Avaliação da segurança de um protocolo de introdução ambulatorial de sotalol

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Ferraz, Alberto Pereira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-28012026-122521/
Resumo: Introdução: O sotalol é o um fármaco antiarrítmico de efeitos comprovados para supressão e prevenção de diversas arritmias supraventriculares e ventriculares. Em função do seu potencial efeito pró-arrítmico, sua introdução deve ser cautelosa, sendo recomendado por várias diretrizes o início hospitalar da medicação. Entretanto, na prática clínica, em pacientes de baixo risco para efeito pró-arrítmico não é incomum o início desta medicação em ambiente ambulatorial, a despeito de não haver na literatura estudos clínicos que demonstrem a segurança de introdução deste fármaco fora do ambiente hospitalar. Objetivos: Este trabalho visa avaliar a segurança da introdução do sotalol em ambiente ambulatorial. Nossa hipótese principal teve como premissa a viabilidade e segurança da introdução ambulatorial de sotalol para pacientes de baixo risco, tendo como balizadores as medidas do intervalo QTc e a dispersão do QT. Além disso, testamos se uma análise eletrocardiográfica após 2 horas da primeira dose do medicamento pode ser um preditor das alterações eletrocardiográficas encontradas após 72 horas da administração do sotalol. Métodos: Nesta pesquisa, a análise eletrocardiográfica seriada com medidas de intervalos QT corrigidos e sua dispersão, bem como dados clínicos e laboratoriais, foram realizadas em 92 pacientes consecutivos. Os participantes realizaram um eletrocardiograma padrão de 12 derivações (25 mm/s) disponível no início do tratamento, 2 horas após a primeira dose da medicação e após 3 dias, para calcular o intervalo QT corrigido e analisar a dispersão desse intervalo. Os pacientes permaneceram no hospital até o segundo eletrocardiograma ser realizado. Aumento do intervalo QT além de 500 ms ou aumento acima de 10% do basal foram estabelecidos como desfecho primário. Resultados: Noventa e dois pacientes foram incluídos em uma análise inicial no período de julho de 2020 a janeiro de 2025. Vinte e cinco pacientes (27%) apresentaram sintomas durante o início da medicação, mas na maioria dos casos (15 pacientes) os sintomas foram leves e transitórios. Apenas 10 pacientes (11%) apresentaram sintomas limitantes com necessidade de suspender a medicação. Em 6 casos se observou variação do QTc (Pré-Pós) maior que 10%, mas com valores absolutos finais menores que 500 ms e sem efeitos colaterais ou eventos arrítmicos durante o acompanhamento desses pacientes. A frequência cardíaca diminuiu em média do pré-tratamento para os demais momentos avaliados (p<0,001). Foi observado um aumento significativo do QTc após a primeira dose do sotalol (p=0,015), mas não foi possível observar aumento significativo do QTc final em relação aos demais momentos de avaliação (p>0,05). Além disso, foi possível demonstrar correlação direta estatisticamente significativa da variação do QTc (pré-pós) com a variação do QTc (pré-2h) (r = 0,434 e p = 0,001). Não foi observado diferença estatisticamente significativa do QTd entre os momentos de avaliação (p=0,925). Conclusão: A introdução ambulatorial do sotalol é viável e segura desde que obedecidos os critérios clínicos e eletrocardiográficos de segurança.
