Avaliação da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil: estudo misto
| Ano de defesa: | 2023 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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Resumo: | Introdução: A cadeia de frio compreende todo o trajeto que os imunobiológicos percorrem desde sua fabricação até o momento de serem administrados no usuário, necessitando de armazenamento, transporte e manuseio efetivo para mantê-los na temperatura recomendada. Tal cuidado torna-se imprescindível para evitar alterações na composição, efetividade e potência destes produtos e, consequentemente, garantir suas imunogenicidades. Objetivo: Avaliar a cadeia de frio de imunobiológicos nas salas de imunização inseridas nas unidades de Atenção Primária à Saúde brasileiras (UAPS) brasileiras. Metodologia: Trata-se de um estudo de método misto com delineamento explanatório sequencial (QUAN → qual), desenvolvido nas salas de imunização das UAPS de municípios das distintas regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, entre 2021 e 2022. Para representatividade da realidade da cadeia de frio, estados, municípios e salas de imunização participantes foram selecionados por amostragem probabilística. Na etapa quantitativa, desenvolveu-se um estudo transversal analítico, com a aplicação, via ligação telefônica ou aplicativo de comunicação, de um questionário sociodemográfico e da Escala de Avaliação da Conservação de Imunobiológicos (EACI), aos profissionais da equipe de enfermagem atuantes nas salas de imunização. Dados e indicadores sociodemográficos dos municípios também foram coletados. Os dados foram processados e analisados por meio dos softwares Statistical Package for Social Sciences, versão 25.0 e R. Em relação aos escores da EACI obtidos pelas salas de imunização, utilizou-se a média para classificação dos municípios, estados, regiões e Brasil. Para a análise de associação, utilizou-se um modelo de regressão logística, ajustado para identificar quais variáveis aumentariam ou reduziriam a chance de manutenção da cadeia de frio nos municípios. Para a etapa qualitativa, desenvolveu-se um estudo descritivo-exploratório nas instâncias da cadeia de frio. Participaram os responsáveis técnicos em imunização das instâncias estaduais, regionais, municipais e profissionais de enfermagem. Utilizou-se entrevista individual com roteiro semiestruturado, no formato on-line, as quais foram analisadas mediante Análise de Conteúdo Temática. Os dados qualitativos e quantitativos foram combinados mediante conexão, com elaboração de joint-displays e formulação de metainferências. O estudo recebeu aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; da Universidade Federal de São João del-Rei, e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resultados: Foram avaliadas 280 salas de imunização distribuídas em 80 municípios. Parte estavam inseridas nas UAPS - ESF (n=127; 45,3%), da zona urbana (n=219; 78,3%). Grande parte das salas eram de uso exclusivo para as atividades de vacinação (n=223; 79,6%); faziam uso de caixas térmicas de poliuretano (n=218; 77,8%) e mantinham seus equipamentos de refrigeração distantes da incidência de luz solar ou de outras fontes de calor (n=206; 73,5%). Acerca da substituição das bobinas de gelo reutilizáveis quando vencidas ou danificadas, pouco mais da metade relatou sempre substituí-las (n=163; 58,2%). Menos da metade dos profissionais relatou sempre participar de capacitações em imunização (n=136; 48,5%). Em apenas 77 (27,6%) salas observou-se que sempre há a disponibilidade de baterias ou geradores; e em 74 (26,5%) a presença de outros instrumentos de medição de temperatura além do termômetro de momento, de máxima e de mínima. Mais da metade das salas estavam equipadas com câmaras refrigeradas (n=168; 60,0%) e detinham ambientes climatizados (n=189; 67,6%). Sempre ou quase sempre o transporte da instância municipal para as salas de imunização era realizado em carro climatizado ou com ar-condicionado ligado (n=230; 82,1%). A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi classificada como inadequada, com pontuação média de nove pontos. As regiões Norte e Nordeste foram classificadas como inadequadas. Na região Sudeste destacou-se o estado do Rio de Janeiro como inadequado. Identificou-se que a cobertura da vacina DTPw-HB/Hib e a localidade urbana são fatores associados à conservação adequada de imunobiológicos nos municípios. A partir dos achados quantitativos, foram realizadas 42 entrevistas, emergindo três categorias temáticas: \"Brasilidades: desafios regionais na gestão da cadeia de frio\"; \"Estrutura das instâncias da cadeia de frio: realidades da pluralidade brasileira\"; e \"O processo da manutenção da cadeia de frio: cotidiano\". Evidenciou-se que a grande extensão territorial, variação climática, assim como a diversidade geográfica brasileira representam desafios logísticos para a cadeia de frio. Disparidades financeiras também foram apresentadas, as quais incidem na aquisição de insumos e serviços para a cadeia. Ademais, revelou-se entraves associados à estrutura das salas de imunização e a processos de trabalho que requerem readequações. Conclusões: A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi avaliada como inadequada, predominantemente nos municípios das regiões Norte e Nordeste. Os fatores influenciadores nessa manutenção referem-se a fatores geográficos, como a grande expansão territorial e diversidades climáticas que interferem, principalmente, no transporte de vacinas; entraves na estrutura física; disparidades financeiras entre as regiões e questões de ordem gerencial no nível municipal, sendo predisponentes ao desempenho desta cadeia e, consequentemente, a sustentabilidade do Programa Nacional de Imunizações. |
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Avaliação da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil: estudo mistoImmunobiological cold chain assessment in Brazil: a mixed-methods studyEnfermagemEstudo de avaliaçãoEvaluation studyImmunization programsNursingProgramas de imunizaçãoRefrigeraçãoRefrigerationVaccinesVacinasIntrodução: A cadeia de frio compreende todo o trajeto que os imunobiológicos percorrem desde sua fabricação até o momento de serem administrados no usuário, necessitando de armazenamento, transporte e manuseio efetivo para mantê-los na temperatura recomendada. Tal cuidado torna-se imprescindível para evitar alterações na composição, efetividade e potência destes produtos e, consequentemente, garantir suas imunogenicidades. Objetivo: Avaliar a cadeia de frio de imunobiológicos nas salas de imunização inseridas nas unidades de Atenção Primária à Saúde brasileiras (UAPS) brasileiras. Metodologia: Trata-se de um estudo de método misto com delineamento explanatório sequencial (QUAN → qual), desenvolvido nas salas de imunização das UAPS de municípios das distintas regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, entre 2021 e 2022. Para representatividade da realidade da cadeia de frio, estados, municípios e salas de imunização participantes foram selecionados por amostragem probabilística. Na etapa quantitativa, desenvolveu-se um estudo transversal analítico, com a aplicação, via ligação telefônica ou aplicativo de comunicação, de um questionário sociodemográfico e da Escala de Avaliação da Conservação de Imunobiológicos (EACI), aos profissionais da equipe de enfermagem atuantes nas salas de imunização. Dados e indicadores sociodemográficos dos municípios também foram coletados. Os dados foram processados e analisados por meio dos softwares Statistical Package for Social Sciences, versão 25.0 e R. Em relação aos escores da EACI obtidos pelas salas de imunização, utilizou-se a média para classificação dos municípios, estados, regiões e Brasil. Para a análise de associação, utilizou-se um modelo de regressão logística, ajustado para identificar quais variáveis aumentariam ou reduziriam a chance de manutenção da cadeia de frio nos municípios. Para a etapa qualitativa, desenvolveu-se um estudo descritivo-exploratório nas instâncias da cadeia de frio. Participaram os responsáveis técnicos em imunização das instâncias estaduais, regionais, municipais e profissionais de enfermagem. Utilizou-se entrevista individual com roteiro semiestruturado, no formato on-line, as quais foram analisadas mediante Análise de Conteúdo Temática. Os dados qualitativos e quantitativos foram combinados mediante conexão, com elaboração de joint-displays e formulação de metainferências. O estudo recebeu aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; da Universidade Federal de São João del-Rei, e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resultados: Foram avaliadas 280 salas de imunização distribuídas em 80 municípios. Parte estavam inseridas nas UAPS - ESF (n=127; 45,3%), da zona urbana (n=219; 78,3%). Grande parte das salas eram de uso exclusivo para as atividades de vacinação (n=223; 79,6%); faziam uso de caixas térmicas de poliuretano (n=218; 77,8%) e mantinham seus equipamentos de refrigeração distantes da incidência de luz solar ou de outras fontes de calor (n=206; 73,5%). Acerca da substituição das bobinas de gelo reutilizáveis quando vencidas ou danificadas, pouco mais da metade relatou sempre substituí-las (n=163; 58,2%). Menos da metade dos profissionais relatou sempre participar de capacitações em imunização (n=136; 48,5%). Em