Estudo neuroanatômico e funcional no eixo dos núcleos Paraventricular do Hipotálamo - Motor Dorsal do Vago e fígado envolvidos no controle da glicemia decorrente da ação de insulina no sistema nervoso central
| Ano de defesa: | 2023 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42137/tde-13082025-110902/ |
Resumo: | A glicose é a principal fonte energética para os tecidos, inclusive para o cérebro, e pode ser obtida pela dieta e por processos metabólicos. A fim de evitar grandes variações na sua disponibilidade, o que pode ser prejudicial ao organismo, sua concentração plasmática deve ser finamente controlada. O fígado é essencial na regulação da glicemia, produzindo, armazenando e liberando glicose conforme as necessidades do organismo. Além do fígado, há a participação de hormônios essenciais no controle da glicemia, como a insulina, que atua nas células promovendo captação de glicose, e atua no fígado no controle da liberação hepática de glicose. Evidências mostram que a insulina também age em regiões do sistema nervoso central, em áreas envolvidas com controle autonômico, como no hipotálamo e no bulbo, indicando sua função também no controle neural da liberação de glicose pelo fígado. Estudos prévios mostraram que a injeção de insulina intracerebroventricular (ICV) em ratos Wistar promoveu redução na concentração de glicose da veia hepática (CGVH), via um mecanismo neural dependente da ativação do ramo eferente do nervo vago para fígado. Por outro lado, esta mesma abordagem experimental não promoveu qualquer efeito quando realizada em animais espontaneamente hipertensos (SHR), os quais apresentam clássica disfunção autonômica. Estes achados levaram à hipótese deste estudo, de que a insulina ativa a via parassimpática de controle de funções hepáticas regulatórias da glicemia no eixo hipotálamo-bulbo-fígado, por mecanismos que estão disfuncionais nos SHR, e que, recuperando a disfunção autonômica, esta sinalização deficiente pode ser normalizada. Deste modo, um dos objetivos foi explorar a via PVN-DMV-fígado, de forma a entender como a insulina age nessa circuitaria para controlar as funções hepáticas de controle da glicemia de animais saudáveis e animais SHR, os quais apresentam um prejuízo da ação central de insulina no controle das funções hepáticas. Para tanto, primeiramente, abordamos os neurônios do DMV de SHR com o uso de interferência gênica pela tecnologia DREADD, e observamos que, após uma ativação seletiva e crônica deste núcleo, a injeção de insulina ICV foi capaz de promover a redução da CGVH para níveis semelhantes observados em ratos Wistar. Na próxima etapa experimental, foram analisadas as propriedades eletrofisiológicas de neurônios do DMV que se projetam para fígado (DMV-fígado) de Wistar e SHR com o uso técnica de whole-cell patch clamp, com o objetivo de avaliar a ação da insulina nestes neurônios e o envolvimento de potenciais neurotransmissores envolvidos nesta sinalização. Os resultados demonstraram que a insulina não causou qualquer efeito na excitabilidade dos neurônios DMV-fígado de ratos Wistar, porém evidenciamos que a aplicação de ocitonina (OT), um neuropeptídeo previamente demonstrado ser liberado por infusão de insulina ICV, promoveu despolarização do potencial de repouso da membrana e aumento da frequência de disparos de potenciais de ação quando aplicada em neurônios do DMV-fígado de Wistar. A aplicação de OT não causou os mesmos 10 efeitos em neurônios DMV-fígado de SHR, porém esta resposta foi revertida para aumento da frequência de disparos de potenciais de ação em um grupo de animais SHR previamente submetidos a exercício aeróbico moderado em esteira por 4 semanas. Neste contexto, especulamos que a ação da insulina central estaria ativando o hipotálamo, mais precisamente o núcleo paraventricular (PVN), que possui projeções diretas para os neurônios do DMV e é responsável pela produção e liberação de OT. Para confirmar que de fato a OT estaria participando da ativação da via parassimpática para fígado, foi feita a injeção de insulina ICV em Wistar, com prévio antagonismo dos receptores de OT (OTRant) na região do complexo dorso vagal do bulbo, incluindo o DMV. Os dados mostraram que, mesmo com uma baixa amostragem experimental, a injeção de OTRant atenuou a redução na CGVH induzida pela injeção de insulina ICV, indicando que a OT seria um potencial neurotransmissor envolvido na ativação da via parassimpática para fígado. Por fim, para compreender se a