Da estética do conceito à cognição do sensível: uma análise semiótica do objeto de arte conceitual no século XX
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/93/93131/tde-19022026-171116/ |
Resumo: | Neste trabalho, analisamos o fenômeno das artes conceituais sob um ponto de vista semiótico. Mais precisamente, tratamos de alguns problemas relacionados ao objeto de arte conceitual e apresentamos uma perspectiva interpretativa focada nos tipos sígnicos que tais objetos conceituais assumem em suas práticas comunicativas. Na dificuldade de caracterizar o fenômeno conceitual do qual tratamos, e da inescapável vagueza do conceito de \"arte conceitual\" na história da arte, problematizamos seus objetos e seus fenômenos enquanto processos e produtos de experimentações artísticas em duas direções: (1) na exploração de materialidades não-convencionais e não apegadas à apresentação estética ou à sua durabilidade, e (2) nos seus fins comunicativos, informativos ou agentivos, que dão propósito às escolhas materiais. Assim, no capítulo 1 contextualizamos o fenômeno da arte conceitual junto à crise do objeto artístico, em oposição à obra de arte convencional, a partir do qual a arte conceitual suscitará uma cascata de desafios: partindo de um problema ontológico (em caracterizar o que a obra é), encontraremos um problema fenomenológico (em caracterizar as experiências derivadas dela), um problema comunicativo e/ou interpretativo (em acessar seus sentidos possíveis), e um problema institucional (em como tratá-las institucionalmente). Para tais problemas, oferecemos uma abordagem metodológica baseada no conjunto de teorias semióticas do filósofo pragmatista Charles Sanders Peirce. Seu signo de concepção triádica se justificará na observação de alguns elementos cruciais ao fenômeno da arte conceitual: sua materialidade diversa, seus conteúdos comunicados e seus efeitos práticos. O capítulo 2 introduz os fundamentos da filosofia e do pragmatismo de Peirce para sustentar a premissa de que a obra de arte conceitual seja tomada como um signo, estabilizado por convergência de hábitos e desenvolvido pelas atualizações nas instâncias interpretativas. O capítulo 3 aborda a Fenomenologia, a Semiótica e a Estética de Peirce, pelas quais se torna possível conceber a obra de arte conceitual (na condição de signo) enquanto dada na experiência, disposta em redes semióticas e sujeita ao desenvolvimento regido por ideais. Para ilustrar essa aplicabilidade, o capítulo 4 é destinado às análises semióticas de um conjunto de obras, tomando-se por base a categorização da arte conceitual proposta por Peter Osborne. As análises evidenciam os vínculos inextricáveis entre a materialidade escolhida e os conceitos comunicados. Assim como as obras de arte convencionais, as obras conceituais mostram certa dependência de suas instâncias físicas para que possam ser efetivadas enquanto signos; mas, diferentemente delas, revelam-se ainda mais dependentes da rede semiótica da qual fazem parte, e dos elementos meta-semióticos que caracterizarão seus objetos, suas experiências e seus sentidos. Como conclusão, e partindo desta importância material revelada, compreender tais objetos como tipos particulares de signos lançará luz sobre os desafios elencados sobre o objeto de arte conceitual, permitindo-nos compreender o que são, como se expressam, como é possível compreendê-los e interpretá-los e, finalmente, como as instituições de arte podem se comportar diante deles |
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Da estética do conceito à cognição do sensível: uma análise semiótica do objeto de arte conceitual no século XXFrom the aesthetics of the concept to the cognition of the sensible: a semiotic analysis of the conceptual art object of the 20th centuryArte conceitualCharles PeirceCharles PeirceConceptual ArtCrise do objeto artísticoCrisis of the artistic objectSemióticaSemioticsNeste trabalho, analisamos o fenômeno das artes conceituais sob um ponto de vista semiótico. Mais precisamente, tratamos de alguns problemas relacionados ao objeto de arte conceitual e apresentamos uma perspectiva interpretativa focada nos tipos sígnicos que tais objetos conceituais assumem em suas práticas comunicativas. Na dificuldade de caracterizar o fenômeno conceitual do qual tratamos, e da inescapável vagueza do conceito de \"arte conceitual\" na história da arte, problematizamos seus objetos e seus fenômenos enquanto processos e produtos de experimentações artísticas em duas direções: (1) na exploração de materialidades não-convencionais e não apegadas à apresentação estética ou à sua durabilidade, e (2) nos seus fins comunicativos, informativos ou agentivos, que