Avaliação da elastografia hepática pelo método Acoustic Radiation Force Impulse (ARFI) como preditor de desfecho clínico em pacientes com hepatite C crônica que alcançaram resposta virológica sustentada após tratamento com drogas de ação direta

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Oliveira, Jordanio Pires de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17012025-114909/
Resumo: Há uma escassez de dados sobre o prognóstico a longo prazo de pacientes com hepatite C após alcançar resposta virológica sustentada (RVS) com terapia antiviral de ação direta (DAA). À vista disso, o reconhecimento precoce de pacientes com alto risco é importante para garantir estratégias mais otimizadas de manejo clínico preventivo. Desse modo, o objetivo desse estudo foi avaliar a associação da medida da rigidez hepática (MRH) com o surgimento de eventos relacionados ao fígado (ERF) em pacientes com hepatite C crônica que alcançaram RVS após o tratamento com DAA. Para a realização do estudo, foram incluídos 149 pacientes tratados com DAAs, os quais alcançaram RVS em uma coorte prospectiva. Ademais, todos os pacientes inseridos realizaram elastografia hepática pelo método Acoustic Radiation Force Impulse (ARFI). Após 12 meses da RVS, os eventos relacionados ao fígado foram definidos como ocorrência de ascite, surgimento de varizes esofágicas, sangramento varicoso, peritonite bacteriana espontânea, encefalopatia hepática, CHC ou óbito. Dos 149 pacientes analisados, quarenta e seis (30.8%) desenvolveram ERF durante o período de seguimento do estudo, cuja mediana foi de 3,3 anos (variação de 1,2 - 6,5 anos). O ponto de corte da MRH de seguimento, para ERF, foi de 1,65 m/s, com AUROC de 85,3% (IC 95%; 79,5 - 91,2). A incidência de ERF x 100 pessoas/ano foi de 18,1 para o ponto de corte de MRH maior que 1,65 m/s. Já a ocorrência de ERF, em pacientes com MRH inferior a 1,7 m/s, foi significativamente inferior quando comparado aos pacientes com MRH superiores a 2,4 m/s (HR = 9,73; IC 95% 2,8 - 33,2; p = 0,0003). Pacientes sem ERF prévios que desenvolveram complicação no seguimento apresentaram ponto de corte de 1,84 m/s com AUROC de 83,3% (IC 95%; 76,8 - 90,8) e aqueles que já possuíam ERF prévio e apresentaram um novo evento tiveram um ponto de corte de 2,2 m/s com AUROC de 91% (IC 95%; 82,7 - 99,2). Atualmente, a elastografia não é recomendada pelos guidelines para estadiar ou monitorar mudanças na carga fibrótica após o RVS. Entretanto, os dados oferecidos por esse estudo sugerem que a MRH pode oferecer informações importantes em relação ao risco de descompensação hepática. O nosso estudo mostrou que o ARFI pode ser considerado uma ferramenta clínica mais acessível para predição de descompensação hepática. Esses dados podem levar à intensificação ou ao descarte da necessidade do rastreio e da vigilância de eventos desfavoráveis nos pacientes com hepatite C crônica após o uso de DAAs.