insulina ativaria os neurônios do PVN com projeções para o fígado (PVN-fígado), utilizamos a técnica de tracejamento neuronal transináptico combinado à avaliação eletrofisiológica destes neurônios. Os resultados demonstraram que a aplicação de insulina aumentou a frequência de disparos em neurônios do PVN-fígado por um mecanismo de sinalização intracelular dependente da sinalização do alvo de rapamicina em mamíferos, a mTOR. Desta forma, os achados deste estudo permitem concluir que a via PVN-DMV-fígado está relacionada no controle vagal da CGVH, na qual a insulina age na via ativando neurônios do PVN, via mTOR, que possivelmente ativa os neurônios do DMV por uma sinalização dependente de OT. Além disso, os achados indicam que a provável falha nos efeitos na neurotransmissão ocitocinérgica em neurônios do DMV de animais SHR pode estar relacionada à disfunção autonômica observada nesta linhagem, sendo que o exercício físico pode ser uma intervenção não farmacológica com benefícios para restabelecer essa disfunção e restabelecer o controle neural das ações centrais da insulina na liberação de glicose pelo fígado. |
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Estudo neuroanatômico e funcional no eixo dos núcleos Paraventricular do Hipotálamo - Motor Dorsal do Vago e fígado envolvidos no controle da glicemia decorrente da ação de insulina no sistema nervoso centralNeuroanatomical and functional study on the axis of the Paraventricular Nucleus of Hypothalamus Dorsal Motor of the Vagus Nucleus and liver involved in the control of glycemia resulting from the action of insulin in the central nervous systemautonomic dysfunctiondisfunção autonômicaDMVDMVglicemiaglycemiainsulininsulinaocitocinaoxytocinPVNPVNA glicose é a principal fonte energética para os tecidos, inclusive para o cérebro, e pode ser obtida pela dieta e por processos metabólicos. A fim de evitar grandes variações na sua disponibilidade, o que pode ser prejudicial ao organismo, sua concentração plasmática deve ser finamente controlada. O fígado é essencial na regulação da glicemia, produzindo, armazenando e liberando glicose conforme as necessidades do organismo. Além do fígado, há a participação de hormônios essenciais no controle da glicemia, como a insulina, que atua nas células promovendo captação de glicose, e atua no fígado no controle da liberação hepática de glicose. Evidências mostram que a insulina também age em regiões do sistema nervoso central, em áreas envolvidas com controle autonômico, como no hipotálamo e no bulbo, indicando sua função também no controle neural da liberação de glicose pelo fígado. Estudos prévios mostraram que a injeção de insulina intracerebroventricular (ICV) em ratos Wistar promoveu redução na concentração de glicose da veia hepática (CGVH), via um mecanismo neural dependente da ativação do ramo eferente do nervo vago para fígado. Por outro lado, esta mesma abordagem experimental não promoveu qualquer efeito quando realizada em animais espontaneamente hipertensos (SHR), os quais apresentam clássica disfunção autonômica. Estes achados levaram à hipótese deste estudo, de que a insulina ativa a via parassimpática de controle de funções hepáticas regulatórias da glicemia no eixo hipotálamo-bulbo-fígado, por mecanismos que estão disfuncionais nos SHR, e que, recuperando a disfunção autonômica, esta sinalização deficiente pode ser normalizada. Deste modo, um dos objetivos foi explorar a via PVN-DMV-fígado, de forma a entender como a insulina age nessa circuitaria para controlar as funções hepáticas de controle da glicemia de animais saudáveis e animais SHR, os quais apresentam um prejuízo da ação central de insulina no controle das funções hepáticas. Para tanto, primeiramente, abordamos os neurônios do DMV de SHR com o uso de interferência gênica pela tecnologia DREADD, e observamos que, após uma ativação seletiva e crônica deste núcleo, a injeção de insulina ICV foi capaz de promover a redução da CGVH para níveis semelhantes observados em ratos Wistar. Na próxima etapa experimental, foram analisadas as propriedades eletrofisiológicas de neurônios do DMV que se projetam para fígado (DMV-fígado) de Wistar e SHR com o uso técnica de whole-cell patch clamp, com o objetivo de avaliar a ação da insulina nestes neurônios e o envolvimento de potenciais neurotransmissores envolvidos nesta sinalização. Os resultados demonstraram que a insulina não causou qualquer efeito na excitabilidade dos neurônios DMV-fígado