Tempo de tela e saúde bucal na infância e adolescência: evidência epidemiológica e revisão sistemática

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barbosa, Liliane Cristina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-02122025-152914/
Resumo: O desenvolvimento da sociedade tem provocado mudanças significativas nos hábitos alimentares e no estilo de vida, especialmente entre crianças e adolescentes. A ampla disponibilidade de alimentos ricos em açúcar, aliada à falta de conhecimento sobre seus impactos na saúde, tem contribuído para o aumento da incidência de cárie dentária. Paralelamente, o uso crescente de dispositivos eletrônicos tem transformado os padrões comportamentais dos mais jovens, influenciando rotinas, interações sociais e escolhas relacionadas à saúde. O tempo dedicado às telas incluindo televisão, celulares, tablets e computadores tem sido associado ao aumento do sedentarismo e ao maior consumo de alimentos ultraprocessados. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo analisar a associação entre o tempo de exposição às telas e a ocorrência de cárie dentária, com base em duas abordagens metodológicas: uma revisão sistemática da literatura e um estudo transversal com crianças de comunidades vulneráveis. Na revisão sistemática, foram identificados 7.696 registros, dos quais 20 artigos foram lidos na íntegra e 7 preencheram os critérios de elegibilidade. A maioria dos estudos apontou maior consumo de alimentos cariogênicos e menor frequência de escovação dentária entre crianças e adolescentes com tempo excessivo de tela. Os resultados sugerem uma associação entre exposição prolongada às telas e pior saúde bucal, mediada principalmente por comportamentos inadequados relacionados à alimentação e à higiene oral. Contudo, a heterogeneidade metodológica entre os estudos limita a robustez dessas evidências. No estudo transversal, observou-se uma associação significativa entre tempo elevado de tela e maior prevalência (CAST 1) e gravidade (CAST- F1 grave) da cárie dentária. A prevalência de cárie foi de 31,5% entre crianças com alto tempo de tela, em comparação a 6,4% entre aquelas com tempo reduzido (RP = 4,69; IC95%: 2,917,55). Para lesões severas, as prevalências foram de 11,5% e 2,4%, respectivamente (RP = 5,78; IC95%: 2,4013,89). Resultados semelhantes foram encontrados para o tempo elevado em telas passivas (RP = 4,56; IC95%: 2,757,57), interativas (RP = 3,61; IC95%: 2,375,50) e para o uso de dois ou mais dispositivos (RP = 3,72; IC95%: 2,445,66). Embora variáveis como renda, escolaridade e moradia estivessem associadas à cárie na análise bivariada, não mantiveram significância após o ajuste, sugerindo que o tempo de tela pode atuar como um mediador do contexto social. Em síntese, os resultados de ambos os estudos indicam que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos está direta ou indiretamente associado à pior saúde bucal e à maior ocorrência de cárie dentária. Esses achados ampliam a compreensão sobre os determinantes contemporâneos da cárie e reforçam a importância de incorporar orientações sobre o uso consciente das telas às estratégias de promoção da saúde bucal, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social.
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O tempo dedicado às telas incluindo televisão, celulares, tablets e computadores tem sido associado ao aumento do sedentarismo e ao maior consumo de alimentos ultraprocessados. Neste contexto, o presente trabalho teve como objetivo analisar a associação entre o tempo de exposição às telas e a ocorrência de cárie dentária, com base em duas abordagens metodológicas: uma revisão sistemática da literatura e um estudo transversal com crianças de comunidades vulneráveis. Na revisão sistemática, foram identificados 7.696 registros, dos quais 20 artigos foram lidos na íntegra e 7 preencheram os critérios de elegibilidade. A maioria dos estudos apontou maior consumo de alimentos cariogênicos e menor frequência de escovação dentária entre crianças e adolescentes com tempo excessivo de tela. Os resultados sugerem uma associação entre exposição prolongada às telas e pior saúde bucal, mediada principalmente por comportamentos inadequados relacionados à alimentação e à higiene oral. Contudo, a heterogeneidade metodológica entre os estudos limita a robustez dessas evidências. No estudo transversal, observou-se uma associação significativa entre tempo elevado de tela e maior prevalência (CAST 1) e gravidade (CAST- F1 grave) da cárie dentária. A prevalência de cárie foi de 31,5% entre crianças com alto tempo de tela, em comparação a 6,4% entre aquelas com tempo reduzido (RP = 4,69; IC95%: 2,917,55). Para lesões severas, as prevalências foram de 11,5% e 2,4%, respectivamente (RP = 5,78; IC95%: 2,4013,89). Resultados semelhantes foram encontrados para o tempo elevado em telas passivas (RP = 4,56; IC95%: 2,757,57), interativas (RP = 3,61; IC95%: 2,375,50) e para o uso de dois ou mais dispositivos (RP = 3,72; IC95%: 2,445,66). Embora variáveis como renda, escolaridade e moradia estivessem associadas à cárie na análise bivariada, não mantiveram significância após o ajuste, sugerindo que o tempo de tela pode atuar como um mediador do contexto social. Em síntese, os resultados de ambos os estudos indicam que o uso excessivo de dispositivos eletrônicos está direta ou indiretamente associado à pior saúde bucal e à maior ocorrência de cárie dentária. Esses achados ampliam a compreensão sobre os determinantes contemporâneos da cárie e reforçam a importância de incorporar orientações sobre o uso consciente das telas às estratégias de promoção da saúde bucal, sobretudo em contextos de vulnerabilidade social.Societal development has led to significant changes in dietary habits and lifestyle, particularly among children and adolescents. The widespread availability of sugar-rich foods, combined with limited awareness of their health impacts, has contributed to a rising incidence of dental caries. Simultaneously, the increasing use of electronic devices has transformed behavioral patterns, influencing routines, social interactions, and health-related choices. Screen time including television, smartphones, tablets, and computershas been associated with increased sedentary behavior and greater consumption of ultra-processed foods. This study aimed to analyze the association between screen time and the occurrence of dental caries through two approaches: a systematic literature review and a cross-sectional study involving children from socially vulnerable communities. The systematic review identified 7,696 records, of which 20 full texts were assessed and 7 met the eligibility criteria. Most studies reported higher consumption of cariogenic foods and reduced toothbrushing frequency among children and adolescents with excessive screen time. The findings suggest a link between prolonged screen exposure and poorer oral health, primarily mediated by unhealthy dietary and hygiene behaviors. However, methodological heterogeneity among studies limits the strength of these associations. In the cross-sectional study, high screen time was significantly associated with greater prevalence (CAST 1) and severity (CAST-F1 severe) of dental caries. Caries prevalence was 31.5% among children with high screen time, compared to 6.4% among those with lower exposure (PR = 4.69; 95%CI: 2.917.55). Severe lesions were observed in 11.5% and 2.4% of these groups, respectively (PR = 5.78; 95%CI: 2.4013.89). Similar associations were found for passive (PR = 4.56), interactive screen time (PR = 3.61), and the use of two or more devices (PR = 3.72). Although income, education, and housing were associated with caries in bivariate analyses, these variables lost significance in multivariate models, suggesting screen time may mediate the effects of social context. In conclusion, both studies indicate that excessive use of electronic devices is directly or indirectly linked to poorer oral health and a higher risk of dental caries. These findings enhance our understanding of contemporary determinants of caries and underscore the importance of integrating screen use guidance into oral health promotion strategies, especially in vulnerable populations.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBastos, Roosevelt da SilvaBarbosa, Liliane Cristina2025-07-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-02122025-152914/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-04T12:57:02Zoai:teses.usp.br:tde-02122025-152914Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-04T12:57:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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