Descoberta e exploração biocatalítica de ene-redutases fúngicas
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75133/tde-25102024-113306/ |
Resumo: | Old Yellow Enzymes (OYEs) catalisam a redução de ligações duplas em compostos α,β-insaturados, especialmente aqueles contendo grupos retiradores de elétrons, o que é relevante para a síntese de compostos enantiomericamente puros. OYEs oferecem vantagens sobre catalisadores químicos devido à sua alta enantioseletividade e estereosseletividade, juntamente com sua capacidade de agir em condições brandas. A identificação da primeira OYE data de 1932, e esforços contínuos na pesquisa revelaram variantes adicionais originárias de diversas fontes. Dentro desse conjunto, certas enzimas apresentam arranjos estruturais e propriedades funcionais distintas. Para agrupar essas enzimas, elas foram classificadas em sete categorias com base em características de sequência e estrutura. Este trabalho concentrou-se em OYEs provenientes de fungos, incluindo Penicillium citrinum CBMAI 1186 e Penicillium steckii (ambas espécies mesofílicas), bem como Aspergillus thermomutatus, Chaetomium thermophilum, Lachancea thermotolerans, Ogataea polymorpha e Thermothielavioides terrestris (todas espécies termofílicas). Para o estudo envolvendo P. citrinum CBMAI 1186, reações com células integras foram realizadas para reduzir cinco compostos α,β,γ,δ-insaturados os quais compartilham um motivo estrutural comum: dois anéis de benzeno conectados por cinco átomos de carbono, com um átomo de carbono ligado a um grupo carbonila e dois pares de átomos conectados por dupla ligação. A característica distintiva entre eles é o grupo substituinte localizado na posição para no anel adjacente ao grupo carbonila, sendo bromo-, cloro-, flúor-, metil- e nitro os grupos. Altas conversões foram alcançadas para compostos contendo grupos flúor e metil, com valores de até 90% de conversão em um período de reação de 3 dias. Para P. steckii, onze genes codificadores de OYE foram selecionados, resultando na expressão e purificação de seis enzimas (PsOYE1-6). Essas enzimas foram classificadas em três classes: Classe II (PsOYE1, PsOYE4 e PsOYE6), Classe III (PsOYE2 e PsOYE3) e Classe V (PsOYE5). Todas as enzimas exibiram temperatura de desnaturação abaixo de 50°C, faixa de pH ótimo de 6-7, preferência por NADPH e alta atividade em relação à p-benzoquinona. Especificamente, PsOYE2 e PsOYE3 mostraram a maior afinidade (0,002 e 0,008 mM, respectivamente) e eficiência catalítica (kcat/KM = 2500 mM-1s-1) para este composto. PsOYE2 também teve sua estrutura elucidada por cristalografia. Com o intuito de expandir o repertório de OYEs robustas, fungos termofílicos foram explorados, resultando na produção e caracterização de cinco OYEs termoestáveis (AtOYE, CtOYE, LtOYE, OpOYE e TtOYE). Todas as enzimas exibiram preferência por NADPH e faixa de pH ótimo de 6-7. AtOYE apresentou atividade para todos os substratos testados, enquanto TtOYE exibiu a maior eficiência catalítica para maleimida (kcat/KM = 3300 mM-1s-1) e p-benzoquinona (kcat/KM = 60mM-1s-1). CtOYE e OpOYE apresentaram as maiores temperaturas de desnaturação (>60°C). A influência do solvente orgânico e do pH na temperatura de desnaturação também foi investigada, revelando que o dimetilsulfóxido foi menos prejudicial. Em pH 4, a temperatura de desnaturação sofreu maior redução. Além disso, das novas OYEs descobertas, quatro (AtOYE, PsOYE3, PsOYE4 e PsOYE5) foram selecionadas para conversões de células inteiras usando Escherichia coli com os compostos α,β,γ,δ-insaturados e R-carvona previamente testados. O uso de um sistema bifásico (hexano 2% v/v) aumentou os valores de conversão em quatro vezes. Notavelmente, ao usar R-carvona, o excesso diastereomérico (d.e.) obtido foi inferior a 80% para todas as reações, em comparação com as enzimas isoladas que atingiram >99%. Em resumo, este trabalho teve como objetivo obter, caracterizar e aplicar OYEs fúngicas para contribuir com novas perspectivas sobre este grupo de enzimas, enriquecendo o repertório disponível para a biocatálise e expandindo as perspectivas para futuras aplicações. |