de ratos Wistar, porém evidenciamos que a aplicação de ocitonina (OT), um neuropeptídeo previamente demonstrado ser liberado por infusão de insulina ICV, promoveu despolarização do potencial de repouso da membrana e aumento da frequência de disparos de potenciais de ação quando aplicada em neurônios do DMV-fígado de Wistar. A aplicação de OT não causou os mesmos 10 efeitos em neurônios DMV-fígado de SHR, porém esta resposta foi revertida para aumento da frequência de disparos de potenciais de ação em um grupo de animais SHR previamente submetidos a exercício aeróbico moderado em esteira por 4 semanas. Neste contexto, especulamos que a ação da insulina central estaria ativando o hipotálamo, mais precisamente o núcleo paraventricular (PVN), que possui projeções diretas para os neurônios do DMV e é responsável pela produção e liberação de OT. Para confirmar que de fato a OT estaria participando da ativação da via parassimpática para fígado, foi feita a injeção de insulina ICV em Wistar, com prévio antagonismo dos receptores de OT (OTRant) na região do complexo dorso vagal do bulbo, incluindo o DMV. Os dados mostraram que, mesmo com uma baixa amostragem experimental, a injeção de OTRant atenuou a redução na CGVH induzida pela injeção de insulina ICV, indicando que a OT seria um potencial neurotransmissor envolvido na ativação da via parassimpática para fígado. Por fim, para compreender se a insulina ativaria os neurônios do PVN com projeções para o fígado (PVN-fígado), utilizamos a técnica de tracejamento neuronal transináptico combinado à avaliação eletrofisiológica destes neurônios. Os resultados demonstraram que a aplicação de insulina aumentou a frequência de disparos em neurônios do PVN-fígado por um mecanismo de sinalização intracelular dependente da sinalização do alvo de rapamicina em mamíferos, a mTOR. Desta forma, os achados deste estudo permitem concluir que a via PVN-DMV-fígado está relacionada no controle vagal da CGVH, na qual a insulina age na via ativando neurônios do PVN, via mTOR, que possivelmente ativa os neurônios do DMV por uma sinalização dependente de OT. Além disso, os achados indicam que a provável falha nos efeitos na neurotransmissão ocitocinérgica em neurônios do DMV de animais SHR pode estar relacionada à disfunção autonômica observada nesta linhagem, sendo que o exercício físico pode ser uma intervenção não farmacológica com benefícios para restabelecer essa disfunção e restabelecer o controle neural das ações centrais da insulina na liberação de glicose pelo fígado.Glucose is the main source of energy for tissues, including the brain, and can be obtained from diet and metabolic processes. To avoid large changes in its availability, which can be dangerous to the body, its plasmatic concentration must be highly controlled. The liver is essential in the regulation of blood glucose, producing, storing and releasing glucose according to the organism needs. Besides the liver, there is a participation of essential hormones in glycemic control, such as insulin, which acts in cells promoting glucose uptake, and acts in the liver to control the hepatic release of glucose. Evidence show that insulin also acts in regions of the central nervous system, in areas involved with autonomic control, such as the hypothalamus and the medulla, indicating its function also in the neural control of hepatic releasing of glucose. Previous studies have shown that injection of intracerebroventricular (ICV) insulin in Wistar rats promoted a reduction in the hepatic vein glucose concentration (HVGC), via neural mechanism dependent on the activation of the efferent branch of the vagus nerve to the liver. On the other hand, the same experimental approach did not promote any effect when performed in spontaneously hypertensive animals (SHR), which have classic autonomic dysfunction. These findings led to the hypothesis of this study, that insulin activates the parasympathetic pathway that controls the hepatic regulatory functions of glycemia through a hypothalamic-bulbar involvement, a mechanism that is dysfunctional in SHR, and that, recovering the autonomic dysfunction, the deficient in SHR signaling can be normalized. Thus, one of the aims was to explore the PVN DMV-liver pathway, to understand how insulin acts in this circuitry to control the hepatic functions of glycemic control in healthy and SHR animals, which present an impaired central action of insulin in the control of liver functions. First, we