Influência de indicadores biológicos e psicológicos do estresse no declínio subjetivo da memória

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Matos, Tatiane Martins de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-05112018-134805/
Resumo: Introdução: Segundo a Organização Mundial de Saúde, a promoção do Envelhecimento Saudável constitui um dos pontos norteadores de ações na gestão de politicas públicas, com destaque para a prevenção de transtornos cognitivos, como a demência. Embora não existam intervenções efetivas para a prevenção das demências, os estudos mostram que ações em fatores de risco modificáveis poderiam prevenir até 30% dos casos estimados em todo o mundo para as próximas duas décadas. Neste contexto, o estresse crônico constitui um fator relevante capaz de impulsionar trajetórias de envelhecimento marcadas por deterioração e desgaste, a partir da ação dos mediadores biológicos que podem cumulativamente comprometer a função neuronal num processo denominado carga alostática. Vários estudos têm demonstrado que o estresse está associado com o desenvolvimento de comprometimento cognitivo, sugerindo que seus mediadores biológicos estejam envolvidos no processo neurodegenerativo que deflagra o curso de transtornos cognitivos, como a Doença de Alzheimer (DA). Sendo assim, é razoável pressupor que haja sinais subclínicos relacionados ao estresse que possam indicar uma condição de risco para o desenvolvimento de um quadro demencial. O declínio subjetivo da memória (DSM), condição em que o indivíduo se queixa de prejuízo da memória, sem, no entanto, apresentar um comprometimento cognitivo real em testes neuropsicológicos, pode ser uma das manifestações cognitivas de desgaste dos sistemas regulatórios da reação de estresse, ou seja, de carga alostática. Entretanto, não há evidências que sustentem a associação entre DSM e mediadores do estresse crônico. Objetivo: Analisar se indicadores de estresse crônico estão associados com o DSM. Método: Foram incluídos 227 indivíduos com idade 50 anos, de ambos os sexos, escolaridade superior a 3 anos e moradores da cidade de São Paulo com função cognitiva e funcional preservados. O DSM foi avaliado com o Questionário de queixas subjetivas de memória (MAC-Q). O estresse crônico foi avaliado a partir de indicadores psicológicos com a Escala de Percepção de Estresse (EPP), e indicadres biológicos com concentração de cortisol salivar em resposta ao um estressor agudo (TSST) e com o índice de carga alostática (ICA). O ICA foi composto por mediadores dos sistemas neuroendócrinos, imunológico, metabólico e cardiovascular. Resultados: Controlando para as variáveis sexo, idade, escolaridade e sintomas depressivos, os escores do MAC-Q se associaram com os escores da EPP (p =<0,001; b=0,177; IC95%= 0,093 0,261), o ICA (p =0,012; b= 0,422; IC95%= 0,092 0,751) e com padrão hiporresponsivo de cortisol ao TSST (p=0,028; b= -0,226; IC95%= 0,446 - (-)0,016). Conclusão: A queixa de prejuízo da memória está associada com indicadores psicológicos e biológicos de estresse crônico que sinalizam desgaste dos sistemas alvo da resposta de estresse e, portanto, risco maior para o adoecimento por transtornos cognitivos.