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Nossa hipótese principal teve como premissa a viabilidade e segurança da introdução ambulatorial de sotalol para pacientes de baixo risco, tendo como balizadores as medidas do intervalo QTc e a dispersão do QT. Além disso, testamos se uma análise eletrocardiográfica após 2 horas da primeira dose do medicamento pode ser um preditor das alterações eletrocardiográficas encontradas após 72 horas da administração do sotalol. Métodos: Nesta pesquisa, a análise eletrocardiográfica seriada com medidas de intervalos QT corrigidos e sua dispersão, bem como dados clínicos e laboratoriais, foram realizadas em 92 pacientes consecutivos. Os participantes realizaram um eletrocardiograma padrão de 12 derivações (25 mm/s) disponível no início do tratamento, 2 horas após a primeira dose da medicação e após 3 dias, para calcular o intervalo QT corrigido e analisar a dispersão desse intervalo. Os pacientes permaneceram no hospital até o segundo eletrocardiograma ser realizado. Aumento do intervalo QT além de 500 ms ou aumento acima de 10% do basal foram estabelecidos como desfecho primário. Resultados: Noventa e dois pacientes foram incluídos em uma análise inicial no período de julho de 2020 a janeiro de 2025. Vinte e cinco pacientes (27%) apresentaram sintomas durante o início da medicação, mas na maioria dos casos (15 pacientes) os sintomas foram leves e transitórios. Apenas 10 pacientes (11%) apresentaram sintomas limitantes com necessidade de suspender a medicação. Em 6 casos se observou variação do QTc (Pré-Pós) maior que 10%, mas com valores absolutos finais menores que 500 ms e sem efeitos colaterais ou eventos arrítmicos durante o acompanhamento desses pacientes. A frequência cardíaca diminuiu em média do pré-tratamento para os demais momentos avaliados (p<0,001). Foi observado um aumento significativo do QTc após a primeira dose do sotalol (p=0,015), mas não foi possível observar aumento significativo do QTc final em relação aos demais momentos de avaliação (p>0,05). Além disso, foi possível demonstrar correlação direta estatisticamente significativa da variação do QTc (pré-pós) com a variação do QTc (pré-2h) (r = 0,434 e p = 0,001). Não foi observado diferença estatisticamente significativa do QTd entre os momentos de avaliação (p=0,925). Conclusão: A introdução ambulatorial do sotalol é viável e segura desde que obedecidos os critérios clínicos e eletrocardiográficos de segurança.Introduction: Sotalol is an antiarrhythmic drug with proven efficacy for the suppression and prevention of various supraventricular and ventricular arrhythmias. Due to its potential proarrhythmic effects, its initiation should be approached cautiously, and several clinical guidelines recommend that sotalol be started in a hospital setting. However, in clinical practice, it is not uncommon for the drug to be initiated in an outpatient setting in low-risk patients, despite the absence of clinical studies in the literature demonstrating the safety of initiating this medication outside the hospital environment. Objectives: This study aims to assess the safety of initiating sotalol in an outpatient setting. Our primary hypothesis was to assess whether outpatient initiation of sotalol is feasible and safe for low-risk patients with corrected QT interval (QTc) and QT dispersion serving as key parameters. Furthermore, we tested whether electrocardiographic analysis performed two hours after the first dose of the drug can predict the electrocardiographic changes observed 72 hours after sotalol administration. Methods: In this study, serial electrocardiographic analysisincluding corrected QT interval measurements and QT dispersionas well as clinical and laboratory data, were collected from 92 consecutive patients. Standard 12-lead electrocardiograms (25 mm/s) were performed at treatment initiation, two hours after the first dose, and on the third day of treatment to calculate the QTc interval and assess its dispersion. Patients remained in the hospital until the second electrocardiogram was completed. An increase in the QT interval beyond 500 ms or an increase greater than 10% from baseline was defined as the primary endpoint. Results: Ninety-two patients were included in an initial analysis conducted between July 2020 and January 2025. Twenty-five patients (27%) reported symptoms during medication initiation; however, in most cases (15 patients), the symptoms were mild and transient. Only 10 patients (11%) experienced limiting symptoms that required discontinuation of the drug. In six cases, QTc variation (pre-post) exceeded 10%, but the final absolute QTc values remained below 500 ms, with no adverse effects or arrhythmic events observed during follow-up. A significant decrease in heart rate was noted from baseline to subsequent time points (p < 0.001). A significant increase in QTc was observed after the first dose of sotalol (p = 0.015), but no significant increase was found in the final QTc compared to other evaluation points (p > 0.05). Additionally, a statistically significant direct correlation was demonstrated between QTc variation (pre-post) and QTc variation (pre2h) (r = 0.434, p = 0.001). No statistically significant differences in QT dispersion (QTd) were observed between the evaluation time points (p = 0.925). Conclusion: Outpatient initiation of sotalol is feasible and safe, provided that established clinical and electrocardiographic safety criteria are strictly followed.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDarrieux, Francisco Carlos da CostaFerraz, Alberto Pereira2025-08-22info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5131/tde-28012026-122521/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-28T19:09:02Zoai:teses.usp.br:tde-28012026-122521Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-28T19:09:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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