O conceito de natureza humana na Sociobiologia de Edward Wilson e alguns impactos na sua recepção pela comunidade científica: uma investigação em História e Filosofia das Ciências
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-04122023-181350/ |
Resumo: | O conceito de natureza humana é alvo de discussão entre especialistas das ciências humanas e naturais desde a própria fundação das disciplinas que compõem os campos. As explicações biológicas das sociedades ganharam um novo ímpeto com a publicação do livro Sociobiology: The New Synthesis (1975) do entomólogo americano Edward Wilson. Segundo seu livro, a seleção natural havia moldado o comportamento de todos os animais sociais, inclusive dos seres humanos. A sociobiologia wilsoniana conquistou grande prestígio e interesse da comunidade científica e do público em geral por conta das suas explicações quase totalizantes sobre a condição humana. Entretanto, seus críticos acusaram o autor de fornecer justificativas genéticas para o status quo e para privilégios existentes. Censuras epistemológicas severas também foram feitas, como a falta de embasamento para suas assertivas. A querela entre opositores e críticos da sociobiologia persistiu ao longo do restante do século XX, entretanto a grande maioria, senão todos, os opositores de Wilson concordavam com a teoria da evolução em linhas gerais. O objetivo deste trabalho é investigar porque o desentendimento entre as linhas do debate persistiu. Para tanto, faremos uma análise estrutural de Sociobiology (1975) e de On Human Nature (1978), a continuação do primeiro livro que trata exclusivamente da sociobiologia humana. Investigaremos os principais expedientes teóricos e conhecimentos científicos usados por Edward Wilson, assim como parte da sua recepção na comunidade científica. Identificamos que a argumentação do autor envolve aspectos recorrentes, como a universalidade das características humanas, sua origem genética, seu caráter adaptativo, entre outros. Concluímos que a argumentação culmina no que chamamos de especulação biológica, o ato de imaginar relações causais plausíveis, a partir de pressupostos, vocabulário e conhecimentos da biologia para dar novos sentidos a outro tipo de conhecimento. Aqueles que não aceitam a especulação como um expediente válido, ou que encontram falhas metodológicas, recusaram a sociobiologia wilsoniana. Outros a criticaram de maneira superficial e pouco refletida. E há ainda aqueles que tomaram por válida as premissas e apostaram nas hipóteses sociobiológicas. Em linhas gerais, isso impossibilitou que uma verdadeira síntese entre diversos conhecimentos sobre a natureza humana ocorresse, seja sob o nome de sociobiologia, seja sob outro. |
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O conceito de natureza humana na Sociobiologia de Edward Wilson e alguns impactos na sua recepção pela comunidade científica: uma investigação em História e Filosofia das CiênciasThe concept of human nature in Edward Wilson's Sociobiology and some impacts on its reception by the scientific community: an investigation in History and Philosophy of ScienceEdward WilsonEdward WilsonFilosofia da ciênciaHistória da ciênciaHistory of ScienceHuman natureNatureza humanaPhilosophy of ScienceSociobiologiaSociobiologyO conceito de natureza humana é alvo de discussão entre especialistas das ciências humanas e naturais desde a própria fundação das disciplinas que compõem os campos. As explicações biológicas das sociedades ganharam um novo ímpeto com a publicação do livro Sociobiology: The New Synthesis (1975) do entomólogo americano Edward Wilson. Segundo seu livro, a seleção natural havia moldado o comportamento de todos os animais sociais, inclusive dos seres humanos. A sociobiologia wilsoniana conquistou grande prestígio e interesse da comunidade científica e do público em geral por conta das suas explicações quase totalizantes sobre a condição humana. Entretanto, seus críticos acusaram o autor de fornecer justificativas genéticas para o status quo e para privilégios existentes. Censuras epistemológicas severas também foram feitas, como a falta de embasamento para suas assertivas. A querela entre opositores e críticos da sociobiologia persistiu ao longo do restante do século XX, entretanto a grande maioria, senão todos, os opositores de Wilson concordavam com a teoria da evolução em linhas gerais. O objetivo deste trabalho é investigar porque o desentendimento entre as linhas do debate persistiu. Para tanto, faremos uma análise estrutural de Sociobiology (1975) e de On Human Nature (1978), a continuação do primeiro livro que trata exclusivamente da sociobiologia humana. Investigaremos os principais expedientes teóricos e conhecimentos científicos usados por Edward Wilson, assim como parte da sua recepção na comunidade científica. Identificamos que a argumentação do autor envolve aspectos recorrentes, como a universalidade das características humanas, sua origem genética, seu caráter adaptativo, entre outros. Concluímos que a argumentação culmina no que chamamos de especulação biológica, o ato de imaginar relações causais plausíveis, a partir de pressupostos, vocabulário e conhecimentos da biologia para dar novos sentidos a outro tipo de conhecimento. Aqueles que não aceitam a especulação como um expediente válido, ou que encontram falhas metodológicas, recusaram a sociobiologia wilsoniana. Outros a criticaram de maneira superficial e pouco refletida. E há ainda aqueles que tomaram por válida as premissas e apostaram nas hipóteses sociobiológicas. Em linhas gerais, isso impossibilitou que uma verdadeira síntese entre diversos conhecimentos sobre a natureza humana ocorresse, seja sob o nome de sociobiologia, seja sob outro.The concept of human nature has been the subject of discussion among specialists in the human and natural sciences since the foundation of the disciplines that make up the fields. Biological explanations of societies gained new impetus with the publication of Sociobiology: The New Synthesis (1975) by the American entomologist Edward Wilson. According to his book, natural selection had shaped the behavior of all social animals, including humans. Wilsonian sociobiology gained great prestige and interest from the scientific community and the general public due to its almost totalizing explanations of the human condition. However, his critics accused the author of providing genetic justifications for the status quo and existing privileges. Severe epistemological disapproval were also made, such as the lack of foundation for his assertions. The quarrel between opponents and critics of sociobiology persisted throughout the rest of the twentieth century, however the vast majority, if not all, of Wilson\'s opponents agreed with the theory of evolution in general terms. The objective of this work is to investigate why the misunderstanding between the lines of debate persisted. In order to do so, we will make a structural analysis of Sociobiology (1975) and On Human Nature (1978), the sequel of the first book that deals exclusively with human sociobiology. We will investigate the main theoretical expedients and scientific knowledge used by Edward Wilson, as well as part of his reception in the scientific community. We identified that the author\'s argument involves recurrent aspects, such as the universality of human characteristics, their genetic origin, their adaptive character, among others. We conclude that the argument culminates in what we call biological speculation, the act of imagining plausible causal relationships, based on assumptions, vocabulary and knowledge of biology to give new meanings to another type of knowledge. Those who do not accept speculation as a valid expedient, or who find methodological flaws, have rejected Wilsonian sociobiology. Others criticized it in a superficial and unreflective way. And there are still those who took the premises as valid and bet on sociobiological hypotheses. In general terms, this made it impossible for a true synthesis between different types of knowledge about human nature to occur, whether under the name of sociobiology or under another.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos Filho, Gildo Magalhães dosPinho, Tomás Antonio Freire de2023-06-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-04122023-181350/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-12-04T22:09:03Zoai:teses.usp.br:tde-04122023-181350Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-12-04T22:09:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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