Comparação dos escores de risco cardiovascular em uma população miscigenada com lúpus eritematoso sistêmico, na era pós-biológicos

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rosario, Débora Cordeiro do
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-19082025-141400/
Resumo: Introdução: A doença cardiovascular (DCV) continua sendo uma das principais causas de morte em pacientes com lúpus eritematoso sistêmico (LES). As calculadoras atuais de risco cardiovascular em 10 anos foram desenvolvidas em populações predominantemente caucasianas e tendem a subestimar o risco cardiovascular em pacientes com LES. Há uma diferença significativa nos perfis de risco cardiovascular entre as diferentes etnias, e esse risco relacionado à diversidade racial, étnica também foi observado em pacientes com LES. O objetivo desse estudo foi comparar o desempenho do Escore de risco global (ERG) de Framingham, ERG modificado (ERGm), versão 3 do QRESEARCH (QRISK 3) e da Systemic lupus erythematosus cardiovascular risk Equation, (SLECRE) na predição do risco de DCV em 10 anos em uma coorte recente e miscigenada de pacientes com LES. Propusemos um novo modelo, denominado Easy Atherosclerosis Risk Assessment for systemic lupus erythematosus (EASLE), com uma avaliação de risco mais simplificada para melhorar a acessibilidade em países em desenvolvimento. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo de 550 pacientes com LES acompanhados por 10 anos na divisão de reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP a partir de 2009. Os fatores de risco cardiovascular tradicionais e específicos do LES foram obtidos através de registros médicos eletrônicos de 2009 a 2011 e foi avaliada a ocorrência de eventos cardiovasculares (CV) nos 10 anos subsequentes (2019-2021). As variáveis associadas à ocorrência de eventos foram incluídas na regressão logística múltipla e selecionadas para o novo modelo (EASLE). Comparamos o desempenho diagnóstico do ERG, ERGm, QRISK3, SLECRE e EASLE nesta coorte, utilizando os pontos de corte de 20%, 10% e o novo ponto de corte derivado da curva de características operacionais (Receiver Operator Characteristic Curve, ROC). Foi definido como alto risco CV o ponto de corte de 10% para comparação entre as calculadoras. Resultados: Entre 550 pacientes, ocorreram 34 eventos de DCV (6,2%). As médias dos escores de risco CV em 10 anos foram mais altas nos pacientes com eventos do que naqueles sem eventos cardiovasculares, exceto para o SLECRE. No ponto de corte de 10%, a sensibilidade do ERG encontrada na população brasileira de LES foi de 17,6%, para o ERGm foi de 58,8%, para o QRISK3 foi de 38,2% e para o SLECRE foi de 91,2%, com uma especificidade muito mais baixa de 22,3%. O ERGm apresentou a melhor acurácia balanceada, com 71,9%. Para os escores validados, o ponto de corte de 4,97% encontrado na curva ROC do QRISK3 apresentou o desempenho mais equilibrado. O novo modelo (EASLE) incluiu apenas 3 variáveis: idade, tabagismo e tratamento anti-hipertensivo. A sensibilidade do EASLE foi de 55,9% e a acurácia balanceada foi de 71,3%, no ponto de corte de 10%. Conclusões: O ERGm e o EASLE apresentaram desempenhos comparáveis, com superioridade na acurácia balanceada em relação aos outros escores testados nesta população etnicamente diversa de LES. O EASLE surge como uma nova e promissora alternativa simplificada para a avaliação de risco
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O objetivo desse estudo foi comparar o desempenho do Escore de risco global (ERG) de Framingham, ERG modificado (ERGm), versão 3 do QRESEARCH (QRISK 3) e da Systemic lupus erythematosus cardiovascular risk Equation, (SLECRE) na predição do risco de DCV em 10 anos em uma coorte recente e miscigenada de pacientes com LES. Propusemos um novo modelo, denominado Easy Atherosclerosis Risk Assessment for systemic lupus erythematosus (EASLE), com uma avaliação de risco mais simplificada para melhorar a acessibilidade em países em desenvolvimento. Métodos: Trata-se de um estudo observacional, retrospectivo de 550 pacientes com LES acompanhados por 10 anos na divisão de reumatologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP a partir de 2009. Os fatores de risco cardiovascular tradicionais e específicos do LES foram obtidos através de registros médicos eletrônicos de 2009 a 2011 e foi avaliada a ocorrência de eventos cardiovasculares (CV) nos 10 anos subsequentes (2019-2021). As variáveis associadas à ocorrência de eventos foram incluídas na regressão logística múltipla e selecionadas para o novo modelo (EASLE). Comparamos o desempenho diagnóstico do ERG, ERGm, QRISK3, SLECRE