Antidiscriminação racial e Direito: antidiscriminação como um instrumento a serviço da transformação social no Estado democrático

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santiago, Fernanda Cimbra
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-16102024-133500/
Resumo: Este trabalho discute a problemática da discriminação racial como geradora de violações de direitos humanos, com o objetivo de apresentar instrumentos jurídicos capazes de combater esse fenômeno. Nesse sentido, propõe-se aqui uma metodologia de interpretação jurídica, alinhada aos principais valores constitucionais, que julgamos ser útil à promoção da antidiscriminação no Direito. Para subsidiar o nosso debate, partimos de conceitos caros à teoria racial crítica e de fontes jurídicas, como leis, jurisprudências e tratados internacionais. A bibliografia e as fontes foram ainda combinadas com estudos empíricos e estatísticos contemporâneos que possibilitam conectar o Direito à realidade social. Assim, como marco teórico desta pesquisa, destacamos as contribuições de Frantz Fanon, Achille Mbembe, Michel Foucault e Adilson Moreira. A discussão proposta neste trabalho é dividida em três partes. Na primeira, aborda-se as implicações psicológicas do colonialismo, as dinâmicas pós-coloniais e o racismo como uma tecnologia de controle. Nessa seção, também definimos conceitualmente o que é discriminação sistêmica e como se desenvolve o ciclo de violação de direitos humanos decorrente desse processo; além de analisar o papel do preconceito e dos estereótipos na efetivação da discriminação racial. Na segunda parte, apresenta-se uma proposta metodológica de interpretação antidiscriminatória pautada na racionalização do poder estatal e mobilizada em prol da garantia do princípio de igualdade prevista na Constituição. Resumidamente, a construção dessa metodologia deve partir, segundo nossa defesa, da desconstrução de vieses racistas naturalizados nas instituições; da consideração do resultado discriminatório previsível como critério de decisão; e do abandono da neutralidade estatal. A última parte, por sua vez, é reservada à reinterpretação de alguns direitos constitucionais a partir de uma leitura antidiscriminatória. Ao final desta pesquisa, chegou-se à conclusão que, frente a um cenário de constantes violações - estruturais e sistêmicas - de direitos, o Direito Antidiscriminatório se apresenta como uma saída, no sentido de conferir igualdade à interpretação do direito.
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A bibliografia e as fontes foram ainda combinadas com estudos empíricos e estatísticos contemporâneos que possibilitam conectar o Direito à realidade social. Assim, como marco teórico desta pesquisa, destacamos as contribuições de Frantz Fanon, Achille Mbembe, Michel Foucault e Adilson Moreira. A discussão proposta neste trabalho é dividida em três partes. Na primeira, aborda-se as implicações psicológicas do colonialismo, as dinâmicas pós-coloniais e o racismo como uma tecnologia de controle. Nessa seção, também definimos conceitualmente o que é discriminação sistêmica e como se desenvolve o ciclo de violação de direitos humanos decorrente desse processo; além de analisar o papel do preconceito e dos estereótipos na efetivação da discriminação racial. Na segunda parte, apresenta-se uma proposta metodológica de interpretação antidiscriminatória pautada na racionalização do poder estatal e mobilizada em prol da garantia do princípio de igualdade prevista na Constituição. Resumidamente, a construção dessa metodologia deve partir, segundo nossa defesa, da desconstrução de vieses racistas naturalizados nas instituições; da consideração do resultado discriminatório previsível como critério de decisão; e do abandono da neutralidade estatal. A última parte, por sua vez, é reservada à reinterpretação de alguns direitos constitucionais a partir de uma leitura antidiscriminatória. Ao final desta pesquisa, chegou-se à conclusão que, frente a um cenário de constantes violações - estruturais e sistêmicas - de direitos, o Direito Antidiscriminatório se apresenta como uma saída, no sentido de conferir igualdade à interpretação do direito.This work discusses the issue of racial discrimination as a generator of human rights violations, aiming to present legal instruments capable of combating this phenomenon. In this sense, a methodology of legal interpretation is proposed here, aligned with the main constitutional values, which we consider useful for promoting antidiscrimination in the law. To support our discussion, we draw on concepts dear to critical race theory and legal sources such as laws, jurisprudence, and international treaties. The bibliography and sources are also combined with contemporary empirical and statistical studies that allow connecting the law to social reality. Thus, as the theoretical framework of this research, we highlight the contributions of Frantz Fanon, Achille Mbembe, Michel Foucault, and Adilson Moreira. The discussion proposed in this paper is divided into three parts. In the first part, we address the psychological implications of colonialism, post-colonial dynamics, and racism as a technology of control. In this section, we also conceptually define what systemic discrimination is and how the cycle of human rights violations resulting from this process develops. We analyze the role of prejudice and stereotypes in the realization of racial discrimination. In the second part, we present a methodological proposal for antidiscriminatory interpretation based on the rationalization of state power and mobilized to guarantee the principle of equality provided for in the Constitution. In summary, the construction of this methodology should, according to our argument, start with the deconstruction of racist biases naturalized in institutions, the consideration of foreseeable discriminatory outcomes as a decision criterion, and the abandonment of state neutrality. The last part is reserved for the reinterpretation of some constitutional rights from an antidiscriminatory perspective. At the end of this research, we conclude that, in the face of a scenario of constant structural and systemic rights violations, Antidiscriminatory Law emerges as a solution, aiming to confer equality to the interpretation of the law.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLewandowski, Enrique RicardoSantiago, Fernanda Cimbra2024-08-02info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2140/tde-16102024-133500/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-29T09:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-16102024-133500Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-29T09:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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