Cuidando de branco: medicinas da floresta e turismo entre os Yawanawa
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-23062025-084516/ |
Resumo: | Nas últimas duas décadas o estado do Acre tornou-se um epicentro de turismo indígena no Brasil, atraindo para a floresta visitantes vindos de outros estados ou do exterior, interessados de distintas formas nos saberes indígenas, em especial pelas experiências com ayahuasca, bebida amazônica chamada localmente de \"cipó\" que é produzida na cocção de duas plantas (<i>banisteriopsis caapi</i> e <i>psychotria viridis</i>). Além das qualidades de conectividade da ayahuasca como uma bebida psicoativa mundialmente conhecida, essa característica particular deve ser atribuída às habilidades dos grupos indígenas da família linguística Pano – principalmente os Yawanawa, os Huni Kuin (Kaxinawá ) e os Noke Koî (Katukina) – em formar redes por meios de movimentos de dispersão (com viagens aos centros urbanos para rituais, projetos, parcerias, etc.) e atração (organizando em suas aldeias diversos tipos de eventos, como festivais, dietas e vivências). Deste modo essa tese tem o objetivo de fazer uma análise etnográfica dos caminhos medicinas da floresta – especialmente do <i>uni/nixi pae</i> (ayahuasca), do <i>rome/dume</i> (tabaco), do kambô (<i>phyllomerlusa bicolor</i>), da sananga (<i>tabernaemontana sanango</i>) – utilizadas pelos povos Pano, e outras medicinas que são incorporadas por eles dos nawa (\"brancos\") como o <i>shuru</i> (<i>cannabis sp.</i>), buscando analisar suas possíveis transformações em meio às novas dinâmicas e relações interespécies, a partir da difusão global da ayahuasca e das iniciativas de turismo nas aldeias no Acre. Buscamos deste modo fazer uma articulação entre processos translocais das medicinas da floresta, e seus efeitos locais em termos de relações. Considerando que a transmissão de saberes está enredada com noções de propriedade, controle de fluxos de substâncias e poder, reflito sobre como se articulam saberes indígenas e não indígenas nesses novos contextos. A tese busca entender como os Yawanawa (povo da queixada) vem expandindo sua \"cultura\" translocalmente, considerando as dinâmicas locais das medicinas da floresta e os efeitos dessa expansão frente às políticas dos <i>nawa</i> e às antigas redes locais interétnicas |
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Cuidando de branco: medicinas da floresta e turismo entre os YawanawaCaring for the Whites: forest medicines and tourism among the YawanawaYawanawaTurismoRedes de saberesNeo-xamanismoAyahuascaNeo-shamanismKnowledge networksTourismYawanawaAyahuascaNas últimas duas décadas o estado do Acre tornou-se um epicentro de turismo indígena no Brasil, atraindo para a floresta visitantes vindos de outros estados ou do exterior, interessados de distintas formas nos saberes indígenas, em especial pelas experiências com ayahuasca, bebida amazônica chamada localmente de \"cipó\" que é produzida na cocção de duas plantas (<i>banisteriopsis caapi</i> e <i>psychotria viridis</i>). Além das qualidades de conectividade da ayahuasca como uma bebida psicoativa mundialmente conhecida, essa característica particular deve ser atribuída às habilidades dos grupos indígenas da família linguística Pano – principalmente os Yawanawa, os Huni Kuin (Kaxinawá ) e os Noke Koî (Katukina) – em formar redes por meios de movimentos de dispersão (com viagens aos centros urbanos para rituais, projetos, parcerias, etc.) e atração (organizando em suas aldeias diversos tipos de eventos, como festivais, dietas e vivências). Deste modo essa tese tem o objetivo de fazer uma análise etnográfica dos caminhos medicinas da floresta – especialmente do <i>uni/nixi pae</i> (ayahuasca), do <i>rome/dume</i> (tabaco), do kambô (<i>phyllomerlusa bicolor</i>), da sananga (<i>tabernaemontana sanango</i>) – utilizadas pelos povos Pano, e outras medicinas que são incorporadas por eles dos nawa (\"brancos\") como o <i>shuru</i> (<i>cannabis sp.</i>), buscando analisar suas possíveis transformações em meio às novas dinâmicas e relações interespécies, a partir da difusão global da ayahuasca e das iniciativas de turismo nas aldeias no Acre. Buscamos deste modo fazer uma articulação entre processos translocais das medicinas da floresta, e seus efeitos locais em termos de relações. Considerando que a transmissão de saberes está enredada com noções de propriedade, controle de fluxos de substâncias e poder, reflito sobre como se articulam saberes indígenas e não indígenas nesses novos contextos. A tese busca entender como os Yawanawa (povo da queixada) vem expandindo sua \"cultura\" translocalmente, considerando as dinâmicas locais das medicinas da floresta e os efeitos dessa expansão frente às políticas dos <i>nawa</i> e às antigas redes locais interétnicasIn the past two decades, the state of Acre has become an epicenter of indigenous tourism in Brazil, attracting to the \"forest\" various visitors from other states and abroad. These visitors are interested in indigenous knowledge and experiences with ayahuasca, a beverage locally called \"cipó\", produced by cooking two plants (<i>Banisteriopsis caapi</i> and <i>Psychotria viridis</i>). Beyond the qualities of connectivity and scalability of ayahuasca as a globally known Amazonian psychoactive beverage, this phenomenon should be attributed to the abilities of indigenous groups of the Pano linguistic family – primarily the Yawanawa, Huni Kuin (Kaxinawá ), and Noke Koî (Katukina) – in forming (neo)shamanic networks through expansion movements (trips to urban centers) and attraction (organizing various events in their villages, such as festivals, diets, and immersive experiences). This thesis aims to conduct an ethnographic analysis of the \"paths of forest medicines\"--especially <i>uni/nixi pae</i> (ayahuasca), <i>rome/dume</i> (tobacco), kambô (<i>phyllomedusa bicolor</i>), and sananga (<i>tabernaemontana sananho</i>) – used by the Pano peoples, as well as other medicines they have incorporated from the <i>nawa</i> (\"whites\") like <i>shuru</i> (<i>Cannabis sp.</i>). The study seeks to analyze their potential transformations amid new dynamics and interspecies relations, stemming from the global diffusion of ayahuasca and tourism initiatives in the villages of Acre. In doing so, we aim to articulate translocal processes of forest medicines and their local effects in terms of relationships. Considering that the transmission of knowledge is entwined with notions of property, control of substance flows, and power, I reflect on how indigenous and non-indigenous knowledge systems have been articulated in these new contexts. The thesis seeks to understand how the Yawanawa (the \"peccary people\") have been expanding their shamanism translocally, considering the local dynamics of forest medicines and the effects of this expansion in the face of white policies and longstanding networks with their Pano relatives and non-indigenous neighborBiblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de Filosofia, Letras e Ciências HumanasGallois, Dominique TilkinFerreira Oliveira, Aline2024-12-172025-06-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-23062025-084516/doi:10.11606/T.8.2024.tde-23062025-084516Reter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-22T10:50:26Zoai:teses.usp.br:tde-23062025-084516Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-22T10:50:26Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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