Expressão de conexinas 26 e 43 e E-caderina em neoplasias melanocíticas intraoculares de cães

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Garcia, Jamile Macedo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Eye
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-25032026-123701/
Resumo: A patologia ocular tem grande relevância na medicina veterinária por fornecer informações essenciais para o diagnóstico e caracterização de doenças oculares e perioculares em diferentes espécies animais. As conexinas são proteínas que formam as junções comunicantes do tipo gap, estabelecendo canais de passagem de solutos entre células adjacentes. A diminuição ou ausência destas proteínas ou a alteração de sua localização subcelular levam a falhas na comunicação intercelular. Este estudo teve como objetivo principal avaliar a imunopositividade e localização subcelular das conexinas 26 (Cx26) e 43 (Cx43), e da E-caderina, em neoplasias melanocíticas intraoculares caninas. Inicialmente, realizou-se levantamento retrospectivo entre 2003 e 2022 das lesões oculares e perioculares em animais diagnosticadas no Serviço de Patologia Animal do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Dentre 9.382 exames histopatológicos realizados no período, foram recuperados 375 casos de lesões oculares e perioculares em animais. A maioria das amostras (64,00%) era proveniente de cães, seguidos por gatos (15,20%) e equinos (12,27%). Lesões neoplásicas foram predominantes (80,53%), das quais 23,26% eram neoplasias oculares e 76,74% eram neoplasias perioculares. Dentre as neoplasias oculares, 23 casos eram melanomas uveais e um caso melanocitoma uveal. A análise da presença de Cx26, Cx43 e E caderina foi realizada por imunofluorescência em 55 casos de melanocitomas e melanomas uveais de cães. Para tanto, foi utilizado o protocolo com estreptavidina horseradish peroxidase (HRP) e o sinal da imunofluorescência foi ampliado com kit TSA com fluoresceína. As lâminas foram analisadas em microscópio Nikon E-800 equipado com sistema de fluorescência. Não foi observada marcação para a Cx26 em melanócitos uveais normais ou nos neoplásicos em nenhum dos casos. Houve imunopositividade variável para a Cx43 nos casos de melanoma e de melanocitoma, predominantemente citoplasmática. A imunopositividade da Cx43 apresentou associação significativa com o tipo celular, predominando em células redondas. A imunomarcação de E-caderina foi mais intensa em células fusiformes, com padrão membranoso, enquanto células arredondadas mostraram perda ou deslocamento citoplasmático da proteína. A ausência de expressão de Cx26 nas células neoplásicas e nos melanócitos uveais normais sugere que essa conexina não participa da comunicação intercelular nesses tumores, ao contrário do que ocorre em melanomas de outros sítios anatômicos, nos quais sua expressão está associada à invasividade e agressividade tumoral. A localização predominantemente citoplasmática da Cx43 sugere uma redução na formação de junções gap funcionais. O padrão observado para a E-caderina indica uma possível transição fenotípica associada à redução da adesão celular e ao aumento da plasticidade tumoral. A análise combinada da Cx43 e E-caderina evidenciou que a perda desta última favorece a transição para um fenótipo celular menos coeso e mais arredondado, enquanto a Cx43 permanece expressa, mas com provável funcionalidade comprometida devido à sua redistribuição citoplasmática. Este estudo é pioneiro em avaliar a presença de conexinas em neoplasias melanocíticas uveais de cães. Os achados corroboram estudos da imunopositividade e localização subcelular de conexinas em outras neoplasias caninas, como neoplasias mamárias e osteossarcomas, e ressaltam a complexidade dos mecanismos moleculares envolvidos na biologia das neoplasias melanocíticas uveais caninas.