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Neste contexto, o estresse crônico constitui um fator relevante capaz de impulsionar trajetórias de envelhecimento marcadas por deterioração e desgaste, a partir da ação dos mediadores biológicos que podem cumulativamente comprometer a função neuronal num processo denominado carga alostática. Vários estudos têm demonstrado que o estresse está associado com o desenvolvimento de comprometimento cognitivo, sugerindo que seus mediadores biológicos estejam envolvidos no processo neurodegenerativo que deflagra o curso de transtornos cognitivos, como a Doença de Alzheimer (DA). Sendo assim, é razoável pressupor que haja sinais subclínicos relacionados ao estresse que possam indicar uma condição de risco para o desenvolvimento de um quadro demencial. O declínio subjetivo da memória (DSM), condição em que o indivíduo se queixa de prejuízo da memória, sem, no entanto, apresentar um comprometimento cognitivo real em testes neuropsicológicos, pode ser uma das manifestações cognitivas de desgaste dos sistemas regulatórios da reação de estresse, ou seja, de carga alostática. Entretanto, não há evidências que sustentem a associação entre DSM e mediadores do estresse crônico. Objetivo: Analisar se indicadores de estresse crônico estão associados com o DSM. Método: Foram incluídos 227 indivíduos com idade 50 anos, de ambos os sexos, escolaridade superior a 3 anos e moradores da cidade de São Paulo com função cognitiva e funcional preservados. O DSM foi avaliado com o Questionário de queixas subjetivas de memória (MAC-Q). O estresse crônico foi avaliado a partir de indicadores psicológicos com a Escala de Percepção de Estresse (EPP), e indicadres biológicos com concentração de cortisol salivar em resposta ao um estressor agudo (TSST) e com o índice de carga alostática (ICA). O ICA foi composto por mediadores dos sistemas neuroendócrinos, imunológico, metabólico e cardiovascular. Resultados: Controlando para as variáveis sexo, idade, escolaridade e sintomas depressivos, os escores do MAC-Q se associaram com os escores da EPP (p =<0,001; b=0,177; IC95%= 0,093 0,261), o ICA (p =0,012; b= 0,422; IC95%= 0,092 0,751) e com padrão hiporresponsivo de cortisol ao TSST (p=0,028; b= -0,226; IC95%= 0,446 - (-)0,016). Conclusão: A queixa de prejuízo da memória está associada com indicadores psicológicos e biológicos de estresse crônico que sinalizam desgaste dos sistemas alvo da resposta de estresse e, portanto, risco maior para o adoecimento por transtornos cognitivos.Introduction: According to the World Health Organization, the promotion of Healthy Aging is one of the guiding points of actions in the management of public policies, highlighting the prevention of cognitive disorders, such as dementia. Although there are no effective interventions to prevent dementia, studies show that actions on modifiable risk factors could prevent up to 30% of estimated cases in all the world for the next two decades. In this context, chronic stress is a relevant factor capable of boosting aging trajectories marked by deterioration and wear, from the action of biological mediators that can cumulatively compromise neuronal function in a process denominated allostatic load. Many studies have shown that stress is associated with the development cognitive impairment, suggesting that its biological mediators are involved in the processes neurodegenerative that triggers the course of cognitive disorders, such as Alzheimer\'s Disease (AD). Thus, it is reasonable to assume that there are subclinical signs related to stress that may indicate a risk condition for the development of dementia. The subjective memory decline (SMD), a condition in which the individual complains of memory impairment, without, however, presenting a real cognitive impairment in neuropsychological tests, may be one of the cognitive manifestations of wear of the regulatory systems of the stress reaction, that is, of allostatic load. However, there is no evidence to support the association between DSM and chronic stress mediators. Objective: To analyze whether chronic stress indicators are associated with SMD. Method: We included 227 individuals aged 50 years, of both sexes, schooling over 3 years and residents of the city of São Paulo with preserved cognitive and functional function. The SMD was evaluated with the Questionnaire on subjective memory complaints (MAC-Q). The chronic stress was evaluated from psychologic indicators with the Perception stress scale (PSS), and biological indicators with salivary cortisol concentration in response to an acute stressor (TSST) and allostatic load index (ALI). ALI was composed of mediators of the neuroendocrine, immunological, metabolic and cardiovascular systems. Results: Controlling for the variables: gender, age, schooling and depressive symptoms. MAC-Q scores were associated with PSS scores (p =<0,001; b=0,177; IC95%= 0,093 0,261), ALI (p =0,012; b= 0,422; IC95%= 0,092 0,751), and with hyporresponsive cortisol pattern to TSST (p=0,028; b= -0,226; IC95%= 0,446 - (-)0,016). Conclusion: The complaint of memory impairment is associated with psychological and biological indicators of chronic stress that signal wear of the target systems of the stress response and, therefore, greater risk for cognitive disorders.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTalarico, Juliana Nery de SouzaMatos, Tatiane Martins de2018-02-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/7/7139/tde-05112018-134805/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-04-10T00:06:19Zoai:teses.usp.br:tde-05112018-134805Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-04-10T00:06:19Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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