Um estudo acerca da percepção dos genitores sobre a saúde mental das crianças frente às mudanças desencadeadas pela pandemia de covid-19, no Brasil
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-19032026-162218/ |
Resumo: | A pandemia de COVID-19 acarretou diversas consequências à saúde física e mental da população no mundo todo. As crianças, por sua vez, se constituem como um dos grupos mais vulneráveis aos impactos relacionados à saúde mental devido ao seu processo de desenvolvimento. No caso do Brasil, fatores como a dificuldade de adesão ao ensino online e a vulnerabilidade socioeconômica da população intensificaram esses efeitos. Nesse sentido, a parentalidade também sofreu importante impacto, necessitando lidar com novos desafios e mudanças na dinâmica familiar. Os pais apresentaram alto nível de estresse e um aumento nos sintomas de ansiedade e depressão devido também aos impactos na saúde mental dos filhos. Assim, esta pesquisa tem como objetivo investigar a percepção dos genitores sobre a saúde mental das crianças frente às mudanças desencadeadas pela pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa descritiva. Participaram da pesquisa nove genitores (seis mães e três pais) de crianças entre oito e 13 anos, das camadas médias da população do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi aplicado um questionário sociodemográfico e realizada uma entrevista semiestruturada com roteiro pré-estabelecido. O material foi transcrito e analisado por meio da análise de conteúdo temática segundo Bardin (2016) e de acordo com o referencial teórico da psicanálise, evidenciando três temáticas: As mudanças desencadeadas pela pandemia na dinâmica familiar: a conjugalidade e a parentalidade, As concepções dos genitores sobre saúde mental dos filhos e as alterações percebidas na pandemia e no pós-pandemia e Os recursos utilizados frente às mudanças desencadeadas pela pandemia. Quanto aos resultados, destaca-se as diversas mudanças nomeadas como negativas e positivas na dinâmica familiar; a relação intrínseca do sofrimento das crianças com o sofrimento do ambiente familiar, seja devido à perda de pessoas importantes e ao luto dificultado pela ausência dos rituais de despedida, pelos conflitos na conjugalidade e separações, ou pelos medos de contaminação e consequente morte dos familiares. Os recursos utilizados, alguns concretos, como os espaços oferecidos dos condomínios e ferramentas que as escolas disponibilizaram, e outros subjetivos, como a resiliência, a fratria e o amparo dos genitores. A percepção da saúde mental dos filhos é, assim, uma construção totalmente atravessada pelo olhar e pelas vivências subjetivas dos pais, referentes a esse período e suas implicações no pós pandemia. Concluindo, esse estudo demonstra uma inter-relação entre os aspectos intrapsíquicos de cada um, a dinâmica familiar em seus desdobramentos vinculares e a realidade externa vivida, levando a implicações positivas ou negativas, a partir da confluência desses fatores. Por fim, considera-se que as entrevistas possibilitaram um momento de elaboração do que foi vivido pelos participantes, contribuindo para a construção de conhecimento e/ou recursos para lidar com os resquícios da pandemia que ainda se apresentam atualmente. |
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Um estudo acerca da percepção dos genitores sobre a saúde mental das crianças frente às mudanças desencadeadas pela pandemia de covid-19, no BrasilA study on parents\' perception of children\'s mental health in light of the changes triggered by the COVID-19 pandemic in BrazilchildrenCOVID-19 pandemiccriançasfamíliasfamiliesmental healthpandemia de COVID-19parentalidadeparentingsaúde mentalA pandemia de COVID-19 acarretou diversas consequências à saúde física e mental da população no mundo todo. As crianças, por sua vez, se constituem como um dos grupos mais vulneráveis aos impactos relacionados à saúde mental devido ao seu processo de desenvolvimento. No caso do Brasil, fatores como a dificuldade de adesão ao ensino online e a vulnerabilidade socioeconômica da população intensificaram esses efeitos. Nesse sentido, a parentalidade também sofreu importante impacto, necessitando lidar com novos desafios e mudanças na dinâmica familiar. Os pais apresentaram alto nível de estresse e um aumento nos sintomas de ansiedade e depressão devido também aos impactos na saúde mental dos filhos. Assim, esta