Trabalho e pobreza no Brasil entre narrativas governamentais e experiências individuais

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Vieira, Priscila Pereira Faria
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-06032018-121457/
Resumo: Como é representado o trabalho dos pobres? Esta tese objetiva compreender as transformações, deslocamentos, tensões e disputas em torno das articulações das categorias trabalho e pobreza, analisando-as sob duas óticas diferentes, mas conectadas, a governamental e a individual. Por isso, a investigação empírica se realizou em dois âmbitos: o do Estado brasileiro que, com suas políticas, classifica alguns de seus cidadãos como pobres, e o dos indivíduos por ele assim classificados. Analisamos as ações governamentais e as formulações institucionais que pautaram as políticas sociais brasileiras nos anos 2000 e 2010, revelando as estratégias e narrativas que sustentaram as ações governamentais voltadas para o problema da inserção dos indivíduos pobres no mundo produtivo. Esse processo foi reconstituído a partir da consulta a materiais institucionais e de entrevistas com agentes governamentais nos níveis federal e municipal. Documentamos que, conforme a conjuntura brasileira se transformava e as políticas sociais se desenvolviam, os discursos governamentais produziam novas formas simbólicas de enlaçar pobreza e trabalho. A temática foi igualmente investigada pela ótica das experiências cotidianas de um grupo de indivíduos e famílias beneficiárias dos programas de superação da pobreza. Com base em uma pesquisa etnográfica em um bairro periférico do município de São Paulo, analisamos as trajetórias de famílias institucionalmente categorizadas como pobres, evidenciando tanto a multiplicidade de arranjos de sobrevivência e garantia de renda e bem-estar, quanto a diversidade de formas nativas de descrevê-las e representá-las. Composição e dinâmica familiar, origem, gênero e geração foram dimensões cruciais de análise. Esta revelou a intensidade com que diferentes significados de trabalho eram construídos, manipulados e disputados no cotidiano dos indivíduos em contextos de pobreza. Observamos que se transformavam as narrativas, as estratégias e as dinâmicas de relações dos pobres com os circuitos estruturantes da sua sobrevivência: os mercados, o Estado, a família e as redes de amizade e vizinhança. Essa trama complexa de atividades que os indivíduos desempenham para ganhar a vida - formais e informais, legais e ilegais, morais e imorais, visíveis e invisíveis -, desafiam tanto os discursos e práticas governamentais, quanto a compreensão da Sociologia do Trabalho.
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Analisamos as ações governamentais e as formulações institucionais que pautaram as políticas sociais brasileiras nos anos 2000 e 2010, revelando as estratégias e narrativas que sustentaram as ações governamentais voltadas para o problema da inserção dos indivíduos pobres no mundo produtivo. Esse processo foi reconstituído a partir da consulta a materiais institucionais e de entrevistas com agentes governamentais nos níveis federal e municipal. Documentamos que, conforme a conjuntura brasileira se transformava e as políticas sociais se desenvolviam, os discursos governamentais produziam novas formas simbólicas de enlaçar pobreza e trabalho. A temática foi igualmente investigada pela ótica das experiências cotidianas de um grupo de indivíduos e famílias beneficiárias dos programas de superação da pobreza. Com base em uma pesquisa etnográfica em um bairro periférico do município de São Paulo, analisamos as trajetórias de famílias institucionalmente categorizadas como pobres, evidenciando tanto a multiplicidade de arranjos de sobrevivência e garantia de renda e bem-estar, quanto a diversidade de formas nativas de descrevê-las e representá-las. Composição e dinâmica familiar, origem, gênero e geração foram dimensões cruciais de análise. Esta revelou a intensidade com que diferentes significados de trabalho eram construídos, manipulados e disputados no cotidiano dos indivíduos em contextos de pobreza. Observamos que se transformavam as narrativas, as estratégias e as dinâmicas de relações dos pobres com os circuitos estruturantes da sua sobrevivência: os mercados, o Estado, a família e as redes de amizade e vizinhança. Essa trama complexa de atividades que os indivíduos desempenham para ganhar a vida - formais e informais, legais e ilegais, morais e imorais, visíveis e invisíveis -, desafiam tanto os discursos e práticas governamentais, quanto a compreensão da Sociologia do Trabalho.This thesis intends to grasp transformations, displacements, tensions and disputes concerning the articulations of the categories labor and poverty, by analyzing them from two different but connected points of view, the governmental and the individual perspectives. Consequently, the empirical investigation is conducted considering two frameworks: the Brazilian state perspective, which, through its policies, classifies some of its citizens as poor, and the individuals categorized as poor outlook. We analyzed the governmental actions and institutional formulations that drove Brazil\'s social policies in the 2000s and 2010s, revealing the strategies and narratives that have sustained government actions oriented to the problem of placing poor individuals in the productive world. This process was reconstructed through the extensive examination of institutional materials and interviews with governmental agents at federal and municipal levels. We documented that, as the scenario in Brazil transformed and social policies developed, governmental discourses produced new symbolic ways to entangle poverty and labor. These subjects were likewise investigated considering the point of view and everyday experiences of a group of individuals and families who benefitted from poverty relief programs. To do so, we conducted an ethnographic study in an peripheral neighborhood in São Paulo city, analyzing the families trajectories institutionally categorized as poor, demonstrating the multiplicity of survival strategies and means of guaranteeing income and well-being, as well as the diversity of native forms of describing and representing these strategies. Familial composition and their dynamics, origin, gender and generation appeared as crucial dimensions in analysis. It revealed the intensity with which different meanings of labor were constructed, manipulated and disputed in the daily lives of individuals in contexts of poverty. We observed the transformations in the narratives, strategies and dynamics of poor people\'s relationships with the structural circuits of their survival: markets, State, family, friendships and neighborhood networks. This complex mesh of activities with which individuals engage in to earn a living formal and informal, legal and illegal, moral and immoral, visible and invisible , challenge governmental discourses and practices as well as the understanding of the Sociology of Labor.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGuimaraes, Nadya AraujoVieira, Priscila Pereira Faria2017-09-19info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-06032018-121457/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2018-10-03T01:45:28Zoai:teses.usp.br:tde-06032018-121457Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212018-10-03T01:45:28Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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