Relação entre parâmetros radiológicos orbitários e a morfologia da fossa olfatória na descompressão transconjuntival da parede medial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Cunha, Bárbara Salomão de Almeida
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17151/tde-16012025-150711/
Resumo: Introdução: A descompressão medial transconjuntival é um procedimento cirúrgico indicado para pacientes portadores de orbitopatia de Graves (OG) que apresentam quadro de exoftalmia e/ou neuropatia ótica compressiva. Trauma da base de crânio durante esse procedimento é uma complicação incomum, porém devastadora e que pode estar relacionado à escassez de estudos na literatura oftalmológica que estabeleçam parâmetros de segurança cirúrgica. Objetivos: Descrever uma rara complicação intracraniana da descompressão transconjuntival da parede medial, analisar a literatura das complicações intracranianas decorrentes desse procedimento, medir as distâncias horizontais e verticais do forame da artéria etmoidal anterior (FEA) à borda lateral da fossa olfatória (FO) e à base de crânio anterior em tomografias computadorizadas (TCs) visando estabelecer parâmetros de segurança per-operatórios para reduzir as complicações intracranianas. Material e Métodos: Foi realizada extensa revisão da literatura sobre os casos de complicações intracranianas por traumas cirúrgicos durante descompressões orbitárias mediais e sobre os estudos anatômicos e radiológicos da localização do FEA e do trajeto da artéria etmoidal anterior (AEA). Além disso, foram medidas em TC de 35 pacientes portadores de OG as distâncias verticais e horizontais do FEA à base de crânio e à FO, respectivamente. Resultados: Foram encontrados noventa e quatro estudos, dos quais 37 relacionados à anatomia do FEA, 41 sobre o curso da AEA e 16 relatos de caso sobre traumas à base de crânio anterior. Dos relatos, 10 estavam relacionados à descompressão medial transconjuntival, afetando 11 pacientes. Sobre o FEA, os estudos mostraram que na maioria das órbitas esse forame se situa na sutura frontoetmoidal e adjacente ao teto do seio etmoidal. Na presença da célula etmoidal supraorbitária (CESO), a distância do FEA à base de crânio aumenta consideravelmente. No estudo tomográfico, a distância vertical do FEA à base de crânio variou de 0,1 a 7,3 mm, com média de 2,5 mm (DP = 2,17). Em 47,5% das órbitas o forame era adjacente (<1 mm) à base de crânio. A distância horizontal do FEA à borda lateral da FO variou de 2,3 a 9,5 mm (média de 5,4 mm, DP = 1,98). A presença de uma CESO (n=12) aumentou significativamente, tanto a distância vertical quanto horizontal do FEA à base de crânio e à borda lateral da FO, respectivamente. A altura da FO ao nível do FEA não está relacionada à profundidade da FO da classificação de Keros. Conclusões: Os dados mostram que a posição do FEA é variável e não deve ser considerada um referencial seguro para todos os pacientes a serem submetidos à descompressão medial.
