Prevalência de dor pélvica crônica após o parto e fatores associados em uma coorte prospectiva de nascimentos de Ribeirão Preto e São Luís
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-23012025-092434/ |
Resumo: | Introdução: A dor pélvica crônica é uma dor persistente percebida nas estruturas da pelve tanto dos homens quanto das mulheres, frequentemente associada a consequências negativas cognitivas, comportamentais, sexuais ou emocionais, assim como pode incluir sintomas do trato urinário baixo, sexual, intestinal, assoalho pélvico ou disfunção ginecológica pelo período de pelo menos seis meses (IASP). É uma condição de alta prevalência mundial com taxa geral encontrada entre 5,7% a 26,6% e grande impacto sócio-econômico, com custos totais diretos maiores do que 800 milhões de dólares nos EUA. Estudos mais recentes têm demonstrado a fisiopatologia desta condição como uma doença e não apenas um sintoma. A maioria das pacientes apresentam eventos comuns envolvendo sensibilização central e neuroinflamação. Há, na literatura, uma potencial associação entre cirurgias abdominais e dor pélvica crônica, sendo a principal delas, cesariana. Entretanto, os dados costumam sem contraditórios e partem de um espaço amostral pequeno com fatores confundidores. Objetivos: Avaliar a prevalência de dor pélvica crônica em mulheres entre 12-24 meses após o parto com base na maior coorte brasileira de parturientes (BRISA), identificar os fatores associados à sua ocorrência e propor um modelo de inferência causal considerando a cesárea como evento de exposição. Métodos: Estudo transversal aninhado à coorte de Brasileira de Nascimentos de Ribeirão Preto e São Luís (BRISA) realizado em 2010-2011. Foi incluída uma amostra de conveniência de 2.847 gestantes com 22-25 semanas de gestação. Destas, 2.750 foram avaliadas ao nascimento e 2.232 foram reavaliadas em 2012-2013, dois anos após o nascimento. Entre estas, foram incluídas 2.160 mulheres sem dor pélvica antes da gravidez e do parto. O agrupamento aglomerativo identificou subgrupos homogêneos e um classificador Random Forest determinou a importância do recurso. Modelos de regressão logística multinomial foram construídos para avaliar associações das variáveis com o desfecho, utilizando eliminação retroativa aumentada com base no critério de informação de Akaike. Para testar a suposição causal (cesariana como exposição e dor pélvica como desfecho), foi empregada uma abordagem contrafactual. As causas comuns foram identificadas usando um gráfico acíclico direcionado e os efeitos causais foram estimados usando ponderação inversa com base no escore de propensão backdoor. A validade dos pressupostos foi testada através de verificações de robustez. Resultados: A incidência cumulativa de dor pélvica foi de 12,7% em 24 meses pós-parto. Cesariana aumenta o dobro de chances no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto (OR 2.04 IC95% 1.53-2.72 pvalor<0,001) e parturientes de Ribeirão Preto tem um risco maior no desenvolvimento de dor crônica em relação àquelas de São Luís (OR 1.85 IC95% 1.36-2.52 p<0,001). Outras variáveis independentemente associadas ao aumento do risco no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto são discriminação (OR 1.59 IC95% 1.21-2.09 p<0.001), ansiedade (OR 1.58 IC95% 1.18-2.1 p0.0), insatisfação do parto (OR 1.53 IC95% 1.08-2.15 p0.018) e SQR pós (OR 1.11 IC95%1.08-1.15 p<0.001). Conclusão: A incidência cumulativa de dor pélvica pós-parto é alta e está diretamente associada ao tipo de parto, sendo que a cesariana aumenta esse risco. A percepção da discriminação e os fatores geográficos locais contribuem de forma independente para um risco aumentado. Nossos dados apoiam um efeito causal significativo da cesariana no desenvolvimento de dor pélvica pós-parto. |
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Prevalência de dor pélvica crônica após o parto e fatores associados em uma coorte prospectiva de nascimentos de Ribeirão Preto e São LuísPrevalence of chronic pelvic pain after childbirth and associated factors in a prospective birth cohort from Ribeirão Preto and São LuísCausalidadeCausalityCesáreaCesarean sectionDeliveryDor pélvicaPartoPelvic painPrediçãoPredictionRiscoRiskIntrodução: A dor pélvica crônica é uma dor persistente percebida nas estruturas da pelve tanto dos homens quanto das mulheres, frequentemente associada a consequências negativas cognitivas, comportamentais, sexuais ou emocionais, assim como pode incluir sintomas do trato urinário baixo, sexual, intestinal, assoalho pélvico ou disfunção ginecológica pelo período de pelo menos seis meses (IASP). É uma condição de alta prevalência mundial com taxa geral encontrada entre 5,7% a 26,6% e grande impacto sócio-econômico, com custos totais diretos maiores do que 800 milhões de dólares nos EUA. Estudos mais recentes têm demonstrado a fisiopatologia desta condição como uma doença e não apenas um sintoma. A maioria das pacientes apresentam eventos comuns envolvendo sensibilização central e neuroinflamação. Há, na literatura, uma potencial associação entre cirurgias abdominais e dor pélvica crônica, sendo