apenas 77 (27,6%) salas observou-se que sempre há a disponibilidade de baterias ou geradores; e em 74 (26,5%) a presença de outros instrumentos de medição de temperatura além do termômetro de momento, de máxima e de mínima. Mais da metade das salas estavam equipadas com câmaras refrigeradas (n=168; 60,0%) e detinham ambientes climatizados (n=189; 67,6%). Sempre ou quase sempre o transporte da instância municipal para as salas de imunização era realizado em carro climatizado ou com ar-condicionado ligado (n=230; 82,1%). A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi classificada como inadequada, com pontuação média de nove pontos. As regiões Norte e Nordeste foram classificadas como inadequadas. Na região Sudeste destacou-se o estado do Rio de Janeiro como inadequado. Identificou-se que a cobertura da vacina DTPw-HB/Hib e a localidade urbana são fatores associados à conservação adequada de imunobiológicos nos municípios. A partir dos achados quantitativos, foram realizadas 42 entrevistas, emergindo três categorias temáticas: \"Brasilidades: desafios regionais na gestão da cadeia de frio\"; \"Estrutura das instâncias da cadeia de frio: realidades da pluralidade brasileira\"; e \"O processo da manutenção da cadeia de frio: cotidiano\". Evidenciou-se que a grande extensão territorial, variação climática, assim como a diversidade geográfica brasileira representam desafios logísticos para a cadeia de frio. Disparidades financeiras também foram apresentadas, as quais incidem na aquisição de insumos e serviços para a cadeia. Ademais, revelou-se entraves associados à estrutura das salas de imunização e a processos de trabalho que requerem readequações. Conclusões: A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi avaliada como inadequada, predominantemente nos municípios das regiões Norte e Nordeste. Os fatores influenciadores nessa manutenção referem-se a fatores geográficos, como a grande expansão territorial e diversidades climáticas que interferem, principalmente, no transporte de vacinas; entraves na estrutura física; disparidades financeiras entre as regiões e questões de ordem gerencial no nível municipal, sendo predisponentes ao desempenho desta cadeia e, consequentemente, a sustentabilidade do Programa Nacional de Imunizações.Introduction: The cold chain comprises the entire path followed by immunobiologicals from their production to the moment to be administered to the users, requiring effective storage, transportation and handling to maintain them at the recommended temperature. Such precautions become indispensable to avoid alterations in the composition, effectiveness and power of these products and, consequently, ensure their immunogenicity properties. Objective: To assess the immunobiological cold chain at the immunization rooms in Brazilian Primary Health Care Units (PHCUs). Methodology: This is a mixed-methods study with a sequential and explanatory design (QUAN → qual), developed between 2021 and 2022 at the immunization rooms of the PHCUs in municipalities from the different Brazilian regions: North, Northeast, Midwest, Southeast and South. To achieve representativeness of the cold chain reality, several participating states, municipalities and immunization rooms were selected by means of probability sampling. A cross-sectional and analytical study was developed in the quantitative stage by applying a sociodemographic questionnaire and the Immunobiological Conservation Assessment Scale (Escala de Avaliação da Conservação de Imunobiológicos, EACI) via telephone calls or a communication app to the Nursing team professionals working in the immunization rooms. Sociodemographic data and indicators from the municipalities were also collected. The data were processed and analyzed in the Statistical Package for Social Sciences, version 25.0, and R software programs. In relation to the EACI scores obtained by the immunization rooms, the mean was used to classify the municipalities, the states and Brazil as a whole. A logistic regression model was used for the association analysis, duly adjusted to identify the variables that would increase or reduce the cold chain maintenance chances in the municipalities. A descriptive-exploratory study on the cold chain instances was developed for the qualitative stage. The participants were the immunization technicians in charge of the state, regional and municipal instances, in addition to Nursing professionals. Individual interviews with a semi-structured script were used in the online format, which were analyzed according to Thematic Content Analysis. The qualitative and quantitative data were combined by means of connection, with elaboration of joint-displays and