A alteridade na escolarização de imigrantes: entre silenciamento e barulho

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Sampaio Primo, Joana
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-14082025-171051/
Resumo: A presente tese investiga a escolarização de crianças e jovens imigrantes, apoiando-se, para tanto, em dois campos de pesquisa: o primeiro realizado em quatro escolas municipais da cidade de São Paulo e o segundo executado em duas escolas de Paris. Parte-se das problemáticas surgidas na escolarização de crianças de origem andina, na capital paulista, que chegam às escolas sem falar nenhuma língua: crianças literalmente silenciosas que puderam fazer barulho no encontro com as equipes pedagógicas. A partir do trabalho com as equipes escolares, construiu-se intervenções psicanalíticas clínico-políticas para pesquisar e intervir em tal situação. O segundo campo de pesquisa, executado nas salas que acolhem estudantes estrangeiros que chegam à França sem falar a língua do país, foi motor de questionamento das formas como nos aproximamos daqueles que representam alteridades. Esta percepção ganhou forma em terreno estrangeiro e serviu de indagador para as convicções precedentes: seguindo os passos de Theodor Adorno (2009), sustentamos que todo pensamento para ser verdadeiro precisa pensar contra si mesmo, isto é, precisa negar as generalizações às quais está sujeito. De maneira mais direta, apoiados pelas experiências de campo, circunscrevemos como objeto da tese o pensamento que surge no encontro com aqueles que representam a priori alteridades, a saber, os estudantes estrangeiros. Afirma-se que os encontros com alteridades geram um duplo movimento: primeiramente a diferença choca seus interlocutores e produz angústias diante do desconhecido que, paradoxalmente, tendem à produção certezas e, em um segundo momento, a alteridade pode servir de motor para a diferenciação. A tese, portanto, assevera que a escuta psicanalítica em escolas pode auxiliar na necessária sustentação dos possíveis, mais do que na negação da certeza ou na afirmação cega da diferença. Para dar conta de acompanhar tal passagem, o movimento-tese se deu como um mosaico: a partir dos cacos recolhidos no diário de experiência, compõe-se fragmentos que orientam a escrita em forma ensaio. Por fim, ainda no intuído de ter como guia o encontro com a diferença, a tese foi dividida em três eixos, nos quais ambos os campos de pesquisa orientam as reflexões: 1º A alteridade-choque: quando o outro só aparece como uma marca genérica da diferença; 2º Escutando o silêncio: quando a diferença pode construir barulhos e a alteridade pode estar também em nós, e 3º Os giros do caleidoscópio: da alteridade-choque para os efeitos de diferenciação.
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O segundo campo de pesquisa, executado nas salas que acolhem estudantes estrangeiros que chegam à França sem falar a língua do país, foi motor de questionamento das formas como nos aproximamos daqueles que representam alteridades. Esta percepção ganhou forma em terreno estrangeiro e serviu de indagador para as convicções precedentes: seguindo os passos de Theodor Adorno (2009), sustentamos que todo pensamento para ser verdadeiro precisa pensar contra si mesmo, isto é, precisa negar as generalizações às quais está sujeito. De maneira mais direta, apoiados pelas experiências de campo, circunscrevemos como objeto da tese o pensamento que surge no encontro com aqueles que representam a priori alteridades, a saber, os estudantes estrangeiros. Afirma-se que os encontros com alteridades geram um duplo movimento: primeiramente a diferença choca seus interlocutores e produz angústias diante do desconhecido que, paradoxalmente, tendem à produção certezas e, em um segundo momento, a alteridade pode servir de motor para a diferenciação. A tese, portanto, assevera que a escuta psicanalítica em escolas pode auxiliar na necessária sustentação dos possíveis, mais do que na negação da certeza ou na afirmação cega da diferença. Para dar conta de acompanhar tal passagem, o movimento-tese se deu como um mosaico: a partir dos cacos recolhidos no diário de experiência, compõe-se fragmentos que orientam a escrita em forma ensaio. Por fim, ainda no intuído de ter como guia o encontro com a diferença, a tese foi dividida em três eixos, nos quais ambos os campos de pesquisa orientam as reflexões: 1º A alteridade-choque: quando o outro só aparece como uma marca genérica da diferença; 2º Escutando o silêncio: quando a diferença pode construir barulhos e a alteridade pode estar também em nós, e 3º Os giros do caleidoscópio: da alteridade-choque para os efeitos de diferenciação.This thesis investigates the schooling of migrant children and young people, based on two fields of research: the first carried out in four local schools in the city of São Paulo and the second in two schools in Paris. It starts with the problems that arise in the schooling of children of Andean origin in São Paulo, who arrive at schools without speaking any language: literally silent children who were able to make a noise when they met with the teaching teams. Working with the school teams, clinical-political psychoanalytic interventions were developed to research and intervene in this situation. The second field of research, carried out in the classrooms that welcome foreign students who arrive in France without speaking the language of the country, was the driving force behind questioning the ways in which we approach those who represent alterities. This perception took form on foreign research field and served as an enigma for previous convictions: following in the footsteps of Theodor Adorno (2009), we affirm that in order to be true, all thought needs to think against itself, in other words, it needs to deny the generalisations to which it is subject. More precisely, drawing upon the fieldwork experiences, this thesis delineates as its central object of inquiry the modes of thought that emerge in encounters with those who embody alterity a priorinamely, foreign students. It is asserted that encounters with alterity give rise to a double movement: firstly, difference shocks its interlocutors and produces anguish in the face of the unknown which, paradoxically, tends to produce certainties and, at a second moment, alterity can serve as an engine for differentiation. The thesis asserts that clinical-political interventions with schools can support the sustaining of possibilities, rather than merely denying certainty or blindly affirming difference. In order to be able to follow this passage, the thesis movement took place like a mosaic: from the \'\'pieces\'\' collected in the field diary, fragments were put together to guide the writing of the essay. Finally, with the aim of guiding the encounter with difference, the thesis was divided into three axes, in which both fields of research guide the reflections: 1) Shock- alterity: when the other only appears as a generic mark of difference; 2) Listening to silence: when difference can make noises and alterity can also be in us, and 3) The turns of the kaleidoscope: from shock- alterity to the effects of differentiation.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRosa, Miriam DebieuxSampaio Primo, Joana2025-04-23info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-14082025-171051/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-27T18:47:03Zoai:teses.usp.br:tde-14082025-171051Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-27T18:47:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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