O desenvolvimento do comportamento agonístico em macacos-prego do peito amarelo (Sapajus xanthosternos)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Oliveira, Nayara Aparecida Teles
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47132/tde-25082025-200345/
Resumo: O comportamento agonístico tem um papel central na interação social e no desenvolvimento dos primatas. É definido como um conjunto de padrões comportamentais que regulam interações em situações de conflito, caracterizando-se por três principais componentes: ameaça, agressão e submissão. O comportamento agonístico envolve direção (emissão ou recepção) e sentido (intra ou interespecífico) e varia em intensidade, frequência e duração, desde contatos rápidos até ameaças prolongadas a distância. A noção tradicional da agressão como um instinto antissocial é ultrapassada, porém continua um tópico pouco explorado em primatas neotropicais, principalmente em populações selvagens. Sob essa perspectiva, o objetivo deste estudo foi investigar o desenvolvimento do comportamento agonístico em infantes de macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), uma espécie endêmica e ameaçada da Mata Atlântica no Brasil. Testamos as hipóteses que: (1) o comportamento agonístico aumenta com a idade, (2) há diferenças nos padrões comportamentais agonísticos entre os sexos, bem como diferenças sexuais na emissão e recepção de comportamentos agonísticos e (3) os comportamentos agonísticos ocorrem mais frequentemente em interações interespecíficas do que intraespecíficas. Para tanto, analisamos filmagens semanais, realizadas seguindo o método animal focal, de 8 jovens (4 machos e 4 fêmeas) de uma população de S. xanthosternos que habita a Reserva Biológica de Una, na Bahia, Brasil. Para cada sujeito, analisamos os comportamentos agonísticos realizados desde o nascimento ao primeiro ano de vida (1-13 meses) e trimestralmente até o terceiro ano de vida (15, 18, 21, 24, 27, 30, 33 e 36 meses). Transcrevemos os eventos com o auxílio do software The Observer XT 13. Triamos aproximadamente 290 horas de vídeo. Para cada indivíduo, calculamos a taxa por hora da (1) ocorrência, (2) direção e (3) sentido do comportamento agonístico. Nos primeiros meses de vida os animais já exibiam comportamentos de ameaça. O comportamento agonístico aumentou durante o primeiro ano de vida, mas variou em diferentes períodos do segundo e terceiro ano de vida entre os sexos. Encontramos diferencias sexuais. Machos exibiram um pico significativo de ações agonísticas no 12° mês de vida, enquanto fêmeas atingiram o pico no mês 24º. Ambos os sexos apresentaram tanto emissão quanto recepção do comportamento desde os primeiros meses de vida, porém as fêmeas receberam mais agonismo do que emitiram. Por fim, as interações interespecíficas foram menos frequentes do que as interações intraespecíficas. O estudo do comportamento agonístico em primatas é fundamental para compreender suas dinâmicas sociais e adaptativas. Contudo, a progressiva aquisição dos padrões que envolvem o comportamento agonístico durante a ontogenia individual é um fenômeno raramente estudado. Este trabalho amplia a compreensão sobre o desenvolvimento inicial do comportamento agonístico em primatas de vida livre e contribui para futuras investigações comparativas sobre o conflito em primatas, humanos e não humanos.
