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Conexões da interculturalidade: cidades, educação, política e festas entre Sateré-Mawé do Baixo Amazonas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Fiori, Ana Leticia de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-13122018-163358/
Resumo: Esta tese, desenvolvida no âmbito do Grupo de Etnologia Urbana do Núcleo de Antropologia Urbana da USP discute os enredamentos entre educação, cidade e política a partir das experiências sateré-mawé com Ensino Superior. O trabalho é desenvolvido a partir de pesquisa bibliográfica, documental, entrevistas e, principalmente, da etnografia desenvolvida individualmente e junto a outros pesquisadores do GEU, cuja coparticipação deu-se em campo e na produção de cadernos de campo coletivos. Esta etnografia centra-se na cidade de Parintins-AM (médio-baixo Amazonas), na turma de Parintins do curso de Pedagogia Intercultural (2009 e 2014) oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas UEA, e nas circulações dos acadêmicos indígenas Sateré-Mawé e suas práticas por entre as cidades e as aldeias da Terra Indígena Andirá-Marau, sobretudo a aldeia Ponta Alegre. Ao longo dos cinco capítulos, a etnografia desenvolvida entre os Sateré-Mawé é apresentada face a discussões sobre modelos analíticos da antropologia acerca de objetos como cidade, cultura e interculturalidade, redes de saberes, ensino superior indígena, estado, política dos e para indígenas e festas. Exploro as conexões parciais engendradas pela presença de acadêmicos sateré-mawé na universidade e sua circulação por instituições (escolas, secretarias, etc.), práticas (ensino, política, lazer), eventos (feiras escolares, eventos acadêmicos, rituais, futebol) e modos de conhecimento e enunciação. Apresento reflexões que emergiram na interlocução com os Sateré-Mawé acerca das relações engendradas pelo dispositivo da interculturalidade, como suas interpretações do Festival Folclórico do Boi Bumbá, principal atividade econômica de Parintins; e da proposta de uma Livre Academia do Wará, a universidade indígena proposta pelo Consórcio de Produtores Sateré-Mawé. Discuto como enquadram seus intuitos de ter uma \"educação dos brancos\" em suas cosmopolíticas face ao mito do Imperador, o sistema de conhecimento do guaraná e a Festa da Tucandeira. O Imperador é um demiurgo relacionado a eventos históricos e à habilidade sateré-mawé de pacificar e canalizar potências dos brancos, agora situadas nos currículos e diplomas universitários. Os Sateré-Mawé são \"filhos do Guaraná\", uma planta professora que transforma o ethos guerreiro no uso diplomático de \"boas palavras\", necessárias à formação do bom professor. Os cantos da Tucandeira, festa mais conhecida dos Sateré-Mawé, trazem as Sehay Pooti (boas palavras) ensinando os jovens que dançam suportando a dor da luva de formigas. Mais do que diacríticos de uma identidade indígena, estes mitos e ritos formam um complexo sistema de saberes que delineiam as compreensões Sateré-Mawé sobre suas agências na contemporaneidade.
