O percurso da recepção crítica de O Ateneu (1888-1950): à sombra de seu criador
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-08102025-123030/ |
Resumo: | O Ateneu, principal obra de Raul Pompeia, possui uma recepção crítica plural e complexa, que se modificou de forma substancial ao longo das décadas. Nos primeiros 60 anos de crítica literária sobre a obra, objeto de análise deste estudo, prevaleceu uma abordagem biográfica que associava o romance à trajetória do autor, muito embora sob diferentes prismas. O objetivo deste trabalho é examinar as mudanças ocorridas ao longo dessas seis décadas, inclusive refletindo acerca dos momentos de silenciamento. Inicialmente, críticos como Pardal Mallet (1888), Araripe Jr. (1888) e Veríssimo (1907), que conviveram com Pompeia, o descreveram como um escritor naturalista, enquadrando O Ateneu também nessa corrente da qual a obra, no entanto, se distanciava. Todavia, após o suicídio do autor e os escândalos políticos que marcaram sua trajetória, a difamação midiática e a biografia A Vida Inquieta de Raul Pompeia, de Eloy Pontes (1935), consolidaram uma visão de Pompeia como uma figura excêntrica, cuja subjetividade teria comprometido a linguagem do romance, o que, para os críticos, impossibilitava sua objetividade. Dessa forma, o escritor deixou de ser visto como um naturalista para ser interpretado como alguém cuja instabilidade emocional influenciava diretamente na escrita. Consequentemente, O Ateneu passou a ser classificado como um romance \"psicológico\", \"idealista\" e \"impressionista\". A partir dos textos de Olívio Montenegro (1938), Mário de Andrade (1941) e Maria Luiza Ramos (1946), percebe-se a influência da imagem de Pompeia construída por Pontes, o que impactou as interpretações críticas do romance, porque fora frequentemente tratado de forma equivocada como uma autobiografia. Além disso, a ascensão dos conhecimentos sobre o inconsciente e a psicanálise introduziu novos métodos analíticos que reformularam a leitura da obra |
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O percurso da recepção crítica de O Ateneu (1888-1950): à sombra de seu criadorThe critical reception of O Ateneu (1888-1950): in the shadow of its creatorBiografismoBiographismCrítica literáriaLiterary criticismO AteneuO AteneuReception theoryTeoria da recepçãoO Ateneu, principal obra de Raul Pompeia, possui uma recepção crítica plural e complexa, que se modificou de forma substancial ao longo das décadas. Nos primeiros 60 anos de crítica literária sobre a obra, objeto de análise deste estudo, prevaleceu uma abordagem biográfica que associava o romance à trajetória do autor, muito embora sob diferentes prismas. O objetivo deste trabalho é examinar as mudanças ocorridas ao longo dessas seis décadas, inclusive refletindo acerca dos momentos de silenciamento. Inicialmente, críticos como Pardal Mallet (1888), Araripe Jr. (1888) e Veríssimo (1907), que conviveram com Pompeia, o descreveram como um escritor naturalista, enquadrando O Ateneu também nessa corrente da qual a obra, no entanto, se distanciava. Todavia, após o suicídio do autor e os escândalos políticos que marcaram sua trajetória, a difamação midiática e a biografia A Vida Inquieta de Raul Pompeia, de Eloy Pontes (1935), consolidaram uma visão de Pompeia como uma figura excêntrica, cuja subjetividade teria comprometido a linguagem do romance, o que, para os críticos, impossibilitava sua objetividade. Dessa forma, o escritor deixou de ser visto como um naturalista para ser interpretado como alguém cuja instabilidade emocional influenciava diretamente na escrita. Consequentemente, O Ateneu passou a ser classificado como um romance \"psicológico\", \"idealista\" e \"impressionista\". A partir dos textos de Olívio Montenegro (1938), Mário de Andrade (1941) e Maria Luiza Ramos (1946), percebe-se a influência da imagem de Pompeia construída por Pontes, o que impactou as interpretações críticas do romance, porque fora frequentemente tratado de forma equivocada como uma autobiografia. Além disso, a ascensão dos conhecimentos sobre o inconsciente e a