a principal delas, cesariana. Entretanto, os dados costumam sem contraditórios e partem de um espaço amostral pequeno com fatores confundidores. Objetivos: Avaliar a prevalência de dor pélvica crônica em mulheres entre 12-24 meses após o parto com base na maior coorte brasileira de parturientes (BRISA), identificar os fatores associados à sua ocorrência e propor um modelo de inferência causal considerando a cesárea como evento de exposição. Métodos: Estudo transversal aninhado à coorte de Brasileira de Nascimentos de Ribeirão Preto e São Luís (BRISA) realizado em 2010-2011. Foi incluída uma amostra de conveniência de 2.847 gestantes com 22-25 semanas de gestação. Destas, 2.750 foram avaliadas ao nascimento e 2.232 foram reavaliadas em 2012-2013, dois anos após o nascimento. Entre estas, foram incluídas 2.160 mulheres sem dor pélvica antes da gravidez e do parto. O agrupamento aglomerativo identificou subgrupos homogêneos e um classificador Random Forest determinou a importância do recurso. Modelos de regressão logística multinomial foram construídos para avaliar associações das variáveis com o desfecho, utilizando eliminação retroativa aumentada com base no critério de informação de Akaike. Para testar a suposição causal (cesariana como exposição e dor pélvica como desfecho), foi empregada uma abordagem contrafactual. As causas comuns foram identificadas usando um gráfico acíclico direcionado e os efeitos causais foram estimados usando ponderação inversa com base no escore de propensão backdoor. A validade dos pressupostos foi testada através de verificações de robustez. Resultados: A incidência cumulativa de dor pélvica foi de 12,7% em 24 meses pós-parto. Cesariana aumenta o dobro de chances no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto (OR 2.04 IC95% 1.53-2.72 pvalor<0,001) e parturientes de Ribeirão Preto tem um risco maior no desenvolvimento de dor crônica em relação àquelas de São Luís (OR 1.85 IC95% 1.36-2.52 p<0,001). Outras variáveis independentemente associadas ao aumento do risco no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto são discriminação (OR 1.59 IC95% 1.21-2.09 p<0.001), ansiedade (OR 1.58 IC95% 1.18-2.1 p0.0), insatisfação do parto (OR 1.53 IC95% 1.08-2.15 p0.018) e SQR pós (OR 1.11 IC95%1.08-1.15 p<0.001). Conclusão: A incidência cumulativa de dor pélvica pós-parto é alta e está diretamente associada ao tipo de parto, sendo que a cesariana aumenta esse risco. A percepção da discriminação e os fatores geográficos locais contribuem de forma independente para um risco aumentado. Nossos dados apoiam um efeito causal significativo da cesariana no desenvolvimento de dor pélvica pós-parto.Introduction: Chronic pelvic pain is persistent pain perceived in the structures of the pelvis in both men and women, often associated with negative cognitive, behavioral, sexual or emotional consequences, as well as may include symptoms of the lower urinary tract, sexual, intestinal, pelvic floor or gynecological dysfunction for a period of at least six months (IASP). It is a condition of high prevalence worldwide with a general rate found between 5.7% to 26.6% and a large socioeconomic impact, with total direct costs greater than 800 million dollars in the USA. More recent studies have demonstrated the pathophysiology of this condition as a disease and not just a symptom. Most patients present with common events involving central sensitization and neuroinflammation. In the literature, there is a potential association between abdominal surgeries and chronic pelvic pain, the main one being cesarean section. However, the data are usually contradictory and come from a small sample space with confounding factors. Objectives: Our aims were to infer the cumulative incidence of chronic pelvic pain in women 12-24 months postpartum, identify factors associated with its occurrence, and investigate the potential cause-and-effect relationship of cesarean section in the process. Methods: A cross-sectional study nested in the Brazilian Ribeirão Preto and São Luís Birth Cohort Studies (BRISA) cohort was conducted in two Brazilian municipalities (Ribeirão Preto and São Luís) in 2010-2011. A convenience sample of 2,847 pregnant women at 22-25 weeks of gestation was included. Of these, 2,750 were assessed at birth, and 2,232 were re-evaluated in 2012-2013, two years after birth. Among these, 2,160 women without pelvic pain before pregnancy and birth were included. Agglomerative clustering identified homogeneous subgroups, and a Random Forest classifier determined feature importance. Multinomial logit regression models were constructed to assess variable associations with the outcome, using augmented backward elimination based on Akaike information criterion. To test the causal assumption (cesarean section as exposure and pelvic pain as outcome), a counterfactual approach was employed. Common causes were identified through a directed acyclic graph, and causal effects were estimated using backdoor propensity score-based inverse weighting. Assumption validity was tested through robustness checks. Results: The cumulative incidence of