dão propósito às escolhas materiais. Assim, no capítulo 1 contextualizamos o fenômeno da arte conceitual junto à crise do objeto artístico, em oposição à obra de arte convencional, a partir do qual a arte conceitual suscitará uma cascata de desafios: partindo de um problema ontológico (em caracterizar o que a obra é), encontraremos um problema fenomenológico (em caracterizar as experiências derivadas dela), um problema comunicativo e/ou interpretativo (em acessar seus sentidos possíveis), e um problema institucional (em como tratá-las institucionalmente). Para tais problemas, oferecemos uma abordagem metodológica baseada no conjunto de teorias semióticas do filósofo pragmatista Charles Sanders Peirce. Seu signo de concepção triádica se justificará na observação de alguns elementos cruciais ao fenômeno da arte conceitual: sua materialidade diversa, seus conteúdos comunicados e seus efeitos práticos. O capítulo 2 introduz os fundamentos da filosofia e do pragmatismo de Peirce para sustentar a premissa de que a obra de arte conceitual seja tomada como um signo, estabilizado por convergência de hábitos e desenvolvido pelas atualizações nas instâncias interpretativas. O capítulo 3 aborda a Fenomenologia, a Semiótica e a Estética de Peirce, pelas quais se torna possível conceber a obra de arte conceitual (na condição de signo) enquanto dada na experiência, disposta em redes semióticas e sujeita ao desenvolvimento regido por ideais. Para ilustrar essa aplicabilidade, o capítulo 4 é destinado às análises semióticas de um conjunto de obras, tomando-se por base a categorização da arte conceitual proposta por Peter Osborne. As análises evidenciam os vínculos inextricáveis entre a materialidade escolhida e os conceitos comunicados. Assim como as obras de arte convencionais, as obras conceituais mostram certa dependência de suas instâncias físicas para que possam ser efetivadas enquanto signos; mas, diferentemente delas, revelam-se ainda mais dependentes da rede semiótica da qual fazem parte, e dos elementos meta-semióticos que caracterizarão seus objetos, suas experiências e seus sentidos. Como conclusão, e partindo desta importância material revelada, compreender tais objetos como tipos particulares de signos lançará luz sobre os desafios elencados sobre o objeto de arte conceitual, permitindo-nos compreender o que são, como se expressam, como é possível compreendê-los e interpretá-los e, finalmente, como as instituições de arte podem se comportar diante delesIn this work, we analyze the phenomenon of conceptual art from a semiotic perspective. More precisely, we address some issues related to the object of conceptual art and offer an interpretative perspective focused on the signs that such conceptual objects assume in their communicative practices. Given the difficulty of characterizing the conceptual phenomenon we are addressing, and the inescapable vagueness of the concept of \"conceptual art\" in art history, we problematize its objects and phenomena as processes and products of artistic experimentation in two directions: (1) in the exploration of unconventional materialities that are not dependent on aesthetic presentations or material durability, and (2) their communicative, informative, or agentive purposes, which give meaning to material choices. Thus, in Chapter 1, we contextualize the phenomenon of conceptual art within the crisis of the artistic object, as opposed to the conventional work of art. From this, conceptual art raises a cascade of challenges: starting from an ontological problem (in characterizing what the work is), we encounter a phenomenological problem (in characterizing the experiences derived from it), a communicative and/or interpretative problem (in accessing its possible meanings), and an institutional problem (in how to treat such works institutionally). To address these problems, we assume a methodological approach based on the semiotic theories of the pragmatist philosopher Charles Sanders Peirce. His triadic conception of the sign is justified by the observation of some crucial elements of the phenomenon of conceptual art: its diverse materiality, communicated contents, and practical effects. Chapter 2 introduces the foundations of Peirce\'s philosophy and pragmatism to support the premise that characterize the work of conceptual art as a sign, stabilized by the convergence of habits and developed through updates in interpretative instances. Chapter 3 addresses Peirce\'s Phenomenology, Semiotics, and Aesthetics, in which it\'s possible to conceive the conceptual work of art (as a sign) as given in experience, arranged in semiotic networks, and governed by ideals. To illustrate this