psicanálise introduziu novos métodos analíticos que reformularam a leitura da obraO Ateneu, Raul Pompeia\'s main literary work, has been widely and complexly received by critics over the decades. In the first sixty years of literary criticism on the novel, which constitutes the subject of this study, a biographical approach prevailed, associating the novel with the author\'s own life, albeit from different perspectives. This paper aims to examine the changes that occurred over those six decades, including certain moments of critical silence. Initially, critics such as Pardal Mallet (1888), Araripe Jr. (1888), and José Veríssimo (1907), who knew Pompeia personally, described him as a naturalist writer, also placing O Ateneu within the boundaries of Naturalism, label that the novel itself resists. However, after the author\'s suicide and the political scandals that marked his career, as well as the publishing of the biography A Vida Inquieta de Raul Pompeia by Eloy Pontes (1935), Pompeia came to be consolidated as. as an eccentric figure, was seen as compromising the language of the novel. Henceforth, the writer lost the naturalist label and was seen as someone whose emotional instability directly influenced his writing. Consequently, O Ateneu came to be classified as a \"psychological\", \"idealistic\" and \"impressionist\" novel. Based on the texts by Olívio Montenegro (1938), Mário de Andrade (1941) and Maria Luísa Ramos (1946), one can see the influence of Pompeia\'s personal image built by Pontes in his biography, which impacted critical interpretations of the novel and led to it being mistakenly treated as an autobiography. Furthermore, the rise of psychoanalysis introduced new analytical frameworks that renewed interpretations of the novelBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGuimarães, Hélio de SeixasFernandes, Ana Clara da Costa Carvalho2025-06-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8149/tde-08102025-123030/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-08T15:37:02Zoai:teses.usp.br:tde-08102025-123030Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-08T15:37:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O Ateneu, principal obra de Raul Pompeia, possui uma recepção crítica plural e complexa, que se modificou de forma substancial ao longo das décadas. Nos primeiros 60 anos de crítica literária sobre a obra, objeto de análise deste estudo, prevaleceu uma abordagem biográfica que associava o romance à trajetória do autor, muito embora sob diferentes prismas. O objetivo deste trabalho é examinar as mudanças ocorridas ao longo dessas seis décadas, inclusive refletindo acerca dos momentos de silenciamento. Inicialmente, críticos como Pardal Mallet (1888), Araripe Jr. (1888) e Veríssimo (1907), que conviveram com Pompeia, o descreveram como um escritor naturalista, enquadrando O Ateneu também nessa corrente da qual a obra, no entanto, se distanciava. Todavia, após o suicídio do autor e os escândalos políticos que marcaram sua trajetória, a difamação midiática e a biografia A Vida Inquieta de Raul Pompeia, de Eloy Pontes (1935), consolidaram uma visão de Pompeia como uma figura excêntrica, cuja subjetividade teria comprometido a linguagem do romance, o que, para os críticos, impossibilitava sua objetividade. Dessa forma, o escritor deixou de ser visto como um naturalista para ser interpretado como alguém cuja instabilidade emocional influenciava diretamente na escrita. Consequentemente, O Ateneu passou a ser classificado como um romance \"psicológico\", \"idealista\" e \"impressionista\". A partir dos textos de Olívio Montenegro (1938), Mário de Andrade (1941) e Maria Luiza Ramos (1946), percebe-se a influência da imagem de Pompeia construída por Pontes, o que impactou as interpretações críticas do romance, porque fora frequentemente tratado de forma equivocada como uma autobiografia. Além disso, a ascensão dos conhecimentos sobre o inconsciente e a psicanálise introduziu novos métodos analíticos que reformularam a leitura da obra |
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