitamente nossas ações e decisões. Mostramos que trabalhar criativamente e utilizar as técnicas com consciência concedem ao homem a oportunidade de dar sentido a sua existência. Para fazê-lo é preciso, sem dúvida, recorrer à palavra, pois, como vimos com Ricoeur, nela reside o poder de superar os impasses de ordem técnica ou de resgatar o sentido de um trabalho que se tornou maquinal. Quanto à criação, compreendemo-la como realização das potencialidades individuais; além disso, mostramos que ações como imitar, repetir e copiar são meios para se alcançar a autonomia nos processos criativos, inclusive na sala de aula. Partindo do princípio de George Steiner de que criar é iniciar algo novo e de que o professor é responsável pela iniciação intelectual e espiritual de seus alunos, pretendemos que o trabalho docente seja um exercício de criação, um espaço para a emergência de um estilo. Baseando-nos na dualidade existente entre o estilo e a cosmovisão, mostramos que as concepções de conhecimento, de ensino-aprendizagem e de Matemática se articulam de maneira única em cada professor, delineando os contornos dos significados que ele articula em sala de aula e, consequentemente, a singularidade de seu estilo. Em função da crescente presença das tecnologias informáticas na escola e das mudanças que têm acarretado na RESUMO função do professor, com a consequente perda de nitidez de seu papel, propomos que ele atue como um artífice contemporâneo e que a aula de Matemática transcorra nos moldes de uma oficina. A valorização das diferenças pessoais implica, naturalmente, a não existência de um estilo correto, o que não significa ausência de parâmetros para balizar a ação docente. Pelo contrário, sob as diferenças existem traços que são invariantes, e que caracterizam o estilo do bom professor. Entre eles, podemos apontar: ter iniciativa, ter interesse pelos mais diversos assuntos, estar comprometido com a verdade e inspirar os estudantes. Acreditamos que o autêntico mestre é aquele cujo estilo contribui para o crescimento não só do conhecimento, mas também da pessoalidade do aluno.
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