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Descoberta e exploração biocatalítica de ene-redutases fúngicasDiscovery and biocatalytic exploration of fungal ene-reductasesbiocatálisebiocatalysisene-reductaseene-redutasefungifungosOYEOYEOld Yellow Enzymes (OYEs) catalisam a redução de ligações duplas em compostos α,β-insaturados, especialmente aqueles contendo grupos retiradores de elétrons, o que é relevante para a síntese de compostos enantiomericamente puros. OYEs oferecem vantagens sobre catalisadores químicos devido à sua alta enantioseletividade e estereosseletividade, juntamente com sua capacidade de agir em condições brandas. A identificação da primeira OYE data de 1932, e esforços contínuos na pesquisa revelaram variantes adicionais originárias de diversas fontes. Dentro desse conjunto, certas enzimas apresentam arranjos estruturais e propriedades funcionais distintas. Para agrupar essas enzimas, elas foram classificadas em sete categorias com base em características de sequência e estrutura. Este trabalho concentrou-se em OYEs provenientes de fungos, incluindo Penicillium citrinum CBMAI 1186 e Penicillium steckii (ambas espécies mesofílicas), bem como Aspergillus thermomutatus, Chaetomium thermophilum, Lachancea thermotolerans, Ogataea polymorpha e Thermothielavioides terrestris (todas espécies termofílicas). Para o estudo envolvendo P. citrinum CBMAI 1186, reações com células integras foram realizadas para reduzir cinco compostos α,β,γ,δ-insaturados os quais compartilham um motivo estrutural comum: dois anéis de benzeno conectados por cinco átomos de carbono, com um átomo de carbono ligado a um grupo carbonila e dois pares de átomos conectados por dupla ligação. A característica distintiva entre eles é o grupo substituinte localizado na posição para no anel adjacente ao grupo carbonila, sendo bromo-, cloro-, flúor-, metil- e nitro os grupos. Altas conversões foram alcançadas para compostos contendo grupos flúor e metil, com valores de até 90% de conversão em um período de reação de 3 dias. Para P. steckii, onze genes codificadores de OYE foram selecionados, resultando na expressão e purificação de seis enzimas (PsOYE1-6). Essas enzimas foram classificadas em três classes: Classe II (PsOYE1, PsOYE4 e PsOYE6), Classe III (PsOYE2 e PsOYE3) e Classe V (PsOYE5). Todas as enzimas exibiram temperatura de desnaturação abaixo de 50°C, faixa de pH ótimo de 6-7, preferência por NADPH e alta atividade em relação à p-benzoquinona. Especificamente, PsOYE2 e PsOYE3 mostraram a maior afinidade (0,002 e 0,008 mM, respectivamente) e eficiência catalítica (kcat/KM = 2500 mM-1s-1) para este composto. PsOYE2 também teve sua estrutura elucidada por cristalografia. Com o intuito de expandir o repertório de OYEs robustas, fungos termofílicos foram explorados, resultando na produção e caracterização de cinco OYEs termoestáveis (AtOYE, CtOYE, LtOYE, OpOYE e TtOYE). Todas as enzimas exibiram preferência por NADPH e faixa de pH ótimo de 6-7. AtOYE apresentou atividade para todos os substratos testados, enquanto TtOYE exibiu a maior eficiência catalítica para maleimida (kcat/KM = 3300 mM-1s-1) e p-benzoquinona (kcat/KM = 60mM-1s-1). CtOYE e OpOYE apresentaram as maiores temperaturas de desnaturação (>60°C). A influência do solvente orgânico e do pH na temperatura de desnaturação também foi investigada, revelando que o dimetilsulfóxido foi menos prejudicial. Em pH 4, a temperatura de desnaturação sofreu maior redução. Além disso, das novas OYEs descobertas, quatro (AtOYE, PsOYE3, PsOYE4 e PsOYE5) foram selecionadas para conversões de células inteiras usando Escherichia coli com os compostos α,β,γ,δ-insaturados e R-carvona previamente testados. O uso de um sistema bifásico (hexano 2% v/v) aumentou os valores de conversão em quatro vezes. Notavelmente, ao usar R-carvona, o excesso diastereomérico (d.e.) obtido foi inferior a 80% para todas as reações, em comparação com as enzimas isoladas que atingiram >99%. Em resumo, este trabalho teve como objetivo obter, caracterizar e aplicar OYEs fúngicas para contribuir com novas perspectivas sobre este grupo de enzimas, enriquecendo o repertório disponível para a biocatálise e expandindo as perspectivas para futuras aplicações.Old Yellow Enzymes (OYEs) catalyze