pesquisa tem como objetivo investigar a percepção dos genitores sobre a saúde mental das crianças frente às mudanças desencadeadas pela pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa descritiva. Participaram da pesquisa nove genitores (seis mães e três pais) de crianças entre oito e 13 anos, das camadas médias da população do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi aplicado um questionário sociodemográfico e realizada uma entrevista semiestruturada com roteiro pré-estabelecido. O material foi transcrito e analisado por meio da análise de conteúdo temática segundo Bardin (2016) e de acordo com o referencial teórico da psicanálise, evidenciando três temáticas: As mudanças desencadeadas pela pandemia na dinâmica familiar: a conjugalidade e a parentalidade, As concepções dos genitores sobre saúde mental dos filhos e as alterações percebidas na pandemia e no pós-pandemia e Os recursos utilizados frente às mudanças desencadeadas pela pandemia. Quanto aos resultados, destaca-se as diversas mudanças nomeadas como negativas e positivas na dinâmica familiar; a relação intrínseca do sofrimento das crianças com o sofrimento do ambiente familiar, seja devido à perda de pessoas importantes e ao luto dificultado pela ausência dos rituais de despedida, pelos conflitos na conjugalidade e separações, ou pelos medos de contaminação e consequente morte dos familiares. Os recursos utilizados, alguns concretos, como os espaços oferecidos dos condomínios e ferramentas que as escolas disponibilizaram, e outros subjetivos, como a resiliência, a fratria e o amparo dos genitores. A percepção da saúde mental dos filhos é, assim, uma construção totalmente atravessada pelo olhar e pelas vivências subjetivas dos pais, referentes a esse período e suas implicações no pós pandemia. Concluindo, esse estudo demonstra uma inter-relação entre os aspectos intrapsíquicos de cada um, a dinâmica familiar em seus desdobramentos vinculares e a realidade externa vivida, levando a implicações positivas ou negativas, a partir da confluência desses fatores. Por fim, considera-se que as entrevistas possibilitaram um momento de elaboração do que foi vivido pelos participantes, contribuindo para a construção de conhecimento e/ou recursos para lidar com os resquícios da pandemia que ainda se apresentam atualmente.The COVID-19 pandemic led to several consequences for the physical and mental health of the population worldwide. Children, in turn, constitute one of the groups most vulnerable to mental health-related impacts due to their developmental process. In the case of Brazil, factors such as the difficulty in adhering to online learning and the socioeconomic vulnerability of the population intensified these effects. In this sense, parenthood also suffered a significant impact, needing to deal with new challenges and changes in family dynamics. Parents exhibited high levels of stress and an increase in symptoms of anxiety and depression, also due to the impacts on their children\'s mental health. Thus, this research aims to investigate parents\' perception of their children\'s mental health in the face of the changes triggered by the COVID-19 pandemic. This is a descriptive qualitative study. Nine parents (six mothers and three fathers) of children between eight and 13 years old, from the middle classes of the population of Rio de Janeiro and São Paulo, participated in the research. A sociodemographic questionnaire was applied, and a semi-structured interview with a pre-established script was conducted. The material was transcribed and analyzed through thematic content analysis according to Bardin (2016) and based on the theoretical framework of psychoanalysis, revealing three themes: \"The changes triggered by the pandemic in family dynamics: conjugality and parenthood,\" \"Parents\' conceptions about their children\'s mental health and the changes perceived during and after the pandemic,\" and \"The resources used in the face of the changes triggered by the pandemic.