e EASLE nesta coorte, utilizando os pontos de corte de 20%, 10% e o novo ponto de corte derivado da curva de características operacionais (Receiver Operator Characteristic Curve, ROC). Foi definido como alto risco CV o ponto de corte de 10% para comparação entre as calculadoras. Resultados: Entre 550 pacientes, ocorreram 34 eventos de DCV (6,2%). As médias dos escores de risco CV em 10 anos foram mais altas nos pacientes com eventos do que naqueles sem eventos cardiovasculares, exceto para o SLECRE. No ponto de corte de 10%, a sensibilidade do ERG encontrada na população brasileira de LES foi de 17,6%, para o ERGm foi de 58,8%, para o QRISK3 foi de 38,2% e para o SLECRE foi de 91,2%, com uma especificidade muito mais baixa de 22,3%. O ERGm apresentou a melhor acurácia balanceada, com 71,9%. Para os escores validados, o ponto de corte de 4,97% encontrado na curva ROC do QRISK3 apresentou o desempenho mais equilibrado. O novo modelo (EASLE) incluiu apenas 3 variáveis: idade, tabagismo e tratamento anti-hipertensivo. A sensibilidade do EASLE foi de 55,9% e a acurácia balanceada foi de 71,3%, no ponto de corte de 10%. Conclusões: O ERGm e o EASLE apresentaram desempenhos comparáveis, com superioridade na acurácia balanceada em relação aos outros escores testados nesta população etnicamente diversa de LES. O EASLE surge como uma nova e promissora alternativa simplificada para a avaliação de riscoIntroduction: Cardiovascular disease (CVD) remains one of the main causes of death in patients with systemic lupus erythematosus (SLE). Current cardiovascular risk calculators in 10 years were developed in a majority of Caucasian populations and tend to underestimate the cardiovascular risk in SLE patients. There is a remarkable difference in CVD risk profiles across different ethnicities, and the race/ethnical diversity CVD risk was also observed for patients with SLE. This study aimed to compare the performance of Framingham Risk Score (FRS), modified Framingham Risk Score (mFRS), SLE Cardiovascular Risk Equation (SLECRE) and QRISK3 in predicting CVD risk in 10 years in a recent, ethnically diverse cohort of SLE patients. We proposed a novel model, Easy Atherosclerosis Risk Assessment for SLE (EASLE), with a simplified risk assessment to enhance accessibility for developing countries. Methods: This was an observational, retrospective study of 550 patients with SLE and a 10-year follow-up in the rheumatology division of the Hospital das Clínicas of the University of São Paulo from 2009. The traditional and SLE-specific risk factors for CVD were obtained through electronic medical records from 2009-2011 and the occurrence of cardiovascular (CV) events over the subsequent 10 years (2019-2021) was evaluated. The variables associated with the occurrence of events were included in the multiple logistic regression and were selected for the new model (EASLE). We compared the diagnostic performance of FRS, mFRS, SLECRE, QRISK3 and EASLE in this cohort using a cut-off of 20%,10%, and the Receiver Operator Characteristic Curve, ROC-driven cut-off. High CVD risk was defined as a cut-off >10% for comparison between calculators. Results: Among 550 patients, 34 CVD events occurred (6.2%). The mean 10-year CVD risk scores were higher in patients with CV events than in those without events, except for SLECRE. The sensitivity of the FRS found in the Brazilian SLE population was 17.6%, for mFRS, 58.8% for QRISK3, 38.2% and for SLECRE, 91.2% with a much lower specificity of 22.3%, using the cut-off of 10%. The mFRS had the best balanced accuracy, 71.9%. For the validated scores, the cut-off of 4.97% found in the QRISK3 ROC curve had the most balanced performance. The new model (EASLE) included only 3 variables: age, smoking status, and antihypertensive treatment. The sensitivity for EASLE was 55.9% and the balanced accuracy, 71.3%, using the cut-off of 10%. Conclusions: The mFRS and EASLE exhibited comparable performances with superiority of balanced accuracy compared to the other tested tools in this ethnically diverse SLE population. EASLE emerges as a promising new simplified alternative for risk assessmentBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBonfa, Eloisa Silva Dutra de OliveiraRosario, Débora Cordeiro do2025-04-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5140/tde-19082025-141400/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-20T14:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-19082025-141400Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-20T14:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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