Para além dos turistas: mobilizando os trabalhadores do turismo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Costa, Juliana Carneiro da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100140/tde-20112025-174401/
Resumo: Esta tese propõe uma virada epistemológica no campo do turismo: compreender o turismo pelo trabalhador. Parte-se da premissa de que o território do turismo é mais amplo do que o do turista (Fratucci, 2008), e os trabalhadores são protagonistas na mediação, construção e sustentação do acontecer turístico. Para tal, a pesquisa se ancora no Paradigma das Novas Mobilidades (Sheller & Urry, 2006; Cresswell, 2010a) e Turismo (Allis, 2016), acionando debates sobre trabalho imaterial, performático e emocional (Gorz, 2005; Hochschild, 2012), hospitalidade (Camargo, 2006; Molz & Gibson, 2007) e turismo como fenômeno socioespacial (Fratucci, 2014; Moesch, 2001). Metodologicamente, adota-se o acompanhamento no turismo, inspirado no sombreamento de Paola Jirón (2012), combinando observação participante, entrevistas em movimento e registros fotográficos. Foram realizados quinze acompanhamentos etnográficos com oito guias que atuam na cidade do Rio de Janeiro durante um dia de tour, com entrevistas antes e depois. A partir de tais incursões, construiu-se uma etnografia móvel e multissituada, sensível aos ritmos urbanos, aos improvisos e às relações tecidas no trabalho do guia. Seguindo os passos e ideias desses profissionais pela cidade, revelou-se um ofício performático, emocional e político. Guiar não é apenas conduzir roteiros: é mobilizar corpo, voz, afetos e narrativas para traduzir a cidade ao turista, a si mesmos e ao território. Entre o ordinário e o extraordinário, enfrentam imprevistos e elaboram-se sentidos, negociando-os continuamente. Invisibilidades e sobrecargas convivem com vínculos, cuidados e potências. Propôs-se, assim, o conceito de olhar mediador do guia: uma forma de ver, escutar e narrar a cidade que é situada, corporificada e relacional. Assim, reconhecê-los como sujeitos políticos é entender que eles não apenas viabilizam o turismo, mas o sustentam com seus corpos. Desse modo, conclui-se que incluir os trabalhadores no centro da análise é condição essencial para compreender o turístico em sua complexidade urbana, relacional e epistemológica.
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spelling Para além dos turistas: mobilizando os trabalhadores do turismoBeyond the tourists: mobilizing tourism workersEpistemologia do turismoEpistemology of tourismGuias de turismoMetodologias do turismoMobilidades turísticasRio de JaneiroRio de JaneiroTour guidesTourism methodologiesTourism mobilitiesTourism workTrabalho no turismoEsta tese propõe uma virada epistemológica no campo do turismo: compreender o turismo pelo trabalhador. Parte-se da premissa de que o território do turismo é mais amplo do que o do turista (Fratucci, 2008), e os trabalhadores são protagonistas na mediação, construção e sustentação do acontecer turístico. Para tal, a pesquisa se ancora no Paradigma das Novas Mobilidades (Sheller & Urry, 2006; Cresswell, 2010a) e Turismo (Allis, 2016), acionando debates sobre trabalho imaterial, performático e emocional (Gorz, 2005; Hochschild, 2012), hospitalidade (Camargo, 2006; Molz & Gibson, 2007) e turismo como fenômeno socioespacial (Fratucci, 2014; Moesch, 2001). Metodologicamente, adota-se o acompanhamento no turismo, inspirado no sombreamento de Paola Jirón (2012), combinando observação participante, entrevistas em movimento e registros fotográficos. Foram realizados quinze acompanhamentos etnográficos com oito guias que atuam na cidade do Rio de Janeiro durante um dia de tour, com entrevistas antes e depois. A partir de tais incursões, construiu-se uma etnografia móvel e multissituada, sensível aos ritmos urbanos, aos improvisos e às relações tecidas no trabalho do guia. Seguindo os passos e ideias desses profissionais pela cidade, revelou-se um ofício performático, emocional e político. Guiar não é apenas conduzir roteiros: é mobilizar corpo, voz, afetos e narrativas para traduzir a cidade ao turista, a si mesmos e ao território. Entre o ordinário e o extraordinário, enfrentam imprevistos e elaboram-se sentidos, negociando-os continuamente. Invisibilidades e sobrecargas convivem com vínculos, cuidados e potências. Propôs-se, assim, o conceito de olhar mediador do guia: uma forma de ver, escutar e narrar a cidade que é situada, corporificada e relacional. Assim, reconhecê-los como sujeitos políticos é entender que eles não apenas viabilizam o turismo, mas o sustentam com seus corpos. Desse modo, conclui-se que incluir os trabalhadores no centro da análise é condição essencial para compreender o turístico em sua complexidade urbana, relacional e epistemológica.This thesis proposes an epistemological shift in the field of tourism: to understand tourism through the worker. It begins from the premise that the territory of tourism is broader than that of the tourist (Fratucci, 2008), and that workers are protagonists in mediating, constructing, and sustaining the tourism process. To do so, the research is grounded in the New Mobilities Paradigm (Sheller & Urry, 2006; Cresswell, 2010a) and Tourism Mobilities (Allis, 2016), drawing on concepts of immaterial, performative, and emotional labor (Gorz, 2005; Hochschild, 2012), hospitality (Camargo, 2006; Molz & Gibson, 2007), and tourism as a socio-spatial phenomenon (Fratucci, 2014; Moesch, 2001). Methodologically, the study adopts shadowing in tourism, inspired by Paola Jiróns (2012) shadowing approach, combining participant observation, go-along interviews, and photographic records. Fifteen ethnographic accompaniments were conducted with eight tour guides working in the city of Rio de Janeiro during a full day of tour, with interviews held before and after each outing. These incursions resulted in a mobile multisited ethnography attuned to urban rhythms, improvisations, and the relationships woven through the guides work. Following these professionals steps and ideas throughout the city revealed a performative, emotional, and political craft. Guiding is not merely leading itineraries: it is mobilizing body, voice, affects, and narratives to translate the city to the tourist, to themselves, and to the territory. Between the ordinary and the extraordinary, they confront contingencies, construct meanings, and negotiate them continuously. Invisibilities and overloads coexist with bonds, care, and forms of agency. From this, the concept of the guides mediating gaze is proposed: a way of seeing, listening, and narrating the city that is situated, embodied, and relational. Recognizing guides as political subjects means understanding that they not only enable tourism but sustain it with their bodies. Thus, the thesis concludes that placing workers at the center of analysis is essential to understanding the tourist phenomenon in its urban, relational, and epistemological complexity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAllis, ThiagoCosta, Juliana Carneiro da2025-09-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100140/tde-20112025-174401/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-03T14:08:01Zoai:teses.usp.br:tde-20112025-174401Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-03T14:08:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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