O réu franqueou a entrada? O consentimento do morador como exceção à inviolabilidade do domicílio.
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-12112025-205716/ |
Resumo: | Dois policiais em patrulhamento de rotina recebem uma denúncia anônima de que há drogas em uma casa, razão pela qual se dirigem até o endereço informado; lá chegando, encontram o morador em via pública e o revistam. Nada de ilícito é encontrado, mas, indagado, ele informa que esconde variadas substâncias no interior do imóvel, convida e autoriza os agentes a ingressarem no domicílio para fazer uma varredura. Inspirada por essa narrativa tão curiosa quanto corriqueira em processos criminais, a presente dissertação examina o tema do consentimento do morador como exceção à inviolabilidade do domicílio e analisa quais são os critérios de comprovação da existência e os requisitos de validade que esse consentimento deve ter para legitimar buscas domiciliares. Afinal, por que alguém que guarda objetos ilícitos que podem lhe custar vários anos de prisão autorizaria a entrada da polícia em seu lar para realização de uma busca? Para responder a essa questão e estabelecer os requisitos do consentimento do morador no ordenamento jurídico brasileiro, a pesquisa combina: i) análise histórico-dogmática da proteção ao domicílio nas constituições brasileiras, no CPP e na jurisprudência dos tribunais superiores e da Corte IDH; ii) estudo da experiência estadunidense com o tratamento das consent searches; iii) revisão de experimentos de Psicologia Social, estudos linguísticos e literatura feminista acerca do consentimento prestado em situações de desigualdade de poder; e iv) exame de dados oficiais e estudos de campo sobre práticas policiais. Como resultados, constata-se que: i) existe um abismo entre a santidade teórica do lar e a efetivação prática dessa proteção especialmente em comunidades marginalizadas , e a narrativa da entrada franqueada contribui significativamente para converter a exceção em regra e erodir ainda mais a tutela do domicílio; ii) há uma grande discrepância entre a atenção que o tema recebe nos EUA, onde é debatido há mais de um século, e no Brasil, em que só nos últimos anos passou a receber alguma atenção, mas ainda insuficiente; iii) mesmo que não haja coação explícita, pressões situacionais e o simbolismo da autoridade policial fazem com que pedidos de consentimento para buscas sejam recebidos como ordens cujo descumprimento pode gerar graves consequências ao cidadão; e iv) vieses cognitivos levam magistrados a superestimar a voluntariedade do consentimento prestado por terceiros, sobretudo quando algo de ilícito é encontrado. Por tudo isso, propõe-se um rigoroso exame dos requisitos probatórios e de validade do consentimento, assim como a retomada da primazia do mandado judicial, a fim de reconstruir o castelo da inviolabilidade domiciliar. |
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O réu franqueou a entrada? O consentimento do morador como exceção à inviolabilidade do domicílio.The defendant granted entry? The consent of the resident as an exception to the inviolability of the home.Busca e apreensãoConsent SearchesConsentimento do moradorConstitutional LawCriminal ProcedureDireito ConstitucionalHome InviolabilityInviolabilidade do domicílioProcesso PenalSearch and SeizureDois policiais em patrulhamento de rotina recebem uma denúncia anônima de que há drogas em uma casa, razão pela qual se dirigem até o endereço informado; lá chegando, encontram o morador em via pública e o revistam. Nada de ilícito é encontrado, mas, indagado, ele informa que esconde variadas substâncias no interior do imóvel, convida e autoriza os agentes a ingressarem no domicílio para fazer uma varredura. Inspirada por essa narrativa tão curiosa quanto corriqueira em processos criminais, a presente dissertação examina o tema do consentimento do morador como exceção à inviolabilidade do domicílio e analisa quais são os critérios de comprovação da existência e os requisitos de validade que esse consentimento deve ter para legitimar buscas domiciliares. Afinal, por que alguém que guarda objetos ilícitos que podem lhe custar vários anos de prisão autorizaria a entrada da polícia em seu lar para realização de uma busca? Para responder a essa questão e estabelecer os requisitos do consentimento do morador no ordenamento jurídico brasileiro, a pesquisa combina: i) análise histórico-dogmática da proteção ao domicílio nas constituições brasileiras, no CPP e na jurisprudência dos tribunais superiores e da Corte