pelvic pain was 12.7% at 24 months postpartum. Cesarean section increases twice the chances of developing chronic pelvic pain after childbirth (OR 2.04 CI95% 1.53-2.72 pvalue<0.001) and women in Ribeirão Preto have a higher risk of developing chronic pain compared to those in São Luís (OR 1.85 IC95% 1.36-2.52 p<0.001). Other variables independently associated with an increased risk of developing chronic pelvic pain after childbirth are discrimination (OR 1.59 IC95% 1.21-2.09 p<0.001), anxiety (OR 1.58 IC95% 1.18-2.1 p0.0), patient dissatisfaction childbirth (OR 1.53 IC95% 1.08-2.15 p0.018) and post SQR (OR 1.11 IC95%1.08-1.15 p<0.001). Conclusions: The cumulative incidence of pelvic pain postpartum is high and directly associated with the mode of delivery, with cesarean section increasing this risk. Perception of discrimination and local geographic factors independently contribute to an increased risk, while delivery satisfaction and breastfeeding seem to have a protective effect. Our data support a significant causal effect of cesarean section on the development of postpartum pelvic pain.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPNétto, Oméro Benedicto PoliShimamura, Lia Keiko Sousa2024-09-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17145/tde-23012025-092434/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-05T12:58:02Zoai:teses.usp.br:tde-23012025-092434Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-05T12:58:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A dor pélvica crônica é uma dor persistente percebida nas estruturas da pelve tanto dos homens quanto das mulheres, frequentemente associada a consequências negativas cognitivas, comportamentais, sexuais ou emocionais, assim como pode incluir sintomas do trato urinário baixo, sexual, intestinal, assoalho pélvico ou disfunção ginecológica pelo período de pelo menos seis meses (IASP). É uma condição de alta prevalência mundial com taxa geral encontrada entre 5,7% a 26,6% e grande impacto sócio-econômico, com custos totais diretos maiores do que 800 milhões de dólares nos EUA. Estudos mais recentes têm demonstrado a fisiopatologia desta condição como uma doença e não apenas um sintoma. A maioria das pacientes apresentam eventos comuns envolvendo sensibilização central e neuroinflamação. Há, na literatura, uma potencial associação entre cirurgias abdominais e dor pélvica crônica, sendo a principal delas, cesariana. Entretanto, os dados costumam sem contraditórios e partem de um espaço amostral pequeno com fatores confundidores. Objetivos: Avaliar a prevalência de dor pélvica crônica em mulheres entre 12-24 meses após o parto com base na maior coorte brasileira de parturientes (BRISA), identificar os fatores associados à sua ocorrência e propor um modelo de inferência causal considerando a cesárea como evento de exposição. Métodos: Estudo transversal aninhado à coorte de Brasileira de Nascimentos de Ribeirão Preto e São Luís (BRISA) realizado em 2010-2011. Foi incluída uma amostra de conveniência de 2.847 gestantes com 22-25 semanas de gestação. Destas, 2.750 foram avaliadas ao nascimento e 2.232 foram reavaliadas em 2012-2013, dois anos após o nascimento. Entre estas, foram incluídas 2.160 mulheres sem dor pélvica antes da gravidez e do parto. O agrupamento aglomerativo identificou subgrupos homogêneos e um classificador Random Forest determinou a importância do recurso. Modelos de regressão logística multinomial foram construídos para avaliar associações das variáveis com o desfecho, utilizando eliminação retroativa aumentada com base no critério de informação de Akaike. Para testar a suposição causal (cesariana como exposição e dor pélvica como desfecho), foi empregada uma abordagem contrafactual. As causas comuns foram identificadas usando um gráfico acíclico direcionado e os efeitos causais foram estimados usando ponderação inversa com base no escore de propensão backdoor. A validade dos pressupostos foi testada através de verificações de robustez. Resultados: A incidência cumulativa de dor pélvica foi de 12,7% em 24 meses pós-parto. Cesariana aumenta o dobro de chances no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto (OR 2.04 IC95% 1.53-2.72 pvalor<0,001) e parturientes de Ribeirão Preto tem um risco maior no desenvolvimento de dor crônica em relação àquelas de São Luís (OR 1.85 IC95% 1.36-2.52 p<0,001). Outras variáveis independentemente associadas ao aumento do risco no desenvolvimento de dor pélvica crônica após o parto são discriminação (OR 1.59 IC95% 1.21-2.09 p<0.001), ansiedade (OR 1.58 IC95% 1.18-2.1 p0.0), insatisfação do parto (OR 1.53 IC95% 1.08-2.15 p0.018) e SQR pós (OR 1.11 IC95%1.08-1.15 p<0.001). Conclusão: A incidência cumulativa de dor pélvica pós-parto é alta e está diretamente associada ao tipo de parto, sendo que a cesariana aumenta esse risco. A percepção da discriminação e os fatores geográficos locais contribuem de forma independente para um risco aumentado. Nossos dados apoiam um efeito causal significativo da cesariana no desenvolvimento de dor pélvica pós-parto. |
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