formulation of meta-inferences. The study was approved by the Research Ethics Committees of the Ribeirão Preto Nursing School at the University of São Paulo, of the Federal University of São João del-Rei, and of the National Research Ethics Commission. Results: A total of 280 immunization rooms distributed across 80 municipalities were assessed. Some of them belonged to the FHCUs - FHS (n=127; 45.3%), and from the urban area (n=219; 78.3%). A large part of the rooms were exclusively devoted to the vaccination activities (n=223; 79.6%), resorted to polyurethane thermal boxes (n=218; 77.8%) and kept their cooling devices far from the incidence of sunlight or other heat sources (n=206; 73.5%). Regarding substitution of the recyclable ice packs when expired or damaged, slightly more than half of the participants reported always doing so (n=163; 58.2%). Less than half of the professionals reported always attending training sessions in immunization (n=136; 48.5%). Only in 77 (27.6%) rooms it was observed that there were always batteries or generators available; and in 74 (26.5%), the presence of other instruments to measure temperature besides the moment, maximum and minimum thermometers. More than half of the rooms were equipped with refrigerated chambers (n=168; 60.0%) and had climate-controlled environments (n=189; 67.6%). Transportation from the municipal instance to the immunization rooms was always or almost always done in a climate-controlled vehicle or with the air conditioning system on (n=230; 82.1%). Immunobiological cold chain maintenance in Brazil was classified as inadequate, with a mean score of nine points. The North and Northeast regions were classified as inadequate. In the Southeast region, the state of Rio de Janeiro stood out as inadequate. It was identified that the DTwP-HB/Hib vaccine coverage and urban area are factors associated with proper conservation of immubiologicals in the municipalities. Based on the quantitative findings, 42 interviews were conducted, with the emergence of three thematic categories: \"Brazilianness examples: regional challenges in cold chain management\"; \"Structure of the cold chain instances: reality of the Brazilian plurality\"; and \"The cold chain maintenance process: the routine\". It was evidenced that the vast territorial extension and climate variation, as well as the Brazilian geographical diversity, represent logistic challenges for the cold chain. Financial disparities were also presented, which exert effects on the acquisition of inputs and services for the chain. In addition, obstacles were revealed associated with the structure of the immunization rooms and the work process, which require readaptations. Conclusions: Immunobiological cold chain maintenance in Brazil was assessed as inadequate, predominantly in the municipalities from the North and Northeast regions. The influencing factors for this maintenance refer to the following: geographical factors such as the vast territorial extension and climatic diversities that mainly interfere in vaccine transportation; obstacles in the physical structure; financial disparities across the regions; and issues of a managerial order at the municipal level, being predisposing to performance of this chain and, consequently, to sustainability of the National Immunization Program.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOliveira, Valeria Conceição dePinto, Ione CarvalhoAmaral, Gabriela Gonçalves2023-10-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-26082024-133302/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-10T13:26:02Zoai:teses.usp.br:tde-26082024-133302Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-10T13:26:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A cadeia de frio compreende todo o trajeto que os imunobiológicos percorrem desde sua fabricação até o momento de serem administrados no usuário, necessitando de armazenamento, transporte e manuseio efetivo para mantê-los na temperatura recomendada. Tal cuidado torna-se imprescindível para evitar alterações na composição, efetividade e potência destes produtos e, consequentemente, garantir suas imunogenicidades. Objetivo: Avaliar a cadeia de frio de imunobiológicos nas salas de imunização inseridas nas unidades de Atenção Primária à Saúde brasileiras (UAPS) brasileiras. Metodologia: Trata-se de um estudo de método misto com delineamento explanatório sequencial (QUAN → qual), desenvolvido nas salas de imunização das UAPS de municípios das distintas regiões do Brasil: Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, entre 2021 e 2022. Para representatividade da realidade da cadeia de frio, estados, municípios e salas de imunização