Associação entre a densidade dérmica de melanina e resposta aos testes de associação implícita \"racial\" e de \"culpabilidade\"

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: Pinto, Letícia Batista
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-08112019-152554/
Resumo: No processo da percepção social categorizamos uns aos outros de maneira instintiva e os estereótipos de aparência compartilhados existem como parte de um acordo social. Esse processo nos leva a criar estigmas, estereótipos e preconceitos em relação às pessoas. Temos a tendência de realizar prejulgamentos das pessoas em relação à sua cor de pele, fato que pode influenciar a atitude que as pessoas têm em relação a determinados grupos étnicos, inclusive atitudes como a atribuição de culpa. O Teste de Associação Implícita (do inglês Implicit Association Test - IAT) é um instrumento amplamente utilizado para medir as atitudes e o viés implícito em relação a grupos particulares. O IAT avalia atitudes implícitas induzindo as pessoas a rapidamente categorizar palavras e/ou imagens usando duas chaves para resposta. O presente trabalho teve como objetivos investigar a existência de correlação entre o viés implícito medido através de dois IATs, Étnico e de Culpa, e características dos participantes do teste como a densidade de melanina, a cor autoatribuída, idade, escolaridade e renda. Inicialmente, foi inferida a densidade de melanina dos participantes com uso de espectrofotômetro portátil. Depois de fornecer informações como idade, sexo, escolaridade, renda e cor autoatribuída, os participantes completaram em sequência a versão étnica e de culpa dos IATs. Os resultados dos testes foram calculados a partir do tempo de reação e dos erros cometidos pelos participantes, gerando um Escore D, (efeito IAT) o qual foi correlacionado com os dados de densidade de melanina através da correlação de Pearson e cor autoatribuída através do teste de Kruskal-Wallis. Para os demais dados, a correlação com o Escore D dos testes foi realizada pela correlação de Pearson. A amostra do nosso trabalho é composta por 112 participantes. A idade dos participantes variou entre 21 e 66 anos, sendo a média 42,3 anos; 69,6% são do sexo feminino. Dos participantes, 63,4% se autoatribuíram brancos; 24,1% pardos; 8% negros e 4,5% amarelos. Como esperado, no IAT étnico, a maioria dos participantes obteve preferência automática por crianças brancas, indicando que a população do estudo possui viés implícitos contra negros. O mesmo ocorreu para o IAT de culpa, em que houve prevalência de respostas de associação entre negros e culpa, indicando a prevalência desse estereótipo. Não se obteve uma correlação significativa em relação à densidade de melanina e o Escore D dos participantes, nem para o IAT étnico (Correlação de Pearson = 0,47; p = 0,619), nem para o IAT de culpa (Correlação de Pearson = 0,044; p = 0,644). Já para a correlação entre a cor autoatribuída e o Escore D da reposta ao teste, obteve-se correlação para o IAT étnico, porém não para o IAT de culpa. Também não se obteve correlação significativa entre os outros fatores estudados e o Escores D. Podemos concluir a partir de nossas análises então, que nossa população alvo possui viés étnico e de culpa implícito contra negros, e que este viés independe da densidade de melanina, porém está correlacionado com a cor autoatribuída dos participantes
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O Teste de Associação Implícita (do inglês Implicit Association Test - IAT) é um instrumento amplamente utilizado para medir as atitudes e o viés implícito em relação a grupos particulares. O IAT avalia atitudes implícitas induzindo as pessoas a rapidamente categorizar palavras e/ou imagens usando duas chaves para resposta. O presente trabalho teve como objetivos investigar a existência de correlação entre o viés implícito medido através de dois IATs, Étnico e de Culpa, e características dos participantes do teste como a densidade de melanina, a cor autoatribuída, idade, escolaridade e renda. Inicialmente, foi inferida a densidade de melanina dos participantes com uso de espectrofotômetro portátil. Depois de fornecer informações como idade, sexo, escolaridade, renda e cor autoatribuída, os participantes completaram em sequência a versão étnica e de culpa dos IATs. Os resultados dos testes foram calculados a partir do tempo de reação e dos erros cometidos pelos participantes, gerando um Escore D, (efeito IAT) o qual foi correlacionado com os dados de densidade de melanina através da correlação de Pearson e cor autoatribuída através do teste de Kruskal-Wallis. Para os demais dados, a correlação com o Escore D dos testes foi