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Sob essa perspectiva, o objetivo deste estudo foi investigar o desenvolvimento do comportamento agonístico em infantes de macaco-prego-do-peito-amarelo (Sapajus xanthosternos), uma espécie endêmica e ameaçada da Mata Atlântica no Brasil. Testamos as hipóteses que: (1) o comportamento agonístico aumenta com a idade, (2) há diferenças nos padrões comportamentais agonísticos entre os sexos, bem como diferenças sexuais na emissão e recepção de comportamentos agonísticos e (3) os comportamentos agonísticos ocorrem mais frequentemente em interações interespecíficas do que intraespecíficas. Para tanto, analisamos filmagens semanais, realizadas seguindo o método animal focal, de 8 jovens (4 machos e 4 fêmeas) de uma população de S. xanthosternos que habita a Reserva Biológica de Una, na Bahia, Brasil. Para cada sujeito, analisamos os comportamentos agonísticos realizados desde o nascimento ao primeiro ano de vida (1-13 meses) e trimestralmente até o terceiro ano de vida (15, 18, 21, 24, 27, 30, 33 e 36 meses). Transcrevemos os eventos com o auxílio do software The Observer XT 13. Triamos aproximadamente 290 horas de vídeo. Para cada indivíduo, calculamos a taxa por hora da (1) ocorrência, (2) direção e (3) sentido do comportamento agonístico. Nos primeiros meses de vida os animais já exibiam comportamentos de ameaça. O comportamento agonístico aumentou durante o primeiro ano de vida, mas variou em diferentes períodos do segundo e terceiro ano de vida entre os sexos. Encontramos diferencias sexuais. Machos exibiram um pico significativo de ações agonísticas no 12° mês de vida, enquanto fêmeas atingiram o pico no mês 24º. Ambos os sexos apresentaram tanto emissão quanto recepção do comportamento desde os primeiros meses de vida, porém as fêmeas receberam mais agonismo do que emitiram. Por fim, as interações interespecíficas foram menos frequentes do que as interações intraespecíficas. O estudo do comportamento agonístico em primatas é fundamental para compreender suas dinâmicas sociais e adaptativas. Contudo, a progressiva aquisição dos padrões que envolvem o comportamento agonístico durante a ontogenia individual é um fenômeno raramente estudado. Este trabalho amplia a compreensão sobre o desenvolvimento inicial do comportamento agonístico em primatas de vida livre e contribui para futuras investigações comparativas sobre o conflito em primatas, humanos e não humanos.Agonistic behavior plays a central role in social interaction and the development of primates. It comprises a set of behavioral patterns that regulate interactions in conflict situations and is char-acterized by three main components: threat, aggression, and submission. Agonistic behavior in-volves direction (emission or reception) and sense (intraspecific or interspecific) and varies in intensity and duration, ranging from brief contact to prolonged threats at a distance. The tradi-tional notion of aggression as an antisocial instinct is outdated; however, it remains an underex-plored topic in neotropical primates, especially in wild individuals. From this perspective, this study aimed to investigate the development of agonistic behavior in infant yellow-breasted capu-chin monkeys (Sapajus xanthosternos), an endemic and endangered species of the Atlantic Forest in Brazil. We tested the following hypotheses: (1) agonistic behavior increases with age, (2) there are differences in agonistic behavioral patterns between sexes, as well as sexual differences in the emission and reception of agonistic behaviors, and (3) agonistic behaviors occur more frequently in interspecific interactions than in intraspecific ones. To this end, we analyzed weekly video recordings, following the focal animal sampling method, of 8 infants (4 males and 4 females) from a population of S. xanthosternos inhabiting the Una Biological Reserve in Bahia. For each subject, we analyzed agonistic behaviors exhibited from birth through the first year of life (1-13 months) and quarterly until the third year of life (15, 18, 21,24, 27, 30, 33, and 36 months). Events were transcribed using The Observer XT 13 software. Approximately 290 hours of video were screened. For each individual, we calculated the hourly rate of (1) occurrence, (2) direction and (3) sense of agonistic behavior. As early as the first months of life, the animals displayed threatening behaviors. Agonistic behavior increased during the first year of life but varied be-tween sexes during different periods of the second and third years. Males showed a significant peak of agonistic actions in the 12th month of life, while one of the females exhibited a signifi-cant peak in the 24th month. Both sexes displayed both the emission and reception of agonistic behavior from the first months of life; however, females received more than they emitted. Finally, interspecific interactions were less frequent than intraspecific interactions. The study of agonistic behavior in primates is fundamental for understanding these species\' social and adaptive dynam-ics. Nevertheless, the progressive acquisition of agonistic behavior patterns during individual ontogeny is rarely studied. The present study broadens the understanding of the early develop-ment of agonistic behavior in wild primates and contributes to future comparative investigations of conflict in both human and non-human primates.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDemonte, Irene Silvia DelvalMauro, Patricia IzarOliveira, Nayara Aparecida Teles2025-04-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47132/tde-25082025-200345/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-29T18:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-25082025-200345Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-29T18:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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