O trabalho dos agentes comunitários de saúde: uma análise psicológica da saúde do trabalhador

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Sotero, Andréa Luiza Escarabelo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-29092017-144556/
Resumo: Com o objetivo de reestruturar a atenção básica caracterizada pelo atendimento assistencialista, centrado na doença e atendimento médico individualizado, surge no Brasil em 1987, o Programa de Agentes Comunitários de Saúde e a Estratégia Saúde da Família. Incorporando os princípios da universalidade, equidade e integralidade do Sistema Único de Saúde, desenvolve atividades de promoção, prevenção e recuperação da saúde em conjunto com a comunidade. Dessa proposta emerge um novo trabalhador, o Agente Comunitário de Saúde, considerado ponto chave na integração entre a equipe de saúde e as famílias da comunidade. Nessa perspectiva, o Agente Comunitário de Saúde é o foco dessa pesquisa que tem como objetivo identificar, através das percepções desses trabalhadores, os sofrimentos advindos da organização do seu trabalho e vivenciados diariamente. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa com a participação de 24 Agentes Comunitários de Saúde, 100% mulheres, selecionadas por sorteio, integrantes das equipes das sete unidades de Saúde da Família da cidade de Bauru, estado de São Paulo.Utilizou-se como critério de inclusão as Agentes Comunitários de Saúde maiores de dezoito anos e o critério de exclusão foi estar em acompanhamento psicológico devido ao trabalho. As participantes foram entrevistadas com um roteiro semiestruturado para o conhecimento das características das trabalhadoras, a organização do trabalho e a concepção que elas têm sobre o seu trabalho. Foram aplicados o Inventário de Sintomas de Stress em Adultos, o Inventário de Depressão de Beck e o MaslachInventoryBurnout junto a 41,6% das participantes. Para a análise dos dados coletados nas entrevistas, utilizou-se a metodologia da Análise do Discurso. Após leitura meticulosa do material coletado, constatou-senos discursos das trabalhadoras a percepção de sua prática diária envolvendo uma problemática em relação ao vínculo, reconhecido como uma importante tecnologia de trabalho para estabelecer a confiança entre os serviços de saúde e os usuários. Contudo, os meios pelos quais essa tecnologia é efetivada, adicionada à exigência de morar no mesmo bairro dos usuários, distorcem o trabalho das Agentes Comunitários de Saúde como ato, invadem e se misturam às vivências e sentimentos mais particulares dessas trabalhadoras.O vínculo formado com a população produz fragilidades emocionais que influenciam a construção da identidade e deixa evidente que esse trabalho vai além do âmbito profissional. Ainda, através das análises realizadas, identificaram-se relatos de sofrimentos psíquicos diários advindos de fatores psicossociais decorrentes da organização do trabalho.Os testes psicológicos mostraram resultados não significativos para detecção de estresse, depressão e síndrome de burnout. Nas falas foram identificadas ideologias defensivas, o que dificulta que as percepções descritas nessa pesquisa adquiram formas de alavancar uma mudança social na organização do trabalho do Agente Comunitário de Saúde.
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Nessa perspectiva, o Agente Comunitário de Saúde é o foco dessa pesquisa que tem como objetivo identificar, através das percepções desses trabalhadores, os sofrimentos advindos da organização do seu trabalho e vivenciados diariamente. Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa com a participação de 24 Agentes Comunitários de Saúde, 100% mulheres, selecionadas por sorteio, integrantes das equipes das sete unidades de Saúde da Família da cidade de Bauru, estado de São Paulo.Utilizou-se como critério de inclusão as Agentes Comunitários de Saúde maiores de dezoito anos e o critério de exclusão foi estar em acompanhamento psicológico devido ao trabalho. As participantes foram entrevistadas com um roteiro semiestruturado para o conhecimento das características das trabalhadoras, a organização do trabalho e a concepção que elas têm sobre o seu trabalho. 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Contudo, os meios pelos quais essa tecnologia é efetivada, adicionada à exigência de morar no mesmo bairro dos usuários, distorcem o trabalho das Agentes Comunitários de Saúde como ato, invadem e se misturam às vivências e sentimentos mais particulares dessas trabalhadoras.O vínculo formado com a população produz fragilidades emocionais que influenciam a construção da identidade e deixa evidente que esse trabalho vai além do âmbito profissional. Ainda, através das análises realizadas, identificaram-se relatos de sofrimentos psíquicos diários advindos de fatores psicossociais decorrentes da organização do trabalho.Os testes psicológicos mostraram resultados não significativos para detecção de estresse, depressão e síndrome de burnout. Nas falas foram identificadas ideologias defensivas, o que dificulta que as percepções descritas nessa pesquisa adquiram formas de alavancar uma mudança social na organização do trabalho do Agente Comunitário de Saúde.With the objective of restructuring the basic care characterized by care assistance, centered on the disease and individualized medical care, the Program of Community Health Agents and the Family Health Strategy emerged in Brazil in 1987. Incorporating the principles of universality, equity and integrality of the Unified Health System, it develops health promotion, prevention and recovery activities together with the community. From this proposal emerges a new worker, the Community Health Agent, considered a key point in the integration between the health team and the families of the community. In this perspective, the Community Health Agent is the focus of this research whose objective is to identify, through the perceptions of these workers, the sufferings arising from the organization of their work and experienced daily. It is a qualitative study with the participation of 24 Community Health Agents, 100% women, selected by lot, members of the teams of the seven units of Family Health in the city of Bauru, state of São Paulo. The inclusion criteria were Community Health Agents over eighteen years old and the criterion of exclusion was to be in psychological accompaniment due to work. Participants were interviewed with a semistructured roadmap for the knowledge of the characteristics of the workers, the organization of work and the conception that they have about their work. The Inventory of Stress Symptoms in Adults, the Beck Depression Inventory and the Maslach Inventory Burnout were applied to 41.6% of the participants. For the analysis of the data collected in the interviews, the Discourse Analysis methodology was used. After a meticulous reading of the collected material, it was observed in the workers\' discourses the perception of their daily practice involving a problem related to the bond, recognized as an important work technology to establish trust between the health services and the users. However, the means by which this technology is applied, added to the requirement of living in the same neighborhood as the users, distort the work of the Community Health Agents as an act, invade and mix with the experiences and feelings more particular of these workers. The bond formed with the population produces emotional fragilities that influence the construction of identity and makes evident that this work goes beyond the professional scope. Also, through the analyzes carried out, reports of daily psychic suffering from psychosocial factors resulting from work organization were identified. The psychological tests showed non-significant results for detection of stress, depression and burnout syndrome. Defensive ideologies were identified in the speeches, which makes it difficult for the perceptions described in this research to acquire ways of leveraging a social change in the organization of the work of the Community Health Agent.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTomita, Nilce EmySotero, Andréa Luiza Escarabelo2017-04-28info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-29092017-144556/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-08-12T14:25:02Zoai:teses.usp.br:tde-29092017-144556Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-08-12T14:25:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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