\" Regarding the results, the various changes labeled as \"negative\" and \"positive\" in family dynamics stand out; the intrinsic relationship between children\'s suffering and the suffering of the family environment, whether due to the loss of important people and grief complicated by the absence of farewell rituals, conflicts in conjugality and separations, or fears of contamination and consequent death of family members. The resources used, some concrete, such as the spaces offered by condominiums and tools provided by schools, and others subjective, such as resilience, sibling relationships, and the support of parents. Thus, the perception of children\'s mental health is a construction entirely influenced by the perspective and subjective experiences of the parents, related to this period and its implications in the post- pandemic era. In conclusion, this study demonstrates an interrelationship between the intrapsychic aspects of each individual, family dynamics in its relational developments, and the external reality experienced, leading to positive or negative implications based on the confluence of these factors. Finally, it is considered that the interviews provided a moment for processing what was experienced by the participants, contributing to the construction of knowledge and/or resources to deal with the remnants of the pandemic that still persist today.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGomes, Isabel CristinaSilva, Aline de Oliveira2025-11-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-19032026-162218/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-25T09:02:04Zoai:teses.usp.br:tde-19032026-162218Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-25T09:02:04Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A pandemia de COVID-19 acarretou diversas consequências à saúde física e mental da população no mundo todo. As crianças, por sua vez, se constituem como um dos grupos mais vulneráveis aos impactos relacionados à saúde mental devido ao seu processo de desenvolvimento. No caso do Brasil, fatores como a dificuldade de adesão ao ensino online e a vulnerabilidade socioeconômica da população intensificaram esses efeitos. Nesse sentido, a parentalidade também sofreu importante impacto, necessitando lidar com novos desafios e mudanças na dinâmica familiar. Os pais apresentaram alto nível de estresse e um aumento nos sintomas de ansiedade e depressão devido também aos impactos na saúde mental dos filhos. Assim, esta pesquisa tem como objetivo investigar a percepção dos genitores sobre a saúde mental das crianças frente às mudanças desencadeadas pela pandemia de COVID-19. Trata-se de um estudo de natureza qualitativa descritiva. Participaram da pesquisa nove genitores (seis mães e três pais) de crianças entre oito e 13 anos, das camadas médias da população do Rio de Janeiro e São Paulo. Foi aplicado um questionário sociodemográfico e realizada uma entrevista semiestruturada com roteiro pré-estabelecido. O material foi transcrito e analisado por meio da análise de conteúdo temática segundo Bardin (2016) e de acordo com o referencial teórico da psicanálise, evidenciando três temáticas: As mudanças desencadeadas pela pandemia na dinâmica familiar: a conjugalidade e a parentalidade, As concepções dos genitores sobre saúde mental dos filhos e as alterações percebidas na pandemia e no pós-pandemia e Os recursos utilizados frente às mudanças desencadeadas pela pandemia. Quanto aos resultados, destaca-se as diversas mudanças nomeadas como negativas e positivas na dinâmica familiar; a relação intrínseca do sofrimento das crianças com o sofrimento do ambiente familiar, seja devido à perda de pessoas importantes e ao luto dificultado pela ausência dos rituais de despedida, pelos conflitos na conjugalidade e separações, ou pelos medos de contaminação e consequente morte dos familiares. Os recursos utilizados, alguns concretos, como os espaços oferecidos dos condomínios e ferramentas que as escolas disponibilizaram, e outros subjetivos, como a resiliência, a fratria e o amparo dos genitores. A percepção da saúde mental dos filhos é, assim, uma construção totalmente atravessada pelo olhar e pelas vivências subjetivas dos pais, referentes a esse período e suas implicações no pós pandemia. Concluindo, esse estudo demonstra uma inter-relação entre os aspectos intrapsíquicos de cada um, a dinâmica familiar em seus desdobramentos vinculares e a realidade externa vivida, levando a implicações positivas ou negativas, a partir da confluência desses fatores. Por fim, considera-se que as entrevistas possibilitaram um momento de elaboração do que foi vivido pelos participantes, contribuindo para a construção de conhecimento e/ou recursos para lidar com os resquícios da pandemia que ainda se apresentam atualmente. |
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