Efeitos da deficiência do gene Pkd1 sobre a resposta à indução de estresse de retículo endoplasmático por tunicamicina e por hipóxia/reoxigenação

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barbosa, Lívia Maria Gruli
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-06102025-160333/
Resumo: A doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é a principal doença monogênica renal, apresentando uma prevalência populacional estimada de 1:1000-2500. Na maioria dos casos, esta enfermidade é causada por uma variante germinativa no gene PKD1 ou PKD2. Entre tais pacientes, a maior parte apresenta variantes em PKD1, gene que codifica policistina-1 (PC1). A DRPAD caracteriza-se pelo desenvolvimento bilateral e progressivo de múltiplos cistos renais e, após um período longo de função renal relativamente preservada ou lentamente declinante, por uma fase de redução rápida da taxa de filtração glomerular. Em reposta a um insulto celular, diferentes vias são ativadas a fim de proteger a célula durante um estresse transitório ou induzir apoptose sob estresse persistente. Estudos anteriores analisaram como a modulação do estresse de retículo endoplasmático (ERE) poderia interferir na progressão da DRPAD, mas não como a deficiência de Pkd1 poderia interferir na resposta à indução de ERE. Neste estudo utilizamos um modelo in vitro, compreendendo células epiteliais de origem tubular renal suficientes e deficientes em Pkd1, para avaliar essa relação potencial. Tais células foram submetidas ao indutor de ERE tunicamicina. Também investigamos a resposta à indução de ERE em células selvagens cocultivadas com uma minoria de células knockout para Pkd1, obtidas por administração de doxiciclina. Uma vez que camundongos haploinsuficientes para Pkd1 apresentam maior suscetibilidade a insulto renal por isquemia/reperfusão, um indutor potencial de estresse de ERE, também analisamos a resposta à indução de ERE em tais células após submetê-las a insulto por hipóxia/reoxigenação (H/Ro). Células Pkd1+/- exibiram maior expressão basal da proteína GRP78 que células Pkd1+/+, enquanto células Pkd1+/+ apresentaram uma resposta mais intensa de ativação da via IRE1/XBP1s por tunicamicina. Em amostras de células não submetidas à inativação de Pkd1 (Pkd1condDox-) e em amostras celulares contendo uma minoria de células com inativação desse gene (Pkd1condDox+), exposição à tunicamicina ativou os ramos IRE1/XBP1 e PERK/eIF2 da via UPR (unfolded protein response), promoveu apoptose, evidenciada por aumento da expressão de caspase-3 clivada e CHOP, e inibiu a expressão de ERK1/2. O insulto H/Ro, por sua vez, reduziu a ativação da via IRE1/XBP1 em células Pkd1condDox+, efeito não observado em células Pkd1condDox-, e induziu aumento do nível de caspase-3 clivada, mas não de CHOP. Interessantemente, os níveis basais de GRP78 e XBP1s apresentaram-se mais elevados em células Pkd1condDox+ que Pkd1condDox-, revelando que deficiência de Pkd1 favorece uma maior ativação basal da via IRE1/XBP1s. Nossos resultados mostraram dinâmicas diferentes de resposta à indução de ERE por tunicamicina e H/Ro, evidenciadas por diferenças na ativação de vias da UPR. Nossos achados de cocultura de células suficientes e knockout para Pkd1 sugerem, portanto, um provável efeito parácrino de uma minoria de células insuficientes para Pkd1 sobre uma maioria de células selvagens, modificando seu status basal de ERE e sua resposta à indução de ERE. Em conclusão, nosso estudo traz informações seminais para o entendimento do papel da PC1 na modulação da resposta à indução de ERE, assim como dados potencialmente essenciais à compreensão do mecanismo envolvido no efeito protetor de PC1 contra insultos renais.
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spelling Efeitos da deficiência do gene Pkd1 sobre a resposta à indução de estresse de retículo endoplasmático por tunicamicina e por hipóxia/reoxigenaçãoEffects of Pkd1 gene deficiency on the response to endoplasmic reticulum stress induction by tunicamycin and hypoxia/reoxygenationAutosomal dominant polycystic kidney diseaseDeficiência do gene Pkd1Doença renal policística autossômica dominanteEndoplasmic reticulum stressEstresse de retículo endoplasmáticoHipóxia/reoxigenaçãoHypoxia/reoxygenationPkd1 gene deficiencyTunicamicinaTunicamycinA doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é a principal doença monogênica renal, apresentando uma prevalência populacional estimada de 1:1000-2500. Na maioria dos casos, esta enfermidade é causada por uma variante germinativa no gene PKD1 ou PKD2. Entre tais pacientes, a maior parte apresenta variantes em PKD1, gene que codifica policistina-1 (PC1). A DRPAD caracteriza-se pelo desenvolvimento bilateral e progressivo de múltiplos cistos renais e, após um período longo de função renal relativamente preservada ou lentamente declinante, por uma fase de redução rápida da taxa de filtração glomerular. Em reposta a um insulto celular, diferentes vias são ativadas a fim de proteger a célula durante um estresse transitório ou induzir apoptose sob estresse persistente. Estudos anteriores analisaram como a modulação do estresse de retículo endoplasmático (ERE) poderia interferir na progressão da DRPAD, mas não como a deficiência de Pkd1 poderia interferir na resposta à indução de ERE. Neste estudo utilizamos um modelo in vitro, compreendendo células epiteliais de origem tubular renal suficientes e deficientes em Pkd1, para avaliar essa relação potencial. Tais células foram submetidas ao indutor de ERE tunicamicina. Também investigamos a resposta à indução de ERE em células selvagens cocultivadas com uma minoria de células knockout para Pkd1, obtidas por administração de