Justiça climática e políticas públicas em contexto de vulnerabilidade socioambiental: estudo de caso da cidade de Recife, Pernambuco
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-06062025-224737/ |
Resumo: | A mudança climática global é marcada por desigualdades em vulnerabilidade, responsabilidade e mitigação, e não pode ser separada da crise maior de desigualdade planetária. No Brasil, a questão climática é frequentemente excluída das decisões políticas, mesmo com crescente preocupação social. Algumas cidades, como Fortaleza e Recife, integram o tema climático em suas agendas. Recife, com alta vulnerabilidade, destaca-se pelas políticas públicas voltadas à prevenção e adaptação climática, como o Plano de Ação Climática da Cidade do Recife (PLAC-Recife), de 2020, que adota a justiça climática como princípio central. O objetivo desta pesquisa é analisar como a justiça climática é incorporada em políticas como o PLAC-Recife, observando propostas de participação, prevenção e redução de vulnerabilidades em áreas de risco climático. Três objetivos específicos guiam o estudo: avaliar a efetividade dessas políticas, investigar a inclusão social nos processos de decisão e identificar lacunas na adaptação climática. O Brasil apresenta normas climáticas em âmbito estadual e federal, com aumento no reconhecimento da justiça climática, seja de forma explícita ou implícita, abordando questões raciais, de gênero e outras interseções sociais. Contudo, há escassez de revisões sistemáticas sobre a relação entre justiça social e mudança climática, com poucas comparações entre países do Norte e do Sul Global. Apesar disso, o interesse na área tem crescido, refletindo-se no número de publicações recentes. Um dos principais desafios é ampliar a pesquisa sobre justiça climática em países do Sul Global, focando na implementação de políticas que mitiguem os impactos de eventos climáticos extremos. Recife foi a primeira cidade brasileira a decretar emergência climática, em 2019, e o PLAC-Recife emerge como pioneiro ao integrar justiça climática como eixo estruturante. Entretanto, ao contrário do que é amplamente divulgado, Recife não ocupa a posição de 16ª cidade mais vulnerável aos eventos climáticos no mundo. Ainda assim, os efeitos das mudanças climáticas são evidentes e crescentes, impactando principalmente populações pobres no Sul Global. Comparações entre Recife e Londres revelam semelhanças climáticas em seus históricos de eventos extremos e políticas públicas. Contudo, o colonialismo climático agrava a adaptação em cidades do Sul Global, como Recife, com menos apoio financeiro e impactos mais severos em grupos vulneráveis. Nesse contexto, a justiça climática surge como elemento essencial no debate. Recife se destaca por seu pioneirismo ao estruturar políticas públicas com base na justiça climática, um avanço inédito no Brasil. A cidade enfrenta desafios como chuvas intensas e inundações, problemas que afetam crescentemente a vida cotidiana dos moradores. O PLAC-Recife, principal política de adaptação climática local, reflete esforços significativos, mas enfrenta críticas por limitar a participação popular e da sociedade civil em seu processo de elaboração. Essa exclusão reduz o potencial de engajamento comunitário, crucial para o sucesso das ações e metas de adaptação climática. Assim, embora inovador, o PLAC-Recife revela a necessidade de maior inclusão social para alcançar justiça climática de forma abrangente. |
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Justiça climática e políticas públicas em contexto de vulnerabilidade socioambiental: estudo de caso da cidade de Recife, PernambucoClimate justice and public policies in a context of socio-environmental vulnerability: a case study of the city of Recife, PernambucoAdaptaçãoAdaptationcidadescitiesclimate justiceclimate vulnerabilityjustiça climáticaPolíticas públicasPublic policiesRecifeRecifevulnerabilidade climáticaA mudança climática global é marcada por desigualdades em vulnerabilidade, responsabilidade e mitigação, e não pode ser separada da crise maior de desigualdade planetária. No Brasil, a questão climática é frequentemente excluída das decisões políticas, mesmo com crescente preocupação social. Algumas cidades, como Fortaleza e Recife, integram o tema climático em suas agendas. Recife, com alta vulnerabilidade, destaca-se pelas políticas públicas voltadas à prevenção e adaptação climática, como o Plano de Ação Climática da Cidade do Recife (PLAC-Recife), de 2020, que adota a justiça climática como princípio central. O objetivo desta pesquisa é analisar como a justiça climática é incorporada em políticas como o PLAC-Recife, observando propostas de participação, prevenção e redução de vulnerabilidades em áreas de risco climático. Três objetivos específicos guiam o estudo: avaliar a efetividade dessas políticas, investigar a inclusão social nos processos de decisão e identificar lacunas na adaptação climática. O Brasil apresenta normas climáticas em âmbito estadual e federal, com aumento no reconhecimento da justiça climática, seja de forma explícita ou implícita, abordando questões raciais, de gênero e outras interseções sociais. Contudo, há escassez de revisões sistemáticas sobre a relação entre justiça social e mudança climática, com poucas comparações entre países do Norte e do Sul Global. Apesar disso, o interesse na área tem crescido, refletindo-se no número de publicações recentes. Um