Modulação bentônica da distribuição espacial de peixes recifais no Atlântico Sul Ocidental

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barreto, Camila de Rezende
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-29102025-191827/
Resumo: Os recifes são ecossistemas altamente complexos e biodiversos que fornecem inúmeros serviços ecossistêmicos, incluindo pesca, turismo e sequestro de carbono. No sudeste do Brasil, recifes rochosos combinam características de sistemas tropicais e temperados, formando paisagens dominadas por tapetes de algas e dosséis de macroalgas. Esses habitats têm funções distintas: tapetes formam coberturas bidimensionais, enquanto dosséis criam estruturas tridimensionais que aumentam a heterogeneidade ambiental e favorecem micro-habitats usados por invertebrados e peixes. Globalmente, observa-se a perda dos dosséis e sua substituição por tapetes, fenômeno atribuído à urbanização, poluição e mudanças climáticas. Esse processo ocorre também no Brasil, com declínio marcante de Sargassum. A substituição dos dosséis implica redução da complexidade estrutural e pode alterar a dinâmica das comunidades recifais. Embora processos ascendentes (bottom-up) e descendentes (top down) sejam conhecidos em outros contextos, seu papel em recifes subtropicais brasileiros permanece pouco explorado, assim como o efeito das coberturas bentônicas sobre o uso do habitat por peixes. Esta tese investigou essas questões em recifes do litoral norte do Estado de São Paulo. No primeiro capítulo, exploramos a estrutura espacial da cobertura bentônica, dos invertebrados e das assembleias de peixes. Observamos comunidades dominadas por tapetes de algas calcárias articuladas, dosséis de Sargassum spp. e manchas de Palythoa caribaeorum, com cobertura definida por dinâmicas espaciais e temporais. Evidências de controle descendente restringiram-se à herbivoria de ouriços sobre os dosséis, e efeitos ascendente explicaram a maior concentração de peixes invertívoros em áreas com alta abundância de presas. No segundo capítulo, filmagens subaquáticas mostraram que, embora riqueza e diversidade de peixes não variassem entre habitats, os tapetes eram usados de forma mais previsível, enquanto os dosséis sustentaram usos de habitat mais variáveis pelas assembleias e atraíram espécies de maior porte. Esses resultados destacam o papel complementar dos diferentes habitats na manutenção da biodiversidade e contribuem para uma visão integrada da ecologia recifal, apoiando estratégias de conservação frente a crescentes pressões ambientais.
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Globalmente, observa-se a perda dos dosséis e sua substituição por tapetes, fenômeno atribuído à urbanização, poluição e mudanças climáticas. Esse processo ocorre também no Brasil, com declínio marcante de Sargassum. A substituição dos dosséis implica redução da complexidade estrutural e pode alterar a dinâmica das comunidades recifais. Embora processos ascendentes (bottom-up) e descendentes (top down) sejam conhecidos em outros contextos, seu papel em recifes subtropicais brasileiros permanece pouco explorado, assim como o efeito das coberturas bentônicas sobre o uso do habitat por peixes. Esta tese investigou essas questões em recifes do litoral norte do Estado de São Paulo. No primeiro capítulo, exploramos a estrutura espacial da cobertura bentônica, dos invertebrados e das assembleias de peixes. Observamos comunidades dominadas por tapetes de algas calcárias articuladas, dosséis de Sargassum spp. e manchas de Palythoa caribaeorum, com cobertura definida por dinâmicas espaciais e temporais. Evidências de controle descendente restringiram-se à herbivoria de ouriços sobre os dosséis, e efeitos ascendente explicaram a maior concentração de peixes invertívoros em áreas com alta abundância de presas. No segundo capítulo, filmagens subaquáticas mostraram que, embora riqueza e diversidade de peixes não variassem entre habitats, os tapetes eram usados de forma mais previsível, enquanto os dosséis sustentaram usos de habitat mais variáveis pelas assembleias e atraíram espécies de maior porte. Esses resultados destacam o papel complementar dos diferentes habitats na manutenção da biodiversidade e contribuem para uma visão integrada da ecologia recifal, apoiando estratégias de conservação frente a crescentes pressões ambientais.Reefs are highly complex and biodiverse ecosystems that provide numerous ecosystem services, including fishing, tourism, and carbon sequestration. In southeastern Brazil, rocky reefs combine features of tropical and temperate systems, creating landscapes dominated by algal turfs and macroalgal canopies. These habitats have distinct functions: turfs form bidimensional covers, while canopies create tridimensional structures that increase environmental heterogeneity and provide microhabitats used by invertebrates and fish. Globally, the loss of canopies and their replacement by algal turfs has been observed, a phenomenon attributed to coastal urbanization, pollution, and climate change. This process also occurs in Brazil, with a marked decline of Sargassum. The replacement of canopies leads to reduced structural complexity and can alter the dynamics of reef communities. Although bottom-up and top-down processes are well known in other contexts, their role in subtropical Brazilian reefs remains little explored, as does the influence of benthic cover types on fish habitat use. This thesis investigated these issues in reefs off the northern coast of São Paulo State. In the first chapter, we explored the spatial structure of benthic cover, invertebrates, and fish assemblages. We observed communities dominated by turfs of articulated calcareous algae, Sargassum canopies, and patches of Palythoa caribaeorum, with cover patterns shaped by complex spatial and temporal dynamics. Evidence of top-down control was limited to urchin herbivory on canopies, while bottom-up effects explained the higher abundance of invertivorous fish in areas with abundant prey. In the second chapter, underwater video surveys showed that, although fish richness and diversity did not differ between habitats, turfs were used in a more predictable way, while canopies supported more variable patterns of habitat use by assemblages and attracted larger species. These findings highlight the complementary role of different habitats in maintaining biodiversity and contribute to an integrated understanding of reef ecology, supporting conservation strategies in the face of increasing environmental pressures.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAgreda, Juan Pablo QuimbayoFlores, Augusto Alberto ValeroBarreto, Camila de Rezende2025-08-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-29102025-191827/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-30T09:07:02Zoai:teses.usp.br:tde-29102025-191827Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-30T09:07:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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