the reduction of double bonds in α,β-unsaturated compounds, especially those containing electron-withdrawing groups, which is relevant for the synthesis of enantiomerically pure compounds. OYEs offer advantages over chemical catalysts due to their high enantioselectivity and stereoselectivity, along with their ability to act under mild conditions. The identification of the first OYE dates to 1932, and continuous research efforts have revealed additional variants originating from diverse sources. Within this set, certain enzymes exhibit distinct structural arrangements and functional properties. To accommodate these enzymes, they have been categorized into seven classes based on sequence and structural characteristics. This study focused on OYEs derived from fungi, including Penicillium citrinum CBMAI 1186 and Penicillium steckii (both mesophilic species), as well as Aspergillus thermomutatus, Chaetomium thermophilum, Lachancea thermotolerans, Ogataea polymorpha, and Thermothielavioides terrestris (all thermophilic species). For the study involving P. citrinum CBMAI 1186, whole-cell reactions were conducted to reduce five α,β,γ,δ-unsaturated compounds that share a common structural motif: two benzene rings connected by five carbon atoms, with one carbon atom bonded to a carbonyl group and two pairs of atoms connected by double bonds. The distinguishing feature among them is the substituent group located at the para position on the ring adjacent to the carbonyl group, including bromo, chloro, fluoro, methyl, and nitro groups. High conversions were achieved for compounds containing fluoro and methyl groups, with values up to 90% conversion in a 3-day reaction period. For P. steckii, eleven OYE-encoding genes were selected, resulting in the expression and purification of six enzymes (PsOYE1-6). These enzymes were classified into three classes: Class II (PsOYE1, PsOYE4, and PsOYE6), Class III (PsOYE2 and PsOYE3), and Class V (PsOYE5). All enzymes exhibited a melting temperature below 50°C, an optimal pH range of 6-7, preference for NADPH, and high activity towards p-benzoquinone. Specifically, PsOYE2 and PsOYE3 showed the highest affinity (0.002 and 0.008 mM, respectively) and catalytic efficiency (kcat/KM = 2500 mM-1s-1) for this compound. PsOYE2 also had its structure elucidated by crystallography. To expand the repertoire of robust OYEs, thermophilic fungi were explored, resulting in the production and characterization of five thermostable OYEs (AtOYE, CtOYE, LtOYE, OpOYE, and TtOYE). All enzymes exhibited a preference for NADPH and an optimal pH range of 6-7. AtOYE showed activity for all tested substrates, while TtOYE exhibited the highest catalytic efficiency for maleimide (kcat/KM = 3300 mM-1s-1) and p-benzoquinone (kcat/KM = 60 mM-1s-1). CtOYE and OpOYE had the highest melting temperatures (>60°C). The influence of organic solvent and pH on the melting temperature was also investigated, revealing that dimethyl sulfoxide was less harmful. At pH 4, the melting temperature was lower compared to other pH levels. Additionally, of the newly discovered OYEs, four (AtOYE, PsOYE3, PsOYE4, and PsOYE5) were selected for whole-cell conversions using Escherichia coli with the previously tested α,β,γ,δ-unsaturated compounds and R-carvone. The use of a biphasic system (2% v/v hexane) increased conversion values fourfold. Notably, when using R-carvone, the diastereomeric excess (d.e.) obtained was less than 80% for all reactions, compared to isolated enzymes which achieved >99%. In summary, this work aimed to obtain, examine, and apply fungal OYEs to contribute new perspectives on this enzyme group, enriching the available arsenal for biocatalysis and expanding prospects for future applications.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPorto, André Luiz MeleiroDamada, Pedro Henrique2024-10-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75133/tde-25102024-113306/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-25T16:14:02Zoai:teses.usp.br:tde-25102024-113306Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-25T16:14:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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