dos principais desafios é ampliar a pesquisa sobre justiça climática em países do Sul Global, focando na implementação de políticas que mitiguem os impactos de eventos climáticos extremos. Recife foi a primeira cidade brasileira a decretar emergência climática, em 2019, e o PLAC-Recife emerge como pioneiro ao integrar justiça climática como eixo estruturante. Entretanto, ao contrário do que é amplamente divulgado, Recife não ocupa a posição de 16ª cidade mais vulnerável aos eventos climáticos no mundo. Ainda assim, os efeitos das mudanças climáticas são evidentes e crescentes, impactando principalmente populações pobres no Sul Global. Comparações entre Recife e Londres revelam semelhanças climáticas em seus históricos de eventos extremos e políticas públicas. Contudo, o colonialismo climático agrava a adaptação em cidades do Sul Global, como Recife, com menos apoio financeiro e impactos mais severos em grupos vulneráveis. Nesse contexto, a justiça climática surge como elemento essencial no debate. Recife se destaca por seu pioneirismo ao estruturar políticas públicas com base na justiça climática, um avanço inédito no Brasil. A cidade enfrenta desafios como chuvas intensas e inundações, problemas que afetam crescentemente a vida cotidiana dos moradores. O PLAC-Recife, principal política de adaptação climática local, reflete esforços significativos, mas enfrenta críticas por limitar a participação popular e da sociedade civil em seu processo de elaboração. Essa exclusão reduz o potencial de engajamento comunitário, crucial para o sucesso das ações e metas de adaptação climática. Assim, embora inovador, o PLAC-Recife revela a necessidade de maior inclusão social para alcançar justiça climática de forma abrangente.Global climate change is marked by inequalities in vulnerability, responsibility and mitigation, and cannot be separated from the larger crisis of planetary inequality. In Brazil, the climate issue is often excluded from political decisions, despite growing social concern. Some cities, such as Fortaleza and Recife, have integrated the climate issue into their agendas. Recife, which is highly vulnerable, stands out for its public policies aimed at climate prevention and adaptation, such as the 2020 Recife City Climate Action Plan (PLAC-Recife), which adopts climate justice as a central principle. The aim of this research is to analyze how climate justice is incorporated into policies such as the PLAC-Recife, looking at proposals for participation, prevention and reducing vulnerabilities in climate-risk areas. Three specific objectives guide the study: to evaluate the effectiveness of these policies, to investigate social inclusion in decision-making processes and to identify gaps in climate adaptation. Brazil has climate regulations at state and federal level, with increasing recognition of climate justice, whether explicitly or implicitly, addressing racial, gender and other social intersections. However, there is a scarcity of systematic reviews on the relationship between social justice and climate change, with few comparisons between countries in the Global North and South. Despite this, interest in the area has grown, reflected in the number of recent publications. One of the main challenges is to expand research on climate justice in countries of the Global South, focusing on the implementation of policies that mitigate the impacts of extreme climate events. Recife was the first Brazilian city to declare a climate emergency, in 2019, and the PLAC-Recife emerges as a pioneer in integrating climate justice as a structuring axis. However, contrary to what is widely reported, Recife is not the 16th most vulnerable city in the world to climate events. Even so, the effects of climate change are evident and growing, impacting mainly poor populations in the Global South. Comparisons between Recife and London reveal climatic similarities in their histories of extreme events and public policies. However, climate colonialism exacerbates adaptation in cities of the Global South, such as Recife, with less financial support and more severe impacts on vulnerable groups. In this context, climate justice emerges as an essential element in the debate. Recife stands out for its pioneering role in structuring public policies based on climate justice, an unprecedented advance in Brazil. The city faces challenges such as intense rainfall and flooding, problems that increasingly affect the daily lives of residents. The PLAC-Recife, the main local climate adaptation policy, reflects significant efforts, but faces criticism for limiting popular and civil society participation in its drafting process. This exclusion reduces the potential for community engagement, which is crucial to the success of climate adaptation actions and targets. Thus, although innovative, the PLAC-Recife reveals the need for greater social inclusion in order to achieve comprehensive climate justice.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPJacobi, Pedro RobertoTorres, Pedro Henrique CampelloArruda Filho, Marcos Tavares de2025-04-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/106/106132/tde-06062025-224737/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-24T18:08:02Zoai:teses.usp.br:tde-06062025-224737Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-24T18:08:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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