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Desse modo, o objetivo desse estudo foi avaliar a associação da medida da rigidez hepática (MRH) com o surgimento de eventos relacionados ao fígado (ERF) em pacientes com hepatite C crônica que alcançaram RVS após o tratamento com DAA. Para a realização do estudo, foram incluídos 149 pacientes tratados com DAAs, os quais alcançaram RVS em uma coorte prospectiva. Ademais, todos os pacientes inseridos realizaram elastografia hepática pelo método Acoustic Radiation Force Impulse (ARFI). Após 12 meses da RVS, os eventos relacionados ao fígado foram definidos como ocorrência de ascite, surgimento de varizes esofágicas, sangramento varicoso, peritonite bacteriana espontânea, encefalopatia hepática, CHC ou óbito. Dos 149 pacientes analisados, quarenta e seis (30.8%) desenvolveram ERF durante o período de seguimento do estudo, cuja mediana foi de 3,3 anos (variação de 1,2 - 6,5 anos). O ponto de corte da MRH de seguimento, para ERF, foi de 1,65 m/s, com AUROC de 85,3% (IC 95%; 79,5 - 91,2). A incidência de ERF x 100 pessoas/ano foi de 18,1 para o ponto de corte de MRH maior que 1,65 m/s. Já a ocorrência de ERF, em pacientes com MRH inferior a 1,7 m/s, foi significativamente inferior quando comparado aos pacientes com MRH superiores a 2,4 m/s (HR = 9,73; IC 95% 2,8 - 33,2; p = 0,0003). Pacientes sem ERF prévios que desenvolveram complicação no seguimento apresentaram ponto de corte de 1,84 m/s com AUROC de 83,3% (IC 95%; 76,8 - 90,8) e aqueles que já possuíam ERF prévio e apresentaram um novo evento tiveram um ponto de corte de 2,2 m/s com AUROC de 91% (IC 95%; 82,7 - 99,2). Atualmente, a elastografia não é recomendada pelos guidelines para estadiar ou monitorar mudanças na carga fibrótica após o RVS. Entretanto, os dados oferecidos por esse estudo sugerem que a MRH pode oferecer informações importantes em relação ao risco de descompensação hepática. O nosso estudo mostrou que o ARFI pode ser considerado uma ferramenta clínica mais acessível para predição de descompensação hepática. Esses dados podem levar à intensificação ou ao descarte da necessidade do rastreio e da vigilância de eventos desfavoráveis nos pacientes com hepatite C crônica após o uso de DAAs.There is a paucity of data on the long-term prognosis of patients with hepatitis C after achieving sustained virologic response (SVR) with direct-acting antiviral (DAA) therapy. In view of this, early recognition of high-risk patients is important to ensure more optimized preventive clinical management strategies. Therefore, the objective of this study was to evaluate the association of liver stiffness measurement (LSM) with the emergence of liver-related events (LRE) in patients with chronic hepatitis C who achieved SVR after treatment with DAA.To carry out the study, 149 patients treated with DAAs were included, who achieved SVR in a prospective cohort. Furthermore, all patients enrolled underwent hepatic elastography by the Acoustic Radiation Force Impulse (ARFI) method. After 12 months of SVR, LRE were defined as occurrence of ascites, emergence of esophageal varices, variceal bleeding, spontaneous bacterial peritonitis, hepatic encephalopathy, HCC or death. Of the 149 patients analyzed, forty-six (30.8%) developed LRE during the follow-up, whose median was 3.3 years (range 1.2 - 6.5 years). The cut-off mark for LSM follow-up for LRE was 1.65 m/s, with AUROC of 85.3% (95% CI; 79.5 - 91.2). The incidence of LRE x 100 person-years was 18.1 for the LSM cut-off > 1.65 m/s. The occurrence of LRE, in patients with MRH < 1.7 m/s, was significantly lower when compared to patients with LSM > 2.4 m/s (HR = 9.73; 95% CI 2.8 - 33.2; p = 0.0003). Patients without previous LRE who developed complications during follow-up had a cut-off point of 1.84 m/s with AUROC of 83.3% (95% CI; 76.8 - 90.8) and those who already had a previous ERF and presented a new event had a cut-off point of 2.2 m/s with AUROC of 91% (95% CI; 82.7 - 99.2). Currently, hepatic elastography is not recommended by guidelines for staging or monitoring changes in fibrotic burden after SVR. However, the data provided by this study suggest that LSM can provide important information regarding the risk of hepatic decompensation. Our study showed that ARFI can be considered a more accessible clinical tool for predicting liver decompensation. These data may lead to the intensification or dismissal of the need for screening and surveillance of unfavorable events in patients with chronic hepatitis C after the use of DAAs.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSouza, Fernanda FernandesOliveira, Jordanio Pires de2024-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17138/tde-17012025-114909/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-25T13:28:02Zoai:teses.usp.br:tde-17012025-114909Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-25T13:28:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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