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Objetivos: Descrever uma rara complicação intracraniana da descompressão transconjuntival da parede medial, analisar a literatura das complicações intracranianas decorrentes desse procedimento, medir as distâncias horizontais e verticais do forame da artéria etmoidal anterior (FEA) à borda lateral da fossa olfatória (FO) e à base de crânio anterior em tomografias computadorizadas (TCs) visando estabelecer parâmetros de segurança per-operatórios para reduzir as complicações intracranianas. Material e Métodos: Foi realizada extensa revisão da literatura sobre os casos de complicações intracranianas por traumas cirúrgicos durante descompressões orbitárias mediais e sobre os estudos anatômicos e radiológicos da localização do FEA e do trajeto da artéria etmoidal anterior (AEA). Além disso, foram medidas em TC de 35 pacientes portadores de OG as distâncias verticais e horizontais do FEA à base de crânio e à FO, respectivamente. Resultados: Foram encontrados noventa e quatro estudos, dos quais 37 relacionados à anatomia do FEA, 41 sobre o curso da AEA e 16 relatos de caso sobre traumas à base de crânio anterior. Dos relatos, 10 estavam relacionados à descompressão medial transconjuntival, afetando 11 pacientes. Sobre o FEA, os estudos mostraram que na maioria das órbitas esse forame se situa na sutura frontoetmoidal e adjacente ao teto do seio etmoidal. Na presença da célula etmoidal supraorbitária (CESO), a distância do FEA à base de crânio aumenta consideravelmente. No estudo tomográfico, a distância vertical do FEA à base de crânio variou de 0,1 a 7,3 mm, com média de 2,5 mm (DP = 2,17). Em 47,5% das órbitas o forame era adjacente (<1 mm) à base de crânio. A distância horizontal do FEA à borda lateral da FO variou de 2,3 a 9,5 mm (média de 5,4 mm, DP = 1,98). A presença de uma CESO (n=12) aumentou significativamente, tanto a distância vertical quanto horizontal do FEA à base de crânio e à borda lateral da FO, respectivamente. A altura da FO ao nível do FEA não está relacionada à profundidade da FO da classificação de Keros. Conclusões: Os dados mostram que a posição do FEA é variável e não deve ser considerada um referencial seguro para todos os pacientes a serem submetidos à descompressão medial.Introduction: The transconjunctival medial decompression is a surgical procedure indicated in patients with Graves\' orbitopathy (GO) who present with exophthalmos and/or compressive optic neuropathy. Skull base trauma during this procedure is an uncommon but devastating complication, which may be related to the scarcity of studies in ophthalmic literature establishing parameters for surgical safety. Objectives: Describe a rare intracranial complication of transconjunctival medial wall decompression, analyze the literature on intracranial complications resulting from this procedure, measure the horizontal and vertical distances from the anterior ethmoidal artery (AEA) to the lateral edge of the olfactory fossa (OF) and to the anterior skull base on computed tomography (CT) scans to establish perioperative safety parameters to reduce intracranial complications. Material and Methods: An extensive literature review was conducted on cases of intracranial complications due to surgical trauma during medial orbital decompressions and on anatomical and radiological studies of the location of the anterior ethmoidal artery (AEA) and its course. Additionally, vertical and horizontal distances from the AEA to the skull base and OF, respectively, were measured on CT scans of 35 patients with GO. Results: Ninety-four articles were found, of which 37 were related to the anatomy of the AEA, 41 to the course of the AEA, and 16 to case reports of anterior skull base traumas. Among the reports, 10 were related to transconjunctival medial decompression, affecting 11 patients. Regarding the AEA, studies showed that most of this foramen lies in the frontoethmoidal suture and adjacent to the roof of the ethmoid sinus. In the presence of the supraorbital ethmoid cell (SOEC), the distance from the AEA to the skull base increases considerably. In the tomographic study, the vertical distance from the AEA to the skull base ranged from 0.1 to 7.3 mm, with a mean of 2.5 mm (SD = 2.17). In 47.5% of the orbits, the foramen was adjacent (<1 mm) to the skull base. The horizontal distance from the AEA to the lateral edge of the OF ranged from 2.3 to 9.5 mm (mean of 5.4 mm, SD = 1.98). The presence of a SOEC (n = 12) significantly increased both the vertical and horizontal distances from the AEA to the skull base and to the lateral edge of the OF, respectively. The height of the OF at the level of the AEA is not related to the depth of the OF at the Keros classification level. Conclusions: The data show that the position of the AEA is variable and should not be considered a safe reference for all patients undergoing medial decompression.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCruz, Antonio Augusto Velasco eTamashiro, EdwinCunha, Bárbara Salomão de Almeida2024-08-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17151/tde-16012025-150711/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-03-20T12:34:02Zoai:teses.usp.br:tde-16012025-150711Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-03-20T12:34:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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Cunha, Bárbara Salomão de Almeida
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Descompressão orbitária medial
Fossa olfatória
Graves' orbitopathy
Medial orbital decompression
Olfactory fossae
Orbitopatia de graves
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