doxiciclina. Uma vez que camundongos haploinsuficientes para Pkd1 apresentam maior suscetibilidade a insulto renal por isquemia/reperfusão, um indutor potencial de estresse de ERE, também analisamos a resposta à indução de ERE em tais células após submetê-las a insulto por hipóxia/reoxigenação (H/Ro). Células Pkd1+/- exibiram maior expressão basal da proteína GRP78 que células Pkd1+/+, enquanto células Pkd1+/+ apresentaram uma resposta mais intensa de ativação da via IRE1/XBP1s por tunicamicina. Em amostras de células não submetidas à inativação de Pkd1 (Pkd1condDox-) e em amostras celulares contendo uma minoria de células com inativação desse gene (Pkd1condDox+), exposição à tunicamicina ativou os ramos IRE1/XBP1 e PERK/eIF2 da via UPR (unfolded protein response), promoveu apoptose, evidenciada por aumento da expressão de caspase-3 clivada e CHOP, e inibiu a expressão de ERK1/2. O insulto H/Ro, por sua vez, reduziu a ativação da via IRE1/XBP1 em células Pkd1condDox+, efeito não observado em células Pkd1condDox-, e induziu aumento do nível de caspase-3 clivada, mas não de CHOP. Interessantemente, os níveis basais de GRP78 e XBP1s apresentaram-se mais elevados em células Pkd1condDox+ que Pkd1condDox-, revelando que deficiência de Pkd1 favorece uma maior ativação basal da via IRE1/XBP1s. Nossos resultados mostraram dinâmicas diferentes de resposta à indução de ERE por tunicamicina e H/Ro, evidenciadas por diferenças na ativação de vias da UPR. Nossos achados de cocultura de células suficientes e knockout para Pkd1 sugerem, portanto, um provável efeito parácrino de uma minoria de células insuficientes para Pkd1 sobre uma maioria de células selvagens, modificando seu status basal de ERE e sua resposta à indução de ERE. Em conclusão, nosso estudo traz informações seminais para o entendimento do papel da PC1 na modulação da resposta à indução de ERE, assim como dados potencialmente essenciais à compreensão do mecanismo envolvido no efeito protetor de PC1 contra insultos renais.Autosomal dominant polycystic kidney disease (ADPKD) is the most common monogenic kidney disorder, with an estimated population prevalence of 1:1000-2500. In most cases, this disease is caused by a germline variant in the PKD1 or PKD2 gene. Among these patients, most harbor variants in PKD1, the gene that encodes polycystin-1 (PC1). ADPKD is characterized by bilateral and progressive development of multiple kidney cysts and, after a long period of relatively preserved or slowly declining renal function, by a phase of rapid reduction in glomerular filtration rate. In response to a cellular insult, different pathways are activated to protect the cell during transient stress or to induce apoptosis under persistent stress conditions. Previous studies have investigated how modulation of endoplasmic reticulum stress (ERS) could influence ADPKD progression but not how Pkd1 deficiency could affect the response to ERS induction. In this study, we employed an in vitro model comprising Pkd1-sufficient and Pkd1-deficient kidney tubular epithelial cells to assess this potential relationship. These cells were exposed to the ERS inducer tunicamycin. We also investigated the response to ERS induction in wild-type cells cocultured with a minority of Pkd1 knockout cells, obtained by doxycycline administration. Since Pkd1-haploinsufficient mice exhibit increased susceptibility to renal ischemia/reperfusion injury, a potential ERS inducer, we also analyzed the ERS response in these cells following a hypoxia/reoxygenation (H/Ro) insult. Pkd1+/- cells exhibited higher baseline expression of GRP78 protein compared to Pkd1+/+ cells, whereas Pkd1+/+ cells displayed a more intense activation of the IRE1/XBP1s pathway by tunicamycin. In samples of cells not submitted to Pkd1 inactivation (Pkd1condDox-) and in cell samples containing a minority of cells with gene inactivation (Pkd1condDox+), exposure to tunicamycin activated the IRE1/XBP1 and PERK/eIF2 branches of the unfolded protein response (UPR) pathway, promoted apoptosis, evidenced by increased levels of cleaved caspase-3 and CHOP, and inhibited ERK1/2 expression. The H/Ro insult, in turn, reduced the IRE1/XBP1 pathway activation in Pkd1condDox+ cells, an effect not observed in Pkd1condDox- cells, and led to increased levels of cleaved caspase-3 but not CHOP expression. Interestingly, the baseline levels of GRP78 and XBP1s were higher in Pkd1condDox+ cells than in Pkd1condDox- cells, revealing that Pkd1 deficiency favors a greater baseline activation of the IRE1/XBP1s pathway. Our results showed distinct response dynamics to ERS induction by tunicamycin and H/Ro, evidenced by differences in activation of UPR pathways. Our coculture findings of Pkd1-sufficient and Pkd1 knockout cells suggest, therefore, a likely paracrine effect of a minority of Pkd1-insufficient cells on a majority of wild-type cells, modifying their baseline ERS status and response to ERS induction. In conclusion, our study provides seminal information to the understanding of PC1 role in the modulation of response to ERS induction as well as potentially essential data for the comprehension of the mechanism underlying the PC1 protective effect against kidney insults.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPOnuchic, Luiz FernandoBarbosa, Lívia Maria Gruli2025-05-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-06102025-160333/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-06T19:18:02Zoai:teses.usp.br:tde-06102025-160333Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-06T19:18:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Barbosa, Lívia Maria Gruli
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