O corpo em movimento na capoeira

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2011
Autor(a) principal: Alves, Flávio Soares
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/39/39133/tde-30012012-150556/
Resumo: Propomos investigar o corpo em movimento na capoeira, atentos às práticas de constituição/invenção do capoeirista. Acompanhamos grupos de capoeira Angola e Regional nas cidades de São Paulo, Piracicaba, Botucatu e Jaú. O princípio da cartografia (DELEUZE; GUATTARI, 1995a) mobilizou a investigação, permitindo lançar a proposição de partida de um modo implicado, em que pesquisador e sujeitos, intenções e devires se envolveram junto à capoeira. A partir deste envolvimento, os relatórios foram sendo forjados (diários e entrevistas gravadas), dando testemunho e visibilidade aos movimentos feitos entre pesquisador e sujeitos. A escritura da pesquisa mergulhou nas relações e nas singularidades descobertas nos relatórios produzidos, fazendo emergir ideias e multiplicidades. Observamos que não se alcança a capoeira como prática da existência se o capoeirista não dedica seus esforços e suas potencialidades na experiência de movimento com a capoeira, o que reclama por uma disposição e cultivo desta prática. O cultivo cresce com o auscultar de uma vontade de aprender, que chama a atenção do sujeito para ocupar-se consigo junto à prática que o instiga. Deste referencial irredutível o corpo que se ocupa consigo o sujeito se lança à relação com o mestre e com o grupo, e assim, coletivamente, a capoeira surge como movimento e, enquanto tal, coloca o capoeirista face aos desafios que atravessam os relacionamentos, alertando-o sobre a necessidade de se virar. Nas fases iniciais de aprendizagem, o aprendiz tem dificuldades para lidar com esta necessidade. A preparação física e técnica tentam controlá-la, mas os relacionamentos exigem certa disposição ao imprevisível, a qual só o corpo receptivo suporta. A ginga desperta a atuação do corpo receptivo; o ritmo e a música intensificam-na, expondo o movimento frente ao porvir dos relacionamentos. A vadiação e a aprendizagem da malícia e da dissimulação se alimentam desta exposição; a roda as introduz dentro de um ritual. Ao se ocupar com o corpo receptivo, o capoeirista lapida seus modos de ser, inventando a graça de seu viver junto à prática que escolheu tomar para si. O corpo receptivo é o agente furtivo desta invenção, pois movimenta as potências que correm sob as habilidades treinadas e automatizadas, deslocando-as indefinidamente
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A escritura da pesquisa mergulhou nas relações e nas singularidades descobertas nos relatórios produzidos, fazendo emergir ideias e multiplicidades. Observamos que não se alcança a capoeira como prática da existência se o capoeirista não dedica seus esforços e suas potencialidades na experiência de movimento com a capoeira, o que reclama por uma disposição e cultivo desta prática. O cultivo cresce com o auscultar de uma vontade de aprender, que chama a atenção do sujeito para ocupar-se consigo junto à prática que o instiga. Deste referencial irredutível o corpo que se ocupa consigo o sujeito se lança à relação com o mestre e com o grupo, e assim, coletivamente, a capoeira surge como movimento e, enquanto tal, coloca o capoeirista face aos desafios que atravessam os relacionamentos, alertando-o sobre a necessidade de se virar. Nas fases iniciais de aprendizagem, o aprendiz tem dificuldades para lidar com esta necessidade. A preparação física e técnica tentam controlá-la, mas os relacionamentos exigem certa disposição ao imprevisível, a qual só o corpo receptivo suporta. A ginga desperta a atuação do corpo receptivo; o ritmo e a música intensificam-na, expondo o movimento frente ao porvir dos relacionamentos. A vadiação e a aprendizagem da malícia e da dissimulação se alimentam desta exposição; a roda as introduz dentro de um ritual. Ao se ocupar com o corpo receptivo, o capoeirista lapida seus modos de ser, inventando a graça de seu viver junto à prática que escolheu tomar para si. O corpo receptivo é o agente furtivo desta invenção, pois movimenta as potências que correm sob as habilidades treinadas e automatizadas, deslocando-as indefinidamenteThrough this research we propose to investigate the body in movement on capoeira, highlighting the practices of constitution/invention of the capoeirista (the capoeira player). We have researched groups of capoeira Angola and Regional, in the cities of São Paulo, Piracicaba, Botucatu and Jaú. The principles of cartography (DELEUZE;GUATTARI, 1995a) have mobilized this investigation, making possible the start of the initial proposal within an implication field, in which researcher and individual plus intention and to becoming have gotten involved with capoeira. From this involvement the reports have been forged (daily and recorded interviews), witnessing an implicated visibility between researcher and individuals. The research writing have gotten deep in the relations and singularities discovered in the reporting that have been produced, making possible the emerging of ideas and multiplicities. We have observed that the capoeira can not be reached as a practice of existence if the capoeirista do not dedicate his efforts and potentialities in the movement experience with the capoeira, what asks for a disposition and cultivation of this practice. The cultivation grows with a listening of a learning will, what gets the individual attention to worry about self along with the practice that encourages him. From this irreducible reference - the body that worries about self - the individual projects himself into a relation with the master and the group. Therefore, collectively the capoeira pops up as movement while makes the capoeirista face the challenges that cross the relationships, alerting him about the necessity of coping with the unexpected. During the initial levels, the learner shows difficulties to deal with this necessity. The body fitness and technical skills try to control it, but the relationships demand a certain disposition to face the unexpected, which only a receptive body can handle. The swing (ginga) rouses the receptive body performance; the rhythm and music intensifies it, exposing the movement against the relationships coming. The vagrancy, the malice and dissimulation learning feed themselves in this exposition; the circle introduces it in a ritual field. When the capoeirista is worrying about the receptive body he lapidates himself, inventing the grace of his living along with the practice he has chosen for his life. The receptive body is the furtive agent of this invention for it moves the power that runs under the trained and automatized abilities, dislocating them indefinitelBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarvalho, Yara Maria deAlves, Flávio Soares2011-11-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/39/39133/tde-30012012-150556/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:30Zoai:teses.usp.br:tde-30012012-150556Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:30Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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