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Esta etnografia centra-se na cidade de Parintins-AM (médio-baixo Amazonas), na turma de Parintins do curso de Pedagogia Intercultural (2009 e 2014) oferecido pela Universidade do Estado do Amazonas UEA, e nas circulações dos acadêmicos indígenas Sateré-Mawé e suas práticas por entre as cidades e as aldeias da Terra Indígena Andirá-Marau, sobretudo a aldeia Ponta Alegre. Ao longo dos cinco capítulos, a etnografia desenvolvida entre os Sateré-Mawé é apresentada face a discussões sobre modelos analíticos da antropologia acerca de objetos como cidade, cultura e interculturalidade, redes de saberes, ensino superior indígena, estado, política dos e para indígenas e festas. Exploro as conexões parciais engendradas pela presença de acadêmicos sateré-mawé na universidade e sua circulação por instituições (escolas, secretarias, etc.), práticas (ensino, política, lazer), eventos (feiras escolares, eventos acadêmicos, rituais, futebol) e modos de conhecimento e enunciação. Apresento reflexões que emergiram na interlocução com os Sateré-Mawé acerca das relações engendradas pelo dispositivo da interculturalidade, como suas interpretações do Festival Folclórico do Boi Bumbá, principal atividade econômica de Parintins; e da proposta de uma Livre Academia do Wará, a universidade indígena proposta pelo Consórcio de Produtores Sateré-Mawé. Discuto como enquadram seus intuitos de ter uma \"educação dos brancos\" em suas cosmopolíticas face ao mito do Imperador, o sistema de conhecimento do guaraná e a Festa da Tucandeira. O Imperador é um demiurgo relacionado a eventos históricos e à habilidade sateré-mawé de pacificar e canalizar potências dos brancos, agora situadas nos currículos e diplomas universitários. Os Sateré-Mawé são \"filhos do Guaraná\", uma planta professora que transforma o ethos guerreiro no uso diplomático de \"boas palavras\", necessárias à formação do bom professor. Os cantos da Tucandeira, festa mais conhecida dos Sateré-Mawé, trazem as Sehay Pooti (boas palavras) ensinando os jovens que dançam suportando a dor da luva de formigas. Mais do que diacríticos de uma identidade indígena, estes mitos e ritos formam um complexo sistema de saberes que delineiam as compreensões Sateré-Mawé sobre suas agências na contemporaneidade.This thesis was carried out within the scope of the Group of Urban Ethnology of the Centre of Urban Anthropology (USP), discussing the intertwining of education, city and politics from Sateré-Mawés experiences with Higher Education. This work is based on bibliographic, documental research, interviews and, mainly, on the ethnography carried out individually and together with other GEU researchers, which co-participation occurred on the field as well as producing collective field reports. The ethnography focus on the city of Parintins AM (lower Amazon River), on the Parintins Intercultural Pedagogy class (2009-2014) from the University of the State of Amazonas UEA, and their practices between the cities and villages from Andirá-Marau Indigenous Land, mainly the village of Ponta Alegre. Along its five chapters, the ethnography carried out among the Sateré-MAwé is presented in face of discussions about anthropological analytical models of subjects such as city, culture and interculturality, knowledge networks, indigenous higher education, state, politics from and concerning indigenous peoples and festivities. I explore the partial connections engendered by the presence of Sateré-Mawé academics at the university and their circulation between institutions (schools, public offices, etc.), practices (teaching, politics, leisure), events (school fairs, academic events, festivities, soccer) and modes of knowledge and enunciation. I present reflections that had emerged in the dialogue with Sateré-Mawé about the relations engendered by the device of interculturalism, such as their interpretations of the Boi Bumbá Folkloric Festival, the major economic activity in Parintins; and of the project of a Wará Free Academy, the indigenous university proposed by the Sateré-Mawé Producer Consortium. I discuss how they frame their goals of getting a white people education in their cosmopolitics, regarding the Emperors Myth, the guarana system of knowledge and the Tucandeira Dance. The Emperor is a character related to historic events and to the sateré-mawé ability of pacifying and channel whites potencies, now placed on university curriculum and diplomas. The Sateré-Mawé are children of guarana, a teacher plant that turns the warrior ethos into the diplomatic use of good words, necessary to the teachers formation. The chants of Tucandeira, the most known festivity of the Sateré-Mawé, brings the sehay pooty (good words), teaching the dancing youth that bears the pain of the ant gloves. More than diacritics of an indigenous identity, those myths and rites form a complex system of knowledges that outline the Sateré-Mawé understandings of their agencies in the contemporaneity.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMagnani, Jose Guilherme CantorFiori, Ana Leticia de2018-08-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-13122018-163358/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2019-04-10T00:06:19Zoai:teses.usp.br:tde-13122018-163358Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212019-04-10T00:06:19Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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