Ovo do Pato: uma análise do deslocamento político da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo
| Ano de defesa: | 2020 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-16092020-205057/ |
Resumo: | O comportamento político do empresariado brasileiro é objeto de estudos da Ciência Política desde os anos 1950. Ao longo desse período, os estudos oscilaram entre uma visão do grupo ora como ativo e coeso, ora como passivo e desorganizado. Os anos de Dilma Rousseff na Presidência da República (2011-2016) abrem uma nova janela de oportunidade para esse estudo, uma vez que a ex-presidente promoveu uma política econômica que visava promover o crescimento do PIB via impulsão do setor produtivo industrial. Esse projeto contou em um primeiro momento com o apoio de entidades representativas de empresários, o que contrasta, porém, com o cenário no segundo mandato da presidente, quando houve apoio expressivo da categoria ao impeachment de Rousseff. O que motivou essa mudança de comportamento? Buscamos responder a essa pergunta por meio de um estudo de caso da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que teve atuação destacada no período. Para isso, fazemos por meio do método process-tracing uma reconstituição da trajetória desde a ascensão de Paulo Skaf, presidente da entidade desde 2004, até o início de 2020, a partir de uma pesquisa empírica qualitativa apoiada em entrevistas, documentos e material de imprensa. A partir da análise desse material, argumentamos que o deslocamento político da federação deve ser entendido a partir do encadeamento de quatro fenômenos: (a) o processo de desindustrialização, cujo impacto sobre a relação de forças internas à Fiesp transformou suas bases e viabilizou Skaf; (b) o conflito distributivo agravado a partir de 2011, que levou a indústria a pedir cortes de gastos e reformas estruturais para garantir sua fatia na renda nacional enfraquecendo os trabalhadores; (c) a radicalização ideológica conservadora a partir de 2013, que complementa e organiza as insatisfações materiais num projeto político mais amplo; (d) a agência de Skaf, cuja atuação move-se balizada por esses dois últimos elos. |
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Ovo do Pato: uma análise do deslocamento político da Federação das Indústrias do Estado de São PauloThe Duck\'s Egg: an analysis of the political reorientation of the Federation of the Industries of the State of Sao PauloBusinessmenClasses sociaisComportamento políticoEmpresariadoFiespFiespPolitical behaviorSocial classesO comportamento político do empresariado brasileiro é objeto de estudos da Ciência Política desde os anos 1950. Ao longo desse período, os estudos oscilaram entre uma visão do grupo ora como ativo e coeso, ora como passivo e desorganizado. Os anos de Dilma Rousseff na Presidência da República (2011-2016) abrem uma nova janela de oportunidade para esse estudo, uma vez que a ex-presidente promoveu uma política econômica que visava promover o crescimento do PIB via impulsão do setor produtivo industrial. Esse projeto contou em um primeiro momento com o apoio de entidades representativas de empresários, o que contrasta, porém, com o cenário no segundo mandato da presidente, quando houve apoio expressivo da categoria ao impeachment de Rousseff. O que motivou essa mudança de comportamento? Buscamos responder a essa pergunta por meio de um estudo de caso da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), entidade que teve atuação destacada no período. Para isso, fazemos por meio do método process-tracing uma reconstituição da trajetória desde a ascensão de Paulo Skaf, presidente da entidade desde 2004, até o início de 2020, a partir de uma pesquisa empírica qualitativa apoiada em entrevistas, documentos e material de imprensa. A partir da análise desse material, argumentamos que o deslocamento político da federação deve ser entendido a partir do encadeamento de quatro fenômenos: (a) o processo de desindustrialização, cujo impacto sobre a relação de forças internas à Fiesp transformou suas bases e viabilizou Skaf; (b) o conflito distributivo agravado a partir de 2011, que levou a indústria a pedir cortes de gastos e reformas estruturais para garantir sua fatia na renda nacional enfraquecendo os trabalhadores; (c) a radicalização ideológica conservadora a partir de 2013, que complementa e organiza as insatisfações materiais num projeto político mais amplo; (d) a agência de Skaf, cuja atuação move-se balizada por esses dois últimos elos.The political behavior of the Brazilian businessmen has been the subject of Political Science studies since the 1950s. Throughout this period, studies oscillated between an interpretation of the group as either active and organized, or as passive and disorganized. Dilma Rousseff\'s terms as president (2011-2016) open a new opportunity to address this subject, since the former president promoted an economic policy aimed at promoting GDP growth via the industrial sector. Initially, this project had the support of business associations and unions, which contrasts, however, with the scenario in the president\'s second term, when these groups largely supported Rousseff\'s impeachment. What motivated this behavior change? We seek to answer this question through a case study of the Federation of the Industries of the São Paulo State (known as Fiesp), which played a significant role during in this period. To this end, we use process-tracing method to reconstruct Fiesp\'s trajectory since the rise of Paulo Skaf, president of the federation since 2004, until the beginning of 2020, based on a qualitative empirical research based on interviews, documents and the press. We argue that Fiesp\'s political reorientation should be understood as a result from the following processes: (a) the deindustrialization process, whose impact on the relation of forces within Fiesp transformed its bases and made Skaf viable; (b) the distributive conflict aggravated from 2011 onwards, which led the industry to call for spending cuts and structural reforms to guarantee its share of the national income by weakening the workers\' position; (c) the conservative ideological radicalization from 2013 onwards, which complements and organizes the material dissatisfactions in a broader political project; (d) Skaf\'s agency, as limited by the two last links.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSinger, Andre VitorPerrin, Fernanda Fagundes2020-06-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8131/tde-16092020-205057/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2020-09-17T03:44:01Zoai:teses.usp.br:tde-16092020-205057Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212020-09-17T03:44:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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