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Inicialmente, realizou-se levantamento retrospectivo entre 2003 e 2022 das lesões oculares e perioculares em animais diagnosticadas no Serviço de Patologia Animal do Hospital Veterinário da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Universidade de São Paulo. Dentre 9.382 exames histopatológicos realizados no período, foram recuperados 375 casos de lesões oculares e perioculares em animais. A maioria das amostras (64,00%) era proveniente de cães, seguidos por gatos (15,20%) e equinos (12,27%). Lesões neoplásicas foram predominantes (80,53%), das quais 23,26% eram neoplasias oculares e 76,74% eram neoplasias perioculares. Dentre as neoplasias oculares, 23 casos eram melanomas uveais e um caso melanocitoma uveal. A análise da presença de Cx26, Cx43 e E caderina foi realizada por imunofluorescência em 55 casos de melanocitomas e melanomas uveais de cães. Para tanto, foi utilizado o protocolo com estreptavidina horseradish peroxidase (HRP) e o sinal da imunofluorescência foi ampliado com kit TSA com fluoresceína. As lâminas foram analisadas em microscópio Nikon E-800 equipado com sistema de fluorescência. Não foi observada marcação para a Cx26 em melanócitos uveais normais ou nos neoplásicos em nenhum dos casos. Houve imunopositividade variável para a Cx43 nos casos de melanoma e de melanocitoma, predominantemente citoplasmática. A imunopositividade da Cx43 apresentou associação significativa com o tipo celular, predominando em células redondas. A imunomarcação de E-caderina foi mais intensa em células fusiformes, com padrão membranoso, enquanto células arredondadas mostraram perda ou deslocamento citoplasmático da proteína. A ausência de expressão de Cx26 nas células neoplásicas e nos melanócitos uveais normais sugere que essa conexina não participa da comunicação intercelular nesses tumores, ao contrário do que ocorre em melanomas de outros sítios anatômicos, nos quais sua expressão está associada à invasividade e agressividade tumoral. A localização predominantemente citoplasmática da Cx43 sugere uma redução na formação de junções gap funcionais. O padrão observado para a E-caderina indica uma possível transição fenotípica associada à redução da adesão celular e ao aumento da plasticidade tumoral. A análise combinada da Cx43 e E-caderina evidenciou que a perda desta última favorece a transição para um fenótipo celular menos coeso e mais arredondado, enquanto a Cx43 permanece expressa, mas com provável funcionalidade comprometida devido à sua redistribuição citoplasmática. Este estudo é pioneiro em avaliar a presença de conexinas em neoplasias melanocíticas uveais de cães. Os achados corroboram estudos da imunopositividade e localização subcelular de conexinas em outras neoplasias caninas, como neoplasias mamárias e osteossarcomas, e ressaltam a complexidade dos mecanismos moleculares envolvidos na biologia das neoplasias melanocíticas uveais caninas.Ocular pathology plays a crucial role in veterinary medicine, providing essential information for the diagnosis and characterization of ocular and periocular diseases across animal species. Connexins are proteins that form gap junctions, establishing channels that allow the passage of solutes between adjacent cells. Altered expression or subcellular localization of these proteins disrupts intercellular communication. The primary objective of this study was to evaluate the immunopositivity and subcellular localization of connexins 26 (Cx26) and 43 (Cx43), as well as E-cadherin, in canine intraocular melanocytic neoplasms. A retrospective survey was initially conducted between 2003 and 2022 on ocular and periocular lesions in animals diagnosed at the Animal Pathology Service of the Veterinary Hospital, School of Veterinary Medicine and Animal Science, University of São Paulo. Among 9,382 histopathological examinations performed during this period, 375 cases of ocular and periocular lesions were retrieved. Most samples (64.00%) originated from dogs, followed by cats (15.20%) and horses (12.27%). Neoplastic lesions predominated (80.53%), of which 23.26% were ocular neoplasms and 76.74% were periocular neoplasms. Among ocular neoplasms, 23 cases were uveal melanomas and one case was a uveal melanocytoma. The analysis of Cx26, Cx43, and E-cadherin expression was performed by immunofluorescence in 55 cases of canine uveal melanomas and melanocytomas. For this purpose, a streptavidin-horseradish peroxidase (HRP) protocol was employed, and the immunofluorescence signal was amplified using a fluorescein-based TSA kit. Slides were analyzed using a Nikon E-800 microscope equipped with a fluorescence system. No labeling for Cx26 was observed in either normal or neoplastic uveal melanocytes. Variable immunopositivity for Cx43 was detected in melanoma and melanocytoma cases, predominantly with a cytoplasmic pattern. Cx43 immunopositivity showed a significant association with cell type, being more prevalent in round cells. E-cadherin immunolabeling was more intense in spindle shaped cells, displaying a membranous pattern, whereas round cells exhibited loss or cytoplasmic redistribution of the protein. The absence of Cx26 expression in both neoplastic and normal uveal melanocytes suggests that this connexin does not participate in intercellular communication in these tumors, in contrast to melanomas from other anatomical sites, where its expression is associated with invasiveness and tumor aggressiveness. The predominantly cytoplasmic localization of Cx43 suggests a reduction in the formation of functional gap junctions. The observed E-cadherin pattern indicates a possible phenotypic transition associated with reduced cell adhesion and increased tumor plasticity. Combined analysis of Cx43 and E-cadherin revealed that the loss of the latter favors the transition to a less cohesive, more rounded cell phenotype, while Cx43 remains expressed but likely with compromised functionality due to its cytoplasmic redistribution. This is the first study to assess the presence of connexins in canine uveal melanocytic neoplasms. The findings corroborate previous studies on the immunopositivity and subcellular localization of connexins in other canine neoplasms, such as mammary tumors and osteosarcomas, and highlight the complexity of molecular mechanisms involved in the biology of canine uveal melanocytic neoplasms.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDagli, Maria Lucia ZaidanGarcia, Jamile Macedo2025-11-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-25032026-123701/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-25T15:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-25032026-123701Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-25T15:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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