IDH; ii) estudo da experiência estadunidense com o tratamento das consent searches; iii) revisão de experimentos de Psicologia Social, estudos linguísticos e literatura feminista acerca do consentimento prestado em situações de desigualdade de poder; e iv) exame de dados oficiais e estudos de campo sobre práticas policiais. Como resultados, constata-se que: i) existe um abismo entre a santidade teórica do lar e a efetivação prática dessa proteção especialmente em comunidades marginalizadas , e a narrativa da entrada franqueada contribui significativamente para converter a exceção em regra e erodir ainda mais a tutela do domicílio; ii) há uma grande discrepância entre a atenção que o tema recebe nos EUA, onde é debatido há mais de um século, e no Brasil, em que só nos últimos anos passou a receber alguma atenção, mas ainda insuficiente; iii) mesmo que não haja coação explícita, pressões situacionais e o simbolismo da autoridade policial fazem com que pedidos de consentimento para buscas sejam recebidos como ordens cujo descumprimento pode gerar graves consequências ao cidadão; e iv) vieses cognitivos levam magistrados a superestimar a voluntariedade do consentimento prestado por terceiros, sobretudo quando algo de ilícito é encontrado. Por tudo isso, propõe-se um rigoroso exame dos requisitos probatórios e de validade do consentimento, assim como a retomada da primazia do mandado judicial, a fim de reconstruir o castelo da inviolabilidade domiciliar.Two police officers on routine patrol receive an anonymous tip about the presence of drugs in a house. They proceed to the address and find the resident outside, whom they search without discovering anything illicit. When questioned, the individual states that he is hiding various substances inside the property and invites the officers in to conduct a search. Inspired by this narrative commonplace yet curious in criminal proceedings this dissertation aims to examine resident consent as an exception to the constitutional guarantee of home inviolability and to analyze the evidentiary criteria and legal requirements that such consent must meet in order to legitimize warrantless residential searches. After all, why would someone who is hiding illicit items that could lead to years of imprisonment authorize the police to enter their home? To answer this question and establish the requirements for the resident\'s consent in the Brazilian legal system, the research combines: i) historical-dogmatic analysis of home protection under Brazilian constitutions, the Code of Criminal Procedure, and the case law of the superior courts and the Inter-American Court of Human Rights; ii) a study of the American experience with consent searches; iii) a review of social psychology experiments, linguistic studies, and feminist literature on consent given in situations of power imbalance; and iv) an analysis of official data and field studies on police practices. The findings reveal that: i) there is a stark gap between the theoretical sanctity of the home and the practical enforcement of its protection especially in marginalized communities with the narrative of consensual entry playing a significant role in turning the exception into the rule and further eroding home protection; ii) the topic receives far more scholarly and judicial attention in the U.S., where it has been debated for more than a century, than in Brazil, where it has only recently begun to receive attention, but still insufficient; iii) even in the absence of explicit coercion, situational pressures and the symbolism of police authority cause requests for consent to be perceived as commands whose refusal may entail severe consequences; and iv) cognitive biases often lead judges to overestimate the voluntariness of consent, especially when contraband is found. In light of these findings, the study advocates for a rigorous evidentiary and legal examination of consent and for the restoration of the judicial warrant as the primary instrument for authorizing home searches, with the aim of rebuilding the constitutional fortress of home inviolability.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGimenes, Marta Cristina Cury SaadHalah, Leonardo Issa2025-08-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-12112025-205716/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-29T12:54:02Zoai:teses.usp.br:tde-12112025-205716Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-29T12:54:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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