participantes foram selecionados por amostragem probabilística. Na etapa quantitativa, desenvolveu-se um estudo transversal analítico, com a aplicação, via ligação telefônica ou aplicativo de comunicação, de um questionário sociodemográfico e da Escala de Avaliação da Conservação de Imunobiológicos (EACI), aos profissionais da equipe de enfermagem atuantes nas salas de imunização. Dados e indicadores sociodemográficos dos municípios também foram coletados. Os dados foram processados e analisados por meio dos softwares Statistical Package for Social Sciences, versão 25.0 e R. Em relação aos escores da EACI obtidos pelas salas de imunização, utilizou-se a média para classificação dos municípios, estados, regiões e Brasil. Para a análise de associação, utilizou-se um modelo de regressão logística, ajustado para identificar quais variáveis aumentariam ou reduziriam a chance de manutenção da cadeia de frio nos municípios. Para a etapa qualitativa, desenvolveu-se um estudo descritivo-exploratório nas instâncias da cadeia de frio. Participaram os responsáveis técnicos em imunização das instâncias estaduais, regionais, municipais e profissionais de enfermagem. Utilizou-se entrevista individual com roteiro semiestruturado, no formato on-line, as quais foram analisadas mediante Análise de Conteúdo Temática. Os dados qualitativos e quantitativos foram combinados mediante conexão, com elaboração de joint-displays e formulação de metainferências. O estudo recebeu aprovação dos Comitês de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo; da Universidade Federal de São João del-Rei, e da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa. Resultados: Foram avaliadas 280 salas de imunização distribuídas em 80 municípios. Parte estavam inseridas nas UAPS - ESF (n=127; 45,3%), da zona urbana (n=219; 78,3%). Grande parte das salas eram de uso exclusivo para as atividades de vacinação (n=223; 79,6%); faziam uso de caixas térmicas de poliuretano (n=218; 77,8%) e mantinham seus equipamentos de refrigeração distantes da incidência de luz solar ou de outras fontes de calor (n=206; 73,5%). Acerca da substituição das bobinas de gelo reutilizáveis quando vencidas ou danificadas, pouco mais da metade relatou sempre substituí-las (n=163; 58,2%). Menos da metade dos profissionais relatou sempre participar de capacitações em imunização (n=136; 48,5%). Em apenas 77 (27,6%) salas observou-se que sempre há a disponibilidade de baterias ou geradores; e em 74 (26,5%) a presença de outros instrumentos de medição de temperatura além do termômetro de momento, de máxima e de mínima. Mais da metade das salas estavam equipadas com câmaras refrigeradas (n=168; 60,0%) e detinham ambientes climatizados (n=189; 67,6%). Sempre ou quase sempre o transporte da instância municipal para as salas de imunização era realizado em carro climatizado ou com ar-condicionado ligado (n=230; 82,1%). A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi classificada como inadequada, com pontuação média de nove pontos. As regiões Norte e Nordeste foram classificadas como inadequadas. Na região Sudeste destacou-se o estado do Rio de Janeiro como inadequado. Identificou-se que a cobertura da vacina DTPw-HB/Hib e a localidade urbana são fatores associados à conservação adequada de imunobiológicos nos municípios. A partir dos achados quantitativos, foram realizadas 42 entrevistas, emergindo três categorias temáticas: \"Brasilidades: desafios regionais na gestão da cadeia de frio\"; \"Estrutura das instâncias da cadeia de frio: realidades da pluralidade brasileira\"; e \"O processo da manutenção da cadeia de frio: cotidiano\". Evidenciou-se que a grande extensão territorial, variação climática, assim como a diversidade geográfica brasileira representam desafios logísticos para a cadeia de frio. Disparidades financeiras também foram apresentadas, as quais incidem na aquisição de insumos e serviços para a cadeia. Ademais, revelou-se entraves associados à estrutura das salas de imunização e a processos de trabalho que requerem readequações. Conclusões: A manutenção da cadeia de frio de imunobiológicos no Brasil foi avaliada como inadequada, predominantemente nos municípios das regiões Norte e Nordeste. Os fatores influenciadores nessa manutenção referem-se a fatores geográficos, como a grande expansão territorial e diversidades climáticas que interferem, principalmente, no transporte de vacinas; entraves na estrutura física; disparidades financeiras entre as regiões e questões de ordem gerencial no nível municipal, sendo predisponentes ao desempenho desta cadeia e, consequentemente, a sustentabilidade do Programa Nacional de Imunizações. |
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