approached the SHR DMV neurons using gene interference by the DREADD technology, and we observed that, after a selective and chronic activation of this nucleus, the injection of insulin ICV was able to promote the decrease of HVGC to similar levels observed in Wistar. In the next step, the electrophysiological properties of DMV neurons that project to the liver (DMV-liver) of Wistar and SHR were analyzed using the whole-cell patch-clamp technique, to evaluate the action of insulin in these neurons and the involvement of potential neurotransmitters participating in this signaling. The results demonstrated that insulin did not cause any effect on the excitability of DMV-liver neurons of Wistar, however it was showed that the application of oxytocin (OT), a neuropeptide previously shown to be released by ICV insulin infusion, promoted depolarization of the resting potential membrane and increased firing frequency of action potential when applied to Wistar DMV-liver neurons. The application of OT did not cause the same effects in SHR DMV-liver neurons; however, this response was reverted to an increase in the firing frequency of action potentials in a group of SHR animals previously submitted to moderate aerobic exercise on a treadmill for 4 weeks. In this context, we speculate that the action of central insulin would be activating the hypothalamus, more precisely the paraventricular nucleus (PVN), which has direct projections to the DMV neurons and is responsible for the production and release of OT. To confirm that OT was actually participating in the activation of the parasympathetic pathway to the liver, 12 insulin ICV was injected in Wistar, with previous antagonism of OT receptors (OTRant) in the dorso-vagal complex region, including the DMV. The data showed that, even with a low experimental sample, the injection of OTRant attenuated the reduction in CGVH induced by the injection of ICV insulin, indicating that OT could be a potential neurotransmitter involved in the activation of the parasympathetic pathway to the liver. Finally, to understand whether insulin would activate PVN neurons with projections to the liver (PVN-liver), we used the transynaptic neuronal tracing technique combined with the electrophysiological evaluation of these neurons. The results demonstrated that the application of insulin increased the firing frequency of the PVN-liver by an intracellular signaling mechanism dependent on the signaling of mammalian target of rapamycin, the mTOR. Thus, the findings of this study allow us to conclude that the PVN-DMV-liver pathway is related to the vagal control of HVGC, in which insulin acts on the pathway activating PVN neurons, via mTOR, which possibly activates DMV neurons by OT-dependent signaling. In addition, the findings indicate that the failure of the effects on oxytocinergic neurotransmission in SHR DMV neurons may be related to the autonomic dysfunction observed in these animals, and that physical exercise can be a non-pharmacological intervention with benefits to restore this dysfunction and restore the neural control of the central actions of insulin in the glucose release by the liver.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAntunes, Vagner RobertoMoraes, Melina Pires da SilvaSantos, Karoline Martins dos2023-07-13info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42137/tde-13082025-110902/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-10T14:08:44Zoai:teses.usp.br:tde-13082025-110902Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-10T14:08:44Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A glicose é a principal fonte energética para os tecidos, inclusive para o cérebro, e pode ser obtida pela dieta e por processos metabólicos. A fim de evitar grandes variações na sua disponibilidade, o que pode ser prejudicial ao organismo, sua concentração plasmática deve ser finamente controlada. O fígado é essencial na regulação da glicemia, produzindo, armazenando e liberando glicose conforme as necessidades do organismo. Além do fígado, há a participação de hormônios essenciais no controle da glicemia, como a insulina, que atua nas células promovendo captação de glicose, e atua no fígado no controle da liberação hepática de glicose. Evidências mostram que a insulina também age em regiões do sistema nervoso central, em áreas envolvidas com controle autonômico, como no hipotálamo e no bulbo, indicando sua função também no controle neural da