applicability, Chapter 4 is devoted to the semiotic analysis of a given set of conceptual artworks, based on Peter Osborne\'s categorization of conceptual art. The analyses highlight the inextricable links between the chosen materiality and the concepts communicated. Like conventional works of art, conceptual artworks show a certain dependence on their physical embodiments to be realized as signs, but unlike them, they are more dependent on the semiotic network of which they are a part and on the metasemiotic elements that characterize their objects, experiences, and meanings. In conclusion, and based on this revealed material importance, understanding such objects as particular types of signs helps to clarify the challenges posed by the conceptual art object, allowing us to understand what they are, how they are expressed, how it is possible to understand and interpret them, and, finally, how art institutions can behave in the face of themBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLima, Elizabeth Maria Freire de AraujoMussoi, Aniely Cristina2025-11-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/93/93131/tde-19022026-171116/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-20T09:04:01Zoai:teses.usp.br:tde-19022026-171116Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-20T09:04:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Neste trabalho, analisamos o fenômeno das artes conceituais sob um ponto de vista semiótico. Mais precisamente, tratamos de alguns problemas relacionados ao objeto de arte conceitual e apresentamos uma perspectiva interpretativa focada nos tipos sígnicos que tais objetos conceituais assumem em suas práticas comunicativas. Na dificuldade de caracterizar o fenômeno conceitual do qual tratamos, e da inescapável vagueza do conceito de \"arte conceitual\" na história da arte, problematizamos seus objetos e seus fenômenos enquanto processos e produtos de experimentações artísticas em duas direções: (1) na exploração de materialidades não-convencionais e não apegadas à apresentação estética ou à sua durabilidade, e (2) nos seus fins comunicativos, informativos ou agentivos, que dão propósito às escolhas materiais. Assim, no capítulo 1 contextualizamos o fenômeno da arte conceitual junto à crise do objeto artístico, em oposição à obra de arte convencional, a partir do qual a arte conceitual suscitará uma cascata de desafios: partindo de um problema ontológico (em caracterizar o que a obra é), encontraremos um problema fenomenológico (em caracterizar as experiências derivadas dela), um problema comunicativo e/ou interpretativo (em acessar seus sentidos possíveis), e um problema institucional (em como tratá-las institucionalmente). Para tais problemas, oferecemos uma abordagem metodológica baseada no conjunto de teorias semióticas do filósofo pragmatista Charles Sanders Peirce. Seu signo de concepção triádica se justificará na observação de alguns elementos cruciais ao fenômeno da arte conceitual: sua materialidade diversa, seus conteúdos comunicados e seus efeitos práticos. O capítulo 2 introduz os fundamentos da filosofia e do pragmatismo de Peirce para sustentar a premissa de que a obra de arte conceitual seja tomada como um signo, estabilizado por convergência de hábitos e desenvolvido pelas atualizações nas instâncias interpretativas. O capítulo 3 aborda a Fenomenologia, a Semiótica e a Estética de Peirce, pelas quais se torna possível conceber a obra de arte conceitual (na condição de signo) enquanto dada na experiência, disposta em redes semióticas e sujeita ao desenvolvimento regido por ideais. Para ilustrar essa aplicabilidade, o capítulo 4 é destinado às análises semióticas de um conjunto de obras, tomando-se por base a categorização da arte conceitual proposta por Peter Osborne. As análises evidenciam os vínculos inextricáveis entre a materialidade escolhida e os conceitos comunicados. Assim como as obras de arte convencionais, as obras conceituais mostram certa dependência de suas instâncias físicas para que possam ser efetivadas enquanto signos; mas, diferentemente delas, revelam-se ainda mais dependentes da rede semiótica da qual fazem parte, e dos elementos meta-semióticos que caracterizarão seus objetos, suas experiências e seus sentidos. Como conclusão, e partindo desta importância material revelada, compreender tais objetos como tipos particulares de signos lançará luz sobre os desafios elencados sobre o objeto de arte conceitual, permitindo-nos compreender o que são, como se expressam, como é possível compreendê-los e interpretá-los e, finalmente, como as instituições de arte podem se comportar diante deles |
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