realizada pela correlação de Pearson. A amostra do nosso trabalho é composta por 112 participantes. A idade dos participantes variou entre 21 e 66 anos, sendo a média 42,3 anos; 69,6% são do sexo feminino. Dos participantes, 63,4% se autoatribuíram brancos; 24,1% pardos; 8% negros e 4,5% amarelos. Como esperado, no IAT étnico, a maioria dos participantes obteve preferência automática por crianças brancas, indicando que a população do estudo possui viés implícitos contra negros. O mesmo ocorreu para o IAT de culpa, em que houve prevalência de respostas de associação entre negros e culpa, indicando a prevalência desse estereótipo. Não se obteve uma correlação significativa em relação à densidade de melanina e o Escore D dos participantes, nem para o IAT étnico (Correlação de Pearson = 0,47; p = 0,619), nem para o IAT de culpa (Correlação de Pearson = 0,044; p = 0,644). Já para a correlação entre a cor autoatribuída e o Escore D da reposta ao teste, obteve-se correlação para o IAT étnico, porém não para o IAT de culpa. Também não se obteve correlação significativa entre os outros fatores estudados e o Escores D. Podemos concluir a partir de nossas análises então, que nossa população alvo possui viés étnico e de culpa implícito contra negros, e que este viés independe da densidade de melanina, porém está correlacionado com a cor autoatribuída dos participantesFrom social perception, we categorize each other instinctively, and the shared appearance stereotypes are part of a social agreement. This process leads us to create stigmas, stereotypes and bias about other people. We tend to attribute certain characteristics to people based on their skin color, which may influence attitudes people have towards certain ethnic groups, including attitudes such as attribution of guilt. The Implicit Association Test (IAT) is a test used to measure attitudes and bias towards particular groups. The IAT assesses implicit attitudes by inducing people to rapidly categorize words and images using two keys for response. The present study aims to investigate the existence of correlation between the implicit bias measured through two IATs, racial and guilty, and ethnic characteristics of the test participants, such as melanin density and self - attributed color, age, schooling and earnings, looking for a correlation between them. Initially, the participant\'s melanin density was inferred using a portable spectrophotometer. After providing information such as age, sex, schooling, earnings and self - attributed color, the participants concluded the racial and guilty version of the IAT. The test results were calculated based on the reaction time and the errors made by the participants, generating a D score (IAT effect) which was correlated with the data of melanin density by Pearson Correlation and self - attributed color by Kruskal-Wallis test. To test the other parameters such as age, earnings and schooling, correlation to the D score, it was used a Pearson Correlation. Our sample is composed of 112 participants. The participant\'s ages are between 21 to 66 years old, with an average of 42.3 years old; 69.6% of all were female. Participants attributed themselves, 63.4% Whites; 24.1% Browns (pardos in portuguese); 8% Blacks and 4.5% Yellow. As expected, in ethnic IAT, most participants showed automatic preference for white children, indicating that in general the study population has implicit bias against blacks. The same occurred for the guilty IAT, in which there was a prevalence of association responses between blacks and guilt, indicating the prevalence of this stereotype. We did not find a significant correlation between melanin density and the D score of the participants, nor for the racial IAT (Pearson\'s correlation = 0.47, p = 0.619), nor for the guilt IAT (Pearson\'s correlation = 0.044; p = 0.644). A correlation was found for self-assigned color and the D-score of the racial IAT, but not for the guilt IAT. There was also no significant correlation between the other factors studied and the D scores. We can conclude that our target population has racial bias and implicit guilt against black people, this bias is independent of melanin density, but is correlated with the participants\' self-assigned colorBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMassad, EduardoPinto, Letícia Batista2019-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-08112019-152554/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-11-28T21:11:01Zoai:teses.usp.br:tde-08112019-152554Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-11-28T21:11:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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