liberação de glicose pelo fígado. Estudos prévios mostraram que a injeção de insulina intracerebroventricular (ICV) em ratos Wistar promoveu redução na concentração de glicose da veia hepática (CGVH), via um mecanismo neural dependente da ativação do ramo eferente do nervo vago para fígado. Por outro lado, esta mesma abordagem experimental não promoveu qualquer efeito quando realizada em animais espontaneamente hipertensos (SHR), os quais apresentam clássica disfunção autonômica. Estes achados levaram à hipótese deste estudo, de que a insulina ativa a via parassimpática de controle de funções hepáticas regulatórias da glicemia no eixo hipotálamo-bulbo-fígado, por mecanismos que estão disfuncionais nos SHR, e que, recuperando a disfunção autonômica, esta sinalização deficiente pode ser normalizada. Deste modo, um dos objetivos foi explorar a via PVN-DMV-fígado, de forma a entender como a insulina age nessa circuitaria para controlar as funções hepáticas de controle da glicemia de animais saudáveis e animais SHR, os quais apresentam um prejuízo da ação central de insulina no controle das funções hepáticas. Para tanto, primeiramente, abordamos os neurônios do DMV de SHR com o uso de interferência gênica pela tecnologia DREADD, e observamos que, após uma ativação seletiva e crônica deste núcleo, a injeção de insulina ICV foi capaz de promover a redução da CGVH para níveis semelhantes observados em ratos Wistar. Na próxima etapa experimental, foram analisadas as propriedades eletrofisiológicas de neurônios do DMV que se projetam para fígado (DMV-fígado) de Wistar e SHR com o uso técnica de whole-cell patch clamp, com o objetivo de avaliar a ação da insulina nestes neurônios e o envolvimento de potenciais neurotransmissores envolvidos nesta sinalização. Os resultados demonstraram que a insulina não causou qualquer efeito na excitabilidade dos neurônios DMV-fígado de ratos Wistar, porém evidenciamos que a aplicação de ocitonina (OT), um neuropeptídeo previamente demonstrado ser liberado por infusão de insulina ICV, promoveu despolarização do potencial de repouso da membrana e aumento da frequência de disparos de potenciais de ação quando aplicada em neurônios do DMV-fígado de Wistar. A aplicação de OT não causou os mesmos 10 efeitos em neurônios DMV-fígado de SHR, porém esta resposta foi revertida para aumento da frequência de disparos de potenciais de ação em um grupo de animais SHR previamente submetidos a exercício aeróbico moderado em esteira por 4 semanas. Neste contexto, especulamos que a ação da insulina central estaria ativando o hipotálamo, mais precisamente o núcleo paraventricular (PVN), que possui projeções diretas para os neurônios do DMV e é responsável pela produção e liberação de OT. Para confirmar que de fato a OT estaria participando da ativação da via parassimpática para fígado, foi feita a injeção de insulina ICV em Wistar, com prévio antagonismo dos receptores de OT (OTRant) na região do complexo dorso vagal do bulbo, incluindo o DMV. Os dados mostraram que, mesmo com uma baixa amostragem experimental, a injeção de OTRant atenuou a redução na CGVH induzida pela injeção de insulina ICV, indicando que a OT seria um potencial neurotransmissor envolvido na ativação da via parassimpática para fígado. Por fim, para compreender se a insulina ativaria os neurônios do PVN com projeções para o fígado (PVN-fígado), utilizamos a técnica de tracejamento neuronal transináptico combinado à avaliação eletrofisiológica destes neurônios. Os resultados demonstraram que a aplicação de insulina aumentou a frequência de disparos em neurônios do PVN-fígado por um mecanismo de sinalização intracelular dependente da sinalização do alvo de rapamicina em mamíferos, a mTOR. Desta forma, os achados deste estudo permitem concluir que a via PVN-DMV-fígado está relacionada no controle vagal da CGVH, na qual a insulina age na via ativando neurônios do PVN, via mTOR, que possivelmente ativa os neurônios do DMV por uma sinalização dependente de OT. Além disso, os achados indicam que a provável falha nos efeitos na neurotransmissão ocitocinérgica em neurônios do DMV de animais SHR pode estar relacionada à disfunção autonômica observada nesta linhagem, sendo que o exercício físico pode ser uma intervenção não farmacológica com benefícios para restabelecer essa disfunção e restabelecer o controle neural das ações centrais da insulina na liberação de glicose pelo fígado. |
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